{"id":1189,"date":"2016-11-08T12:01:36","date_gmt":"2016-11-08T15:01:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1189"},"modified":"2022-02-22T11:13:23","modified_gmt":"2022-02-22T14:13:23","slug":"a-evolucao-para-as-cadeias-de-valor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2016\/11\/08\/a-evolucao-para-as-cadeias-de-valor\/","title":{"rendered":"Um ecossistema em evolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Magali Cabral<\/em><\/p>\n<p>Entre 1996 e 2005, a atividade de minera\u00e7\u00e3o no Brasil chegou a mais de 2 bilh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos. A previs\u00e3o para o per\u00edodo entre 2010 e 2030 \u00e9 que sejam produzidos mais de 11 bilh\u00f5es de toneladas, com a minera\u00e7\u00e3o de ferro na dianteira, contribuindo com mais de 35% de todo o volume.<\/p>\n<p>De uma parceria entre duas pequenas empresas brasileiras, que se fortaleceu durante iniciativas de apoio a pequenos neg\u00f3cios sustent\u00e1veis e inovadores conduzidas pelo GVces, pode estar surgindo uma solu\u00e7\u00e3o definitiva para a \u201cmontanha\u201d de polui\u00e7\u00e3o deixada pela atividade de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A BrasilOz\u00f4nio (que desenvolve e comercializa equipamentos que utilizam oz\u00f4nio para o tratamento de \u00e1gua, ar e efluentes em substitui\u00e7\u00e3o a produtos qu\u00edmicos convencionais) e a RedeRes\u00edduo (oferece solu\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de res\u00edduos de constru\u00e7\u00e3o) \u2013 ambas selecionadas no <a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/revistap22\/99\/\">Guia de Inova\u00e7\u00e3o para Sustentabilidade em MPE<\/a> em 2015 \u2013 desenvolveram recentemente uma inova\u00e7\u00e3o disruptiva: conseguiram transformar os res\u00edduos da minera\u00e7\u00e3o (ferro, ur\u00e2nio, ouro, carv\u00e3o etc.) em \u00e1gua limpa, de um lado, e em um subproduto com aproveitamento comercial (\u00f3xido de mangan\u00eas), de outro.<\/p>\n<p>Isso significa que o armazenamento de lama contaminada por metais pesados, como a barragem da Samarco, em Mariana (MG), que rompeu h\u00e1 um ano e provocou a maior trag\u00e9dia ambiental do Pa\u00eds, poder\u00e1 estar com os dias contados. Saiba mais <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2013\/03\/15\/ozonio-trata-residuos-de-mineracao\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Guardadas as propor\u00e7\u00f5es, a evolu\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria da <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/pb\/2016\/11\/05\/dicionario-dicas-de-videos-filmes-leituras-afins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inova\u00e7\u00e3o<\/a> para a sustentabilidade no Brasil e a evolu\u00e7\u00e3o das pesquisas desenvolvidas sobre o assunto dentro do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-Eaesp (GVces) possui um registro bem similar. O tema foi um dos primeiros a compor o portf\u00f3lio do GVces ainda em 2004.<\/p>\n<p>Esse processo fica mais claro \u00e0 medida que se conhecem as linhas gerais dos projetos voltados para a inova\u00e7\u00e3o com os quais o GVces trabalha desde a sua funda\u00e7\u00e3o. O primeiro deles foi o New Ventures, em 2004, em parceria com o World Resources Institute (WRI), seguido pelo Inova\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (que come\u00e7ou em 2011, em parceria com o banco Citi e o patroc\u00ednio da Citi Foundation) e o Inova\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (com in\u00edcio em 2014, em parceria com a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos \u2013 Apex-Brasil). Essas duas \u00faltimas iniciativas fazem parte de um guarda-chuva, que \u00e9 o programa Inova\u00e7\u00e3o na Cria\u00e7\u00e3o de Valor (ICV).<\/p>\n<p><strong>Primeiro se olhava apenas para o meio ambiente&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A primeira a\u00e7\u00e3o do projeto New Ventures, cujo objetivo era apoiar e aproximar <em>startups<\/em> de investidores e fundos de capital, foi procurar no mercado empreendimentos que promovessem inova\u00e7\u00e3o no campo da sustentabilidade. Encontrou v\u00e1rios, a maioria voltada a solu\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Muito mais do que hoje, nos idos de 2004 era comum achar que sustentabilidade era uma denomina\u00e7\u00e3o para quem apresenta apenas solu\u00e7\u00f5es de cunho ambiental. Assim, os primeiros empreendimentos que emergiram no New Ventures atuavam na linha de produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos, de solu\u00e7\u00f5es de saneamento, de tratamento de efluentes, reciclagem, entre outros. Na \u00e9poca \u2013 e talvez ainda hoje \u2013 o termo inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m era associado muito mais \u00e0 tecnologia do que, por exemplo, \u00e0 gest\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto New Ventures n\u00e3o se resumia a aproximar <em>startups<\/em> tecnol\u00f3gicas de potenciais investidores. Havia no cora\u00e7\u00e3o da proposta um meio de campo de mentoria que poderia fazer toda diferen\u00e7a no futuro daquelas pequenas empresas inovadoras. Afinal, n\u00e3o \u00e9 raro que esses empreendedores estejam, eles mesmos, por tr\u00e1s da inova\u00e7\u00e3o que tentam colocar no mercado. Essa pessoa costuma apresentar um perfil muito t\u00e9cnico, que desconhece os caminhos de uma condu\u00e7\u00e3o apropriada de propostas de valor.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro impulso \u00e9 tentar vender no mercado a inova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, quando antes \u00e9 preciso traduzir tudo aquilo para uma necessidade do mercado\u201d, explica a gestora de projeto do ICV, Ana Moraes Coelho.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos come\u00e7a a surgir no mercado brasileiro uma diversidade maior de empreendimentos, com inova\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas de cunho ambiental, mas voltadas tamb\u00e9m para a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/pb\/2016\/11\/05\/dicionario-dicas-de-videos-filmes-leituras-afins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cadeia de valor<\/a> das empresas. \u00c0 medida que aumentava a diversifica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es e inova\u00e7\u00f5es protagonizadas no Brasil, crescia tamb\u00e9m o ecossistema de <em>venture capital<\/em> (investimentos de risco).<\/p>\n<p>Ainda assim, a equipe envolvida no projeto se questionava se a atua\u00e7\u00e3o isolada do New Ventures conduziria os empreendimentos a n\u00edveis mais altos de maturidade. Em outras palavras: as a\u00e7\u00f5es daquele projeto eram suficientes para garantir a sobreviv\u00eancia daquelas empresas no mercado? \u201cA gente come\u00e7ou a achar que precisava trabalhar outros aspectos para fazer com que as <em>startups<\/em> se enraizassem de fato no mercado\u201d, lembra a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>&#8230;mas o lugar da inova\u00e7\u00e3o era na cadeia de valor<\/strong><\/p>\n<p>Ajudar a empresa a obter um bom plano de neg\u00f3cios e a acessar capital \u00e9 importante, mas, sem a garantia de um cliente l\u00e1 na ponta, o empreendimento n\u00e3o se sustenta. Era preciso analisar e entender o funcionamento do <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/pb\/2016\/11\/05\/dicionario-dicas-de-videos-filmes-leituras-afins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ecossistema de inova\u00e7\u00e3o<\/a> composto por um conjunto de atores que necessita se relacionar \u2013 essas rela\u00e7\u00f5es possibilitam um fluxo de neg\u00f3cios bom para todas as partes envolvidas e um ambiente f\u00e9rtil para se inovar.<\/p>\n<p>Durante essas reflex\u00f5es, a equipe do ICV conseguiu apontar as duas principais fragilidades no projeto New Ventures que, ali\u00e1s, n\u00e3o tinham solu\u00e7\u00e3o a curto prazo.<\/p>\n<p>Uma dizia respeito ao mercado ainda muito embrion\u00e1rio de <em>venture capital<\/em> no Brasil em meados dos anos 2000. Hoje esse mercado j\u00e1 est\u00e1 bem mais desenvolvido, com v\u00e1rios fundos de investimento especializados em neg\u00f3cios verdes, impacto social, tecnologia verde, ecoefici\u00eancia e em solu\u00e7\u00f5es com diferenciais de sustentabilidade.<\/p>\n<p>A outra fragilidade residia na mentalidade da gest\u00e3o de compras das grandes empresas, as \u00e2ncoras das <em>startups,<\/em> ou suas principais clientes. Poucas empresas se dispunham a pagar um pouco mais por um produto ou servi\u00e7o para ter um fornecedor alinhado a outros crit\u00e9rios de contrata\u00e7\u00e3o, como o socioambiental. Muitas nem sequer se dispunham a conhecer, muito menos a apoiar, as novas solu\u00e7\u00f5es que lhes eram apresentadas. O argumento comum era \u201cem time que est\u00e1 ganhando n\u00e3o se mexe\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando esses pequenos empreendimentos batiam \u00e0 porta da grande empresa para oferecer seu produto ou servi\u00e7o, deparavam-se com o comportamento-padr\u00e3o, que era o de cobrar pre\u00e7o, prazo e qualidade\u201d, conta Ana Coelho. S\u00f3 que o foco exclusivo em menor pre\u00e7o deixava de fora da negocia\u00e7\u00e3o as MPE inovadoras que apresentavam solu\u00e7\u00f5es para as <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/pb\/2016\/11\/05\/dicionario-dicas-de-videos-filmes-leituras-afins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">externalidades negativas<\/a> dos seus potenciais clientes.<\/p>\n<p>Foi essa percep\u00e7\u00e3o da fragilidade na forma como as grandes empresas faziam a gest\u00e3o de suas cadeias de valor a motiva\u00e7\u00e3o para o GVces inaugurar, em 2012, outro projeto no \u00e2mbito do ICV: o Inova\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV).<\/p>\n<p>Com um olhar mais amplificado da inova\u00e7\u00e3o, a proposta do ISCV foi a de auxiliar grandes empresas-\u00e2ncora a gerenciar a sua cadeia de valor sob a \u00f3tica da sustentabilidade e com \u00eanfase na qualidade dos relacionamentos. Mostrar, por exemplo, como pode ser compensador inserir crit\u00e9rios para al\u00e9m de pre\u00e7o, prazo e qualidade na contrata\u00e7\u00e3o desses parceiros comerciais da cadeia.<\/p>\n<p>O ISCV n\u00e3o s\u00f3 auxiliou a que se inserissem nas cadeias esses crit\u00e9rios socioambientais como tamb\u00e9m procurou mostrar que n\u00e3o era recomend\u00e1vel deixar de fora fornecedores muito pequenos sem capacidade t\u00e9cnica ou financeira para promover esses crit\u00e9rios que agora estavam sendo exigidos. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para exigir ISO 14001 [<em>selo que atesta a qualidade do sistema de gest\u00e3o ambiental da empresa<\/em>] de um pequeno fornecedor\u201d, observa a pesquisadora.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, a proposta era: vamos inovar na forma como nos relacionamos dentro da cadeia de valor, a montante (cadeia de suprimentos) e a jusante (distribui\u00e7\u00e3o, varejistas, consumidor, ind\u00fastrias recicladoras e atores do p\u00f3s-consumo). Nessa toada, percebeu-se durante a realiza\u00e7\u00e3o de oficinas que as empresas-\u00e2ncora deveriam atuar como protagonistas, ajudando as pequenas a se desenvolver e com isso trazendo para a sua cadeia solu\u00e7\u00f5es para desafios reais que enfrentam em sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u201cEmbora o foco estivesse nas grandes empresas, decidimos, como parte da metodologia, lan\u00e7ar chamadas de casos [<em>editais<\/em>] para identificar no mercado exemplos de pequenas empresas que atuavam na cadeia de grandes desenvolvendo solu\u00e7\u00f5es interessantes para desafios reais\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o dessas novas oficinas era juntar as \u00e2ncoras e as pequenas empresas e trabalhar quest\u00f5es de relacionamento. Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para as pequenas sobreviverem no mercado? Por que s\u00e3o tratadas como uma engrenagem das grandes, submetidas, por exemplo, a atrasos de pagamento?<\/p>\n<p>Al\u00e9m de alcan\u00e7ar esse objetivo de discutir e trabalhar a gest\u00e3o de relacionamentos, criou-se um ambiente de <em>network<\/em> em que os pequenos puderam formar parcerias ali mesmo, durante as oficinas. E vimos isso acontecer, relata Ana Coelho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1215\" aria-describedby=\"caption-attachment-1215\" style=\"width: 1319px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cc-public-domain.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1215\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cc-public-domain.jpg\" alt=\"pixabay\" width=\"1319\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cc-public-domain.jpg 1319w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cc-public-domain-300x94.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cc-public-domain-1024x321.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1319px) 100vw, 1319px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1215\" class=\"wp-caption-text\">pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Depois de ganhar maturidade, \u00e9 chegada a hora de voar<\/strong><\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o da economia brasileira ao com\u00e9rcio internacional \u00e9 um dos grandes desafios da agenda nacional. Segundo o <em>World Factbook<\/em>, da <em>Central Intelligence Agency <\/em>dos Estados Unidos, o Brasil ocupou em 2013 a 23\u00aa posi\u00e7\u00e3o no mundo em termos do valor de exporta\u00e7\u00f5es, ao passo que seu PIB \u00e9 o 8\u00ba maior na economia mundial. Essa lacuna existente entre a realidade das exporta\u00e7\u00f5es e o potencial de crescimento abre enormes oportunidades para as pequenas e m\u00e9dias empresas refor\u00e7arem a imagem do Pa\u00eds como celeiro de oportunidades para quem busca estabelecer parcerias e pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, chega-se \u00e0 fase em que a Apex-Brasil se une em uma parceria com o GVces\/ICV. Juntos v\u00e3o desenvolver um modelo para ajudar micros e pequenos neg\u00f3cios que se destacam por atributos de inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade a acessarem o mercado internacional. \u201cNesta nova fase miramos pequenos empreendimentos que n\u00e3o s\u00f3 estavam conectados com grandes empresas mas j\u00e1 buscavam os mercados globais\u201d, explica.<\/p>\n<p>A Apex-Brasil \u00e9 uma ag\u00eancia vinculada ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores que busca promover a exporta\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os brasileiros e atrair investimentos estrangeiros. Como as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras s\u00e3o centradas basicamente em commodities (gr\u00e3os e min\u00e9rios), h\u00e1 todo um esfor\u00e7o de fomento da exporta\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os com alto valor agregado e, mais especificamente, que enderecem inova\u00e7\u00f5es para os desafios da sustentabilidade.<\/p>\n<p>A Apex-Brasil conduz uma iniciativa, chamada Projeto Extens\u00e3o Industrial Exportadora (Peiex) [<em>embora tenha a palavra industrial no nome, o Peiex com o tempo diversificou sua abrang\u00eancia e hoje inclui empreendedores de todo g\u00eanero<\/em>], que tem por objetivo qualificar empresas para a exporta\u00e7\u00e3o. O Peiex ajuda no mapeamento do mercado-alvo, na precifica\u00e7\u00e3o dos produtos para exporta\u00e7\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o de <em>expertise<\/em> na \u00e1rea com\u00e9rcio exterior, na identifica\u00e7\u00e3o da melhor forma de colocar produtos l\u00e1 fora \u2013 seja exportando diretamente, seja por meio de representante comercial, distribuidor, <em>trading<\/em> etc.<\/p>\n<p>Neste ponto, a Apex decidira criar um modelo que preparasse a empresa n\u00e3o s\u00f3 para a gest\u00e3o de com\u00e9rcio exterior, mas tamb\u00e9m que ajudasse a valorizar os aspectos inovadores e de sustentabilidade. Ao conhecer a experi\u00eancia acumulada do GVces\/ICV, a ag\u00eancia prop\u00f4s um modelo voltado para as cadeias globais em uma dobradinha de conte\u00fados: a Apex com a <em>expertise<\/em> do com\u00e9rcio exterior e o GVces com a <em>expertise<\/em> da sustentabilidade dentro de uma escola de neg\u00f3cios \u2013 a Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo (Eaesp-FGV).<\/p>\n<p>Teve in\u00edcio em 2014 o projeto Inova\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor, ou apenas ICV Global.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio o ICV Global procurou identificar no mercado empreendimentos eleg\u00edveis \u00e0 sua proposta. Feito isso, conduziu uma etapa de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o aprimoramento de atributos dos produtos e servi\u00e7os, comportamento empresarial, aspectos de gest\u00e3o, argumentos de venda etc. Este foi ciclo 1, o primeiro passo para que os pequenos empreendedores conseguissem desenvolver uma estrat\u00e9gia de exporta\u00e7\u00e3o consistente e acessar mercados internacionais, ou ampli\u00e1-los, quando j\u00e1 fossem exportadores.<\/p>\n<p>Este ano foi lan\u00e7ado o ciclo 2 do ICV Global, de forma\u00e7\u00e3o das empresas. Os pr\u00f3ximos passos ser\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de uma miss\u00e3o comercial em um mercado estrangeiro e a de uma rodada de neg\u00f3cios em que os empreendedores participantes do ICV Global ser\u00e3o apresentados a potenciais compradores internacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas a\u00e7\u00f5es, o ICV Global tem outra frente de atua\u00e7\u00e3o envolvendo duas empresas-\u00e2ncora e suas parcerias comerciais \u2013 no primeiro ciclo do projeto participaram a Braskem e a Beraca, grandes empresas brasileiras, j\u00e1 consolidadas no mercado, com alto grau de internacionaliza\u00e7\u00e3o e que j\u00e1 se destacam por suas pr\u00e1ticas de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Elas foram convidadas a engajar nesse trabalho at\u00e9 15 empresas de pequeno e m\u00e9dio porte, parceiras comerciais da sua cadeia de fornecedores ou de clientes, para conduzir um processo de forma\u00e7\u00e3o semelhante ao do projeto original, buscando posicion\u00e1-las internacionalmente.<\/p>\n<p>A Braskem engajou 10 parceiros comerciais da sua cadeia e a Beraca, 12. Foram conduzidas oficinas separadas a fim de que o GVces, a Apex-Brasil e as \u00e2ncoras aportassem conte\u00fados que ajudassem esses parceiros comerciais a desenvolver e a aprimorar as pr\u00e1ticas de gest\u00e3o e conseguissem transmitir uma argumenta\u00e7\u00e3o coesa ao longo de toda a cadeia.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 que essas a\u00e7\u00f5es consigam equilibrar o cen\u00e1rio das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. De acordo com dados de 2013 do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (MDIC), apesar de as micros e pequenas empresas representarem 42,1% do universo de empresas exportadoras, o valor dessas exporta\u00e7\u00f5es comp\u00f5e apenas 0,7% do total.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, a causa desse descompasso pode ser atribu\u00edda \u00e0 aus\u00eancia de conhecimento do mercado consumidor de outros pa\u00edses, bem como da log\u00edstica de armazenagem, de distribui\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia t\u00e9cnica dos produtos em paragens al\u00e9m-mar.<\/p>\n<p>Enquanto essas lacunas v\u00e3o sendo superadas, \u00e9 preciso consolidar com pol\u00edticas p\u00fablicas e desenvolvimento da inova\u00e7\u00e3o esse ambiente prop\u00edcio ao engajamento das micros e pequenas empresas em um horizonte mais amplo de mercado. Da\u00ed poder\u00e3o emergir os diferenciais capazes de abrir espa\u00e7os nobres na balan\u00e7a comercial.<\/p>\n<p><strong>Atributos perdem-se ao longo da cadeia<\/strong><\/p>\n<p>Outro fruto da parceria com a Apex foi o projeto Brazilian Furniture, feito com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria do Mobili\u00e1rio (Abim\u00f3vel). Contratado para conduzir uma a\u00e7\u00e3o de sustentabilidade dentro desse projeto, o GVces\/ICV visitou os cinco maiores polos moveleiros do Pa\u00eds, conhecendo v\u00e1rias f\u00e1bricas e seus processos produtivos. Na grande maioria dessas f\u00e1bricas, a equipe percebeu que os m\u00f3veis eram quase todos feitos de chapas de madeira certificada com o selo FSC (garantia de que a madeira prov\u00e9m de florestas manejadas que seguem crit\u00e9rios sociais, ambientais e econ\u00f4micos).<\/p>\n<p>Curiosamente as fabricantes n\u00e3o comunicam esse detalhe aos revendedores ou aos varejistas. Ou seja, o m\u00f3vel chega ao consumidor final sem que essa informa\u00e7\u00e3o seja transmitida. \u201cEsse dado \u00e9 um atributo de sustentabilidade que vem da fabricante do m\u00f3vel e se perde nos elos da cadeia\u201d, afirma Ana Coelho.<\/p>\n<p>Essas pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis, de acordo com a pesquisadora, deveriam estar traduzidas em argumentos de venda, pois representam um diferencial competitivo em mercados demandantes desses atributos, como o europeu ou o americano. Mas n\u00e3o est\u00e3o, o que demonstra que o mercado brasileiro ainda precisa de mais maturidade, apesar da evolu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se v\u00ea na trajet\u00f3ria de processos de inova\u00e7\u00e3o em cadeias de valor enquanto instrumento para enfrentar os desafios da sustentabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magali Cabral Entre 1996 e 2005, a atividade de minera\u00e7\u00e3o no Brasil chegou a mais de 2 bilh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos. 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