{"id":1615,"date":"2017-12-12T15:20:56","date_gmt":"2017-12-12T18:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1615"},"modified":"2022-02-22T10:31:39","modified_gmt":"2022-02-22T13:31:39","slug":"o-que-os-olhos-nao-veem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/o-que-os-olhos-nao-veem\/","title":{"rendered":"O que os olhos n\u00e3o veem"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Magali Cabral<\/em><\/p>\n<p>Um barco pesqueiro singra as \u00e1guas do mar do Paran\u00e1. Visto de longe, at\u00e9 que comp\u00f5e um belo quadro marinho. De perto, n\u00e3o. A embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma daquelas traineiras que fazem pesca de arrasto e devastam o fundo do mar. Ningu\u00e9m v\u00ea o rastro de \u201cterra\u201d arrasada sob a \u00e1gua. Pelo menos metade das esp\u00e9cies capturadas n\u00e3o servir\u00e1 para a ind\u00fastria. Vai para o lixo. O arrasto de um dia equivale ao que um pescador artesanal de camar\u00e3o leva um m\u00eas ou mais para pescar.<\/p>\n<p>O trecho acima descreve um contexto que seguramente se repetiu cotidianamente por muitos anos at\u00e9 que o decl\u00ednio da biodiversidade marinha na costa paranaense fosse acentuado e se convertesse tamb\u00e9m em um problema social. Os mais de 4 mil pequenos pescadores locais, mesmo se afastando muito da costa, voltavam para casa com o barco vazio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 2010, surgiu uma Solu\u00e7\u00e3o baseada na Natureza (SbN) de recifes artificiais, desenvolvida na <a href=\"http:\/\/www.marbrasil.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil<\/a>, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1 (Funpar).<\/p>\n<p>A proposta do <em>Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (Rebimar)<\/em>, um dos selecionados na chamada p\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de SbN, no quesito solu\u00e7\u00f5es para o ambiente marinho, consistia em fazer, por meio dos recifes, um <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2017\/12\/12\/dicionario-dicas-de-sites-videos-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>recrutamento larval<\/strong> <\/a>(uma esp\u00e9cie de \u201cbanquete\u201d para os peixes) para atrair animais de volta \u00e0 regi\u00e3o e assim colonizar o novo <em>habitat<\/em> e o entorno.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 tem o segundo menor litoral do Pa\u00eds, com cerca de 100 quil\u00f4metros em linha reta (\u00e9 maior apenas que o litoral do Piau\u00ed, com 66). No entanto, considerado o per\u00edmetro das tr\u00eas grandes ba\u00edas que adentram a Serra do Mar (Paranagu\u00e1, Guaraque\u00e7aba e Guaratuba), a metragem litor\u00e2nea do estado sobe para cerca de 1.500 quil\u00f4metros, segundo as contas do engenheiro agr\u00f4nomo Juliano Dobis, coordenador do Rebimar. \u201cEssas ba\u00edas s\u00e3o importantes para a biodiversidade marinha em raz\u00e3o de seus ecossistemas (manguezais e cost\u00f5es rochosos). Apesar de curto, o litoral do Paran\u00e1 \u00e9 muito rico e diversificado\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Em tese, a pesca ali seria basicamente artesanal. Mas, na pr\u00e1tica, grandes embarca\u00e7\u00f5es paulistas e catarinenses invadem, pelo Norte e pelo Sul, respectivamente, a estreita faixa de mar paranaense para retirar o pescado alheio, como revela Dobis. \u201c\u00c9 uma pesca altamente degradante para o ambiente marinho\u201d, afirma o engenheiro agr\u00f4nomo. Ele n\u00e3o esquece das falhas por parte do estado: \u201cAssim como em todo o Brasil, o saneamento b\u00e1sico no Paran\u00e1 \u00e9 deficit\u00e1rio e tem a quest\u00e3o portu\u00e1ria em Paranagu\u00e1, com seus problemas de lixo, vazamento de \u00f3leo etc. Tudo isso eleva a contamina\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.\u201d<\/p>\n<p>Os recifes artificiais constru\u00eddos pelo programa aceleram essa recupera\u00e7\u00e3o. D\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0s larvas que servem de alimento e ref\u00fagio \u00e0s novas levas de jovens animais que, consequentemente, ser\u00e3o atra\u00eddas ao litoral. O peixe-porco foi um dos primeiros a dar o ar da gra\u00e7a pelas imedia\u00e7\u00f5es, informou Juliano Dobis. O local escolhido para fazer a instala\u00e7\u00e3o, na desembocadura da Ba\u00eda de Paranagu\u00e1, em frente ao Pontal do Paran\u00e1, \u00e9 estrat\u00e9gico por ajudar a acelerar a recupera\u00e7\u00e3o. \u201cOs recifes s\u00e3o tamb\u00e9m uma barreira f\u00edsica para a pesca industrial. Acabamos protegendo uma \u00e1rea de 15 mil hectares das grandes embarca\u00e7\u00f5es pesqueiras que agora encontram dificuldades para fazer manobras de arrasto.\u201d<\/p>\n<p>O Rebimar foi idealizado pelo professor titular Frederico Brandini, do Departamento de Oceanografia Biol\u00f3gica, do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (Iousp), e pelo bi\u00f3logo Ariel Scheffer da Silva, presidente do Conselho da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil. Eles j\u00e1 haviam afundado duas balsas velhas no litoral paranaense (barcos naufragados tamb\u00e9m funcionam como abrigo para os animais), com o prop\u00f3sito de pesquisar a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha no local.<\/p>\n<p>O objetivo do Rebimar, a princ\u00edpio, era recuperar a biodiversidade, mas a quest\u00e3o dos pescadores surgiu por duas raz\u00f5es, conforme explica Dobis: \u201cPrimeiro, o projeto automaticamente acabaria ajudando a recuperar recursos pesqueiros de valor comercial; segundo, porque uma das condicionantes do Ibama para conceder a licen\u00e7a ambiental de instala\u00e7\u00e3o dos recifes foi a promo\u00e7\u00e3o de uma audi\u00eancia p\u00fablica com os pescadores artesanais por serem eles os principais usu\u00e1rios da \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>Feito isso, os recifes foram instalados em uma linha paralela \u00e0 costa a uma dist\u00e2ncia de 5 quil\u00f4metros. S\u00e3o 10 pontos, cada um com 350 blocos feitos de cimento e um produto neutralizador de pH (<em>foto<\/em>). Entre esses pontos h\u00e1 uma dist\u00e2ncia de 1,2 quil\u00f4metro, o que totaliza uma extens\u00e3o de 12 quil\u00f4metros de barreira. Ao todo foram instalados 3.500 recifes. Cada um tem 50 cent\u00edmetros de comprimento por 40 de altura e 40 de largura. H\u00e1 no meio um furo em formato de trevo para aumentar a \u00e1rea de fixa\u00e7\u00e3o de organismos marinhos. Cada pe\u00e7a pesa 120 quilos. Pela descri\u00e7\u00e3o de Dobis, todas juntas s\u00e3o como v\u00e1rias pequenas montanhas no fundo do mar.<\/p>\n<p>Embora fosse de interesse do projeto entender como funcionariam os recifes dentro d\u2019\u00e1gua, esse monitoramento \u00e9 exig\u00eancia de outra condicionante imposta pelo Ibama, que temia o soterramento dos recifes. Em uma primeira verifica\u00e7\u00e3o, o Rebimar notou que de fato houve ligeiro afundamento, mas nada que impedisse os recifes de funcionarem como uma rocha natural.<\/p>\n<p>Quanto ao monitoramento dos resultados pesqueiros, verificou-se \u2013 al\u00e9m do retorno do peixe-porco at\u00e9 as proximidades da barreira, do impedimento f\u00edsico do arrasto industrial e do fato de os pescadores j\u00e1 n\u00e3o precisarem se afastar tanto da costa \u2013 uma diversifica\u00e7\u00e3o das atividades: em vez de capturar camar\u00e3o, muitos pescadores passaram a alugar suas embarca\u00e7\u00f5es para o pescador esportivo. Eles pr\u00f3prios levam turistas e veranistas para pescar pr\u00f3ximo aos recifes. \u201cA pesca de linha \u00e9 uma atividade alternativa \u00f3tima por ser pouco agressiva para o ambiente\u201d, afirma Dobis.<\/p>\n<p>Passadas duas a tr\u00eas semanas da instala\u00e7\u00e3o, os recifes foram colonizados por algas. Quatro anos depois, onde s\u00f3 havia areia j\u00e1 se viam animais migrando de uma \u00e1rea para outra. \u201cAgora j\u00e1 existe um ambiente com uma grande biodiversidade que chega a ser comparada com as Ilhas dos Currais, um parque nacional marinho. J\u00e1 encontramos o peixe mero [<em>esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o<\/em>] e moreias, polvos, tartarugas. Isso mostra que a imita\u00e7\u00e3o da rocha deu resultado\u201d, conta Juliano Dobis.<\/p>\n<p>Em 2012, o Rebimar recebeu do governo federal o <a href=\"http:\/\/www.secretariadegoverno.gov.br\/iniciativas\/odm\/premio-odm-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00eamio ODM Brasil<\/a> (de incentivo ao cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), e um dos crit\u00e9rios era a replicabilidade do projeto. Os recifes projetados pelo Rebimar podem ser instalados em qualquer lugar da costa, mas Dobis\u00a0faz uma advert\u00eancia: \u201cN\u00e3o defendemos que se joguem recifes artificiais em tudo que \u00e9 lugar porque \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o da natureza. No litoral do Paran\u00e1, que tem poucas ilhas, a gente achou que o recife artificial seria uma boa SbN\u201d.<\/p>\n<p>O projeto, financiado pelo Programa Petrobras Socioambiental, custou R$ 5 milh\u00f5es, um valor irris\u00f3rio diante dos resultados ambientais, sociais e econ\u00f4micos que j\u00e1 alcan\u00e7ou.<\/p>\n<p><strong>Mimetismo no mar<\/strong><\/p>\n<p>As previs\u00f5es indicam que o n\u00edvel do mar na regi\u00e3o de Santos (SP) poder\u00e1 subir 18 cent\u00edmetros at\u00e9 2050, em decorr\u00eancia da mudan\u00e7a do clima, o que resultar\u00e1 em um avan\u00e7o das \u00e1guas sobre a \u00e1rea urbanizada da cidade. Atualmente a cidade j\u00e1 enfrenta grandes problemas com as ressacas e as eros\u00f5es. A constru\u00e7\u00e3o de quebra-mares (barreiras de concreto no mar) \u00e9 uma das solu\u00e7\u00f5es para diminuir o risco de inunda\u00e7\u00f5es. Mas estaria a engenharia tradicional preparada para realizar essas obras com o menor impacto poss\u00edvel na biodiversidade marinha?<\/p>\n<p>Como se pode ver nas cidades litor\u00e2neas, as estruturas feitas em constru\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ad\u00f5es e de estradas nas borda-mares s\u00e3o geralmente pared\u00f5es lisos, que em nada lembram os cost\u00f5es rochosos t\u00edpicos do litoral brasileiro, com suas fendas e reentr\u00e2ncias, na realidade um <em>habitat<\/em> de v\u00e1rias esp\u00e9cies de animais marinhos.<\/p>\n<p>O projeto <em>Engenharia ecol\u00f3gica como solu\u00e7\u00e3o para manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade costeira em face dos impactos da urbaniza\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/em>, uma SbN para o ambiente marinho tamb\u00e9m selecionada pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, prop\u00f5e uma metodologia de engenharia que torna as constru\u00e7\u00f5es mais parecidas com as rochas. Essa mimetiza\u00e7\u00e3o da natureza nas interven\u00e7\u00f5es humanas feitas no mar \u00e9 chamada de \u201cengenharia azul\u201d, ou <em>blue engineering<\/em>, em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>De acordo com o professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), Ronaldo Christofoletti, respons\u00e1vel pelo projeto, visto que em \u00e1reas muito urbanizadas quase nunca \u00e9 poss\u00edvel recuperar a natureza, \u00e9 preciso desenvolver uma f\u00f3rmula que garanta a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade local \u2013 e, por consequ\u00eancia, dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos \u2013 em regi\u00f5es onde as interven\u00e7\u00f5es forem necess\u00e1rias, caso de Santos. \u201cPlantar manguezais no litoral de uma cidade como Santos para conter o avan\u00e7o do n\u00edvel do mar sobre a cidade, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. Ent\u00e3o vamos usar a engenharia cinza, mas de um modo ecol\u00f3gico\u201d, explica o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>O projeto de SbN em si consiste em fazer um levantamento geomorfol\u00f3gico do ambiente marinho em toda a costa santista com a finalidade de verificar a estrutura de suas paredes rochosas \u2013 suas inclina\u00e7\u00f5es, os tipos de fenda e orif\u00edcios, a porosidade, a rugosidade, entre outras caracter\u00edsticas \u2013, a fim de fornecer subs\u00eddios para tornar azul a engenharia que \u00e9 cinza. Com isso, Christofoletti cr\u00ea que ser\u00e1 poss\u00edvel preservar a diversidade marinha em \u00e1reas com interven\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Ou seja, ao se constru\u00edrem cal\u00e7ad\u00f5es, barreiras ou qualquer obra dentro do mar, as estruturas devem imitar o aspecto das rochas para que as v\u00e1rias esp\u00e9cies consigam ref\u00fagio, inclusive as predadoras. \u201cQuando um predador deixa de existir no ambiente, alguma outra esp\u00e9cie se desenvolver\u00e1 mais do que deveria, formando um c\u00edrculo vicioso at\u00e9 se perder a biodiversidade natural\u201d, diz. Metodologia parecida, segundo ele, j\u00e1 foi aplicada no Reino Unido, na Austr\u00e1lia e nos Estados Unidos, onde se fixaram vasos de cer\u00e2mica em pared\u00f5es artificiais para servir de <em>habitat<\/em> \u00e0s diversas esp\u00e9cies.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1752\" aria-describedby=\"caption-attachment-1752\" style=\"width: 3264px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/headlandpark.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1752 size-full\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/headlandpark.jpg\" alt=\"Interven\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica na orla de Sidney (Austr\u00e1lia) para conter o avan\u00e7o do mar e ao mesmo tempo propiciar o desenvolvimento da biodiversidade natural. Foto: Paula Kasten \" width=\"3264\" height=\"2448\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/headlandpark.jpg 3264w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/headlandpark-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/headlandpark-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/headlandpark-1440x1080.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 3264px) 100vw, 3264px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1752\" class=\"wp-caption-text\">Interven\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica na orla de Sidney (Austr\u00e1lia) para conter o avan\u00e7o do mar e propiciar a biodiversidade.<br \/>Foto: Paula Kasten<\/figcaption><\/figure>\n<p>Fazer esse levantamento em Santos n\u00e3o impedir\u00e1 que os dados sejam utilizados em qualquer regi\u00e3o do Pa\u00eds, uma vez que, segundo o bi\u00f3logo, as forma\u00e7\u00f5es rochosas t\u00eam as mesmas caracter\u00edsticas em uma escala de centenas de quil\u00f4metros \u2013 entre o Esp\u00edrito Santo e Santa Catarina. Como est\u00e1 em fase inicial, ainda n\u00e3o existem resultados para avaliar a efic\u00e1cia da proposta.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9, assim que houver elementos comparativos, confrontar os cost\u00f5es naturais com as obras artificiais que j\u00e1 existem. \u201cEstamos come\u00e7ando a fazer o levantamento inicial de onde est\u00e3o as estruturas artificiais, como elas s\u00e3o e qual a biodiversidade existente em torno delas. Em seguida, faremos um levantamento geral de toda a costa de Santos. Quando olharmos o substrato artificial e o substrato natural, poderemos comparar a biodiversidade em cada estrutura\u201d, afirma o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Segundo ele, o levantamento custar\u00e1 R$ 5 milh\u00f5es e ter\u00e1 financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Tamb\u00e9m tem havido conversas com a Prefeitura de Santos para uma eventual participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Raio X das propostas<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: \u201c<\/strong>Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha \u2013 Rebimar\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Juliano Jos\u00e9 Dobis Carneiro \u2013 Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil<\/p>\n<p><strong>Setor: <\/strong>Terceiro Setor<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Ba\u00edas de Paranagu\u00e1, Guaraque\u00e7aba e Guaratuba, PR<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>Grandes embarca\u00e7\u00f5es pesqueiras de outros estados invadem a faixa de mar paranaense para capturar camar\u00f5es. Essa pesca industrial de arrasto ao longo dos anos destruiu a estrutura do sedimento de toda a comunidade biol\u00f3gica do ecossistema marinho local, comprometendo o <em>habitat<\/em> de centenas de esp\u00e9cies importantes do ponto de vista socioecon\u00f4mico e ecol\u00f3gico. Os pescadores artesanais do Paran\u00e1 passaram a navegar cada vez mais longe da costa e, mesmo assim, sem garantia de sucesso.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o: <\/strong>A proposta foi construir recifes artificiais para acelerar a recupera\u00e7\u00e3o do ambiente marinho nas ba\u00edas paranaenses, da qual dependem milhares de pescadores artesanais de camar\u00e3o. Os recifes feitos de concreto d\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0s larvas que servem de alimento, al\u00e9m de darem ref\u00fagio \u00e0s novas levas de jovens animais que, consequentemente, ser\u00e3o atra\u00eddas ao litoral.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Proposta: <\/strong>\u201cEngenharia ecol\u00f3gica como solu\u00e7\u00e3o para manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade costeira em face dos impactos da urbaniza\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Ronaldo Christofoletti \u2013 Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp)<\/p>\n<p><strong>Setor: <\/strong>Universidade<\/p>\n<p><strong>Local:<\/strong> Santos, SP<\/p>\n<p><strong>Problema: <\/strong>As previs\u00f5es indicam que o n\u00edvel do mar na regi\u00e3o de Santos (SP) poder\u00e1 subir 18 cent\u00edmetros at\u00e9 2050, em decorr\u00eancia da mudan\u00e7a do clima, o que resultar\u00e1 em um avan\u00e7o das \u00e1guas sobre a \u00e1rea urbanizada da cidade. Atualmente a cidade j\u00e1 enfrenta grandes problemas com as ressacas e as eros\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00e3o:<\/strong> A constru\u00e7\u00e3o de quebra-mares (barreiras de concreto no mar) \u00e9 uma das solu\u00e7\u00f5es para diminuir o risco de inunda\u00e7\u00f5es. A proposta \u00e9 que o projeto de engenharia dessas barreiras, bem como os de qualquer outra constru\u00e7\u00e3o dentro do mar, respeite a geomorfologia do ambiente marinho. Ou seja, as obras devem copiar o formato dos cost\u00f5es rochosos locais \u2013 suas inclina\u00e7\u00f5es, os tipos de fenda e orif\u00edcios, a porosidade, a rugosidade, entre outras caracter\u00edsticas \u2013, a fim de atrair biodiversidade. O projeto prop\u00f5e-se a fazer o levantamento dessas caracter\u00edsticas para subsidiar futuras obras de engenharia.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magali Cabral Um barco pesqueiro singra as \u00e1guas do mar do Paran\u00e1. Visto de longe, at\u00e9 que comp\u00f5e um belo quadro marinho. De perto, n\u00e3o. A embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma daquelas traineiras que fazem pesca de arrasto e devastam o fundo do mar. Ningu\u00e9m v\u00ea o rastro de \u201cterra\u201d arrasada sob a \u00e1gua. Pelo menos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3879,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1555],"tags":[1567,1698,1558,720,1701,1699,1697,1695,1571,1696,1565,1560,1566,1564,70,1694,1661,1700,1561,1559,1575,1572,1663,1570],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O que os olhos n\u00e3o veem<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Por Magali Cabral Um barco pesqueiro singra as \u00e1guas do mar do Paran\u00e1. Visto de longe, at\u00e9 que comp\u00f5e um belo quadro marinho. De perto, n\u00e3o. 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