{"id":1446,"date":"2017-10-27T09:21:56","date_gmt":"2017-10-27T12:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1446"},"modified":"2022-02-22T10:55:53","modified_gmt":"2022-02-22T13:55:53","slug":"mais-que-na-parafernalia-hi-tech-o-futuro-da-moda-esta-na-reducao-de-impactos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/10\/27\/mais-que-na-parafernalia-hi-tech-o-futuro-da-moda-esta-na-reducao-de-impactos\/","title":{"rendered":"Mais que na parafern\u00e1lia hi tech, o futuro est\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o de impactos"},"content":{"rendered":"<p><em>Por C\u00edntya Feitosa<\/em><\/p>\n<p>Quando se fala em tecnologia para vestu\u00e1rio, talvez a primeira coisa que venha \u00e0 mente sejam as roupas \u201cdo futuro\u201d: conectadas \u00e0 internet, biom\u00e9tricas, com monitoramento de atividades corporais, roupas que avaliam e ajudam a melhorar o rendimento em corridas e afins. As tecnologias vest\u00edveis, <a href=\"https:\/\/www.wareable.com\/smart-clothing\/best-smart-clothing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>smart clothing<\/em><\/a>, aos poucos chegam ao mercado e algumas j\u00e1 s\u00e3o bem populares \u2013 como as roupas com filtro UV que t\u00eam ganhado as praias brasileiras no ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais que nos coloquem na era Jetsons e atendam algumas demandas em gera\u00e7\u00e3o de dados e conectividade incessante, n\u00e3o s\u00e3o essas as tecnologias necess\u00e1rias para uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na cadeia da moda.<\/p>\n<p>Para atender uma cultura de consumo crescente e de inclus\u00e3o na sociedade por meio do vestu\u00e1rio (<em>mais <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/10\/27\/cultura-de-consumo-o-grande-no-da-sustentabilidade-na-cadeia-da-moda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>aqui<\/strong><\/a><\/em>), o material utilizado na confec\u00e7\u00e3o de roupas at\u00e9 agora tamb\u00e9m precisou garantir a larga escala e o acelerado ritmo de opera\u00e7\u00e3o. Ainda que iniciativas que exigem transpar\u00eancia das marcas e promovem a <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/10\/27\/contra-os-modismos-vamos-aos-fundamentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Economia Circular <\/a><\/strong>estejam em ascens\u00e3o entre uma parte do p\u00fablico, uma produ\u00e7\u00e3o de fato mais sustent\u00e1vel e que atinja mais gente requer pesquisa e desenvolvimento que possibilitem tamb\u00e9m um olhar sobre o material utilizado nas roupas, ou mecanismos que garantam sua durabilidade e menor impacto no descarte. Felizmente, isso tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um debate menos <em>cool<\/em> e atraente que o da Internet das Coisas, com as pr\u00f3prias roupas sendo transformadas em dispositivos conectados, mas que deveria chamar mais aten\u00e7\u00e3o: j\u00e1 existem diversas iniciativas de tecnologia em busca de reduzir o impacto da moda, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a res\u00edduos. No centro desse debate, tr\u00eas quest\u00f5es t\u00eam sido observadas pela ind\u00fastria da moda e devem ser ampliadas nos pr\u00f3ximos anos: uso de fontes renov\u00e1veis na produ\u00e7\u00e3o, possibilidade de reciclagem e maior agilidade na biodegrada\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/industries\/retail\/our-insights\/the-state-of-fashion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">De acordo com a consultoria McKinsey<\/a>, uma aposta da ind\u00fastria da moda para continuar crescendo \u00e9 investir em tecnologia.<\/p>\n<p>Um dos produtos t\u00eaxteis da brasileira Rhodia, empresa do grupo internacional Solvay, \u00e9 um tipo de poliamida de degrada\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, lan\u00e7ado em 2014 no desfile do badalado Ronaldo Fraga na S\u00e3o Paulo Fashion Week. Ainda um pol\u00edmero de fonte n\u00e3o renov\u00e1vel, mas com um tipo de filamento que permite sua total degrada\u00e7\u00e3o em menos de tr\u00eas anos em aterros sanit\u00e1rios, feito \u00e0 base da introdu\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia que facilita a abertura do filamento e atrai os micro-organismos no solo. O tempo normal de degrada\u00e7\u00e3o, para um fio convencional, chega a 50 anos.<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m desenvolveu um fio de poliamida que j\u00e1 vem na cor branca, eliminando a etapa de tingimento e, por consequ\u00eancia, a de tratamento de efluentes, reduzindo o uso de \u00e1gua. Al\u00e9m disso, promete tamb\u00e9m prote\u00e7\u00e3o contra o amarelamento. \u201cO aprimoramento da fibra sint\u00e9tica \u00e9 muito importante nesse processo, com uso de subst\u00e2ncias que trazem propriedades para o pr\u00f3prio material, o que se torna dif\u00edcil em uma fibra natural. N\u00e3o podemos introduzir nada em algod\u00e3o, por exemplo\u201d, diz Renato Boaventura, presidente da Unidade Global de Neg\u00f3cios Fibras.<\/p>\n<p>Ambos os produtos foram lan\u00e7ados tamb\u00e9m no mercado europeu, em 2016. O otimismo esbarra na escala: hoje, a produ\u00e7\u00e3o da poliamida sustent\u00e1vel representa 20% da produ\u00e7\u00e3o da Rhodia. Ainda assim, Boaventura aposta no crescimento. \u201cNa verdade, o mercado consumidor passa por uma transforma\u00e7\u00e3o: novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam sensibilidade diferente para quest\u00f5es de produtos sustent\u00e1veis. A ind\u00fastria olha pre\u00e7o, e produtos sustent\u00e1veis t\u00eam custo maior\u201d, diz. No entanto, considera positiva a receptividade: \u201cO consumidor j\u00e1 est\u00e1 disposto. Se a diferen\u00e7a de pre\u00e7o for pequena, ele paga. Mas \u00e9 um caminho de via dupla: do consumidor que ganha consci\u00eancia e das empresas que v\u00e3o levando consci\u00eancia para o mercado.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 existem fibras feitas de pol\u00edmeros obtidos de biomassa. Em 2017, por exemplo, a Fibria, empresa brasileira l\u00edder global em produ\u00e7\u00e3o de celulose com o manejo de florestas plantadas de eucalipto, adquiriu 18% da <em>startup<\/em> finlandesa Spinnova. A aquisi\u00e7\u00e3o saiu por nada menos que 5 milh\u00f5es de euros. A empresa desenvolve tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para a ind\u00fastria t\u00eaxtil, utilizando fibras de madeira para no fabrico de fios e filamentos capazes de substituir o algod\u00e3o, a viscose e outros insumos.<\/p>\n<p>A Lenzing, empresa austr\u00edaca, lan\u00e7ou recentemente a Refibra, uma ideia elaborada com base na celulose dos res\u00edduos de algod\u00e3o que sobram dos cortes de produ\u00e7\u00e3o e do corte de madeira. Segundo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7U3RbcO8bPY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">informa\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria empresa<\/a>, &#8220;a Lenzing \u00e9 o primeiro fabricante a oferecer fibras de celulose com material reciclado em uma escala comercial e \u00e9 pioneira nessa tecnologia&#8221;.<\/p>\n<p>Entre grandes marcas globais tamb\u00e9m surgiram materiais curiosos, como o caso da Adidas, cujo t\u00eanis \u00e9 feito de <a href=\"http:\/\/www.businessinsider.com\/adidas-releases-new-parley-ocean-waste-plastic-shoes-2017-4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pl\u00e1stico dos oceanos reciclado<\/a>, e o da Nike, que <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=s6zCkTQD7Tc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">produziu t\u00eanis a partir de material reciclado<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Precisamos falar sobre algod\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Menos atraente que toda essa discuss\u00e3o sobre novos materiais e tecnologias do futuro, o algod\u00e3o n\u00e3o pode ficar de fora do debate. E n\u00e3o fica, mesmo. Nos \u00faltimos anos, essa fibra natural tem ganhado v\u00e1rios holofotes, principalmente depois do document\u00e1rio <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1OTzc6Ozybg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">For the Love of Fashion<\/a>, produzido pela C&amp;A em parceria com a <em>National Geographic<\/em>. De acordo com o filme, 35% de toda a roupa do mundo \u00e9 produzida com algod\u00e3o, e no total dois ter\u00e7os da mat\u00e9ria-prima v\u00eam dos EUA, da \u00cdndia e da China. O Brasil entra na lista como quinto maior produtor e terceiro maior exportador global, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>A ind\u00fastria da moda tem se movido para a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis na produ\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 produzido esse algod\u00e3o? Segue normas ambientais? Quem s\u00e3o os produtores? Com o aumento da transpar\u00eancia do processo produtivo, muito incentivado, infelizmente, por <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/10\/31\/como-a-industra-global-da-moda-afeta-a-sociedade-e-o-ambiente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">epis\u00f3dios tr\u00e1gicos<\/a>, cresceu tamb\u00e9m a publicidade dos dados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cadeia de valor da moda, que vai muito al\u00e9m das costureiras.<\/p>\n<p>Para assegurar uma produ\u00e7\u00e3o mais justa e ambientalmente respons\u00e1vel, grandes empresas da moda, incluindo a pr\u00f3pria C&amp;A, t\u00eam apostado na certifica\u00e7\u00e3o Better Cotton Initiative (BCI) \u2013 ou, em tradu\u00e7\u00e3o livre, Iniciativa por Algod\u00e3o Melhor. Esse projeto global surgiu em 2013, ap\u00f3s quase uma d\u00e9cada de <a href=\"http:\/\/bettercotton.org\/about-bci\/bci-history\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rodadas de discuss\u00e3o<\/a> sobre condi\u00e7\u00f5es justas para produtores, para o ambiente e para consumidores. O Brasil, de acordo com o site da BCI, \u00e9 hoje a maior fonte do \u201calgod\u00e3o melhor\u201d. Os dados mais recentes, de 2015, apontam que 57% da produ\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 est\u00e1 nesse padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma confus\u00e3o comum \u00e9 associar o adjetivo \u201cmelhor\u201d ou \u201cmais sustent\u00e1vel\u201d a \u201corg\u00e2nico\u201d. \u201cO BCI \u00e9 o que podemos chamar de menos ruim, por ter uma certifica\u00e7\u00e3o de m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es, como n\u00e3o uso de trabalho em condi\u00e7\u00f5es degradantes, assim como utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, mas ainda com pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o de um modelo industrial\u201d, diz Silvio Moraes, representante da organiza\u00e7\u00e3o Textile Exchange na Am\u00e9rica Latina. As sementes do algod\u00e3o melhor ainda s\u00e3o transg\u00eanicas, o que a Textile Exchange e outras organiza\u00e7\u00f5es associam \u00e0 necessidade de maior uso de subst\u00e2ncia qu\u00edmica, <a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2017\/03\/21\/Qual-%C3%A9-a-mais-recente-pol%C3%AAmica-sobre-o-uso-de-glifosato-em-agrot%C3%B3xicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entre elas o glifosato<\/a>, e \u00e0 necessidade de uma produ\u00e7\u00e3o em larga escala, imposs\u00edvel a pequenos produtores.<\/p>\n<p>O algod\u00e3o org\u00e2nico representa hoje menos de 1% de toda a produ\u00e7\u00e3o global, de acordo com a Textile. No Brasil, nem chega a isso: foram 22 toneladas na \u00faltima safra, de acordo com a Embrapa \u2013 num universo de produ\u00e7\u00e3o de mais de 15 mil toneladas. &#8220;Um produtor local n\u00e3o tem como competir com a produ\u00e7\u00e3o em larga escala, muito incentivada por uma pr\u00e1tica de monocultura e resist\u00eancia a pragas por meio de produtos qu\u00edmicos&#8221;, diz Moraes.<\/p>\n<p>Mais da metade da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do Pa\u00eds veio da Para\u00edba, onde na d\u00e9cada de 1980 as lavouras foram dizimadas pela seca e pelo bicudo \u2013 inseto de maior incid\u00eancia nesse tipo de cultura e de dif\u00edcil controle, que perfura o bot\u00e3o floral e a polpa dos algodoeiros. Depois disso, a Embrapa tem realizado pesquisas no estado e o cultivo s\u00f3 voltou, timidamente, nesta d\u00e9cada. \u00c9 de l\u00e1 o aclamado <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/2565547\/algodao-colorido-conquista-mercado-internacional-de-moda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">algod\u00e3o naturalmente colorido<\/a>, que mesmo em pequen\u00edssima escala ganhou o mundo.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica n\u00e3o \u00e9 grande porque a demanda \u00e9 pequena, ou o contr\u00e1rio? &#8220;Na verdade, o mercado consumidor d\u00e1 sinais de crescimento, o que pode tamb\u00e9m impulsionar a oferta. Se n\u00e3o tiver para quem vender, quem planta n\u00e3o produz, mas o que o mercado sinaliza \u00e9 que, se houvesse mais produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m haveria mais compra.&#8221;<\/p>\n<p>Moraes d\u00e1 o exemplo da Europa, onde o mercado tem crescido entre m\u00e3es que optam por algod\u00e3o org\u00e2nico para as roupas de seus beb\u00eas \u2013 embora n\u00e3o haja comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de que o algod\u00e3o com agrot\u00f3xico em contato com a pele fa\u00e7a mal \u00e0 sa\u00fade (<em>saiba mais <\/em><a href=\"http:\/\/aboutorganiccotton.org\/faq\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>aqui<\/em><\/a>). \u00c9 a l\u00f3gica do &#8220;melhor n\u00e3o arriscar&#8221;. &#8220;Mesmo que n\u00e3o fa\u00e7a mal pela roupa, o uso desses produtos faz mal a quem trabalha na lavoura e para o ambiente&#8221;, explica o executivo.<\/p>\n<p>A \u00e1rea dedicada ao cultivo org\u00e2nico tamb\u00e9m \u00e9 pequena, mas com bom rendimento: em 2016, a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica global contou com 200 mil agricultores, numa \u00e1rea certificada de pouco mais de 350 mil hectares. No Brasil, na \u00faltima safra foram 160 hectares, com 112 produtores certificados. Na agricultura familiar, inclusive para preven\u00e7\u00e3o a pragas, Moraes diz que a pr\u00e1tica mais comum \u00e9 associar o algod\u00e3o a outras culturas, o que, na vis\u00e3o dele, proporciona at\u00e9 mais seguran\u00e7a econ\u00f4mica e nutricional aos agricultores familiares.<\/p>\n<p>No caso do algod\u00e3o org\u00e2nico, ent\u00e3o, o crescimento viria n\u00e3o de uma grande produ\u00e7\u00e3o que optasse em dedicar toda a sua \u00e1rea a esse cultivo, mas de v\u00e1rios pequenos neg\u00f3cios que, juntos, dariam escala \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1510\" aria-describedby=\"caption-attachment-1510\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/unnamed1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1510 size-large\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/unnamed1-1024x682.jpg\" alt=\"Foto: Creative Commons Pixabay\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/unnamed1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/unnamed1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/unnamed1-1440x959.jpg 1440w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/unnamed1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1510\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Creative Commons Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>Nanobusiness<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O aumento da produ\u00e7\u00e3o em pequena escala \u00e9 a aposta de <a href=\"http:\/\/www.renanserrano.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Serrano<\/a>, conhecido como<em> hacker<\/em> da moda. Para ele, os <em>nanoneg\u00f3cios <\/em>\u00e9 que far\u00e3o a roda da moda girar. &#8220;Hoje j\u00e1 existem centenas de solu\u00e7\u00f5es [<em>de materiais<\/em>] no mercado: tem a fibra de pesca, [uso de] leite podre, escama de peixe e diversas outras iniciativas. S\u00f3 que elas n\u00e3o entram no mercado, porque [as pessoas perguntam]: &#8216;ah, pera a\u00ed, vai dar escala?'&#8221;, critica Serrano. &#8220;Se a gente converge nossa vis\u00e3o para o <em>nanobusiness<\/em>, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio dar escala. Se um cara consegue fazer um tecido de leite podre e produz 10, 20 camisetas pra se sustentar, n\u00e3o precisa ter uma produ\u00e7\u00e3o grande.&#8221; Para isso, no entanto, seria necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de modelo mental, distanciando-se do conceito tradicional da pr\u00f3pria moda e buscando uma express\u00e3o individual do modo de se vestir.<\/p>\n<p>Serrano \u00e9 o dono da marca Trendt, por meio da qual aposta em moda sem g\u00eanero e na inova\u00e7\u00e3o aberta para melhorar suas cria\u00e7\u00f5es. O neg\u00f3cio da Trendt \u00e9 o oposto do <em>fast fashion: <\/em>ele investe na moda dur\u00e1vel, de boa qualidade e de prefer\u00eancia que se desgaste pouco.<\/p>\n<p>Serrano tamb\u00e9m bolou o Biosoftness, amaciante desenvolvido com o uso de nanoc\u00e1psulas ativadas por est\u00edmulos das enzimas liberadas pelo corpo ao suar. A c\u00e1psula libera uma composi\u00e7\u00e3o de extratos vegetais que atacam as bact\u00e9rias, inibindo o seu crescimento. O resultado, de acordo com ele, s\u00e3o roupas sempre frescas, que s\u00f3 precisam ser lavadas novamente quando todas as nanoc\u00e1psulas depositadas no tecido forem rompidas. O produto j\u00e1 est\u00e1 em uso no House of Bubbles, lavanderia coletiva no bairro de Pinheiros, em S\u00e3o Paulo, onde tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis roupas para aluguel.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda est\u00e1 na escala &#8220;nano&#8221; o mercado consumidor desse tipo de neg\u00f3cio. <a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/business-functions\/sustainability-and-resource-productivity\/our-insights\/style-thats-sustainable-a-new-fast-fashion-formula\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">De acordo com a McKinsey<\/a>, o n\u00famero de pe\u00e7as de vestu\u00e1rio compradas anualmente pelo consumidor m\u00e9dio aumentou em 60% ao ano entre 2000 e 2014. O crescimento foi puxado principalmente pela <em>fast fashion, <\/em>o que tamb\u00e9m acelerou o impacto da moda sobre recursos naturais. Al\u00e9m dos perigos que isso implica para os neg\u00f3cios e para toda a cadeia envolvida, a consultoria mapeia outro risco: \u00e0 medida que o poder de compra dos <em>millenials<\/em> aumente, a press\u00e3o por novas formas de produ\u00e7\u00e3o, menos impactantes, tamb\u00e9m cresce. A ind\u00fastria precisa, ent\u00e3o, adaptar-se agora a essa nova tend\u00eancia. Esse \u00e9 um risco bom.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por C\u00edntya Feitosa Quando se fala em tecnologia para vestu\u00e1rio, talvez a primeira coisa que venha \u00e0 mente sejam as roupas \u201cdo futuro\u201d: conectadas \u00e0 internet, biom\u00e9tricas, com monitoramento de atividades corporais, roupas que avaliam e ajudam a melhorar o rendimento em corridas e afins. 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