{"id":1589,"date":"2017-12-12T15:30:11","date_gmt":"2017-12-12T18:30:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1589"},"modified":"2022-02-22T10:17:38","modified_gmt":"2022-02-22T13:17:38","slug":"mais-natureza-mais-agua-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/mais-natureza-mais-agua-de-qualidade\/","title":{"rendered":"Mais natureza, mais \u00e1gua de qualidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Bruno Toledo<\/em><\/p>\n<p>Janeiro de 2015. Auge da crise h\u00eddrica no Sudeste. Em S\u00e3o Paulo, milh\u00f5es de pessoas sofrem com as restri\u00e7\u00f5es no fornecimento de \u00e1gua em pleno ver\u00e3o. As chuvas, t\u00e3o esperadas para interromper a estiagem que atingia a regi\u00e3o desde o ano anterior, ainda n\u00e3o retornaram. O Sistema Cantareira, respons\u00e1vel pelo abastecimento de boa parte dos moradores da Grande S\u00e3o Paulo, sobrevive com a explora\u00e7\u00e3o da sua reserva t\u00e9cnica, popularmente apelidada de \u201cvolume morto\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio nos reservat\u00f3rios ressecados era desolador. No entanto, a poucos quil\u00f4metros dali, dentro da cidade de S\u00e3o Paulo, a principal represa da regi\u00e3o continuava cheia, como se n\u00e3o estivesse sem chuvas h\u00e1 meses. Ainda que sozinha n\u00e3o fosse capaz de compensar as perdas no Sistema Cantareira, a Represa Billings poderia aliviar as dificuldades vividas pelos paulistanos no per\u00edodo mais cr\u00edtico da estiagem. No entanto, isso nem sequer foi imaginado. N\u00e3o porque n\u00e3o se quisesse \u2013 mas porque era praticamente invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>A \u00e1gua da Billings \u00e9 extremamente polu\u00edda. Contaminada pelo esgoto, ela n\u00e3o \u00e9 recomendada para qualquer tipo de consumo humano. Para tanto, seria necess\u00e1rio um alto investimento em tratamento, o que seria custoso e demorado.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos ir t\u00e3o longe para ver qu\u00e3o surreal \u00e9 a falta d\u2019\u00e1gua em uma regi\u00e3o t\u00e3o irrigada por rios como a Grande S\u00e3o Paulo. O Tiet\u00ea e o Pinheiros, importantes para o processo de desenvolvimento da capital paulista desde o s\u00e9culo XVI, tamb\u00e9m poderiam ajudar a aliviar o problema h\u00eddrico, mas a p\u00e9ssima qualidade de suas \u00e1guas, igualmente contaminadas por esgoto n\u00e3o tratado, impede qualquer consumo humano.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A natureza como filtro d\u2019\u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Em um ensaio publicado em 1974, o economista Edmar Bacha cunhou um termo que resume o abismo de desigualdades que marca o Brasil: <em>Bel\u00edndia<\/em>, a mistura da B\u00e9lgica min\u00fascula e abastada e da \u00cdndia gigantesca e miser\u00e1vel. Se o termo em si n\u00e3o sobreviveu no campo da economia (afinal, a \u00cdndia \u00e9 hoje um pa\u00eds emergente em franco desenvolvimento econ\u00f4mico), permanece firme e forte no campo da realidade social.<\/p>\n<p>Metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem esgoto tratado. Das 100 maiores cidades brasileiras, apenas dez tratam mais de 80% de seus esgotos. No Norte, regi\u00e3o que concentra a maior parte da riqueza h\u00eddrica do Brasil, apenas 16,4% do esgoto \u00e9 tratado. Isso significa que o grosso dos rejeitos l\u00edquidos vai para os rios e c\u00f3rregos nas cidades da regi\u00e3o, contaminando os cursos d&#8217;\u00e1gua \u2013 e tornando-os in\u00fateis para o uso humano (<em>leia mais na <\/em><a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/P22_Edicao_103.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>edi\u00e7\u00e3o da <strong>P\u00e1gina22<\/strong> sobre saneamento<\/em><\/a>).<\/p>\n<p>O desafio do saneamento b\u00e1sico no Brasil \u00e9 t\u00e3o grande quanto na \u00cdndia \u201cbelindiana\u201d, mas solu\u00e7\u00f5es inovadoras e simples de se realizar come\u00e7am a aparecer e a mostrar resultados no Pa\u00eds. Mais uma vez, a natureza \u00e9 um elemento importante para sua efetividade e seu custo-benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Duas Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza (SbN) selecionadas para esta edi\u00e7\u00e3o de P22_ON trazem ferramentas que est\u00e3o sendo implementadas para resolver o problema dos <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">efluentes<\/a> no Brasil. Unindo processos naturais, conhecimento cient\u00edfico, tecnologia, criatividade e persist\u00eancia, elas nos mostram alguns caminhos para ampliar o tratamento de esgoto, seja nas grandes cidades, seja no campo.<\/p>\n<p>A primeira delas \u2013 <em>Jardins filtrantes, f\u00e1bricas de \u00e1gua<\/em> \u2013 aproveita processos naturais para criar sistemas mais eficientes e sustent\u00e1veis para tratamento de efluentes sanit\u00e1rios e industriais. Baseada na fitorremedia\u00e7\u00e3o (descontamina\u00e7\u00e3o de ambientes aqu\u00e1ticos e terrestres \u00e0 base de plantas), a Phytorestore Brasil prop\u00f5e um modelo inovador para tratar o esgoto \u2013 em vez de esta\u00e7\u00f5es tradicionais de tratamento, custosas e com problemas como forte odor e gera\u00e7\u00e3o de lodo, belos jardins garantem uma descontamina\u00e7\u00e3o eficiente, inodora e de baixo custo operacional.<\/p>\n<p>O projeto de jardins filtrantes foi desenvolvido pelo pesquisador franc\u00eas Thierry Jacquet nos anos 1990, a partir de estudos sobre os processos de fitorremedia\u00e7\u00e3o. Em 2004, Jacquet fundou a Phytorestore na Fran\u00e7a, trazida ao Brasil seis anos depois. A partir da\u00ed, a empresa vem desenvolvendo projetos de tratamento de efluentes baseados em uma solu\u00e7\u00e3o que mescla tecnologia, natureza, paisagismo e efici\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Se as \u00e1rvores s\u00e3o conhecidas como os pulm\u00f5es do mundo, os jardins filtrantes s\u00e3o como os f\u00edgados da paisagem&#8221;, diz Lilian Hengleng de Gregori, diretora-geral da Phytorestore Brasil. O grande diferencial dos jardins filtrantes, al\u00e9m da solu\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica, \u00e9 que o processo de descontamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera nenhum tipo de lodo, o principal &#8220;vil\u00e3o&#8221; do tratamento de efluentes.<\/p>\n<p>O processo de depura\u00e7\u00e3o do efluente \u00e9 realizado por meio das ra\u00edzes de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plantas macr\u00f3fitas<\/a> enraizadas, instaladas em jardins desenhados sob medida para o volume de efluente a ser tratado. A principal caracter\u00edstica dessas plantas \u00e9 n\u00e3o causar a chamada biocontamina\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, o material contaminado n\u00e3o sobe para a massa verde da planta. Isso permite que os jardins filtrantes sejam espa\u00e7os visit\u00e1veis, sem riscos de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de tratamento ocorre em quatro etapas. Primeiro, o efluente passa por um tanque de aera\u00e7\u00e3o, onde um soprador mant\u00e9m a mat\u00e9ria org\u00e2nica em movimento para que ela n\u00e3o se sedimente (e, consequentemente, forme lodo) e para \u201cquebrar\u201d todos os gases geradores de odor.<\/p>\n<p>Em seguida, ocorre o tratamento aer\u00f3bico (elimina\u00e7\u00e3o de v\u00edrus e bact\u00e9rias que morrem na presen\u00e7a do oxig\u00eanio), com o material org\u00e2nico sendo filtrado por um primeiro conjunto de plantas enraizadas direto na brita. Nessa primeira filtragem, o efluente entra verticalmente pelo jardim, de maneira que passe mais rapidamente (leva cerca de duas horas). Ao final dessa etapa, 85% da polui\u00e7\u00e3o foi removida do efluente, especialmente o poluente s\u00f3lido, que serve como alimento para as plantas.<\/p>\n<p>O efluente passa depois por um segundo jardim filtrante, onde se d\u00e1 o tratamento anaer\u00f3bico (elimina os pat\u00f3genos, que morrem na aus\u00eancia de oxig\u00eanio). Aqui, o material ingressa no sentido horizontal, de forma que passe mais lentamente para realizar o processo de desnitrifica\u00e7\u00e3o dos poluentes l\u00edquidos. Ao final, o efluente sofre mais uma redu\u00e7\u00e3o da carga org\u00e2nica (11%).<\/p>\n<p>A \u00e1gua que sai deste segundo filtro atende aos requisitos t\u00e9cnicos da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 430 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para lan\u00e7amento em corpos d&#8217;\u00e1gua, como c\u00f3rregos e rios. No entanto, para oxigenar a \u00e1gua, ela passa por uma quarta etapa, a da &#8220;lagoa plantada&#8221;: aqui, <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ninfeias<\/a> plantadas no fundo da lagoa oxigenam a \u00e1gua antes que esta seja liberada na natureza.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o inventamos nada. Todo o processo que implementamos \u00e9 uma r\u00e9plica daquilo que existe na natureza&#8221;, aponta Gregori. &#8220;O diferencial da nossa t\u00e9cnica est\u00e1 no dimensionamento: aproveitamos os processos naturais e o aplicamos sob medida para cada situa\u00e7\u00e3o. Sabemos exatamente qual \u00e9 o tamanho do jardim necess\u00e1rio para determinado volume de efluente, para determinado tipo de polui\u00e7\u00e3o e de contamina\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Entre os projetos de jardim filtrante implementados pela Phytorestore no Brasil, um destaque \u00e9 o da unidade da L\u2019Or\u00e9al na Ilha do Fund\u00e3o, no Rio de Janeiro. O jardim trata o esgoto gerado no complexo e capta a \u00e1gua da chuva para re\u00faso. Inaugurado em outubro de 2017, este jardim recebeu o pr\u00eamio Green Solutions Awards 2017 na categoria de Infraestruturas Sustent\u00e1veis, realizado na cidade alem\u00e3 de Bonn, durante a 23\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP 23).<\/p>\n<p><strong>Saneamento em zonas rurais<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_3871\" aria-describedby=\"caption-attachment-3871\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/mais-natureza-mais-agua-de-qualidade\/tratamento-de-esgoto-realizado-atraves-de-zona-de-raizes-1\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3871 size-full\" src=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Tratamento-de-esgoto-realizado-atraves-de-zona-de-raizes.-1.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Tratamento-de-esgoto-realizado-atraves-de-zona-de-raizes.-1.jpg 960w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Tratamento-de-esgoto-realizado-atraves-de-zona-de-raizes.-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Tratamento-de-esgoto-realizado-atraves-de-zona-de-raizes.-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3871\" class=\"wp-caption-text\">Tratamento de esgoto realizado atrav\u00e9s de zona de ra\u00edzes Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A segunda\u00a0SbN de tratamento de esgoto em zona de ra\u00edzes vem sendo implementada na pequena Campos Novos (SC), resultado de uma parceria entre pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a prefeitura local e a administra\u00e7\u00e3o de uma pequena escola na zona rural da cidade. Trata-se da proposta\u00a0<em>Tratamento de esgoto realizado atrav\u00e9s de zona de ra\u00edzes<\/em>.<\/p>\n<p>Como em muitos lugares no interior do Brasil, o distrito rural de Campos Novos n\u00e3o conta com sistema de coleta e tratamento de esgoto. Os rejeitos s\u00e3o depositados em fossas para decomposi\u00e7\u00e3o natural. No entanto, principalmente no per\u00edodo de chuvas, o esgoto muitas vezes acaba escorrendo pelo ch\u00e3o, trazendo risco de infec\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as para as crian\u00e7as da escola.<\/p>\n<p>Para evitar esse problema, o professor Eduardo Bello Rodrigues, \u00e0 \u00e9poca mestrando de Engenharia Sanit\u00e1ria da Udesc, procurou a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica local e a dire\u00e7\u00e3o da escola em 2009 com um projeto de tratamento do esgoto por zona de ra\u00edzes, processo similar ao desenvolvido pela Phytorestore.<\/p>\n<p>Com o apoio das autoridades, ele construiu uma zona de tratamento utilizando plantas macr\u00f3fitas, onde o esgoto bruto originado de um tanque entra e \u00e9 distribu\u00eddo horizontalmente. As plantas removem nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, al\u00e9m de decompor a mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p>&#8220;O diferencial desse modelo \u00e9 o custo, que \u00e9 muito inferior ao de qualquer sistema de tratamento, como lodos ativados, porque usa apenas a energia da gravidade, sem nenhum gasto de energia el\u00e9trica&#8221;, explica Renan Schlegel, pesquisador da Udesc. &#8220;O sistema em si opera sozinho, com vistorias peri\u00f3dicas simples.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do sistema de tratamento de esgoto, o projeto tamb\u00e9m promoveu campanhas de educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o com alunos, professores e colaboradores da escola beneficiada.<\/p>\n<p>Projetos como este podem ser importantes para viabilizar sistemas de tratamento de esgoto no interior, especialmente em \u00e1reas pouco povoadas. &#8220;No interior, \u00e9 mais f\u00e1cil voc\u00ea implementar sistemas assim, pois temos disponibilidade de terra&#8221;, explica Schlegel. \u201cNo entanto, na regi\u00e3o rural, \u00e9 complicado fazer redes de coleta, j\u00e1 que existem poucas casas. \u00c9 mais f\u00e1cil construir um sistema desse tipo para cada resid\u00eancia. Dez metros quadrados [<em>espa\u00e7o m\u00e9dio ocupado por um sistema de tratamento por zona de ra\u00edzes<\/em>] \u00e9 praticamente nada no campo.\u201d<\/p>\n<p>A iniciativa na escola de Campos Novos abriu caminho para a estrutura\u00e7\u00e3o de um projeto maior de saneamento ambiental rural, novamente coordenado pelos pesquisadores da Udesc em parceria com a prefeitura da cidade. Nesse novo programa, iniciado em mar\u00e7o deste ano, o objetivo \u00e9 levar tecnologias de saneamento a outras escolas p\u00fablicas da regi\u00e3o de Campos Novos, especialmente nas zonas rurais.<\/p>\n<p><strong>Inova\u00e7\u00e3o em prol da economia de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>O saneamento ajuda a resolver um problema posterior na quest\u00e3o h\u00eddrica: a contamina\u00e7\u00e3o de corpos d\u2019\u00e1gua por efluentes sanit\u00e1rios e industriais. Por\u00e9m, temos uma quest\u00e3o igualmente importante que antecede esta discuss\u00e3o: antes de o efluente ser efluente, ele \u00e9 \u00e1gua. Muitas vezes, a \u00e1gua vira efluente n\u00e3o por uso efetivo, mas por desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o excessiva de \u00e1gua \u00e9 um problema cr\u00f4nico para a gest\u00e3o h\u00eddrica. Alimentado por pr\u00e1ticas abusivas de consumo, o desperd\u00edcio pode comprometer a disponibilidade de \u00e1gua, amea\u00e7ando o abastecimento em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas \u2013 como a que vivemos no Sudeste brasileiro entre 2014 e 2015 e a que estamos vivendo no Distrito Federal h\u00e1 quase dois anos, sem falar na Regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Parte importante desse desperd\u00edcio acontece na ind\u00fastria, grande consumidora de \u00e1gua em seus processos produtivos. Isso \u00e9 uma realidade marcante para o setor de produtos de limpeza. Mais de 95% dos produtos vendidos no mercado \u00e9 composto de \u00e1gua. Ou seja, o agente ativo de limpeza \u00e9 praticamente dilu\u00eddo em litros e litros de \u00e1gua para reduzir sua for\u00e7a e criar maior volume.<\/p>\n<p>O uso excessivo de \u00e1gua engatilha uma s\u00e9rie de desperd\u00edcios que o setor alimenta: s\u00e3o emitidos gases de efeito estufa para transportar toneladas e toneladas de produtos de limpeza das f\u00e1bricas at\u00e9 os supermercados, al\u00e9m do pl\u00e1stico e papel\u00e3o de suas embalagens.<\/p>\n<p>Para mudar essa hist\u00f3ria, um dos casos de SbN selecionados para esta edi\u00e7\u00e3o de P22_ON busca aproveitar os ativos da pr\u00f3pria natureza para criar produtos de limpeza sem o uso excessivo de \u00e1gua e com transpar\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o com o consumidor. Lan\u00e7ada neste ano por Marcelo Ebert, a YVY \u00e9 uma marca de produtos de limpeza formulados com <a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2015\/11\/09\/a-preco-de-laranja\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ingredientes de origem natural<\/a>, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de petroqu\u00edmicos, cloro e fosfatos.<\/p>\n<p>&#8220;Esta marca \u00e9 resultado de dez anos de desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es em limpeza para empresas e ind\u00fastrias&#8221;, explica Ebert. &#8220;Nossa proposta \u00e9 mostrar que \u00e9 poss\u00edvel limpar de verdade com ingredientes vindos da natureza, sem precisar de uma quantidade excessiva de produtos.&#8221;<\/p>\n<p>A base dos ingredientes da YVY \u00e9 o terpeno, composto encontrado em sementes, flores, folhas, ra\u00edzes e madeira de plantas. Na natureza, o terpeno \u00e9 respons\u00e1vel pela assepsia e pelo equil\u00edbrio qu\u00edmico do meio. Com o uso da tecnologia desenvolvida pela YVY, pode-se extrair <em>blends<\/em> bactericidas, assim como especializados em solv\u00eancia e neutraliza\u00e7\u00e3o de odores. A esses <em>blends<\/em> s\u00e3o acrescentados \u00f3leos essenciais, que far\u00e3o o papel de fragr\u00e2ncia dos produtos.<\/p>\n<p>&#8220;Como os produtos da YVY s\u00e3o formulados apenas com ingredientes de origem natural, a chance de uma intoxica\u00e7\u00e3o ou de que voc\u00ea desenvolva um processo al\u00e9rgico durante o uso \u00e9 significativamente menor&#8221;, argumenta Ebert. &#8220;Al\u00e9m disso, evitamos a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e a contamina\u00e7\u00e3o de organismos aqu\u00e1ticos por subst\u00e2ncias petroqu\u00edmicas.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica natural, os produtos da YVY n\u00e3o consomem \u00e1gua e outros recursos desnecessariamente, j\u00e1 que as embalagens, em formato de c\u00e1psulas recicl\u00e1veis e usadas com borrifadores permanentes, cont\u00eam a quantidade exata do produto superconcentrado.<\/p>\n<p>O modelo de neg\u00f3cios de YVY tamb\u00e9m \u00e9 inovador para o setor. Por meio de um sistema de assinaturas, os clientes da marca recebem mensalmente cerca de 1 quilo de produtos de limpeza, entre desinfetantes, detergentes e outros, o que equivale a 15 quilos caso produtos convencionais fossem adquiridos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Raio X das propostas<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: \u201c<\/strong>Jardins filtrantes, f\u00e1bricas de \u00e1gua\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Proponente: <\/strong>Lilian Hengleng de Gregori \u2013 Phytorestore Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Setor:<\/strong>\u00a0Privado<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> S\u00e3o Paulo, SP<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>Metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o conta com esgoto tratado. Das 100 maiores cidades brasileiras, apenas 10 tratam mais de 80% de seus esgotos. No Norte, regi\u00e3o que concentra a maior parte da riqueza h\u00eddrica do Brasil, apenas 16,4% do esgoto \u00e9 tratado. Isso significa que o grosso dos rejeitos l\u00edquidos v\u00e3o para os rios e c\u00f3rregos nas cidades da regi\u00e3o, contaminando os cursos d\u2019\u00e1gua \u2013 e tornando-os in\u00fateis para o uso humano. As esta\u00e7\u00f5es tradicionais de tratamento s\u00e3o custosas e t\u00eam problemas como forte odor e gera\u00e7\u00e3o de lodo.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> O processo de depura\u00e7\u00e3o do esgoto \u00e9 realizado por meio das ra\u00edzes de plantas macr\u00f3fitas enraizadas, instaladas em jardins desenhados sob medida para o volume de efluente a ser tratado. A principal caracter\u00edstica dessas plantas \u00e9 n\u00e3o causar a biocontamina\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, o material contaminado n\u00e3o sobe para a massa verde da planta. Isso permite que os jardins filtrantes sejam espa\u00e7os visit\u00e1veis, sem riscos de contamina\u00e7\u00e3o, e ainda ofere\u00e7am valor paisag\u00edstico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o processo de descontamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera nenhum tipo de lodo, o principal \u201cvil\u00e3o\u201d do tratamento de efluentes.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta:<\/strong> \u201cTratamento de esgoto realizado atrav\u00e9s de zona de ra\u00edzes\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Proponente: <\/strong>Renan Marlon Schlegel \u2013 Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Setor:<\/strong> Universidade<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Ibirama, SC<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>Como em muitos lugares no interior do Brasil, o distrito rural de Campos Novos n\u00e3o conta com sistema de coleta e tratamento de esgoto. Os rejeitos s\u00e3o depositados em fossas para decomposi\u00e7\u00e3o natural. No entanto, principalmente no per\u00edodo de chuvas, o esgoto muitas vezes acaba escorrendo pelo ch\u00e3o, trazendo risco de infec\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as para as crian\u00e7as da escola da zona rural.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Com o apoio da prefeitura, os pesquisadores da Udesc constru\u00edram uma zona de tratamento utilizando plantas macr\u00f3fitas, onde o esgoto bruto originado de um tanque entra e \u00e9 distribu\u00eddo horizontalmente. As plantas removem nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, al\u00e9m de decompor a mat\u00e9ria org\u00e2nica. O diferencial desse modelo \u00e9 o custo, muito inferior ao de qualquer sistema de tratamento, como lodos ativados, porque usa apenas a energia da gravidade, sem nenhum gasto de energia el\u00e9trica.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta:<\/strong> \u201cYVY, produtos de limpeza que jogam limpo com voc\u00ea e com o meio ambiente\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente:<\/strong> Marcelo Ebert \u2013 TerpenOil<\/p>\n<p><strong>Setor:<\/strong>\u00a0Privado<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Jundia\u00ed, SP<\/p>\n<p><strong>Problema:<\/strong> A maioria dos produtos de limpeza utiliza como mat\u00e9ria-prima compostos qu\u00edmicos que poluem os corpos d\u2019\u00e1gua e contaminam organismos aqu\u00e1ticos com subst\u00e2ncias petroqu\u00edmicas. Al\u00e9m disso, mais de 95% dos produtos vendidos ao consumidor \u00e9 composto de \u00e1gua. Ou seja, o agente ativo de limpeza \u00e9 dilu\u00eddo em litros e litros de \u00e1gua para gerar maior volume. Esse uso excessivo aumenta a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa para transportar toneladas de produtos de limpeza das f\u00e1bricas at\u00e9 os supermercados, al\u00e9m de exigir mais pl\u00e1stico e papel\u00e3o em suas embalagens.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Os produtos da YVY s\u00e3o formulados com ingredientes de origem natural, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de petroqu\u00edmicos, cloro e fosfatos. A base dos ingredientes \u00e9 o terpeno, composto encontrado em sementes, flores, folhas, ra\u00edzes e madeira de plantas. Na natureza, o terpeno \u00e9 respons\u00e1vel pela assepsia e pelo equil\u00edbrio qu\u00edmico do meio. Al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica natural, os produtos evitam o consumo excessivo de \u00e1gua e outros recursos, j\u00e1 que as embalagens, em formato de c\u00e1psulas recicl\u00e1veis e usadas com borrifadores permanentes, cont\u00eam a quantidade exata do produto superconcentrado.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Toledo Janeiro de 2015. Auge da crise h\u00eddrica no Sudeste. Em S\u00e3o Paulo, milh\u00f5es de pessoas sofrem com as restri\u00e7\u00f5es no fornecimento de \u00e1gua em pleno ver\u00e3o. As chuvas, t\u00e3o esperadas para interromper a estiagem que atingia a regi\u00e3o desde o ano anterior, ainda n\u00e3o retornaram. 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