Roteiro e produção: Magali Cabral

Locução: Cíntya Feitosa

A moda é atraente, colorida, bacana… Uma roupa nova tem o poder de melhorar o humor, a disposição, a autoestima… pelo menos temporariamente.

O problema é que muitos dos modelitos expostos pelas vitrines podem ter um preço que vai muito além do simples valor monetário.

Explicaremos.

A indústria da moda é responsável por impactos profundos e difusos em toda a sua cadeia de produção, desde a extração das diversas matérias-primas utilizadas na fabricação das peças até o descarte.

Entre uma ponta e outra estão as condições de trabalho com que são produzidas roupas, calçados e acessórios e a forma voraz como tudo isso é consumido.

A moda sempre causou impactos ambientais e sociais… desde a Revolução Industrial – é isso mesmo! a Revolução Industrial começou fortemente pela indústria têxtil!

Mas, de 20 anos para cá, o cenário complicou-se bastante. Antes, as marcas produziam apenas quatro coleções por ano, uma para cada estação.

Nas últimas décadas, porém, surgiu a chamada fast fashion, que abastece as grandes lojas varejistas internacionais.

São produzidas 52 coleções anuais, uma por semana. Às vezes até mais.

Estima-se uma produção mundial de 80 bilhões de peças de vestuário por ano – sem contar o que rola no mercado informal, e no médio e pequeno varejo.

Hoje, consomem-se 400% mais roupas do que no começo deste século.

Qual a lógica em todo esse processo?

Produzir enormes quantidades de roupas e calçados sem parar só faz sentido se na outra ponta as pessoas puderem comprar sem parar.

Para isso, o preço tem de ser baixo; o custo de produção, o menor possível; e o ritmo de trabalho, incessante.

E está criada uma fórmula com tudo para dar errado do ponto de vista de impactos socioambientais.

A começar pela situação degradante de condições de trabalho, muitas vezes trabalho escravo, como se tem notícia. E de desrespeito ao meio ambiente – a cadeia produtiva do couro, por exemplo, está entre as mais poluidoras de todas.

Mas há também as tinturas de tecidos, o descarte de peças de poliéster e outros materiais que não degradam com facilidade.

Não dá para esquecer a mineração para obtenção de metais usados em botões, rebites e zíperes usados fartamente nas calças jeans.

Por falar em calça jeans, para fabricar apenas uma delas são necessários 11 mil litros de água. E essa mesma calça viaja até 75 mil quilômetros para chegar até o seu guarda-roupa.

Felizmente, os grandes varejistas internacionais já começaram a fazer os primeiros movimentos em busca de uma moda mais sustentável.

Alguns estão fabricando coleções com algodão orgânico, outros estão promovendo logística reversa em suas lojas, ou melhorando o sistema de rastreamento da situação trabalhista nas empresas terceirizadas e até quarteirizadas.

E, assim como aconteceu no setor de alimentos, em que o slow food surgiu para se contrapor ao fast food, na moda também já existem novas propostas alternativas de consumo: guarda-roupas compartilhados, roupatecas, oficinas de reparos, eventos de troca de peças, entre outras.

Vários desses movimentos, além de confecções que adotam práticas éticas, estarão representados no BE Fashion Week, em São Paulo, a primeira semana de moda sustentável do País, de 22 a 24 de novembro.

Saiba mais sobre o que acontece nos bastidores da indústria da moda nesta edição de P22_ON.

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