Roteiro: Magali Cabral / Locução: Cíntya Feitosa

Água… um bem tão inerente a nossas vidas que raramente paramos para pensar na quantidade de iniciativas, pesquisas, mobilizações, previsões, obras e verbas necessárias para termos um mínimo de segurança hídrica.

Uma data comemorativa como a de 22 de março, o Dia Mundial da Água, criada pelas Nações Unidas em 1993, serve justamente para nos lembrar dos riscos que já estamos correndo e que estamos deixando para as gerações futuras.

O Fórum Mundial da Água, este ano no Brasil sob o tema do compartilhamento, também provoca reflexões.

Aproveitando todos esses “ganchos”, estamos lançando esta edição de P22_ON sobre a Água, tendo como pano de fundo a estreita relação entre água, alimento e energia.

Para começar, apresentamos um “retrato” da situação dos recursos hídricos no País em uma reportagem que usou como base um levantamento conjuntural. Esse relatório, publicado no ano passado pela Agência Nacional de Águas (a ANA), respaldou com números e dados o que antes eram só estimativas.

Você sabia que o setor agrícola usa na irrigação de lavouras praticamente o dobro da água destinada ao abastecimento dos cerca de 180 milhões de brasileiros que vivem nas zonas urbanas brasileiras?

Na realidade, o consumo de água na irrigação é ainda bem maior do que o de outros setores. É que boa parte dessa água, ao contrário dos demais usos, como o próprio abastecimento urbano ou industrial, não retorna ao ciclo hidrológico.

Isso porque se transforma em planta ou em proteína. Quando vendemos grãos e carne para o exterior, estamos entregando também parte de nossas reservas hídricas.

Elas não são poucas. Mas nem por isso devemos deixar barato. Embora o Brasil seja campeão mundial em disponibilidade de água doce, o recurso está muito mal distribuído entre as regiões.

Além disso, tem o agravante da mudança do clima, que aumenta a imprevisibilidade sobre o que pode acontecer. Em uma região do Semiárido Brasileiro, por exemplo, os pesquisadores do FGVces calcularam o prejuízo da seca atual: cerca de R$ 3 bilhões. Isso mostra que a inação tende a custar mais que investimentos em adaptação climática.

Além de mostrar a situação atual, temos uma reportagem que justamente relaciona recursos hídricos com contas nacionais. Pela contabilidade convencional, o PIB pode crescer, mas à custa da redução dos ativos ambientais, entre eles a água.

Em outro trabalho, detalhamos os fatores que colocam em risco a oferta e a qualidade dos recursos hídricos no Brasil e as medidas de adaptação necessárias.

Como os gestores públicos e privados podem lidar com esses riscos e com a incerteza do clima, com base em uma análise de custo e benefício?

E mais: que indicadores devem ser levados em conta para monitorar e avaliar a oferta e a qualidade da água nos sistemas público e privado? Como medir os impactos da escassez?

Em outra reportagem apresentamos os instrumentos econômicos disponíveis que estão sendo estudados para enfrentar a imprevisibilidade, como o mercado de direitos de uso da água.

Também descrevemos medidas de adaptação no setor público e privado, e as ilustramos com casos de situações práticas das empresas.

Boa leitura

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