{"id":1604,"date":"2017-12-12T15:25:36","date_gmt":"2017-12-12T18:25:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1604"},"modified":"2022-02-22T10:20:49","modified_gmt":"2022-02-22T13:20:49","slug":"agir-no-presente-de-olho-na-reducao-de-riscos-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/agir-no-presente-de-olho-na-reducao-de-riscos-no-futuro\/","title":{"rendered":"Agir no presente, de olho na redu\u00e7\u00e3o de riscos no futuro"},"content":{"rendered":"<p><em>Por C\u00edntya Feitosa<\/em><\/p>\n<p>Para evitar que os riscos de enchentes, falta de \u00e1gua ou eros\u00e3o das encostas se agravem, muitas prefeituras e \u00f3rg\u00e3os municipais optam por milion\u00e1rias obras de infraestrutura. Canaliza\u00e7\u00e3o de rios, piscin\u00f5es, aumento de reservat\u00f3rios, diques, transposi\u00e7\u00e3o de rios e de areia, entre outras, n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas alternativas quando a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzir as <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vulnerabilidades<\/a> de uma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cen\u00e1rios que preveem o clima no futuro \u2013 considerando n\u00e3o s\u00f3 a s\u00e9rie hist\u00f3rica, mas tamb\u00e9m os efeitos projetados da mudan\u00e7a clim\u00e1tica segundo os modelos clim\u00e1ticos \u2013 mostram que no Brasil teremos eventos extremos tanto de seca quanto de chuva, dependendo da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, experi\u00eancias de escassez h\u00eddrica e grandes enchentes mostraram o quanto dependemos de bom planejamento e solu\u00e7\u00f5es efetivas para aumentar a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resili\u00eancia<\/a>, principalmente em \u00e1reas urbanas, que hoje abrigam mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Um desafio adicional para as cidades \u00e9 que est\u00e1 no \u00e2mbito da gest\u00e3o municipal boa parte das agendas priorit\u00e1rias apontadas pelo <a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/clima\/adaptacao\/plano-nacional-de-adaptacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o<\/a>, como sa\u00fade, seguran\u00e7a alimentar, gest\u00e3o de riscos de desastres, infraestrutura, zonas costeiras, entre outras. A gest\u00e3o em adapta\u00e7\u00e3o depende de uma governan\u00e7a robusta, bem como de financiamento, dois elementos dos quais os munic\u00edpios brasileiros em geral carecem, sobretudo em meio \u00e0 crise.<\/p>\n<p>Alguns munic\u00edpios j\u00e1 come\u00e7am a ver as Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza como op\u00e7\u00e3o para prevenir os efeitos mais dr\u00e1sticos da mudan\u00e7a do clima, em especial os relacionados a extremos de chuva e seca.<\/p>\n<p>Entre as alternativas para lidar com esses riscos est\u00e3o, por exemplo, o aumento de cobertura verde nas cidades, restaura\u00e7\u00e3o de florestas e vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00e1reas de nascentes e zonas costeiras.<\/p>\n<p>De fato, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter uma base de compara\u00e7\u00e3o de custos entre essas solu\u00e7\u00f5es e as convencionais, chamadas de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">infraestrutura cinza<\/a> \u2013 constru\u00e7\u00e3o de diques, canaliza\u00e7\u00e3o de rios, entre outras. Mas os gestores que apostam na inova\u00e7\u00e3o de Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza entendem que os custos diretos e indiretos evitados s\u00e3o ainda maiores que os recursos poupados que seriam destinados \u00e0s obras e a\u00e7\u00f5es convencionais.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de parques, por exemplo, traz benef\u00edcios adicionais \u00e0 sa\u00fade, na medida em que melhora a qualidade do ar com o aumento da arboriza\u00e7\u00e3o, reduzindo os custos de sa\u00fade p\u00fablica. Ao mesmo tempo, possibilita a instala\u00e7\u00e3o de equipamentos de esporte e lazer, estimulando a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas. Tamb\u00e9m h\u00e1 um ganho de sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o ao saneamento, j\u00e1 que um rio que faz parte do lazer e da economia dificilmente ser\u00e1 ponto de descarte irregular de lixo e esgoto.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Campinas, que, por meio de seu Plano Municipal do Verde, em 2016, incluiu a meta de cria\u00e7\u00e3o de parques lineares na revis\u00e3o do Sistema de \u00c1reas Verdes e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SAV-UC). De acordo com Gabriel Dias Neves, da Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da cidade, foram mapeados 49 trechos de parques que deveriam ser implantados para reduzir o <em>deficit<\/em> de \u00e1reas verdes sociais em Campinas, no horizonte de 20 anos, j\u00e1 considerando o aumento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa proposta de SbN, selecionada na chamada de casos desta edi\u00e7\u00e3o, leva o nome de<em>\u00a0Implanta\u00e7\u00e3o de parques lineares no munic\u00edpio de Campinas.\u00a0<\/em>Com os parques, espera-se melhorar a m\u00e9dio e longo prazo a disponibilidade h\u00eddrica na regi\u00e3o, al\u00e9m de reduzir a vulnerabilidade a enchentes, por meio da maior infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua das chuvas e da barreira natural ao longo dos rios.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, as solu\u00e7\u00f5es de quest\u00f5es relacionadas a corpos h\u00eddricos sempre foram de concretagem \u2013 canaliza\u00e7\u00e3o e desvio de cursos d\u2019\u00e1gua\u201d, diz Neves. \u201cCom essas outras solu\u00e7\u00f5es, a gente para de esconder os rios e come\u00e7a a utiliz\u00e1-los, devolvendo esses espa\u00e7os \u00e0 cidade.\u201d Com a inclus\u00e3o dos rios no dia a dia da popula\u00e7\u00e3o, Neves tamb\u00e9m aposta que a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o viraria fiscal da manuten\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua e dos parques, evitando atos de vandalismo e polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O plano ainda est\u00e1 em fase inicial de implanta\u00e7\u00e3o e sua execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas da prefeitura. Algumas \u00e1reas encontram-se em espa\u00e7os de loteamentos, e a implanta\u00e7\u00e3o dos parques pelo empreendedor consta entre as contrapartidas. Dois deles j\u00e1 est\u00e3o em execu\u00e7\u00e3o pelo \u00f3rg\u00e3o municipal, por meio do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), do governo federal.<\/p>\n<p>Em outros 43 parques, houve contrata\u00e7\u00e3o recente de estudo sobre a situa\u00e7\u00e3o atual das \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente no trecho, e os esfor\u00e7os necess\u00e1rios para restaura\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00f5es de descarte irregular de rejeitos, disponibilidade de equipamentos de esporte e lazer, incluindo poss\u00edvel demanda da popula\u00e7\u00e3o \u2013 por exemplo, se seria mais adequado instalar pistas de <em>skate<\/em> ou equipamentos para atividades f\u00edsicas de idosos. \u00c0 medida que os projetos fiquem prontos, a gest\u00e3o municipal buscar\u00e1 recursos para viabiliz\u00e1-los.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1661\" aria-describedby=\"caption-attachment-1661\" style=\"width: 729px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Cenario-IAVS-para-2025-com-implantacao-dos-Pq.-Lineares.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1661 \" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Cenario-IAVS-para-2025-com-implantacao-dos-Pq.-Lineares.jpg\" alt=\"Cen\u00e1rio para 2025 com implanta\u00e7\u00e3o dos parques lineares\" width=\"729\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Cenario-IAVS-para-2025-com-implantacao-dos-Pq.-Lineares.jpg 1258w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Cenario-IAVS-para-2025-com-implantacao-dos-Pq.-Lineares-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Cenario-IAVS-para-2025-com-implantacao-dos-Pq.-Lineares-1024x722.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 729px) 100vw, 729px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1661\" class=\"wp-caption-text\">Cen\u00e1rio para 2025 com implanta\u00e7\u00e3o dos parques lineares. Mapa: Prefeitura Municipal de Campinas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para analisar a distribui\u00e7\u00e3o das \u00c1reas Verdes de Fun\u00e7\u00e3o Social, foi desenvolvido o \u00cdndice de \u00c1reas Verdes Sociais por Unidade Territorial B\u00e1sica, relacionando-o tamb\u00e9m ao n\u00famero de habitantes. Tamb\u00e9m foi considerada a acessibilidade a cada uma das \u00e1reas, a partir de uma metodologia da organiza\u00e7\u00e3o English Nature e da Ag\u00eancia Europeia do Ambiente. Essas ferramentas ajudam a avaliar os locais onde a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais pr\u00f3xima ou mais distante de \u00e1reas verdes.<\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o das \u00c1reas Priorit\u00e1rias para a Implanta\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Verdes com Fun\u00e7\u00e3o Social, elaborou-se um mapa de <em>deficit<\/em>, que identifica as \u00e1reas onde h\u00e1 maior car\u00eancia. O Plano Municipal prev\u00ea que todo o projeto esteja executado em 2026. Como at\u00e9 l\u00e1 haver\u00e1 mais duas elei\u00e7\u00f5es municipais, a ideia foi estabelecer o projeto por meio de decretos municipais. \u201cAssim, poder\u00e1 seguir seu curso independentemente de troca de governo\u201d, explica Neves. \u201cMas ainda teremos de avaliar se esse modelo de gest\u00e3o funciona ou se precisar\u00e1 ser alterado para aumentar a probabilidade de sucesso\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Solu\u00e7\u00e3o para escassez h\u00eddrica, com ganho social<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento de crise econ\u00f4mica, muitas das iniciativas da gest\u00e3o municipal est\u00e3o emperradas aguardando recursos. Como tratam de quest\u00f5es do presente, mas tamb\u00e9m do futuro pr\u00f3ximo, dependem de parceiros est\u00e1veis e de pol\u00edticas permanentes para que n\u00e3o se percam na mudan\u00e7a de governo.<\/p>\n<p>Em Catende, na Zona da Mata de Pernambuco, um projeto ambicioso de consolida\u00e7\u00e3o de Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) com ganhos sociais busca parcerias para ser executado. Trata-se do\u00a0<em>Integra\u00e7\u00e3o ambiental local: RPPNs, assentamentos e poder p\u00fablico buscando a seguran\u00e7a h\u00eddrica do munic\u00edpio de Catende<\/em>.<\/p>\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o integrada e de olho nos cen\u00e1rios futuros de mudan\u00e7a do clima, o objetivo \u00e9 garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica do munic\u00edpio de Catende, por meio da restaura\u00e7\u00e3o florestal das margens e zonas de recarga do A\u00e7ude de Santa Rita, beneficiando uma popula\u00e7\u00e3o de 37 mil habitantes. \u201cGeralmente a solu\u00e7\u00e3o convencional \u00e9 captar \u00e1gua de outros reservat\u00f3rios ou construir adutoras\u201d, explica Jo\u00e3o Batista de Oliveira J\u00fanior, da Prefeitura de Catende. \u201cMas isso significa s\u00f3 tirar \u00e1gua de um lugar e levar para o outro, enquanto a gente quer algo mais perene.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_1659\" aria-describedby=\"caption-attachment-1659\" style=\"width: 736px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/paisagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1659 \" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/paisagem.jpg\" alt=\"Imagem: Prefeitura de Catende\" width=\"736\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/paisagem.jpg 960w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/paisagem-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 736px) 100vw, 736px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1659\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Prefeitura de Catende<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os gestores do projeto miram a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, mas, na tangente, almejam contribuir para regularizar ambientalmente trechos do Projeto de Assentamento Rural Miguel Arraes, com restaura\u00e7\u00e3o de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) e Reserva Legal (RL). Com isso, espera-se ainda apoiar a mudan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o do assentamento, com a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais, para auxiliar na preserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade do uso do solo, e garantir a seguran\u00e7a alimentar e de produ\u00e7\u00e3o de 15 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Quando estabelecidas as \u00e1reas produtivas, os assentados poder\u00e3o vender alimentos para a pr\u00f3pria gest\u00e3o municipal, para servir como merenda nas escolas. Por fim, o projeto possibilitar\u00e1 ainda montar um viveiro de mudas e incentivar a educa\u00e7\u00e3o ambiental por meio de visitas de escolas e formando fam\u00edlias que vivem nos assentamentos, e at\u00e9 com ecoturismo.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 execut\u00e1-lo em cinco anos, sendo os tr\u00eas primeiros os mais cr\u00edticos, de restaura\u00e7\u00e3o e \u201cm\u00e3o na massa\u201d, com pesquisa para delimita\u00e7\u00e3o das \u00e1reas indicadas para restaura\u00e7\u00e3o florestal, identifica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de sementes de esp\u00e9cies nativas, plantio e manuten\u00e7\u00e3o de mudas, mapeamento das \u00e1reas para desenvolvimento de agricultura agroecol\u00f3gica e das \u00e1reas de floresta madura. Tamb\u00e9m \u00e9 nesse per\u00edodo que se pretende oferecer treinamento e fazer a sele\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra do projeto, al\u00e9m de apoio t\u00e9cnico, tendo como p\u00fablico-alvo os assentados.<\/p>\n<p>Para a implanta\u00e7\u00e3o do projeto, j\u00e1 foram iniciadas conversas com o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e com a iniciativa privada. A prefeitura informa, no entanto, que nesse momento n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para iniciar o projeto e consegue apenas ceder corpo t\u00e9cnico. \u201cS\u00f3 vamos conseguir executar de fato quando tivermos um patrono interessado em vincular a marca \u00e0 quest\u00e3o ambiental\u201d, avalia Jo\u00e3o Batista J\u00fanior.<\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o de enchentes e melhor qualidade da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>No munic\u00edpio catarinense de S\u00e3o Bento do Sul, na regi\u00e3o serrana, o problema \u00e9 o oposto: os cen\u00e1rios futuros de clima mostram aumento de incid\u00eancia pluviom\u00e9trica e maior risco de inunda\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas urbanas, principalmente nas bacias do Rio Banhados e Rio Negrinho. O aumento da frequ\u00eancia de chuvas intensas tamb\u00e9m traz preju\u00edzos ao sistema de abastecimento urbano de \u00e1gua do munic\u00edpio, pelo aumento da turbidez e s\u00f3lidos em suspens\u00e3o na \u00e1gua, al\u00e9m de acelerar o processo de assoreamento de rios e reservat\u00f3rios da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o municipal contratou a consultoria Aquaflora Meio Ambiente para avaliar como a implanta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de florestas e v\u00e1rzeas em \u00e1reas estrat\u00e9gicas podem amenizar os efeitos de chuvas torrenciais, por meio do aumento da infiltra\u00e7\u00e3o e retardamento do pulso de cheia na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda em execu\u00e7\u00e3o, o estudo \u2013 cuja proposta se chama <em>Prioriza\u00e7\u00e3o, modelagem e valora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos nas bacias do Rio Vermelho<\/em>\u00a0\u2013 investigar\u00e1 o papel da infraestrutura natural na regula\u00e7\u00e3o do regime h\u00eddrico das principais bacias hidrogr\u00e1ficas da regi\u00e3o, assim como na manuten\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua, considerando as previs\u00f5es para o clima e poss\u00edveis mudan\u00e7as na governan\u00e7a ambiental.<\/p>\n<p>O resultado final ser\u00e1 uma estimativa dos impactos potenciais de a\u00e7\u00f5es de Adapta\u00e7\u00e3o baseada em Ecossistemas (AbE) na suaviza\u00e7\u00e3o de efeitos de eventos clim\u00e1ticos extremos, e tamb\u00e9m na recupera\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos h\u00eddricos. \u201cVamos avaliar se, ao conservar \u00e1reas remanescentes e recuperar a bacia em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, conseguiremos melhorar a qualidade da \u00e1gua\u201d, explica Jo\u00e3o Guimar\u00e3es, da Aquaflora Meio Ambiente. Segundo ele, \u00e1reas estrat\u00e9gicas podem ser definidas por serem cr\u00edticas, pela possibilidade de degrada\u00e7\u00e3o, ou por se destacarem no fornecimento de recursos h\u00eddricos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O consultor avalia que a restaura\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de algumas dessas \u00e1reas tamb\u00e9m favorece a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de chuva, beneficiando todo o ciclo hidrol\u00f3gico e contribuindo para a recarga dos aqu\u00edferos mais profundos. \u201cIsso ajuda a ter vaz\u00e3o melhor nas \u00e9pocas de estiagem, porque essa \u00e1gua que infiltra, al\u00e9m de ser filtrada, chega \u2018mais atrasada\u2019 no rio. \u00c9 a principal fonte de alimenta\u00e7\u00e3o do rio nas \u00e9pocas de seca\u201d, explica Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s identificadas, as \u00e1reas priorit\u00e1rias para recupera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da provis\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos ser\u00e3o incorporadas a mapas de uso alternativo da terra. Com a an\u00e1lise do comportamento das vari\u00e1veis chuva e temperatura em conformidade com cen\u00e1rios clim\u00e1ticos para a regi\u00e3o, ser\u00e3o avaliados os ganhos e perdas em termos de provis\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos entre o cen\u00e1rio atual e os cen\u00e1rios alternativos, tanto do ponto de vista ambiental quanto econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O estudo deve estimar at\u00e9 mesmo outros benef\u00edcios socioecon\u00f4micos relacionados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de infraestrutura natural, como a captura de carbono para eventual comercializa\u00e7\u00e3o em forma de cr\u00e9ditos certificados no mercado volunt\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Barreira natural contra eros\u00e3o e avan\u00e7o do mar<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_3875\" aria-describedby=\"caption-attachment-3875\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/agir-no-presente-de-olho-na-reducao-de-riscos-no-futuro\/dcim100mediadji_0015-jpg-2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3875 size-full\" src=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Recuperacao-e-Manejo-da-Vegetacao-de-Restinga-no-Distrito-de-Tamoios-Cabo-Frio-RJ..jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Recuperacao-e-Manejo-da-Vegetacao-de-Restinga-no-Distrito-de-Tamoios-Cabo-Frio-RJ..jpg 1280w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Recuperacao-e-Manejo-da-Vegetacao-de-Restinga-no-Distrito-de-Tamoios-Cabo-Frio-RJ.-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Recuperacao-e-Manejo-da-Vegetacao-de-Restinga-no-Distrito-de-Tamoios-Cabo-Frio-RJ.-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Recuperacao-e-Manejo-da-Vegetacao-de-Restinga-no-Distrito-de-Tamoios-Cabo-Frio-RJ.-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3875\" class=\"wp-caption-text\">Recupera\u00e7\u00e3o e manejo de vegeta\u00e7\u00e3o de restinga no Distrito de Tamoios, em Cabo Frio, RJ<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em Cabo Frio, na Regi\u00e3o dos Lagos do estado do Rio de Janeiro, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com os cen\u00e1rios futuros de clima, mas tamb\u00e9m com os j\u00e1 conhecidos eventos de eros\u00e3o, ressacas e ventos mais intensos. A ideia de viver em tranquilidade pr\u00f3ximo ao mar tem se tornado uma dor de cabe\u00e7a constante com a redu\u00e7\u00e3o da faixa de areia.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, instalaram-se loteamentos ao longo de toda a costa na regi\u00e3o, desconsiderando os riscos do adensamento populacional pr\u00f3ximo \u00e0 praia. O resultado \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da barreira de prote\u00e7\u00e3o natural dessas regi\u00f5es, como a mata de restinga, uma vegeta\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o. \u201cMuita gente considera a vegeta\u00e7\u00e3o \u2018feia\u2019, ent\u00e3o n\u00e3o v\u00ea import\u00e2ncia em preservar\u201d, diz a professora Rosemary Vieira, do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade Federal Fluminense.<\/p>\n<p>Felizmente, entre um condom\u00ednio e outro, a mata de restinga vem ressurgindo entre as casas e a praia, no sentido norte, a partir da \u00e1rea da Esta\u00e7\u00e3o Radiogoniom\u00e9trica da Marinha de Campos Novos, chamada de Reserva da Marinha, que hoje abriga boa \u00e1rea dessa vegeta\u00e7\u00e3o preservada.<\/p>\n<p>No tal \u201cjeitinho brasileiro\u201d, o planejamento e gest\u00e3o ganham mais agilidade quando os riscos j\u00e1 come\u00e7am a se impor. Pois bem, nessa regi\u00e3o os pesquisadores da UFF t\u00eam conseguido certo apoio dos gestores dos loteamentos para reconstituir e manejar o ecossistema natural de restinga em uma extens\u00e3o de aproximadamente 7 hectares. Com isso, formou-se um \u201ccintur\u00e3o\u201d de cobertura cont\u00ednua da vegeta\u00e7\u00e3o, abarcando ao menos quatro condom\u00ednios.<\/p>\n<p>Por meio de projetos de extens\u00e3o da UFF e com o apoio da Marinha, pesquisadores t\u00eam trabalhado na retirada de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, cercamento e habilita\u00e7\u00e3o de caminhos dentro da vegeta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de um viveiro de mudas com matrizes de esp\u00e9cies nativas coletadas na Reserva da Marinha. L\u00e1, podem existir esp\u00e9cies que n\u00e3o existem mais nos loteamentos, por conta da ocupa\u00e7\u00e3o mal planejada.<\/p>\n<p>No entanto, o projeto\u00a0<em>Recupera\u00e7\u00e3o e manejo da vegeta\u00e7\u00e3o de restinga no Distrito de Tamoios<\/em>, <em>Cabo Frio<\/em> depende da vontade individual de pesquisadores e volunt\u00e1rios da regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe financiamento. Com parcerias, esse trabalho seria acelerado. \u00c9 amor \u00e0 causa, mesmo. Fazemos pedidos para a prefeitura e para o com\u00e9rcio colocarem placas de sinaliza\u00e7\u00e3o. O trabalho todo \u00e9 feito por iniciativa nossa\u201d, conta Vieira.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que dessa \u201c\u00e1rea piloto\u201d criem-se condi\u00e7\u00f5es posteriores de expans\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o para os loteamentos e bairros localizados mais ao norte da regi\u00e3o, onde a cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o encontra-se fragmentada e descaracterizada. As a\u00e7\u00f5es resumem-se em retirada de esp\u00e9cies. \u201cN\u00e3o \u00e9 que os moradores e a administra\u00e7\u00e3o dos condom\u00ednios estejam concordando 100% com a restaura\u00e7\u00e3o, porque muitos acham que \u00e9 mato\u201d, relata Vieira. \u201cMas, como os eventos de avan\u00e7o do mar sobre a faixa de areia est\u00e3o muito vis\u00edveis, est\u00e3o sensibilizados, passando as informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo para outros loteamentos mais pr\u00f3ximos a \u00e1reas de eros\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A principal contribui\u00e7\u00e3o dessa iniciativa \u00e9 reduzir o deslocamento de areia da praia, evitando que ressacas atinjam pistas, cal\u00e7adas e constru\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas ao mar. Sem a vegeta\u00e7\u00e3o de restinga, segundo Vieira, a solu\u00e7\u00e3o seria a passagem de um caminh\u00e3o retirando areia da pista quase diariamente. \u201cSeria \u2018enxugar gelo\u2019, al\u00e9m de caro\u201d, diz. Sem contar que a op\u00e7\u00e3o pela vegeta\u00e7\u00e3o natural ainda traz benef\u00edcios, como melhor conforto t\u00e9rmico e diminui\u00e7\u00e3o do impacto do vento.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Raio X das propostas<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta:<\/strong> \u201cImplanta\u00e7\u00e3o de parques lineares no munic\u00edpio de Campinas\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Proponente:<\/strong> Gabriel Dias Mangolini Neves \u2013 Prefeitura Municipal de Campinas<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Setor:<\/strong> Governo<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Campinas, SP<\/p>\n<p><strong>Problema:<\/strong> O cen\u00e1rio clim\u00e1tico brasileiro aponta para maior incid\u00eancia de eventos extremos tanto de seca quanto de chuva, exigindo dos munic\u00edpios brasileiros uma gest\u00e3o robusta em adapta\u00e7\u00e3o, bem como de financiamento. Encontra-se no \u00e2mbito da gest\u00e3o municipal boa parte das agendas priorit\u00e1rias apontadas pelo Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o, como sa\u00fade, seguran\u00e7a alimentar, gest\u00e3o de riscos de desastres, infraestrutura, zonas costeiras, entre outras. Ao mesmo tempo que s\u00e3o afetadas duramente pela crise, muitas prefeituras e \u00f3rg\u00e3os municipais optam por milion\u00e1rias obras de infraestrutura para evitar que os riscos de enchentes, falta de \u00e1gua ou eros\u00e3o das encostas se agravem.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Por entender que os custos diretos e indiretos evitados s\u00e3o ainda maiores que os recursos poupados que seriam destinados \u00e0s obras e a\u00e7\u00f5es convencionais, Campinas incluiu a meta de cria\u00e7\u00e3o de parques lineares na revis\u00e3o do Sistema de \u00c1reas Verdes e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Foram mapeados 49 trechos de parques que deveriam ser implantados para reduzir o <em>deficit<\/em> de \u00e1reas verdes sociais, no horizonte de 20 anos. Al\u00e9m de aumentar a resili\u00eancia diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a iniciativa traz benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade, na medida em que melhora a qualidade do ar com o aumento da arboriza\u00e7\u00e3o, reduzindo os custos de sa\u00fade p\u00fablica. Paralelamente, a instala\u00e7\u00e3o de equipamentos de esporte e lazer estimula a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas. Tamb\u00e9m h\u00e1 ganho de sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o ao saneamento, uma vez que um rio que faz parte do lazer e da economia dificilmente ser\u00e1 ponto de descarte irregular de lixo e esgoto.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta:<\/strong> \u201cIntegra\u00e7\u00e3o ambiental local: as RPPN, os assentamentos e o Poder P\u00fablico buscando a seguran\u00e7a h\u00eddrica no munic\u00edpio de Catende\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente:<\/strong> Jo\u00e3o Batista de Oliveira J\u00fanior \u2013 Prefeitura de Catende<\/p>\n<p><strong>Setor:<\/strong> Governo<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Catende, PE<\/p>\n<p><strong>Problema:<\/strong> Considerando-se os cen\u00e1rios de mudan\u00e7a do clima, existe uma inseguran\u00e7a h\u00eddrica no munic\u00edpio de Catende. A solu\u00e7\u00e3o convencional, que seria captar \u00e1gua de outros reservat\u00f3rios ou construir adutoras, n\u00e3o resolve de maneira perene o problema, pois significa apenas tirar \u00e1gua de um lugar e levar para outro. Ao mesmo tempo, trechos do Projeto de Assentamento Rural Miguel Arraes n\u00e3o est\u00e3o regularizados ambientalmente, pois falta restaurar \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) e Reserva Legal (RL).<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Para garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica, a prefeitura tem como projeto fazer a restaura\u00e7\u00e3o florestal das margens e zonas de recarga do A\u00e7ude de Santa Rita, beneficiando uma popula\u00e7\u00e3o de 37 mil habitantes. Ao restaurar as APP e RL, espera-se apoiar a mudan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o do assentamento rural, com a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais que auxiliem na preserva\u00e7\u00e3o e sustentabilidade do uso do solo e garantam a seguran\u00e7a alimentar e de produ\u00e7\u00e3o de 15 fam\u00edlias. Quando estabelecidas as \u00e1reas produtivas, os assentados poder\u00e3o vender alimentos para a pr\u00f3pria gest\u00e3o municipal, para servir como merenda nas escolas. Por fim, o projeto possibilitar\u00e1 ainda montar um viveiro de mudas e incentivar a educa\u00e7\u00e3o ambiental por meio de visitas de escolas e formando fam\u00edlias que vivem nos assentamentos, e at\u00e9 com ecoturismo. Sem recursos, mas com corpo t\u00e9cnico dispon\u00edvel, a prefeitura busca parceiros para implantar o projeto.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta:<\/strong> \u201cProjeto produtor de \u00e1gua do Rio Vermelho (S\u00e3o Bento do Sul-SC). Prioriza\u00e7\u00e3o, modelagem e valora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos nas bacias do Rio Vermelho\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente:<\/strong> Paulo Schwirkowski &#8211; Servi\u00e7o Aut\u00f4nomo Municipal de \u00c1gua e Esgoto (Samae)<\/p>\n<p><strong>Setor:<\/strong> Governo<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> S\u00e3o Bento do Sul, SC<\/p>\n<p><strong>Problema:<\/strong> Os cen\u00e1rios futuros de clima mostram aumento de incid\u00eancia pluviom\u00e9trica e maior risco de inunda\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas urbanas, principalmente nas bacias do Rio Banhados e Rio Negrinho. O aumento da frequ\u00eancia de chuvas intensas tamb\u00e9m traz preju\u00edzos ao sistema de abastecimento urbano de \u00e1gua do munic\u00edpio, pelo aumento da turbidez e de s\u00f3lidos em suspens\u00e3o na \u00e1gua, al\u00e9m de acelerar o processo de assoreamento de rios e reservat\u00f3rios da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Ainda em execu\u00e7\u00e3o, o estudo investigar\u00e1 o papel da infraestrutura natural na regula\u00e7\u00e3o do regime h\u00eddrico das principais bacias hidrogr\u00e1ficas da regi\u00e3o, assim como na manuten\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua. Com a an\u00e1lise do comportamento das vari\u00e1veis chuva e temperatura em conformidade com estimativas clim\u00e1ticas para a regi\u00e3o, ser\u00e3o avaliados os ganhos e perdas em termos de provis\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos entre o cen\u00e1rio atual e os alternativos, tanto do ponto de vista ambiental quanto econ\u00f4mico. O estudo deve estimar tamb\u00e9m benef\u00edcios socioecon\u00f4micos relacionados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de infraestrutura natural, como a captura de carbono para eventual comercializa\u00e7\u00e3o em forma de cr\u00e9ditos certificados no mercado volunt\u00e1rio.<strong>\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta:<\/strong> \u201cRecupera\u00e7\u00e3o e manejo da vegeta\u00e7\u00e3o de restinga no Distrito de Tamoios, Cabo Frio\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente:<\/strong> Rosemary Vieira \u2013 Universidade Federal Fluminense<\/p>\n<p><strong>Setor:<\/strong> Universidade<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Cabo Frio, RJ<\/p>\n<p><strong>Problema:<\/strong> Cabo Frio, na Regi\u00e3o dos Lagos do estado fluminense, j\u00e1 sofre com os conhecidos eventos de eros\u00e3o, ressacas e ventos mais intensos. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, instalaram-se loteamentos ao longo de toda a costa na regi\u00e3o, desconsiderando os riscos do adensamento populacional pr\u00f3ximo \u00e0 praia. O resultado \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da barreira de prote\u00e7\u00e3o natural dessas regi\u00f5es, como a mata de restinga, uma vegeta\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Recompor e manejar o ecossistema natural de restinga em uma extens\u00e3o de aproximadamente 7 hectares. Pesquisadores t\u00eam trabalhado, de forma volunt\u00e1ria, na retirada de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas e de cercamento e habilita\u00e7\u00e3o de caminhos dentro da vegeta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de um viveiro de mudas com matrizes de esp\u00e9cies nativas coletadas na Reserva da Marinha. A ideia \u00e9 que dessa \u201c\u00e1rea piloto\u201d criem-se condi\u00e7\u00f5es posteriores de expans\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o para os loteamentos e bairros localizados mais ao norte da regi\u00e3o, onde a cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o encontra-se fragmentada e descaracterizada. O projeto busca parcerias e apoio para que o trabalho seja acelerado.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por C\u00edntya Feitosa Para evitar que os riscos de enchentes, falta de \u00e1gua ou eros\u00e3o das encostas se agravem, muitas prefeituras e \u00f3rg\u00e3os municipais optam por milion\u00e1rias obras de infraestrutura. 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