Compilado por Amália Safatle

Dicionário

Business as usual – expressão em inglês para designar o cenário em que os negócios são tocados de modo costumeiro, sem inovação nem mudança.

Cadeia de suprimentos – sequência de atividades que fornece bens ou serviços para uma organização.

Cadeia de valor – Segundo definição de Handfield e Nichols (1999), “a cadeia de valor compreende todas as atividades associadas com o fluxo e a transformação de bens a partir do estágio de matérias primas (extração) até o consumidor final, bem como os fluxos de informação associados a tais processos. Materiais e informação circulam tanto para cima quanto para baixo na cadeia de valor. A gestão da cadeia de valor é a integração de tais atividades por meio de melhores relações ao longo da cadeia, com o intuito de alcançar uma sustentável vantagem competitiva”.

A cadeia de valor inclui todos os elos a montante e a jusante da empresa. À montante encontram-se fornecedores, subfornecedores, produtores, prestadores de serviços, e a esta parte se aplica o termo cadeia de suprimentos. À jusante da empresa encontram-se distribuidores e clientes finais. Olhar a cadeia de valor do ponto de vista da sustentabilidade significa também substituir a linearidade pela circularidade na sua gestão. Ou seja, substituir a lógica “pega-faz-descarta”, típica de um modo de produção e consumo que há muito se mostrou insustentável, pela “pede emprestado-usa-devolve”, que considera os limites da capacidade de suporte do planeta.

Criação de valor – a cada elo da cadeia desde os fornecedores até a distribuição final, é acrescentado valor. Em termos competitivos, valor é a quantia que os consumidores estão dispostos a pagar por um determinado produto ou serviço.

Destruição de valor – quando o custo do capital se torna maior que o retorno proporcionado por ele.

Ecossistema de inovação – ambiente no qual os atores envolvidos na inovação interagem e trocam informações, conhecimento, recursos e outros apoios.

Externalidades negativas – custos impostos à sociedade que não são arcados unicamente por aqueles que os provocam. Uma empresa gera externalidades negativas quando, por exemplo, emite gases de efeito estufa e não investe em processos de redução das emissões. Quando a empresa “internaliza as externalidades”, absorve sozinha esses custos, em vez de “socializar” os efeitos negativos da mudança clima. No velho jeito de fazer negócios, essa empresa, em vez de ser premiada por isso, é penalizada, porque se torna menos competitiva financeiramente do que aquela que não investe.

Fordismo – conjunto de métodos de racionalização da produção elaborado pelo industrial americano Henry Ford, que desenvolveu três princípios de administração:

1) intensificação: consiste em reduzir o tempo de produção com o emprego imediato dos equipamentos e matérias-primas e a rápida colocação do produto no mercado.

2) economicidade: consiste em reduzir ao mínimo o estoque da matéria-prima em transformação, de tal forma que uma determinada quantidade de automóveis (a maior possível) já estivesse sendo vendida no mercado antes do pagamento das matérias-primas consumidas e dos salários dos empregados.

3) produtividade: consiste em aumentar a quantidade de produção por trabalhador na unidade de tempo mediante a especialização e a linha de montagem. (fonte: acesse aqui)

Fronteiras planetárias – limites que, se não forem ultrapassados, definem a zona de segurança da vida na Terra. Segundo o grupo liderado pelos cientistas Johan Rockström, do Stockholm Resilience Centre, e Will Steffen, da Universidade Nacional da Austrália, constituem o espaço operacional seguro para a humanidade. O grupo identificou nove sistemas de suporte à vida no planeta, dos quais três já foram ultrapassados, apresentando desequilíbrios irreversíveis: mudança climática, perda de biodiversidade e fluxo biogeoquímico.

Inovação – de acordo com o Manual de Oslo, trata-se da implementação de um produto, bem ou serviço, seja novo ou significativamente melhorado, de um processo, de um método de marketing ou de um método de gestão. A primeira versão foi editada em 1990 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o objetivo de orientar e padronizar conceitos, metodologias e construção de estatísticas e indicadores de pesquisa de P&D de países industrializados.

Mentoring – termo inglês traduzido como “tutoria”, o mentoring é uma ferramenta de desenvolvimento profissional pela qual uma pessoa ou instituição dotada de determinada experiência oferece orientações a quem precisa.

Stakeholders – termo inglês traduzido como “partes interessadas”, designa as pessoas e os grupos mais importantes e estratégicos para o relacionamento de uma empresa, tais como funcionários, fornecedores, clientes, investidores etc. Stake significa interesse, participação, risco.

Território – pode ser entendido como resultado da atuação histórica, cultural, política e econômica dos diversos atores que dele se apropriam e transformam seu curso histórico, em um processo de metamorfose do espaço, como defendeu Milton Santos (1996). Esse entendimento considera elementos que extrapolam o meio físico e as fronteiras administrativas na delimitação da influência de uma empresa sobre o entorno de suas operações.

Uma abordagem territorial permite a formulação de uma proposta de desenvolvimento centrada nas pessoas, que leva em conta os pontos de interação entre os sistemas socioculturais e os sistemas ambientais e que contempla a integração produtiva e o aproveitamento competitivo desses recursos como meios que possibilitam a cooperação e corresponsabilidade ampla de diversos atores sociais.

Valor compartilhado – políticas e práticas operacionais que melhoram a competitividade da empresa, promovendo simultaneamente avanços nas condições econômicas e sociais nas comunidades em que atua.

Dicas de vídeo

Que cara a inovação tecnológica tem? O rosto de um rapaz branco, recém-formado em uma universidade de ponta, vestindo calça cáqui e camiseta? Neste vídeo, a jornalista e empreendedora Shireen Mitchell fala sobre preconceito de etnia e de gênero. Ativista da inclusão de mulheres negras na tecnologia e do combate à violência on-line contra mulheres, ela conta sobre seu trabalho à frente da Digital Sistas – a primeira organização americana dedicada à capacitação digital de meninas não-brancas, fundada por ela em 1999. O vídeo faz parte da série “Mulheres Abraçam O Futuro”, na qual a ONG Think Olga entrevista líderes femininas que estão traçando os novos caminhos da inovação.

Girls Just Wanna Have Funds! Já que estamos falando sobre gênero, esta iniciativa nos Estados Unidos apoia mulheres que buscam trabalhar inovação e empreendedorismo.

E já que também estamos falando de inovação e empreendedorismo, este vídeo mostra o tratamento de uma mina de urânio em Poços de Caldas (MG) por meio de uma tecnologia inovadora, resultado da parceria entre a BrasilOzônio e a RedeResíduo. Ambas as empresas participaram das iniciativas ISCV, ICV Global e Guia de Inovação para Sustentabilidade em MPE, do GVces (acesse a reportagem publicada no Guia).

Dica de filme

Joy: O nome do sucesso

Criativa desde a infância, Joy Mangano (Jennifer Lawrence) entrou na vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora e tornou-se uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos. Com Robert de Niro. Confira o trailer.

Dica de leitura

Neste livro intitulado The Myth of the Idea and the Upsidedown Startup: How assumption-based entrepreneurship has lost ground to resource-based entrepreneurship, o professor Newton M. Campos desconstroi o senso comum segundo o qual as startups de sucesso sempre emergem de uma grande ideia. Campos é professor na Fundação Getulio Vargas e na IE Business School in Madrid.

Referências teóricas

Neste estudo, Ram Nidumolu, C.K. Prahalad e M.R. Rangaswami mostram por que a sustentabilidade se tornou o fator-chave para a inovação.

Dica de site

O Global Entrepreneuship Monitor é uma iniciativa monitora o empreendedorismo no mundo, reunindo vastas informações, dados e conhecimento. Aqui, um “capítulo” sobre o Brasil, em parceria com o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV-Eaesp (GVcenn).

Dicas de relatório

Acesse aqui o relatório Model Behavior – 20 Business Model Innovations for Sustainability, produzido pela consultoria SustainAbility, e que relata cases de inovação para a sustentabilidade.

Conheça os desafios e as condições favoráveis para o sucesso do chamado green inventing neste relatório da Aspen Network of Development Entrepeneurs (Aspen). O documento compila os resultados de roundtables promovidas em diversos países, incluindo o Brasil. A Aspen ainda publicou este relatório sobre impact inventing e o fortalecimento do ecossistema de inovação em mercados emergentes.

Onde e como as micros e pequenas empresas devem buscar fontes alternativas de recursos para empreender? Este é o tema de relatório do Fórum Econômico Mundial, intitulado Alternative Investments 2020: The Future of Capital for Entrepreneurs and SMEs.

Manuais e guias

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês) e a holandesa Delft University of Technology produziram em conjunto este guia intitulado Design for Sustainability – A step-by-step aproach, que traz uma abordagem passo a passo.

O Guia Prático de Apoio à Inovação é uma iniciativa do Pró-inova, programa de difusão para a inovação nas empresas, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O Guia de Sustentabilidade para Inovação em MPE é uma iniciativa do GVces e da Página22 que identifica, de acordo com metodologia desenvolvida internamente, o potencial de inovação para sustentabilidade entre micros e pequenas empresas brasileiras. Acesse a edição de 2015 aqui.

Conheça também

O Araucária + inova ao promover uma mudança em toda a cadeia do mate e do pinhão, propondo um sobre-preço ao produtor rural que promove boas práticas e a articulação de um mercado de maior valor agregado para esses produtos. Foi um dos casos selecionados pela iniciativa Inovação em Desenvolvimento Local em 2014.

Linear ou circular? Circular! O Banco de Tecido é uma iniciativa que promove a conexão em rede de empreendedores que usam tecidos em suas atividades, conciliando demanda e oferta e otimizando a gestão de estoques. Veja como nesta animação.

Vale a pena ler de novo

O que a economia verde e inclusiva pode esperar da revolução tecnológica em curso: na edição 98 de Página22.

Mudança de era: como se move a sociedade no tempo em que as inovações são mais necessárias do que nunca. Na edição 47 de Página22.

Design: conheça casos, experiências e opiniões que inspiram o redesenho da sociedade. Na edição 26 de Página22.

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