Dicionário de expressões usadas nesta edição

Área de Preservação Permanente (APP) – Conforme definição da Lei n. 12.651/2012, APP é uma área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Business as usualcenário em que os negócios são tocados de modo costumeiro, sem inovação nem mudança.

Capital natural: pode ser definido como “estoque ou reserva provida pela natureza (biótica ou abiótica) que produz um valioso fluxo futuro de recursos ou serviços naturais”, segundo texto dos autores Daly e Farley. Um exemplo de “estoque” são os ecossistemas, enquanto os serviços ecossistêmicos são exemplo de “fluxo”.

Certificação da soja – Os sistemas mais conhecidos são Round Table on Responsible Soy (RTRS), Biomass Biofuel, Sustentability Voluntary Scheme (2BS) e Internacional Sustainability & Carbon Certification (ISCC)

Cradle to Cradle – Uma das escolas de pensamento da Economia Circular, desenvolvida pelo químico alemão Michael Braungart, em conjunto com o arquiteto americano Bill McDonough. Esse conceito, que resultou na certificação Cradle to Cradle, elimina o conceito de resíduo (“resíduo é igual a alimento”), maximiza o uso de energias renováveis, gerencia o uso da água e segue preceitos da responsabilidade social.

Competitividade espúria – Conceito criado pelo economista chileno Fernando Fajnzylber, da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), a competitividade espúria se vale de baixos salários, subsídios e câmbio desvalorizado, em contraposição à competitividade autêntica.

Dia de Sobrecarga da Terra – Momento em que a demanda anual da humanidade em relação à natureza ultrapassa a capacidade de renovação dos ecossistemas terrestres naquele ano. Em 2018, o dia em que entramos no “cheque especial” foi 1º de agosto.

Economia Circular – Economia regenerativa e restaurativa por princípio, segundo a Ellen MacArthur Foundation. Trata-se de uma alternativa ao modelo econômico “extrair, transformar, descartar”, que está atingindo seus limites físicos. Consiste em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos, administrando estoques finitos e fluxos renováveis. Seu objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor o tempo todo.

Ecossistema: um complexo dinâmico de plantas, animais, microrganismos e seu ambiente não vivo interagindo como uma unidade funcional. Exemplos de ambiente não vivo são a fração mineral do solo, o relevo, as chuvas, a temperatura e os rios e lagos – independentemente das espécies que os habitam.

Externalidades – Reflexos negativos ou positivos de uma atividade que são sentidos por aqueles que pouco ou nada contribuíram para gerá-los. No caso de externalidades negativas, os prejuízos impostos à sociedade não são arcados por aqueles que os provocam, e sim pagos por todos.

Global Platform on Business and Biodiversity – Na Plataforma Global para Empresas e Biodiversidade encontra-se uma variedade de dados sobre atividades de engajamento empresarial, bem como informações e ferramentas para empresas que desejam entender melhor seus impactos e dependências em biodiversidade e a função dos serviços ecossistêmicos.

Guias e ferramentas: caminhos que ajudam a incorporar o capital natural na gestão empresarial

Insetting – O termo refere-se a iniciativas empresariais para equilibrar os seus relacionamentos com o ambiente do qual dependem. A ideia consiste em compensar internamente os impactos sociais e ambientais negativos associados ao negócio (clima, água, biodiversidade, solos, questões sociais…). O cerne do programa é inserir temas socioambientais à estratégia de negócio e, para isso, é necessário:

– Garantir a participação das cadeias de suprimentos e fornecimento

– Controlar a pegada ambiental

– Preservar recursos e o corebusiness

– Reforçar os valores do grupo e o empoderamento dos funcionários

– Agregar valor ao produto

– Engajar consumidores e parceiros

Lixiviação – Com a extração da vegetação natural, o solo fica exposto ao sol, ao vento, às chuvas. A lixiviação é justamente o processo de lavagem superficial dos sais minerais do solo provocado pelas chuvas, o que leva a erosões, perda de fertilidade e assoreamento dos cursos d’água (acúmulo de sedimentos na calha dos rios)

New York Declaration on Forests – Declaração internacional voluntária para deter o desmatamento global. Foi endossada pela primeira vez na Cúpula do Clima das Nações Unidas, em setembro de 2014. Possui 191 signatários, sendo 40 governos, 20 governos subnacionais, 57 empresas multinacionais, 16 grupos representantes de comunidades indígenas e 58 organizações não governamentais. Conheça seus 10 objetivos.

Natural Capital Coalition – a organização criou o Natural Capital Protocol, um guia para ajudar o setor empresarial a fazer avaliação de capital natural (ver mais abaixo).

ODS – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são uma agenda mundial adotada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em setembro de 2015, composta por 17 objetivos e 169 metas a serem atingidos até 2030.

Os 17 ODS são os seguintes:

  1. 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
  2. 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
  3. 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
  4. 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
  5. 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
  6. 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos
  7. 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos
  8. 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos
  9. 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
  10. 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
  11. 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
  12. 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
  13. 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos
  14. 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável
  15. 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade
  16. 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis
  17. 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)  sistema de remuneração por meio do qual o agente que promove o benefício ambiental é recompensado e o beneficiário deve pagar o valor econômico referente.

Reserva Legal – segundo o Novo Código Florestal, é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. O percentual da propriedade que deve ser averbado como Reserva Legal varia de acordo com o bioma e a região em questão, sendo:

  • 80% em propriedades rurais localizadas em área de floresta na Amazônia Legal;
  • 35% em propriedades situadas em áreas de cerrado na Amazônia Legal, sendo no mínimo 20% na propriedade e 15% na forma de compensação ambiental em outra área, porém na mesma microbacia;
  • 20% na propriedade situada em área de floresta, outras formas de vegetação nativa nas demais regiões do País;
  • 20% na propriedade em área de campos gerais em qualquer região do País.

Serviços Ecossistêmicos: contribuições diretas e indiretas dos ecossistemas ao bem-estar humano.

Waves – É uma parceria global liderada pelo Banco Mundial de incorporação do capital natural nas contas públicas. Saiba mais sobre o papel do setor privado no reconhecimento do valor do capital natural para os negócios aqui.

Teeb – The Economics of Ecosystems and Biodiversity, ou Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, iniciativa liderada pelo economista Pavan Sukhdev, que lançou em 2011 o documento A economia dos ecossistemas e da biodiversidade. O trabalho enfatiza o potencial que os benefícios da natureza podem proporcionar para garantir e melhorar o bem-estar humano. Acesse a versão em português.

TeSE – a inciativa empresarial do FGVces Tendências em Serviços Ecossistêmicos construiu em conjunto com o grupo de empresas membro diretrizes para a valoração monetária e não monetária de 10 serviços ecossistêmicos materiais para as empresas. Veja diretrizes e ferramenta.

Dicas de vídeos, leituras e pesquisa

Livro

  • Quer saber qual a forma mais eficiente de proteger o capital natural? É por meio das Unidades de Conservação (UC), segundo os organizadores do livro Quanto vale o verde: a importância econômica das unidades de conservação brasileiras, Carlos Eduardo Frickmann Young e Rodrigo Medeiros. A publicação procura demonstrar que os ganhos econômicos diretos e indiretos decorrentes das unidades de conservação no País superam, com larga vantagem, os gastos e investimentos requeridos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Acesse o livro aqui.

Vídeos 

  • Serviços Culturais – O vídeo O Valor das Unidades de Conservação para a Sociedade Brasileira ilustra as contribuições das unidades de conservação para a sociedade brasileira. É o valor da natureza e dos serviços ecossistêmicos (água, equilíbrio climático, pesquisas, produtos medicinais, beleza cênica etc.) para o bem-estar, o setor produtivo, a economia (retorno de sete vezes o investido), a defesa das populações tradicionais etc. O vídeo foi produzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Agência Alemã de Cooperação Técnica –a GIZ – e os projetos Teeb Regional-Local e Consolidação do Snuc. Acesse:
  • Serviços ecossistêmicos – nova fronteira para competitividade e resiliência nos negócios.  Assista:
  • O vídeo da União para o Biocomércio Ético (UEBT) sobre o Barômetro da Biodiversidade traz a opinião de consumidores de diversos países sobre biodiversidade. Com legenda em português: https://youtu.be/lHQv-PLjWig
  • Os videodocumentários Negócios e uso sustentável da biodiversidade no Brasil abordam a relação empresas e biodiversidade, mostrando boas práticas de uso da biodiversidade, inovação e relacionamento com fornecedores de cinco empresas: Beraca (cupuaçu), Centroflora (jaborandi), Pele Nova (seringueira), Tobasa (babaçu) e Natural Wax (carnaúba). Foram produzidos no âmbito do projeto Teeb R-L. Confira:

http://www.portaldaindustria.com.br/cni/interna-video/?v=Mm0f5CtOOGw

http://www.portaldaindustria.com.br/cni/interna-video/?v=p0mhrrS8MsU

http://www.portaldaindustria.com.br/cni/interna-video/?v=UwlnaWKHKR8

http://www.portaldaindustria.com.br/cni/interna-video/?v=eiX12X_nJZM

http://www.portaldaindustria.com.br/cni/interna-video/?v=02IBz_5rAac

Websites e plataformas:

  • Valoração de serviços ecossistêmicos – Para conhecer vários casos de uso da valoração econômica como instrumento para tangibilizar a importância dos serviços ecossistêmicos para as atividades empresariais, acesse aqui.
  • Iniciativa Empresarial Tendências em Serviços Ecossistêmicos – TeSE . Aqui se encontram todas as publicações da TeSE.
  • Plataforma ValuES – Métodos para integrar serviços ecossistêmicos nas políticas, planejamento e prática.
  • Site da Iniciativa Brasileira de Negócios e Biodiversidade (coordenada pela CNI, CEBDS e Instituto Life): ibnbio.org.
  • Site do World Forum on Natural Capital que ocorreu nos dias 23 e 24 de novembro de 2015, na Escócia, no qual podem ser encontradas informações sobre o tema e a relação com o setor de negócios

Relatórios

  • Relatório Towards a global map of natural capital: key ecosystem assets (Unep, 2014), traz um mapeamento da distribuição do capital natural em esfera global: https://www.unep-wcmc.org/system/dataset_file_fields/files/000/000/232/original/NCR-LR_Mixed.pdf?1408446708.
  • Gerenciamento de riscos financeiros. Fonte: Unep FI CEO Briefing (2010): Desmistificando a materialidade – Incorporando os serviços de biodiversidade e ecossistêmicos no setor financeiro:
  • Estudo Quantificação da Exposição ao Risco relacionado ao Capital Natural das Instituições Financeiras no Brasil, desenvolvido pela TruCost em parceria com instituições financeiras brasileiras encomendado pela GIZ e CEBDS.
  • Relatório Análise do Retorno do Investimento na Conservação de Bacias Hidrográficas: Referencial Teórico e Estudo de Caso do Projeto Produtor de Água do Rio Camboriú, Santa Catarina, Brasil.

Literatura acadêmica

  • TEEB (2010). A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade: Integrando a Economia da Natureza. Uma síntese da abordagem, conclusões e recomendações do TEEB. Sukhdev, P. (Coord.). 49 p. Disponível aqui.
  • TEEB (2010). A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade: Relatório para o Setor de Negócios. Sumário Executivo. Bishop, J. (Coord.). 23 p. Disponível aqui.
  • TEEB (2012). TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro. Relatório Preliminar. Pavese, H. (Coord.). 36 p. Disponível aqui.
  • COSTANZA, R.; DE GROOT, R.; SUTTON, P.; VAN DER PLOEG, S.; ANDERSON, S.; KUBISZEWSKI, I.; FARBER, S.; TURNER, K. Changes in the global values of ecosystem services. Global Environmental Change, v. 26, pp. 152-158, 2014. Disponível aqui.
  • HARDIN, G. Tragedy of Commons. Science, n. 162, pp. 1243-1248, 1968:  Disponível aqui.
  • HANSON, C.; RANGANATHAN, J.; ICELAND, C.; FINISDORE, J. The corporate ecosystem services review: guidelines for identifying business risks & opportunity arising from ecosystem change. Version 2.0. Washington, DC: World Resources Institute, 2012. Disponível aqui.

Projetos e casos

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