{"id":1592,"date":"2017-12-12T15:45:05","date_gmt":"2017-12-12T18:45:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1592"},"modified":"2022-02-22T09:57:41","modified_gmt":"2022-02-22T12:57:41","slug":"o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/","title":{"rendered":"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Magali Cabral<\/em><\/p>\n<p>Boa parte dos moradores da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil j\u00e1 sentiu na pele, ou est\u00e1 sentindo, os efeitos da crise h\u00eddrica que se instalou nos \u00faltimos anos em zonas rurais e urbanas. Das provid\u00eancias tomadas por empresas de abastecimento, ouve-se falar muito de obras de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">infraestrutura cinza<\/a>, como a constru\u00e7\u00e3o de novos reservat\u00f3rios ou a transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de uma bacia para outra.<\/p>\n<p>Embora necess\u00e1rias, essas obras n\u00e3o dispensam iniciativas de recupera\u00e7\u00e3o do ambiente natural, uma vez que a crise pode ser relacionada \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos h\u00eddricos. Sem esquecer, \u00e9 claro, que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica vem alterando o regime das chuvas em todo o planeta. O que pouca gente sabe \u00e9 que muitos projetos de Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza (SbN) voltados para o aumento da oferta de recursos h\u00eddricos est\u00e3o em andamento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1719\" aria-describedby=\"caption-attachment-1719\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-19.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1719 size-large\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-19-684x1024.jpg\" alt=\"Ribeir\u00e3o da Catarina\/ Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio\" width=\"684\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-19-684x1024.jpg 684w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-19-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-19-1440x2157.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1719\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em uma chamada p\u00fablica, a Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio selecionou quatro casos de SbN nesse segmento, com destaque para o do World Resources Institute (WRI), que traz a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">infraestrutura verde<\/a> como solu\u00e7\u00e3o complementar \u00e0s medidas convencionais para melhorar a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no Sistema Cantareira, respons\u00e1vel pelo abastecimento de quase 9 milh\u00f5es de pessoas na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (RMSP).<\/p>\n<p>\u201cEntendemos que as florestas podem trazer vantagens adicionais a essas estruturas convencionais. E o nosso trabalho tenta avaliar o custo e o benef\u00edcio de plantar florestas em \u00e1reas priorit\u00e1rias\u201d, afirma o bi\u00f3logo e economista do WRI, Rafael Feltran-Barbieri.<\/p>\n<p>O objetivo econ\u00f4mico do projeto <em>Infraestrutura natural para \u00e1gua no Brasil: a restaura\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia de saneamento p\u00fablico <\/em>\u00e9 importante, dado o alto custo das obras nesse setor. A implanta\u00e7\u00e3o de uma floresta tampouco custa barato. Da\u00ed a relev\u00e2ncia dos c\u00e1lculos de custo-benef\u00edcio. Barbieri explica que j\u00e1 existe uma boa base te\u00f3rica dos servi\u00e7os que uma floresta pode trazer, principalmente na reten\u00e7\u00e3o de sedimento.<\/p>\n<p>Os sedimentos levados pelos cursos da \u00e1gua s\u00e3o os principais causadores da turbidez. Para fornecer \u00e1gua limpa \u00e0 popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 um gasto alto com produtos qu\u00edmicos, energia e for\u00e7a de trabalho da empresa de abastecimento p\u00fablico. Quando existe uma floresta impedindo a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lixivia\u00e7\u00e3o do solo<\/a>, a sedimenta\u00e7\u00e3o diminui muito e proporciona um impacto positivo no custo do tratamento da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Como os c\u00e1lculos foram positivos para os benef\u00edcios econ\u00f4micos da restaura\u00e7\u00e3o florestal, j\u00e1 teve in\u00edcio o plantio de mudas nativas em 4 mil hectares em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de mananciais da RMSP \u2013 tarefa sob a responsabilidade da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental The Nature Conservancy (TNC), em parceria com o Projeto Nascentes, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo o WRI, os benef\u00edcios diretos superaram os custos em at\u00e9 16,54%, excluindo as externalidades positivas geradas por outros eventuais servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como sequestro de carbono, poliniza\u00e7\u00e3o, conforto t\u00e9rmico microclim\u00e1tico, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade etc.<\/p>\n<p>Mesmo sob<a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> taxa de desconto<\/a> com alto risco, de 15,46% (12% + <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Risco Brasil M\u00e9dio<\/a> dos \u00faltimos 5 anos + <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desvio-padr\u00e3o<\/a> do Risco M\u00e9dio), os benef\u00edcios seriam apenas ligeiramente menores que os custos (\u00ad5,68%), o que demonstra que a restaura\u00e7\u00e3o praticamente poderia ser paga pela poupan\u00e7a gerada nos custos evitados no tratamento da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Espera-se evitar o carreamento de 132 mil toneladas por ano de sedimentos, o que significa uma redu\u00e7\u00e3o aproximada de 72% do carreamento atual. O benef\u00edcio l\u00edquido (em valor presente) poder\u00e1 chegar perto dos R$ 30 milh\u00f5es, ou cerca de R$ 1 milh\u00e3o ao ano \u2013 o projeto tem dura\u00e7\u00e3o de 30 anos. Dessa forma, a empresa de tratamento de \u00e1gua evitar\u00e1 um custo em energia, \u00e1gua e produtos qu\u00edmicos de R$ 138 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de melhorar a qualidade da \u00e1gua, restaurar florestas em \u00e1reas de recarga de aqu\u00edfero aumenta a capacidade de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva no solo. \u201cQuanto mais \u00e1gua de qualidade nos aqu\u00edferos, menor a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de novos reservat\u00f3rios\u201d, afirma Barbieri, lembrando que a demanda por \u00e1gua na bacia do Cantareira deve crescer 10% nos pr\u00f3ximos 20 anos. O plantio ser\u00e1 monitorado durante 3 anos.<\/p>\n<p>A eventual compra dos terrenos cuja vegeta\u00e7\u00e3o precisa ser recuperada tamb\u00e9m entra nos c\u00e1lculos do modelo econ\u00f4mico aplicado pelo WRI. O economista lembra que existe alternativa \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o das terras nas ocasi\u00f5es em que o propriet\u00e1rio estiver em d\u00e9bito com o C\u00f3digo Florestal. \u201cO dono das terras poderia receber um incentivo para fazer a restaura\u00e7\u00e3o, ou fazer um arrendamento.\u201d O modelo prev\u00ea ainda a possibilidade de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais aos propriet\u00e1rios que t\u00eam a floresta legalizada.<\/p>\n<p>Esse mesmo projeto est\u00e1 sendo replicado no Esp\u00edrito Santo, precisamente na Bacia do Rio Jucu, que abastece a Grande Vit\u00f3ria, e no Rio de Janeiro, na Bacia do Rio Guandu. S\u00e3o casos diferentes um do outro, explica Barbieri.<\/p>\n<p>Enquanto o Sistema Cantareira \u00e9 formado por seis reservat\u00f3rios (a quantidade de sedimentos que chega no sistema de tratamento de \u00e1gua nessas circunst\u00e2ncias \u00e9 menor, pois boa parte fica retida no reservat\u00f3rio), no Guandu a \u00e1gua \u00e9 captada diretamente do rio e, portanto, \u00e9 muito mais sens\u00edvel aos sedimentos. \u201cQuando o rio est\u00e1 muito turvo, o custo de tratamento fica alt\u00edssimo\u201d, diz Barbieri. E, em Vit\u00f3ria, a \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 captada diretamente do Rio Jucu, mas em 2018 ser\u00e1 inaugurado um reservat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Doce amargo<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_3864\" aria-describedby=\"caption-attachment-3864\" style=\"width: 1040px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/adequacao-ambiental-de-propriedades-rurais-na-bacia-do-barra-seca-e-foz-do-rio-doce-3\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3864 size-full\" src=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Adequacao-Ambiental-de-Propriedades-Rurais-na-Bacia-do-Barra-Seca-e-Foz-do-Rio-Doce-3.jpg\" alt=\"Adequa\u00e7\u00e3o Ambiental de Propriedades Rurais na Bacia do Barra Seca e Foz do Rio Doce_Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"1040\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Adequacao-Ambiental-de-Propriedades-Rurais-na-Bacia-do-Barra-Seca-e-Foz-do-Rio-Doce-3.jpg 1040w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Adequacao-Ambiental-de-Propriedades-Rurais-na-Bacia-do-Barra-Seca-e-Foz-do-Rio-Doce-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Adequacao-Ambiental-de-Propriedades-Rurais-na-Bacia-do-Barra-Seca-e-Foz-do-Rio-Doce-3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Adequacao-Ambiental-de-Propriedades-Rurais-na-Bacia-do-Barra-Seca-e-Foz-do-Rio-Doce-3-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1040px) 100vw, 1040px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3864\" class=\"wp-caption-text\">Adequa\u00e7\u00e3o Ambiental de Propriedades Rurais na Bacia do Barra Seca e Foz do Rio Doce_Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro trabalho cl\u00e1ssico de SbN, selecionado pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo\u00a0Botic\u00e1rio, e tamb\u00e9m voltado para a oferta de recursos h\u00eddricos, \u00e9 o <em>Adequa\u00e7\u00e3o ambiental de propriedades rurais na Bacia do Barra Seca e Foz do Rio Doce, <\/em>criado e administrado pelo Instituto BioAtl\u00e2ntica (Ibio).<\/p>\n<p>A regi\u00e3o capixaba enfrenta uma grave situa\u00e7\u00e3o de escassez h\u00eddrica. O objetivo da proposta \u00e9 aumentar a escala da restaura\u00e7\u00e3o florestal e garantir disponibilidade de \u00e1gua. Para isso, formou-se um arranjo institucional com atores de diversos setores: iniciativa privada (Le\u00e3o Alimentos\/Coca-Cola), Terceiro Setor (TNC), Governo do Estado do Esp\u00edrito Santo (Programa Reflorestar) e o comit\u00ea de bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Barra Seca e da Foz do Rio Doce.<\/p>\n<p>Foram identificadas 51 propriedades rurais com at\u00e9 150 hectares de \u00e1reas priorit\u00e1rias a serem recuperadas ao longo de cinco anos. Ao aceitarem participar da iniciativa, os fazendeiros passaram a se beneficiar do processo de restaura\u00e7\u00e3o florestal em si e do ganho de disponibilidade h\u00eddrica na regi\u00e3o, assim como do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Pagamentos por Servi\u00e7os Ambientais (PSA). Outros benef\u00edcios adicionais s\u00e3o saneamento b\u00e1sico rural e a adequa\u00e7\u00e3o ambiental da propriedade.<\/p>\n<p>A escassez h\u00eddrica na Bacia do Rio Doce n\u00e3o \u00e9 recente. Especificamente em Barra Seca, no munic\u00edpio Linhares, a crise se acirrou ainda mais em raz\u00e3o de um conflito pelo uso da \u00e1gua (o desastre da Samarco provocado com o rompimento da Barragem de Fund\u00e3o, h\u00e1 dois anos, n\u00e3o chegou a atingir esses afluentes).<\/p>\n<p>Grande produtora de caf\u00e9, a regi\u00e3o faz uso intensivo do solo. O ge\u00f3grafo e coordenador de projetos no Ibio, Thiago Belote Silva, conta que ali n\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1gua para o processo produtivo das lavouras de caf\u00e9 e nem das ind\u00fastrias. \u201cN\u00e3o tem \u00e1gua dentro das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o [Reserva Biol\u00f3gica de Sooretama, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), e a Reserva Natural Vale] que ali est\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Belote, no ano passado, quando a crise h\u00eddrica mais se acirrou e o IBio come\u00e7ou o projeto, ouviram-se muitos relatos de que animais das duas reservas biol\u00f3gicas, que ficam, respectivamente, nas bacias do Rio Cupido e Rio do Pau Atravessado, estavam saindo das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o em busca de \u00e1gua. \u201cOuvimos ainda relatos dando conta de animais mortos de sede dentro das reservas.\u201d<\/p>\n<p>A iniciativa de SbN em Barra Seca \u00e9 tamb\u00e9m complementar \u00e0 infraestrutura cinza. \u201cSabemos que a floresta regula bastante os ciclos hidrol\u00f3gicos e segura mais a \u00e1gua no territ\u00f3rio, mas vemos a infraestrutura cinza como uma estrat\u00e9gia importante em regi\u00f5es com crise h\u00eddrica, onde n\u00e3o tem chovido mais com tanta frequ\u00eancia\u201d, diz Belote.<\/p>\n<p>Mas o recado \u00e9 que n\u00e3o se deve apostar apenas em obras cinza. \u201cInvestir em floresta significa economizar bastante em infraestrutura cinza\u201d, afirma o ge\u00f3grafo, mencionando a experi\u00eancia emblem\u00e1tica de Nova York, onde o trabalho de conserva\u00e7\u00e3o feito nas montanhas nos anos 1990 evitaram a constru\u00e7\u00e3o de uma nova esta\u00e7\u00e3o de tratamento para garantir o abastecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto a favor das SbN \u00e9 a propriedade de um fazendeiro local conhecido por Chico da Mata. \u201cEm plena crise h\u00eddrica no ano passado, seu Chico cedia dez caminh\u00f5es-pipa por dia para abastecer Sooretama e de Vila Val\u00e9rio, cidades da Bacia da Foz do Rio Doce. \u201cA \u00e1gua brotava dentro de uma floresta que ele preservou. Sua fazenda participa do programa como se fosse uma vitrine.\u201d<\/p>\n<p>Com recursos da cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua, o Ibio tem aproveitado para complementar os trabalhos: \u201cPensamos n\u00e3o s\u00f3 na parte florestal, mas no aspecto produtivo e na qualidade ambiental da propriedade \u2013 esgoto rural, saneamento, transforma\u00e7\u00e3o de res\u00edduos rurais, equa\u00e7\u00e3o ambiental de estradas rurais\u201d.<\/p>\n<p>As estradas vicinais t\u00eam um papel importante na produ\u00e7\u00e3o de sedimentos \u2013 em geral s\u00e3o malfeitas, malcuidadas e na chuva lixiviam e assoreiam os cursos d\u2019\u00e1gua. \u201cO projeto j\u00e1 nasceu pensando em todas as adicionalidades poss\u00edveis\u201d, relata o ge\u00f3grafo.<\/p>\n<p><strong>O futuro no retrovisor<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_1715\" aria-describedby=\"caption-attachment-1715\" style=\"width: 4272px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/LucasPereiraIniciativaVerde.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1715 size-full\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/LucasPereiraIniciativaVerde.jpg\" alt=\"Restaura\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica no Sistema Cantareira _Foto:Lucas Pereira\/ Iniciativa Verde\" width=\"4272\" height=\"2848\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/LucasPereiraIniciativaVerde.jpg 4272w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/LucasPereiraIniciativaVerde-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/LucasPereiraIniciativaVerde-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/LucasPereiraIniciativaVerde-1440x960.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 4272px) 100vw, 4272px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1715\" class=\"wp-caption-text\">Restaura\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica no Sistema Cantareira _Foto:Lucas Pereira\/ Iniciativa Verde<\/figcaption><\/figure>\n<p>De volta ao Sistema Cantareira, desta vez com uma proposta de SbN de longo t\u00edtulo: <em>Compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa de empresas, produtos e processos, por meio da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica para o incremento da infraestrutura verde no Sistema Cantareira<\/em>, <em>principal manancial de abastecimento h\u00eddrico de S\u00e3o Paulo<\/em>.<\/p>\n<p>Nesse projeto, a Iniciativa Verde (TGI, na sigla em ingl\u00eas) prop\u00f5e-se a aumentar a resili\u00eancia do servi\u00e7o de abastecimento de \u00e1gua em \u00e9poca de estiagem implantando florestas nativas de Mata Atl\u00e2ntica em \u00e1reas rurais em Extrema (MG), \u00e0s margens de afluentes do Rio Jaguari, um dos grandes respons\u00e1veis pela recarga do Sistema Cantareira.<\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica de 2014 e os progn\u00f3sticos clim\u00e1ticos dispon\u00edveis no Brasil indicam que \u00e9 necess\u00e1rio criar infraestrutura natural (florestas) para que S\u00e3o Paulo possa passar com mais tranquilidade por estiagens. \u201cEntendemos a Solu\u00e7\u00e3o baseada na Natureza como o caminho de adapta\u00e7\u00e3o a um futuro clim\u00e1tico mais extremo, com poss\u00edveis estiagens como a de 2014\u201d, afirma o ge\u00f3grafo e diretor da TGI, Lucas Pereira. \u201cPropomos diminuir o d\u00e9ficit de 70% de mata ciliar, identificado na regi\u00e3o do Sistema Cantareira, segundo estudos da SOS Mata Atl\u00e2ntica e do Greenpeace\u201d, diz.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o existe tanta novidade no fato de que florestas contribuem para a recupera\u00e7\u00e3o h\u00eddrica de uma regi\u00e3o, o mesmo n\u00e3o se pode dizer sobre a forma encontrada pela TGI para captar recursos. Em 2005, a iniciativa desenvolveu o Programa Carbon Free, com a miss\u00e3o de fomentar projetos volunt\u00e1rios de compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em benef\u00edcio dos biomas brasileiros.<\/p>\n<p>O financiamento vem de empresas interessadas em mensurar e compensar as emiss\u00f5es de suas atividades. Na outra ponta, o investimento \u00e9 aplicado na recupera\u00e7\u00e3o de fragmentos de matas degradadas, prioritariamente em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente em propriedades privadas para a sua adequa\u00e7\u00e3o ambiental ou em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. \u201cEncaramos o programa como uma ferramenta inovadora para financiar restaura\u00e7\u00e3o, que pode ser facilmente replicada\u201d, diz Lucas Pereira.<\/p>\n<p>A TGI j\u00e1 desenvolveu projetos nessa linha em cerca de 40 munic\u00edpios do Brasil. \u201cEm 12 anos, atuamos com cerca de 500 empresas e financiamentos de todas as escalas. A organiza\u00e7\u00e3o viabiliza a compensa\u00e7\u00e3o de uma empresa, de um produto ou de um evento. Faz o c\u00e1lculo das emiss\u00f5es e prop\u00f5e a compensa\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea de floresta que absorver\u00e1 o equivalente de carbono emitido\u201d, explica. Em Extrema, participam a Leroy Merlin e a Caixa Seguradora, entre os principais financiadores.<\/p>\n<p>S\u00e3o necess\u00e1rios R$ 30 mil para viabilizar um hectare de floresta, embutidas todas as etapas, desde os custos de transa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o plantio, a manuten\u00e7\u00e3o de dois anos e o monitoramento. Entre 2015 e 2016, foram plantados 40 hectares, e este ano a TGI dever\u00e1 plantar outros 20 hectares. O munic\u00edpio de Extrema plantar\u00e1 mais 100 hectares de floresta em 2017.<\/p>\n<p>A infraestrutura natural n\u00e3o compete com a infraestrutura cinza, mas pode reduzir de maneira importante a necessidade de obras de engenharia (conten\u00e7\u00e3o de encostas, macrodrenagem, barragens, adu\u00e7\u00e3o, desassoreamento etc.). Os primeiros beneficiados, segundo Lucas Pereira, s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o local \u2013 que vai usufruir servi\u00e7os ambientais prestados pela floresta em seus v\u00e1rios aspectos \u2013 e, posteriormente, os usu\u00e1rios do Sistema Cantareira.<\/p>\n<p><strong>Cursos interrompidos<\/strong><\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo est\u00e1 passando por uma das maiores crises h\u00eddricas da Hist\u00f3ria, o que leva propriet\u00e1rios rurais a tomarem algumas atitudes dr\u00e1sticas, como a constru\u00e7\u00e3o de barragens e perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os ilegais. Essas medidas agravam ainda mais o problema e dificultam os processos ambientais.<\/p>\n<p>A mesma crise h\u00eddrica mencionada acima, no projeto de Barra Seca, \u00e9 a enfrentada pelo Instituto Ambiental Vale (IAV), organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos respons\u00e1vel pela gest\u00e3o financeira e administrativa da Reserva Natural Vale (RNV), localizada naquela regi\u00e3o. Est\u00e3o em risco 23 mil hectares de floresta de tabuleiro da Mata Atl\u00e2ntica, com 3 mil esp\u00e9cies vegetais e mais de 2 mil animais. Cercada por cafezais, a \u00e1gua est\u00e1 desaparecendo por l\u00e1.<\/p>\n<p>O IAV desenvolveu uma SbN de restaura\u00e7\u00e3o florestal e teve a ades\u00e3o de 31 propriedades no entorno da reserva. Trata-se do <em>Projeto de restaura\u00e7\u00e3o florestal do Rio Pau Atravessado: protegendo nascentes e matas ciliares<\/em>, que pretende doar 104 mil mudas nativas para restaurar 68 hectares (dos quais 6 em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente) na microbacia do Rio Pau Atravessado.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga do IAV Rayany Soeiro Batista, respons\u00e1vel pelas visitas de campo, explica que o sumi\u00e7o da \u00e1gua da reserva se deve aos in\u00fameros barramentos irregulares e po\u00e7os artesianos feitos pelos agricultores do entorno para garantir o restante da \u00e1gua. \u201cEles est\u00e3o burlando a lei, mas a nossa proposta tem o intuito de ajud\u00e1-los ecologicamente. Temos de deixar bem claro, desde a primeira visita, que n\u00e3o estamos l\u00e1 para fiscalizar\u201d, afirma Rayany Batista.<\/p>\n<p>Entretanto, o receio afasta boa parte dos fazendeiros. \u201cTivemos algumas resist\u00eancias. Das 97 propriedades com barragens que encontramos, fizemos apenas 31 projetos\u201d, revela. Depois do primeiro contato, se o fazendeiro aceita participar, \u00e9 feita a medi\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies que mais bem se adaptam ao local. Em seguida, o IAV elabora uma proposta formal explicando ao propriet\u00e1rio tudo que ter\u00e1 de fazer para garantir o aumento da produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Ao longo desse processo, os bi\u00f3logos da reserva levam educa\u00e7\u00e3o ambiental para o campo, mostrando como o reflorestamento \u00e9 essencial para proteger o leito do rio da eros\u00e3o e do assoreamento, para melhorar a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no per\u00edodo chuvoso e garantir um estoque para os meses de estiagem. Outras adicionalidades s\u00e3o preven\u00e7\u00e3o de desastres ambientais com obras para refor\u00e7ar \u00e1reas de barragens e evitar seus rompimentos, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um corredor ecol\u00f3gico para os animais regressarem ao seu <em>habitat<\/em> na reserva.<\/p>\n<p>A partir do momento em que o propriet\u00e1rio retira suas mudas do viveiro da Reserva, o IAV presta uma assessoria t\u00e9cnica inicial e, depois, realiza acompanhamento t\u00e9cnico semestral.<\/p>\n<p>Rayany Batista informa que, aos primeiros resultados, as equipes tentar\u00e3o novamente sensibilizar 46 produtores rurais que no momento inicial n\u00e3o tiveram interesse em participar, embora suas barragens precisassem de manuten\u00e7\u00e3o (os 31 projetos est\u00e3o or\u00e7ados em cerca de R$ 240 mil e 20 das 97 propriedades estavam em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o). Entre os principais benefici\u00e1rios dessa SbN est\u00e3o a comunidade civil no entorno da reserva e os moradores de Sooretama.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga lembra que, em 2016, Sooretama chegou a decretar estado de alerta por falta d\u2019\u00e1gua. Segundo ela, o abastecimento era feito por meio de caminh\u00f5es-pipa em dias alternados da semana. Outros importantes benefici\u00e1rios ser\u00e3o a fauna e a flora da reserva. \u201cSem \u00e1gua, a floresta fica mais sujeita a inc\u00eandios e a fauna, mais vulner\u00e1vel \u00e0 ca\u00e7a\u201d, diz.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Raio X das propostas<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: \u201c<\/strong>Infraestrutura natural para a \u00e1gua no Brasil: a restaura\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia de saneamento p\u00fablico\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Rafael Feltran-Barbieri \u2013 World Resources Institute (WRI)<\/p>\n<p><strong>Setor: <\/strong>Terceiro Setor<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> S\u00e3o Paulo, SP<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>O desmatamento em \u00e1reas de mananciais \u00e9 respons\u00e1vel pelo carreamento de sedimentos para os cursos d\u2019\u00e1gua e, consequentemente, para o Sistema Cantareira (conjunto represas respons\u00e1vel pelo abastecimento de quase 9 milh\u00f5es de pessoas na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo). Para limpar a \u00e1gua antes de fornec\u00ea-la \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um gasto alto com produtos qu\u00edmicos, energia e for\u00e7a de trabalho da empresa de abastecimento p\u00fablico. Proje\u00e7\u00f5es apontam que a demanda por \u00e1gua deve crescer at\u00e9 10% nos pr\u00f3ximos 20 anos e tudo indica que o calor, a estiagem e as chuvas torrenciais podem aumentar, agravando ainda mais o problema de turbidez das \u00e1guas.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> A proposta aponta um impacto positivo nas despesas com o tratamento da \u00e1gua proporcionado pela recupera\u00e7\u00e3o florestal nas \u00e1reas de mananciais da RMSP. A floresta reduz a lixivia\u00e7\u00e3o do solo a montante e diminui o volume de sedimenta\u00e7\u00e3o que chega nas barragens. Os benef\u00edcios diretos do plantio de florestas superaram os custos despendidos pela empresa de abastecimento atualmente em at\u00e9 16,54%, sem contar as externalidades positivas geradas por outros eventuais servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como sequestro de carbono, poliniza\u00e7\u00e3o, conforto t\u00e9rmico microclim\u00e1tico, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade etc.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: \u201c<\/strong>Adequa\u00e7\u00e3o ambiental de propriedades rurais na Bacia do Barra Seca e Foz do Rio Doce\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Thiago Belote Silva \u2013 Instituto BioAtl\u00e2ntica<\/p>\n<p><strong>Setor: <\/strong>Terceiro Setor<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Rio de Janeiro, RJ<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>A escassez h\u00eddrica na Bacia do Rio Doce n\u00e3o \u00e9 recente e, em Barra Seca, no munic\u00edpio Linhares, a crise acirrou-se ainda mais em raz\u00e3o de um conflito pelo uso da \u00e1gua. Grande produtora de caf\u00e9, a regi\u00e3o faz uso intensivo do solo. N\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1gua para o processo produtivo das lavouras de caf\u00e9 e nem das ind\u00fastrias. Tamb\u00e9m n\u00e3o tem \u00e1gua dentro das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o [Reserva Biol\u00f3gica de Sooretama, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), e a Reserva Natural Vale] localizadas na regi\u00e3o. H\u00e1 registro de animais que morreram de sede.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Solu\u00e7\u00e3o: <\/strong>O objetivo da proposta \u00e9 aumentar a escala da restaura\u00e7\u00e3o florestal e garantir disponibilidade de \u00e1gua. Foram identificadas 51 propriedades rurais com 150 hectares de \u00e1reas priorit\u00e1rias a serem recuperadas ao longo de 5 anos. Para isso, foi formado um arranjo institucional com atores de diversos setores: iniciativa privada (Le\u00e3o Alimentos\/Coca-Cola), Terceiro Setor (TNC), governo do estado do Esp\u00edrito Santo (Programa Reflorestar) e o comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica Barra Seca e Foz do Rio Doce.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: \u201c<\/strong>Compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa de empresas, produtos e processos, por meio da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica para o incremento da infraestrutura verde no Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento h\u00eddrico de S\u00e3o Paulo\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Lucas Pereira \u2013 The Green Initiative<\/p>\n<p><strong>Setor: <\/strong>Terceiro Setor<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> S\u00e3o Paulo, SP<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>A crise h\u00eddrica de 2014 e os progn\u00f3sticos clim\u00e1ticos dispon\u00edveis no Brasil indicam que \u00e9 necess\u00e1rio criar infraestrutura natural (florestas) para que S\u00e3o Paulo possa passar com mais tranquilidade por estiagens. Estima\u00adse que o sistema necessite da recomposi\u00e7\u00e3o de mais de 30 milh\u00f5es de \u00e1rvores nativas, e muitas das \u00e1reas da regi\u00e3o contam com baixo potencial de regenera\u00e7\u00e3o natural. Apesar de as proje\u00e7\u00f5es apontarem aumento m\u00e9dio de chuvas, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia o incremento da infraestrutura verde nos munic\u00edpios geograficamente respons\u00e1veis pela recarga dos mananciais que comp\u00f5em o sistema. Isso \u00e9 necess\u00e1rio para seu equil\u00edbrio e resili\u00eancia diante das irregularidades no padr\u00e3o de chuvas.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o: <\/strong>Aumentar a resili\u00eancia do servi\u00e7o de abastecimento de \u00e1gua em \u00e9poca de estiagem, implantando florestas nativas de Mata Atl\u00e2ntica em \u00e1reas rurais em Extrema (MG), \u00e0s margens de afluentes do Rio Jaguari, um dos grandes respons\u00e1veis pela recarga do Sistema Cantareira \u2013 conjunto de represas respons\u00e1vel pelo abastecimento de quase 9 milh\u00f5es de pessoas na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. O projeto busca financiamentos por meio do Programa Carbon Free, cuja miss\u00e3o \u00e9 fomentar projetos volunt\u00e1rios de compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em benef\u00edcio dos biomas brasileiros. De um lado, h\u00e1 empresas interessadas em mensurar e compensar as emiss\u00f5es de suas atividades e, de outro, programas de recupera\u00e7\u00e3o de fragmentos de matas degradadas.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: \u201c<\/strong>Projeto de restaura\u00e7\u00e3o florestal do Rio Pau Atravessado: protegendo nascentes e matas ciliares\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Rayany Soeiro Batista <strong>\u2013 <\/strong>Instituto Ambiental Vale<\/p>\n<p><strong>Setor: <\/strong>Terceiro Setor<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Nova Lima, MG<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>O Esp\u00edrito Santo passa por uma das maiores crises h\u00eddricas da Hist\u00f3ria, o que leva propriet\u00e1rios rurais (cafeicultores) na regi\u00e3o de Barra Seca, em Linhares, a tomarem atitudes dr\u00e1sticas, como a constru\u00e7\u00e3o de barragens e a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os ilegais. Ali est\u00e1 localizado o maior remanescente de Floresta de Tabuleiro do estado, um complexo florestal com aproximadamente 50 mil hectares que engloba a Reserva Natural Vale, a Rebio Sooretama e as Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Nacional (RPPN) Mutum Preto e Recanto das Antas. Essa \u00e1rea possui alt\u00edssima relev\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, por abrigar v\u00e1rias esp\u00e9cies end\u00eamicas e amea\u00e7adas, e depende da sa\u00fade de seus recursos h\u00eddricos. O sumi\u00e7o das \u00e1guas da reserva deve-se aos in\u00fameros barramentos irregulares e po\u00e7os artesianos feitos pelos agricultores do entorno para garantir o restante da \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> O projeto pretende doar 104 mil mudas nativas para restaurar 68 hectares de florestas (das quais 6 em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente) na microbacia do Rio Pau Atravessado. As 37 nascentes localizadas nas redondezas foram definidas como pontos de partida para implanta\u00e7\u00e3o dos projetos de recupera\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magali Cabral Boa parte dos moradores da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil j\u00e1 sentiu na pele, ou est\u00e1 sentindo, os efeitos da crise h\u00eddrica que se instalou nos \u00faltimos anos em zonas rurais e urbanas. Das provid\u00eancias tomadas por empresas de abastecimento, ouve-se falar muito de obras de infraestrutura cinza, como a constru\u00e7\u00e3o de novos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1721,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1531],"tags":[1673,1677,340,1511,739,1517,1675,1674,1521,1514,1527,1518,70,1661,1678,1519,1509,1679,1526,821],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Por Magali Cabral Boa parte dos moradores da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil j\u00e1 sentiu na pele, ou est\u00e1 sentindo, os efeitos da crise h\u00eddrica que se instalou nos \u00faltimos anos em zonas rurais e urbanas. Das provid\u00eancias tomadas por empresas de abastecimento, ouve-se falar muito de obras de infraestrutura cinza, como a constru\u00e7\u00e3o de novos&hellip;\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Magali Cabral Boa parte dos moradores da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil j\u00e1 sentiu na pele, ou est\u00e1 sentindo, os efeitos da crise h\u00eddrica que se instalou nos \u00faltimos anos em zonas rurais e urbanas. Das provid\u00eancias tomadas por empresas de abastecimento, ouve-se falar muito de obras de infraestrutura cinza, como a constru\u00e7\u00e3o de novos&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"P22_ON\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/p22on\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-12-12T18:45:05+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-02-22T12:57:41+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-21-1024x684.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"684\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"19 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/\",\"url\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/\",\"name\":\"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA - P22_ON\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-12-12T18:45:05+00:00\",\"dateModified\":\"2022-02-22T12:57:41+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/#\/schema\/person\/7fc895a9bd2ec411fd1454b133e7b0da\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/\",\"name\":\"P22_ON\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/#\/schema\/person\/7fc895a9bd2ec411fd1454b133e7b0da\",\"name\":\"P\u00e1gina22\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/75bff9c570b228ec0455ff0788a3e2f4?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/75bff9c570b228ec0455ff0788a3e2f4?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"P\u00e1gina22\"},\"url\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/author\/pagina22\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA","description":"Por Magali Cabral Boa parte dos moradores da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil j\u00e1 sentiu na pele, ou est\u00e1 sentindo, os efeitos da crise h\u00eddrica que se instalou nos \u00faltimos anos em zonas rurais e urbanas. Das provid\u00eancias tomadas por empresas de abastecimento, ouve-se falar muito de obras de infraestrutura cinza, como a constru\u00e7\u00e3o de novos&hellip;","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/","og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA","og_description":"Por Magali Cabral Boa parte dos moradores da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil j\u00e1 sentiu na pele, ou est\u00e1 sentindo, os efeitos da crise h\u00eddrica que se instalou nos \u00faltimos anos em zonas rurais e urbanas. Das provid\u00eancias tomadas por empresas de abastecimento, ouve-se falar muito de obras de infraestrutura cinza, como a constru\u00e7\u00e3o de novos&hellip;","og_url":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/","og_site_name":"P22_ON","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/p22on","article_published_time":"2017-12-12T18:45:05+00:00","article_modified_time":"2022-02-22T12:57:41+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":684,"url":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ribeir\u2206o-da-Catarina-21-1024x684.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"P\u00e1gina22","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@p22on","twitter_site":"@p22on","twitter_misc":{"Written by":"P\u00e1gina22","Est. reading time":"19 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/","url":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/","name":"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA - P22_ON","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/#website"},"datePublished":"2017-12-12T18:45:05+00:00","dateModified":"2022-02-22T12:57:41+00:00","author":{"@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/#\/schema\/person\/7fc895a9bd2ec411fd1454b133e7b0da"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-papel-da-floresta-nos-cursos-dagua\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.p22on.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O PAPEL DA FLORESTA NOS CURSOS D\u2019\u00c1GUA"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/#website","url":"https:\/\/www.p22on.com.br\/","name":"P22_ON","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.p22on.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/#\/schema\/person\/7fc895a9bd2ec411fd1454b133e7b0da","name":"P\u00e1gina22","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/www.p22on.com.br\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/75bff9c570b228ec0455ff0788a3e2f4?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/75bff9c570b228ec0455ff0788a3e2f4?s=96&d=mm&r=g","caption":"P\u00e1gina22"},"url":"https:\/\/www.p22on.com.br\/author\/pagina22\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1592"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1592"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1592\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3865,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1592\/revisions\/3865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}