{"id":1333,"date":"2017-02-03T10:26:52","date_gmt":"2017-02-03T13:26:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1333"},"modified":"2022-02-22T10:58:22","modified_gmt":"2022-02-22T13:58:22","slug":"a-identidade-local-como-um-elemento-fundamental-do-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/a-identidade-local-como-um-elemento-fundamental-do-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"A identidade local como um elemento fundamental do desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Am\u00e1lia Safatle<\/em><\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos \u2013 como as hidrel\u00e9tricas de Belo Monte e do Rio Madeira, a minera\u00e7\u00e3o da Alcoa em Juruti, no Par\u00e1, e a Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, no Nordeste, para citar alguns exemplos \u2013 afeta profundamente o ambiente e as sociedades que ali vivem, evocando debates muito atuais sobre o legado que essas obras deixam ou n\u00e3o para as regi\u00f5es e tamb\u00e9m provocam reflex\u00f5es sobre o que \u00e9 desenvolvimento de forma geral.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem veja o Estado como promotor exclusivo do dinamismo econ\u00f4mico e da mudan\u00e7a social, dois fatores que levam ao desenvolvimento. Outros defendem que esse papel cabe \u00e0s for\u00e7as do mercado. J\u00e1 a perspectiva do <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/dicionario-dicas-de-livros-filmes-estudos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desenvolvimento local <\/a>escapa \u00e0s armadilhas da dualidade: reconhece essas for\u00e7as fundamentais e a ambas superp\u00f5e mais um elemento: as capacidades enraizadas em determinado espa\u00e7o, que s\u00e3o manifestadas por atores locais \u2013 seus habitantes, sua rede de empresas, suas institui\u00e7\u00f5es governamentais, seu diversificado tecido social.<\/p>\n<p>\u201cEsses elementos articulados conformam arranjo \u00fanico \u2013 entre institui\u00e7\u00f5es, empresas, mercados e governos \u2013 que d\u00e1 identidade a um <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/dicionario-dicas-de-livros-filmes-estudos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">territ\u00f3rio<\/a> e o torna ator fundamental do desenvolvimento. Sup\u00f5e-se que seja atrav\u00e9s desse arranjo que uma realidade local, um territ\u00f3rio, pode reorientar, ajustar, fazer convergir as grandes for\u00e7as do Estado e do mercado em prol de suas necessidades\u201d, afirma o professor Francisco de Assis Costa, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) e do N\u00facleo de Altos Estudos Amaz\u00f4nicos (Naea) nesta <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/as-populacoes-locais-devem-se-preparar-para-a-chegada-de-grandes-obras-e-os-empreendedores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista<\/a>.<\/p>\n<p>O objetivo do desenvolvimento local, portanto, vai muito al\u00e9m do crescimento econ\u00f4mico e da riqueza material proporcionada por vultosos investimentos em grandes obras de infraestrutura como as que temos em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil. Ao fim e ao cabo, almeja a distribui\u00e7\u00e3o de renda, a descentraliza\u00e7\u00e3o do poder e o protagonismo local, com o prop\u00f3sito final de promover bem-estar \u00e0s pessoas que ali convivem.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer que as grandes obras s\u00e3o apenas um dos diversos contextos em que o desenvolvimento local pode ser debatido. Esse campo do conhecimento se aplica a muitas outras realidades locais, mas tal material escolheu o recorte espec\u00edfico dos grandes empreendimentos, objeto de an\u00e1lise do programa de Desenvolvimento Local do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-Eaesp (GVces), em longa trajet\u00f3ria de pesquisa aplicada e constru\u00e7\u00e3o de indicadores.<\/p>\n<p><strong>Sujeitos do pr\u00f3prio destino<\/strong><\/p>\n<p>Como estamos falando de protagonismo, a no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento local remete diretamente a uma quest\u00e3o de<a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/dicionario-dicas-de-livros-filmes-estudos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> governan\u00e7a<\/a>. Segundo o soci\u00f3logo Juarez de Paula, p\u00f3s-graduado em Desenvolvimento Econ\u00f4mico Local pelo Centro Internacional de Forma\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), \u201co protagonismo local \u00e9 o fen\u00f4meno pelo qual os agentes locais se reconhecem como sujeitos do seu pr\u00f3prio destino\u201d.<\/p>\n<p>Nessa mesma linha, o soci\u00f3logo formado pela PUC do Rio Caio M\u00e1rcio Silveira fala em reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o dos \u201cativos locais\u201d, ou seja, das potencialidades e dos v\u00ednculos que podem ser ativados em cada territ\u00f3rio. Silveira leva em considera\u00e7\u00e3o que o \u201clocal\u201d n\u00e3o \u00e9 um elemento dado, mas uma constru\u00e7\u00e3o em que a popula\u00e7\u00e3o desenha o territ\u00f3rio com base no reconhecimento de suas identidades.<\/p>\n<p>Assim, o territ\u00f3rio \u00e9 definido muito mais pelo conte\u00fado e pela natureza das rela\u00e7\u00f5es que ali podem ser desencadeadas. \u201cOs fluxos adensam os lugares e dali se criam novos sujeitos em rela\u00e7\u00e3o e caminhos de mudan\u00e7a social. Portanto, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de escala e sim de natureza: o desenvolvimento local \u00e9 visto aqui como um caminho de desenvolvimento social \u2013 n\u00e3o excludente e n\u00e3o concentrador\u201d, escreve Silveira em artigo publicado no livro <em>Pol\u00edticas para o Desenvolvimento Local<\/em>, organizado pelos economistas Ladislau Dowbor e Marcio Pochmann (Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2010). \u201c\u00c9 nesse sentido que o desenvolvimento local \u00e9 entendido como processo constru\u00eddo \u2018de baixo para cima\u2019 e \u2018de dentro para fora\u2019\u201d, resume.<\/p>\n<p>Moradora de Altamira, no Par\u00e1, Gracinda Lima Magalh\u00e3es \u00e9 uma das muitas pessoas profundamente impactadas pela implanta\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte. Por meio deste <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/drops-3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">depoimento<\/a>\u00a0a P22_ON, em que foi convidada a relatar o que sabe sobre os legados que Belo Monte deixa (ou n\u00e3o) para a regi\u00e3o em que vive, ela expressa as emo\u00e7\u00f5es que sente desde que o empreendimento, imposto de cima para baixo e de fora para dentro, veio repentinamente alterar tudo: a rotina, o ambiente, a teia complexa de rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Diante do depoimento de Dona Gracinda, como \u00e9 carinhosamente chamada, \u00e9 poss\u00edvel questionar: como pode ser chamado de desenvolvimento aquele que n\u00e3o leva em conta a identidade, o protagonismo local e a voz ativa de seus sujeitos?<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o com democracia<\/strong><\/p>\n<p>Diversos autores, entre os quais Caio Silveira, enfatizam que o desenvolvimento local est\u00e1 associado \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o e ao aprofundamento da democracia. Mais que a simples escolha eleitoral no \u00e2mbito do Estado, diz respeito \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da esfera p\u00fablica e dos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o social, em que o Estado \u00e9 visto como articulador necess\u00e1rio e insubstitu\u00edvel, mas n\u00e3o como promotor primordial e exclusivo do desenvolvimento. Em outras palavras, o Estado \u00e9 necess\u00e1rio, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio dessa democracia vai al\u00e9m, ao exigir novas formas e novos espa\u00e7os de gest\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o (por exemplo, comit\u00eas, f\u00f3runs, c\u00e2maras e conselhos), que v\u00eam sendo caracterizados como<a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/dicionario-dicas-de-livros-filmes-estudos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> novas institucionalidades<\/a>. \u201cRegistra-se uma converg\u00eancia na busca de processos que permitam o m\u00e1ximo de interc\u00e2mbios entre o m\u00e1ximo de atores. Fazer avan\u00e7ar a democracia desde o local significa produzir este interc\u00e2mbio e ampliar a distribui\u00e7\u00e3o de poder, com a participa\u00e7\u00e3o direta dos agentes locais nas quest\u00f5es que lhes dizem respeito\u201d, diz Silveira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um pouco de Hist\u00f3ria para entender o presente<\/strong><\/p>\n<p>Embora essas quest\u00f5es sejam muito atuais, n\u00e3o v\u00eam de hoje. Com seu gigantismo territorial, o Pa\u00eds abrigava grandes projetos de investimento desde a metade do s\u00e9culo passado. \u201cJ\u00e1 nos anos 1950, a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e a Rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia, assim como mais tarde a Transamaz\u00f4nica e outras interven\u00e7\u00f5es vi\u00e1rias, redesenhavam o territ\u00f3rio regional\u201d, descreve o professor titular do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur-UFRJ) Carlos Vainer, em <a href=\"http:\/\/unuhospedagem.com.br\/revista\/rbeur\/index.php\/rbeur\/article\/view\/167\">artigo<\/a> publicado na <em>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais.<\/em><\/p>\n<p>Mas foi sobretudo a partir da d\u00e9cada de 1970, assinala Vainer, que projetos minerometal\u00fargicos, petroqu\u00edmicos, energ\u00e9ticos e vi\u00e1rios reconfiguraram o territ\u00f3rio nacional, conforme decis\u00f5es tomadas dentro dos setores de governo voltados para a infraestrutura. Ditavam as regras no setor el\u00e9trico a Eletrobras e suas coligadas (Chesf, Eletronorte, Furnas, Eletrosul, Light), al\u00e9m de empresas estaduais como Eletropaulo e Copel. No setor minerometal\u00fargico, as decis\u00f5es estavam sob o comando da Companhia Vale do Rio Doce e as grandes companhias sider\u00fargicas estatais; e, no setor petroqu\u00edmico, da Petrobras.<\/p>\n<p>Naqueles tempos de regime militar e defesa do nacionalismo, o governo se empenhava em levar o \u201cprogresso\u201d para as regi\u00f5es remotas, interlig\u00e1-las com os n\u00facleos urbanos do Sudeste, integrar o territ\u00f3rio e proteger suas fronteiras.<\/p>\n<p>Em muitos casos, prossegue o pesquisador, esses grandes projetos constitu\u00edram verdadeiros enclaves territoriais \u2013 econ\u00f4micos, sociais, pol\u00edticos, culturais e ecol\u00f3gicos, introduzindo um importante fator de fragmenta\u00e7\u00e3o territorial. \u201cConformaram ou pelo menos contribu\u00edam fortemente para conformar um espa\u00e7o nacional integrado \u2013 profundamente desigual, mas integrado.\u201d<\/p>\n<p>Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o nos anos 1980 seguida pelos processos de privatiza\u00e7\u00e3o nos setores de siderugia, minera\u00e7\u00e3o, eletricidade e rede ferrovi\u00e1ria na d\u00e9cada 1990, mudan\u00e7as decisivas vieram. As empresas privadas, atuantes em mercados globalizados, passaram a fazer parte do centro de tomada de decis\u00e3o sobre esses projetos, ao lado do governo.<\/p>\n<p>Segundo Vainer, os projetos continuam portadores de um grande potencial para decompor e compor regi\u00f5es, organizar e transformar territ\u00f3rios: &#8220;Por sua pr\u00f3pria natureza, projetam sobre os espa\u00e7os locais e regionais interesses quase sempre globais, o que faz deles eventos que s\u00e3o globais-locais \u2013 ou, para usar a feliz express\u00e3o cunhada pelo [<em>ge\u00f3grafo Erik<\/em>] Swyngedouw (<em>1997<\/em>), glocalizados&#8221;.<\/p>\n<p>Vainer critica a forma como historicamente se d\u00e3o esses processos decis\u00f3rios: s\u00e3o feitos quase sempre nos corredores e gabinetes, \u00e0 margem de qualquer exerc\u00edcio de planejamento compreensivo e distante de qualquer debate p\u00fablico. &#8220;Antes de estruturar territ\u00f3rios e enclaves, o grande projeto se estrutura atrav\u00e9s de grupos de interesses e <em>lobbies<\/em> que expressam, quase sem media\u00e7\u00f5es, articula\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-financeiras e pol\u00edticas. O local, o regional, o nacional e o global se entrela\u00e7am e convergem na constitui\u00e7\u00e3o de cons\u00f3rcios empresariais e coaliz\u00f5es pol\u00edticas&#8221;, diz. Tudo isso acaba levando a uma fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de disparidades.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1337\" aria-describedby=\"caption-attachment-1337\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1337 size-full\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4.jpg\" alt=\"4\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4.jpg 960w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1337\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto Kena Chaves<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Duplo objetivo<\/strong><\/p>\n<p>Conforme documento produzido em parceria com o bra\u00e7o privado do Banco Mundial \u2013 a Internacional Finance Corporation (IFC) \u2013, para os pesquisadores do programa de Desenvolvimento Local do GVces as pol\u00edticas de desenvolvimento regional recentes no Brasil t\u00eam duplo objetivo. O primeiro, sustentar uma revers\u00e3o das desigualdades inter e intrarregionais, buscando valorizar os atributos end\u00f3genos e as caracter\u00edsticas culturais, sociais, econ\u00f4micas e ambientais espec\u00edficas de cada regi\u00e3o impactada. O segundo, atuar como fio condutor das diferentes pol\u00edticas setoriais que incidem sobre esses territ\u00f3rios e que comp\u00f5em o projeto nacional de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Ao valorizar os atributos end\u00f3genos, essas pol\u00edticas poder\u00e3o proporcionar relativa autonomia aos atores locais para formula\u00e7\u00e3o de pactos e estrat\u00e9gias comuns. O ideal \u00e9 que o territ\u00f3rio se apresente como a plataforma que permitir\u00e1 um fluxo din\u00e2mico de capacidades e ativos, dentro da l\u00f3gica de coopera\u00e7\u00e3o, combina\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e vis\u00e3o compartilhada de futuro entre os diversos atores envolvidos \u2013 comunidade local, empreendedores, governantes e sociedade civil.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a este \u00faltimo objetivo, os pesquisadores defendem que as pol\u00edticas devem ser alinhadas com experi\u00eancias de planejamento em n\u00edvel regional h\u00e1 d\u00e9cadas j\u00e1 existentes, tais como os arranjos pensados nos <a href=\"http:\/\/www.territoriosdacidadania.gov.br\/\">Territ\u00f3rios da Cidadania<\/a>, no <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/gestao-territorial\/zoneamento-territorial\">Zoneamento Ecol\u00f3gico-Econ\u00f4mico<\/a> e nos <a href=\"http:\/\/www.cbh.gov.br\/\">Comit\u00eas Gestores de Bacias Hidrogr\u00e1ficas<\/a>. A <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/responsabilidade-socioambiental\/agenda-21\/agenda-21-local\">Agenda 21 Local<\/a> e a <a href=\"http:\/\/www.planejamento.gov.br\/assuntos\/planejamento-e-investimentos\/plano-plurianual\/agendas-de-desenvolvimento-territorial\/adts\">Agenda de Desenvolvimento Territorial<\/a> (ADT), idealizada em 2014, apontam caminhos para lidar com o cont\u00ednuo embate entre as pol\u00edticas \u201cde cima para baixo\u201d e \u201cde baixo para cima\u201d (<em>leia mais sobre ADT neste <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/instrumento-de-solucoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">texto<\/a><\/em>).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Grandes Obras na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos em um ambiente t\u00e3o sens\u00edvel e especial como a Amaz\u00f4nia, que est\u00e1 sob os olhos do mundo por todo o valor que representa, merece um recorte espec\u00edfico no debate sobre desenvolvimento local \u2013 at\u00e9 porque essa regi\u00e3o \u00e9 tida como a \u00faltima fronteira a ser desbravada e explorada economicamente no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos impactos da interven\u00e7\u00e3o direta no meio ambiente, os grandes projetos representam um vetor de atra\u00e7\u00e3o de relevantes fluxos migrat\u00f3rios de trabalhadores e fam\u00edlias em busca de oportunidades de emprego e renda, direta ou indiretamente associadas ao empreendimento.<\/p>\n<p>Esse fluxo avassalador e altamente din\u00e2mico causa perturba\u00e7\u00f5es e sobrecargas de toda ordem, desafiando a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e o pr\u00f3prio tecido social local na sua capacidade de garantir direitos fundamentais como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, moradia, transporte e infraestrutura \u2013 com aten\u00e7\u00e3o especial para grupos vulnerabilizados, como povos ind\u00edgenas, mulheres, crian\u00e7as e adolescentes (<em>leia mais sobre esses grupos <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/apesar-de-normas-e-leis-povos-indigenas-quilombolas-e-populacoes-tradicionais-continuam-fragilizados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/em>.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, essas localidades impactadas precisam dar conta do crescimento vertiginoso das demandas sociais no ritmo do adensamento demogr\u00e1fico at\u00e9 o chamado \u201cpico das obras\u201d, quando se atinge o auge no n\u00famero de trabalhadores. Em seguida, devem se readaptar continuamente at\u00e9 a desmobiliza\u00e7\u00e3o dos canteiros de obra, quando boa parte do contingente populacional se p\u00f5e em marcha novamente.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se fosse exigida do territ\u00f3rio uma esp\u00e9cie de elasticidade, com implica\u00e7\u00f5es sobre a capacidade de planejamento e de adapta\u00e7\u00e3o dos investimentos\u201d, dizem os pesquisadores do GVces.<\/p>\n<p>Passado o per\u00edodo agudo da instala\u00e7\u00e3o, aquele local ter\u00e1 de conviver indefinidamente com o novo empreendimento, em uma trajet\u00f3ria social, econ\u00f4mica, ambiental, pol\u00edtica e culturalmente para sempre transformada. Trajet\u00f3ria que pode ou n\u00e3o ser traduzida em desenvolvimento econ\u00f4mico, inclus\u00e3o social e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Para que se traduza efetivamente em desenvolvimento, \u00e9 necess\u00e1ria uma governan\u00e7a capaz de incluir todos os atores, para que estabele\u00e7am conjuntamente as prioridades e debatam entre si o que desejam para aquela regi\u00e3o. Em paralelo, h\u00e1 que se estruturar modelos de financiamento, como mostra este <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/em-grandes-obras-o-dinheiro-chega-tarde-e-acaba-cedo-como-resolver-esse-descompasso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">texto<\/a>. E, por fim, \u00e9 preciso monitorar as a\u00e7\u00f5es e seus resultados, revalidando e repactuando continuamente as metas e os caminhos tra\u00e7ados, uma vez que se est\u00e1 lidando com uma realidade muito din\u00e2mica, em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as li\u00e7\u00f5es de quem se debru\u00e7a sobre os desafios do desenvolvimento local ou os experimenta em seu dia a dia, consta esta: ao debater o que se almeja para aquela localidade, deve-se assumir o conflito e o enfrentamento. Nesse campo que re\u00fane grandes empresas, governantes, cidad\u00e3os comuns, e grupos diversificados como ribeirinhos, povos ind\u00edgenas, comerciantes, oper\u00e1rios, em meio a tantos outros, encontram-se interesses divergentes, culturas e ritmos de vida muito diferentes entre si, e pesos pol\u00edticos discrepantes.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Francisco de Oliveira, da FFLCH (USP), que atrela desenvolvimento \u00e0 no\u00e7\u00e3o de cidadania, afirma que o exerc\u00edcio da cidadania refere-se ao indiv\u00edduo aut\u00f4nomo, cr\u00edtico e reflexivo. O desenvolvimento \u00e9 resultado, portanto, de uma conquista atrav\u00e9s do conflito, n\u00e3o necessariamente do encontro de um consenso. E essa \u00e9 justamente uma das belezas desse tema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Am\u00e1lia Safatle A implanta\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos \u2013 como as hidrel\u00e9tricas de Belo Monte e do Rio Madeira, a minera\u00e7\u00e3o da Alcoa em Juruti, no Par\u00e1, e a Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, no Nordeste, para citar alguns exemplos \u2013 afeta profundamente o ambiente e as sociedades que ali vivem, evocando debates muito atuais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1336,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1160],"tags":[139,1169,1172,43,1181,72,1164,81,1171,1175,1166,1182,1185,1165,1179,1167,1184,1177,344,1180,1163,137,1176,829,631,1178,1168,1174,621,1170,684,1183,1084,1173],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A identidade local como um elemento fundamental do desenvolvimento<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Por Am\u00e1lia Safatle A implanta\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos \u2013 como as hidrel\u00e9tricas de Belo Monte e do Rio Madeira, a minera\u00e7\u00e3o da Alcoa em Juruti, no Par\u00e1, e a Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, no Nordeste, para citar alguns exemplos \u2013 afeta profundamente o ambiente e as sociedades que ali vivem, evocando debates muito atuais&hellip;\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/a-identidade-local-como-um-elemento-fundamental-do-desenvolvimento\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A identidade local como um elemento fundamental do desenvolvimento\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Am\u00e1lia Safatle A implanta\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos \u2013 como as hidrel\u00e9tricas de Belo Monte e do Rio Madeira, a minera\u00e7\u00e3o da Alcoa em Juruti, no Par\u00e1, e a Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, no Nordeste, para citar alguns exemplos \u2013 afeta profundamente o ambiente e as sociedades que ali vivem, evocando debates muito atuais&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/a-identidade-local-como-um-elemento-fundamental-do-desenvolvimento\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"P22_ON\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/p22on\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-02-03T13:26:52+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-02-22T13:58:22+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/13.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"960\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"640\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/a-identidade-local-como-um-elemento-fundamental-do-desenvolvimento\/\",\"url\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/02\/03\/a-identidade-local-como-um-elemento-fundamental-do-desenvolvimento\/\",\"name\":\"A identidade local como um elemento fundamental do desenvolvimento - 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