{"id":1918,"date":"2018-03-10T16:25:37","date_gmt":"2018-03-10T19:25:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=1918"},"modified":"2022-02-22T09:33:43","modified_gmt":"2022-02-22T12:33:43","slug":"apesar-dos-esforcos-dados-revelam-nossa-dificuldade-de-lidar-com-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/03\/10\/apesar-dos-esforcos-dados-revelam-nossa-dificuldade-de-lidar-com-agua\/","title":{"rendered":"Apesar dos esfor\u00e7os, dados revelam nossa dificuldade de lidar com a \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Magali Cabral<\/em><\/p>\n<p><em>Campe\u00e3o mundial em disponibilidade de \u00e1gua doce, detentor dos mais fabulosos \u00edndices referentes a vaz\u00e3o, armazenamento e produ\u00e7\u00e3o deste bem essencial \u00e0 vida, o Pa\u00eds hoje convive com escassez, conflitos de compartilhamento e queda de qualidade em diversos pontos de seu territ\u00f3rio<\/em><\/p>\n<p>O mundo tem v\u00e1rios exemplos de pa\u00edses que transformam desertos poeirentos em pomares fecundos e, tamb\u00e9m, de povos que enfrentam sucessivas crises h\u00eddricas enquanto a \u00e1gua vaza pelo ladr\u00e3o. Qualquer semelhan\u00e7a do Brasil com essa \u00faltima categoria n\u00e3o ser\u00e1 coincid\u00eancia. Campe\u00e3o mundial em disponibilidade de \u00e1gua doce, detentor dos mais fabulosos \u00edndices referentes a vaz\u00e3o, armazenamento e produ\u00e7\u00e3o deste bem essencial \u00e0 vida, o Pa\u00eds hoje convive com escassez, conflitos de compartilhamento e queda de qualidade em diversos pontos de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o escassez-fartura\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0efici\u00eancia deve \u201cesquentar\u201d as apresenta\u00e7\u00f5es e os debates do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, de 18 a 23 de mar\u00e7o, a acontecer no Est\u00e1dio Nacional Man\u00e9 Garrincha, em Bras\u00edlia. O evento \u00e9 promovido de tr\u00eas em tr\u00eas anos pelo Conselho Mundial da \u00c1gua, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional privada, com sede em Marselha (Fran\u00e7a), presidida atualmente pelo brasileiro Benedito Braga, que \u00e9 tamb\u00e9m secret\u00e1rio de Saneamento e Recursos H\u00eddricos do Estado de S\u00e3o Paulo. Os organizadores do F\u00f3rum esperam a presen\u00e7a de mais de 40 mil pessoas \u2013 congressistas, especialistas, autoridades, pol\u00edticos e sociedade civil.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1981\" aria-describedby=\"caption-attachment-1981\" style=\"width: 3872px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/LumaPolettiDutra_Brasilia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1981\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/LumaPolettiDutra_Brasilia.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia na seca. Foto: Luma Poletti Dutra\/Flickr Creative Commons\" width=\"3872\" height=\"2592\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/LumaPolettiDutra_Brasilia.jpg 3872w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/LumaPolettiDutra_Brasilia-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/LumaPolettiDutra_Brasilia-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/LumaPolettiDutra_Brasilia-1440x964.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 3872px) 100vw, 3872px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1981\" class=\"wp-caption-text\">Bras\u00edlia na seca. Foto: Luma Poletti Dutra\/Flickr Creative Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>O tema central,\u00a0<em>Compartilhando \u00e1gua<\/em>, \u00e9 importante para o Brasil, pois um de seus maiores complicadores de gest\u00e3o est\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o pouco justa das \u00e1guas no territ\u00f3rio. O que tem de caudalosos os rios amaz\u00f4nicos tem de mirrados os intermitentes cursos d\u2019\u00e1gua na regi\u00e3o do Semi\u00e1rido. E, em que pese a boa disponibilidade h\u00eddrica nas regi\u00f5es Sudeste e Sul do Pa\u00eds, ela muitas vezes resulta em uma baixa oferta em raz\u00e3o da elevada demanda, conforme descreve S\u00e9rgio Ayrimoraes, superintendente de Planejamento de Recursos H\u00eddricos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) \u2013 lembrando que nos grandes centros urbanos o problema da qualidade soma-se ao da quantidade.<\/p>\n<p>Como no Pa\u00eds ningu\u00e9m \u00e9 dono da \u00e1gua, trata-se de um bem a ser compartilhado. Nascentes que brotam em territ\u00f3rio goiano e mineiro formam importantes rios que v\u00e3o abastecer a Bahia, o Rio de Janeiro, em meio a v\u00e1rios exemplos. Cabe \u00e0 ANA, o \u00f3rg\u00e3o regulador, gerir essas din\u00e2micas entre os estados, regulando e gerenciando condi\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas e limites m\u00ednimos de entrega de \u00e1gua de uma unidade federativa a outra. No caso brasileiro, dois t\u00f3picos importantes para o F\u00f3rum ser\u00e3o o compartilhamento de bacias transfronteiri\u00e7as (que envolvem pa\u00edses vizinhos) e \u00e1guas subterr\u00e2neas. \u201cTudo isso exige um gerenciamento integrado, pois \u00e9 a mesma \u00e1gua em diferentes modalidades no territ\u00f3rio\u201d, explica Ayrimoraes.<\/p>\n<p><strong>Fontes e usos<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/conjuntura.ana.gov.br\/static\/media\/conjuntura_completo.caf2236b.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conjuntura dos Recursos H\u00eddricos no Brasil<\/a>, lan\u00e7ada pela ANA, em 2017, jogou luz n\u00e3o somente sobre a quantidade, a qualidade e as formas de uso das \u00e1guas que banham a superf\u00edcie do territ\u00f3rio brasileiro, mas iluminou tamb\u00e9m um pouco desse misterioso mundo subterr\u00e2neo, onde se estima haver disponibilidade de quase 15 mil metros c\u00fabicos por segundo \u2013 a t\u00edtulo comparativo, pela superf\u00edcie escoam cerca de 260 mil m<sup>3<\/sup>\/s, gerando uma disponibilidade h\u00eddrica, ou seja, uma quantidade de \u00e1gua ofert\u00e1vel de quase 80 mil m<sup>3<\/sup>\/s. \u201cDa mesma forma como ocorre com as \u00e1guas superficiais, sua distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uniforme, ocorrendo regi\u00f5es de escassez e relativa abund\u00e2ncia\u201d, detalha o relat\u00f3rio, que reconhece haver muito para se descobrir sobre as vaz\u00f5es subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>Para a especialista em saneamento e recursos h\u00eddricos e idealizadora da coaliz\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.aliancapelaagua.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alian\u00e7a pela \u00c1gua<\/a>, Marussia Whately, o estudo da ANA trouxe dados reveladores. Al\u00e9m do alerta para a quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos (o\u00a0<em>Conjuntura<\/em>\u00a0mostra que, de 2008 at\u00e9 2016, devido ao agravamento da escassez h\u00eddrica, o n\u00famero de po\u00e7os tubulares cadastrados no Pa\u00eds passou de 400 mil para 1,2 milh\u00e3o), toda a leitura sobre os usos da \u00e1gua \u00e9, na opini\u00e3o dela, surpreendente. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es eram gen\u00e9ricas. Agora h\u00e1 um detalhamento muito grande, em especial no cap\u00edtulo 3 do relat\u00f3rio\u201d, assinala.<\/p>\n<p>Essa se\u00e7\u00e3o mostra que os grandes usos de \u00e1gua s\u00e3o para irriga\u00e7\u00e3o, abastecimento urbano, termoel\u00e9tricas (resfriamento), ind\u00fastria, uso animal, abastecimento rural e minera\u00e7\u00e3o, nesta ordem, em termos de retirada de \u00e1gua. Acontece que, para cada uma dessas atividades, h\u00e1 uma determinada quantidade de \u00e1gua que retorna aos corpos h\u00eddricos \u2013 por exemplo, o esgoto decorrente do abastecimento urbano. E o estudo detalha essas propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre a retirada e o retorno ao corpo h\u00eddrico \u00e9 o consumo efetivo de \u00e1gua por setor. O caso da irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais ilustrativo por ser de longe o mais gastador: em 2016, o setor agr\u00edcola retirou 969 m<sup>3<\/sup>\/s para irrigar lavouras; desse total, 745 m<sup>3<\/sup>\/s viraram planta ou prote\u00edna animal; apenas 224 m<sup>3<\/sup>\/s retornaram ao ambiente. A irriga\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, campe\u00e3 tanto em retirada como em consumo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Um caso oposto \u00e9 o das termoel\u00e9tricas \u2013 muito utilizadas em tempos de escassez h\u00eddrica, quando as usinas hidrel\u00e9tricas for\u00e7osamente reduzem a gera\u00e7\u00e3o de energia. No mesmo per\u00edodo (2016), elas retiraram 216 m<sup>3<\/sup>\/s e devolveram aos rios 213 m<sup>3<\/sup>\/s. Ou seja, as termoel\u00e9tricas, embora tenham usado mais \u00e1gua do sistema de abastecimento do que o setor industrial, que precisou de 192 m<sup>3<\/sup>\/s, consumiram bem menos: apenas 2,9 m<sup>3<\/sup>\/s, contra os 104,9 m<sup>3<\/sup>\/s da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Para dar uma ideia do que s\u00e3o os quase 1 mil m<sup>3<\/sup>\/s usados para irriga\u00e7\u00e3o, o segundo maior usu\u00e1rio de recursos h\u00eddricos no Brasil \u2013 o abastecimento urbano \u2013 utiliza para atender os cerca de 180 milh\u00f5es de brasileiros que moram nas cidades metade da \u00e1gua da irriga\u00e7\u00e3o (precisamente 488 m<sup>3<\/sup>\/s, em 2016).<\/p>\n<p>\u201cNesse volume est\u00e3o inclu\u00eddas as perdas equivalentes a quase 40% [<em>taxa referente ao volume de \u00e1gua que vaza das tubula\u00e7\u00f5es nas cidades brasileiras ou que \u00e9 desviada<\/em>]\u201d, lembra Whately. E, diferentemente da irriga\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua do abastecimento urbano volta para o corpo h\u00eddrico em forma de esgoto, tratado ou n\u00e3o, enquanto na irriga\u00e7\u00e3o a maior parte da \u00e1gua vira\u00a0<em>commodity<\/em>\u00a0e \u00e9 exportada.<\/p>\n<p>Para Whately, esse consumo de \u00e1gua pelos sistemas de irriga\u00e7\u00e3o deve ser ainda maior do que os valores que aparecem no relat\u00f3rio da ANA, uma vez que os n\u00fameros se baseiam no sistema de outorga (concess\u00e3o de uso dos recursos h\u00eddricos em um determinado trecho de curso d\u2019\u00e1gua pelo agente regulador) que n\u00e3o abrange todo o Pa\u00eds. O\u00a0<em>Conjuntura<\/em>\u00a0ainda deixa claro que a irriga\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 considerada pequena diante do potencial estimado. E pondera: \u201cO aumento da irriga\u00e7\u00e3o resulta, em geral, em aumento do uso da \u00e1gua. Por outro lado, os investimentos neste setor resultam, tamb\u00e9m, em aumento substancial da produtividade e do valor da produ\u00e7\u00e3o, diminuindo a press\u00e3o pela incorpora\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas para cultivo\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Atrasos e gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O diretor da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento B\u00e1sico do Distrito Federal (Adasa) e pesquisador de hidrologia e gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Jorge Werneck Lima, reconhece que muitos dos problemas na rela\u00e7\u00e3o entre oferta e demanda h\u00eddrica se devem, em parte, \u00e0 falta de planejamento. Ele cr\u00ea, por\u00e9m, que a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos vem se fortalecendo nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>A ANA foi criada somente em 2000 e as ag\u00eancias estaduais vieram depois disso. A Lei das \u00c1guas \u00e9 de 1997 \u2013 a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9433.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei n\u00ba 9.433<\/a>\u00a0instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos (Singreh). \u201cA gente percebe a evolu\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o, mas os problemas evoluem ainda mais rapidamente\u201d, admite Werneck, que atua como coordenador nacional do processo tem\u00e1tico do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial.<\/p>\n<p>Werneck atribui os problemas atuais de escassez n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, que tem alterado o volume e a distribui\u00e7\u00e3o das chuvas nas regi\u00f5es do Pa\u00eds: \u201cOcupamos mais o solo e isso tem trazido problemas de seca e de cheias com intensidades que n\u00e3o verific\u00e1vamos antes, principalmente em S\u00e3o Paulo e no Distrito Federal\u201d. Mais um caso s\u00e9rio, que afeta a qualidade, \u00e9 a falta de saneamento: \u201cAlgumas cidades est\u00e3o com essa quest\u00e3o bem equacionada, mas de maneira geral a gente trata muito pouco do esgoto gerado no Brasil\u201d, afirma Werneck.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da ANA reitera dados j\u00e1 bastante conhecidos dos brasileiros, como o de que somente 43% da popula\u00e7\u00e3o urbana brasileira possuem seu esgoto coletado e tratado, e 12% utilizam solu\u00e7\u00e3o individual com fossa s\u00e9ptica. O Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico (Plansab) considera que esses 55% da popula\u00e7\u00e3o urbana brasileira est\u00e3o providos com atendimento adequado. Os demais est\u00e3o divididos entre 18% que t\u00eam seu esgoto coletado e n\u00e3o tratado, o que \u00e9 considerado um atendimento prec\u00e1rio, e 27% que n\u00e3o possuem coleta nem tratamento, isto \u00e9, s\u00e3o desprovidos de qualquer servi\u00e7o de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Bomba-rel\u00f3gio<\/strong><\/p>\n<p>O t\u00f3pico do estudo da ANA que analisa a qualidade das \u00e1guas brasileiras traz um dado que surpreendeu Marussia Whately: mapas mostram que uma boa parte do territ\u00f3rio nacional ainda est\u00e1 em branco no quesito an\u00e1lise da qualidade da \u00e1gua. \u201cDas 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o s\u00f3 17 t\u00eam sistema de monitoramento de qualidade\u201d, afirma ela. \u201cE os dados integrados das an\u00e1lises s\u00e3o baseados em Demanda Bioqu\u00edmica de Oxig\u00eanio (DBO), um \u00edndice da d\u00e9cada de 1970.\u201d O DBO \u00e9 um indicador das cargas org\u00e2nicas nos corpos h\u00eddricos que aponta a quantidade de oxig\u00eanio consumido nos processos biol\u00f3gicos de degrada\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica no meio aqu\u00e1tico.<\/p>\n<p>Para a especialista, a leitura atenta do relat\u00f3rio como um todo revela algumas \u201cbombas-rel\u00f3gio\u201d. Ao mesmo tempo, de todos os lados, desde a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/03\/10\/dicionario-dicas-de-videos-filmes-e-leituras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Enc\u00edclica<\/a> papal at\u00e9 o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos (Su\u00ed\u00e7a), chegam sinais da urg\u00eancia e da emerg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados com a \u00e1gua. \u201cEsta deve se tornar a principal agenda da sustentabilidade no s\u00e9culo XXI. E tamb\u00e9m a mais complexa\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os detalhes de toda essa complexidade, que vai requerer um conjunto de acordos internacionais, legisla\u00e7\u00f5es de diferentes \u00e1reas e indicadores dos mais variados, est\u00e1 no livro\u00a0<em>O<\/em>\u00a0<em>S\u00e9culo da Escassez<\/em>\u00a0(Cia. das Letras, 2016), escrito por Whately em coautoria com a jornalista Maura Campanili. \u201cS\u00e3o montanhas de dados que abordam o tema \u00e1gua sobre as quais precisamos nos debru\u00e7ar.\u201d<\/p>\n<p>Um dos ind\u00edcios de que o Brasil n\u00e3o se deu conta da complexidade do tema \u2013 diz ela no livro \u2013 \u00e9 o jarg\u00e3o \u201ccrise da \u00e1gua\u201d. Por defini\u00e7\u00e3o, \u201cas crises s\u00e3o per\u00edodos de exce\u00e7\u00e3o dentro da normalidade. O que vemos, no entanto, \u00e9 um cen\u00e1rio de dif\u00edcil revers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div id=\"selenium-highlight\"><\/div>\n<p>[:en][Conjuntura]<\/p>\n<p>O mundo tem v\u00e1rios exemplos de pa\u00edses que transformam desertos poeirentos em pomares fecundos e, tamb\u00e9m, de povos que enfrentam sucessivas crises h\u00eddricas enquanto a \u00e1gua vaza pelo ladr\u00e3o. Qualquer semelhan\u00e7a do Brasil com essa \u00faltima categoria n\u00e3o ser\u00e1 coincid\u00eancia. Campe\u00e3o mundial em disponibilidade de \u00e1gua doce, detentor dos mais fabulosos \u00edndices referentes a vaz\u00e3o, armazenamento e produ\u00e7\u00e3o deste bem essencial \u00e0 vida, o Pa\u00eds hoje convive com escassez, conflitos de compartilhamento e queda de qualidade em diversos pontos de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o escassez-fartura\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0efici\u00eancia deve \u201cesquentar\u201d as apresenta\u00e7\u00f5es e os debates do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, de 18 a 23 de mar\u00e7o, a acontecer no Est\u00e1dio Nacional Man\u00e9 Garrincha, em Bras\u00edlia. O evento \u00e9 promovido de tr\u00eas em tr\u00eas anos pelo Conselho Mundial da \u00c1gua, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional privada, com sede em Marselha (Fran\u00e7a), presidida atualmente pelo brasileiro Benedito Braga, que \u00e9 tamb\u00e9m secret\u00e1rio de Saneamento e Recursos H\u00eddricos do Estado de S\u00e3o Paulo. Os organizadores do F\u00f3rum esperam a presen\u00e7a de mais de 40 mil pessoas \u2013 congressistas, especialistas, autoridades, pol\u00edticos e sociedade civil.<\/p>\n<p>O tema central,\u00a0<em>Compartilhando \u00e1gua<\/em>, \u00e9 importante para o Brasil, pois um de seus maiores complicadores de gest\u00e3o est\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o pouco justa das \u00e1guas no territ\u00f3rio. O que tem de caudalosos os rios amaz\u00f4nicos tem de mirrados os intermitentes cursos d\u2019\u00e1gua na regi\u00e3o do Semi\u00e1rido. E, em que pese a boa disponibilidade h\u00eddrica nas regi\u00f5es Sudeste e Sul do Pa\u00eds, ela muitas vezes resulta em uma baixa oferta em raz\u00e3o da elevada demanda, conforme descreve S\u00e9rgio Ayrimoraes, superintendente de Planejamento de Recursos H\u00eddricos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) \u2013 lembrando que nos grandes centros urbanos o problema da qualidade soma-se ao da quantidade.<\/p>\n<p>Como no Pa\u00eds ningu\u00e9m \u00e9 dono da \u00e1gua, trata-se de um bem a ser compartilhado. Nascentes que brotam em territ\u00f3rio goiano e mineiro formam importantes rios que v\u00e3o abastecer a Bahia, o Rio de Janeiro, em meio a v\u00e1rios exemplos. Cabe \u00e0 ANA, o \u00f3rg\u00e3o regulador, gerir essas din\u00e2micas entre os estados, regulando e gerenciando condi\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas e limites m\u00ednimos de entrega de \u00e1gua de uma unidade federativa a outra. No caso brasileiro, dois t\u00f3picos importantes para o F\u00f3rum ser\u00e3o o compartilhamento de bacias transfronteiri\u00e7as (que envolvem pa\u00edses vizinhos) e \u00e1guas subterr\u00e2neas. \u201cTudo isso exige um gerenciamento integrado, pois \u00e9 a mesma \u00e1gua em diferentes modalidades no territ\u00f3rio\u201d, explica Ayrimoraes.<\/p>\n<p><strong>Fontes e usos<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/conjuntura.ana.gov.br\/static\/media\/conjuntura_completo.caf2236b.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conjuntura dos Recursos H\u00eddricos no Brasil<\/a>, lan\u00e7ada pela ANA, em 2017, jogou luz n\u00e3o somente sobre a quantidade, a qualidade e as formas de uso das \u00e1guas que banham a superf\u00edcie do territ\u00f3rio brasileiro, mas iluminou tamb\u00e9m um pouco desse misterioso mundo subterr\u00e2neo, onde se estima haver disponibilidade de quase 15 mil metros c\u00fabicos por segundo \u2013 a t\u00edtulo comparativo, pela superf\u00edcie escoam cerca de 260 mil m<sup>3<\/sup>\/s, gerando uma disponibilidade h\u00eddrica, ou seja, uma quantidade de \u00e1gua ofert\u00e1vel de quase 80 mil m<sup>3<\/sup>\/s. \u201cDa mesma forma como ocorre com as \u00e1guas superficiais, sua distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uniforme, ocorrendo regi\u00f5es de escassez e relativa abund\u00e2ncia\u201d, detalha o relat\u00f3rio, que reconhece haver muito para se descobrir sobre as vaz\u00f5es subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>Para a especialista em saneamento e recursos h\u00eddricos e idealizadora da coaliz\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.aliancapelaagua.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alian\u00e7a pela \u00c1gua<\/a>, Marussia Whately, o estudo da ANA trouxe dados reveladores. Al\u00e9m do alerta para a quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos (o\u00a0<em>Conjuntura<\/em>\u00a0mostra que, de 2008 at\u00e9 2016, devido ao agravamento da escassez h\u00eddrica, o n\u00famero de po\u00e7os tubulares cadastrados no Pa\u00eds passou de 400 mil para 1,2 milh\u00e3o), toda a leitura sobre os usos da \u00e1gua \u00e9, na opini\u00e3o dela, surpreendente. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es eram gen\u00e9ricas. Agora h\u00e1 um detalhamento muito grande, em especial no cap\u00edtulo 3 do relat\u00f3rio\u201d, assinala.<\/p>\n<p>Essa se\u00e7\u00e3o mostra que os grandes usos de \u00e1gua s\u00e3o para irriga\u00e7\u00e3o, abastecimento urbano, termoel\u00e9tricas (resfriamento), ind\u00fastria, uso animal, abastecimento rural e minera\u00e7\u00e3o, nesta ordem, em termos de retirada de \u00e1gua. Acontece que, para cada uma dessas atividades, h\u00e1 uma determinada quantidade de \u00e1gua que retorna aos corpos h\u00eddricos \u2013 por exemplo, o esgoto decorrente do abastecimento urbano. E o estudo detalha essas propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre a retirada e o retorno ao corpo h\u00eddrico \u00e9 o consumo efetivo de \u00e1gua por setor. O caso da irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais ilustrativo por ser de longe o mais gastador: em 2016, o setor agr\u00edcola retirou 969 m<sup>3<\/sup>\/s para irrigar lavouras; desse total, 745 m<sup>3<\/sup>\/s viraram planta ou prote\u00edna animal; apenas 224 m<sup>3<\/sup>\/s retornaram ao ambiente. A irriga\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, campe\u00e3 tanto em retirada como em consumo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Um caso oposto \u00e9 o das termoel\u00e9tricas \u2013 muito utilizadas em tempos de escassez h\u00eddrica, quando as usinas hidrel\u00e9tricas for\u00e7osamente reduzem a gera\u00e7\u00e3o de energia. No mesmo per\u00edodo (2016), elas retiraram 216 m<sup>3<\/sup>\/s e devolveram aos rios 213 m<sup>3<\/sup>\/s. Ou seja, as termoel\u00e9tricas, embora tenham usado mais \u00e1gua do sistema de abastecimento do que o setor industrial, que precisou de 192 m<sup>3<\/sup>\/s, consumiram bem menos: apenas 2,9 m<sup>3<\/sup>\/s, contra os 104,9 m<sup>3<\/sup>\/s da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Para dar uma ideia do que s\u00e3o os quase 1 mil m<sup>3<\/sup>\/s usados para irriga\u00e7\u00e3o, o segundo maior usu\u00e1rio de recursos h\u00eddricos no Brasil \u2013 o abastecimento urbano \u2013 utiliza para atender os cerca de 180 milh\u00f5es de brasileiros que moram nas cidades metade da \u00e1gua da irriga\u00e7\u00e3o (precisamente 488 m<sup>3<\/sup>\/s, em 2016).<\/p>\n<p>\u201cNesse volume est\u00e3o inclu\u00eddas as perdas equivalentes a quase 40% [<em>taxa referente ao volume de \u00e1gua que vaza das tubula\u00e7\u00f5es nas cidades brasileiras ou que \u00e9 desviada<\/em>]\u201d, lembra Whately. E, diferentemente da irriga\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua do abastecimento urbano volta para o corpo h\u00eddrico em forma de esgoto, tratado ou n\u00e3o, enquanto na irriga\u00e7\u00e3o a maior parte da \u00e1gua vira\u00a0<em>commodity<\/em>\u00a0e \u00e9 exportada.<\/p>\n<p>Para Whately, esse consumo de \u00e1gua pelos sistemas de irriga\u00e7\u00e3o deve ser ainda maior do que os valores que aparecem no relat\u00f3rio da ANA, uma vez que os n\u00fameros se baseiam no sistema de outorga (concess\u00e3o de uso dos recursos h\u00eddricos em um determinado trecho de curso d\u2019\u00e1gua pelo agente regulador) que n\u00e3o abrange todo o Pa\u00eds. O\u00a0<em>Conjuntura<\/em>\u00a0ainda deixa claro que a irriga\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 considerada pequena diante do potencial estimado. E pondera: \u201cO aumento da irriga\u00e7\u00e3o resulta, em geral, em aumento do uso da \u00e1gua. Por outro lado, os investimentos neste setor resultam, tamb\u00e9m, em aumento substancial da produtividade e do valor da produ\u00e7\u00e3o, diminuindo a press\u00e3o pela incorpora\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas para cultivo\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Atrasos e gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O diretor da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento B\u00e1sico do Distrito Federal (Adasa) e pesquisador de hidrologia e gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Jorge Werneck Lima, reconhece que muitos dos problemas na rela\u00e7\u00e3o entre oferta e demanda h\u00eddrica se devem, em parte, \u00e0 falta de planejamento. Ele cr\u00ea, por\u00e9m, que a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos vem se fortalecendo nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>A ANA foi criada somente em 2000 e as ag\u00eancias estaduais vieram depois disso. A Lei das \u00c1guas \u00e9 de 1997 \u2013 a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9433.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lei n\u00ba 9.433<\/a>\u00a0instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos (Singreh). \u201cA gente percebe a evolu\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o, mas os problemas evoluem ainda mais rapidamente\u201d, admite Werneck, que atua como coordenador nacional do processo tem\u00e1tico do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial.<\/p>\n<p>Werneck atribui os problemas atuais de escassez n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, que tem alterado o volume e a distribui\u00e7\u00e3o das chuvas nas regi\u00f5es do Pa\u00eds: \u201cOcupamos mais o solo e isso tem trazido problemas de seca e de cheias com intensidades que n\u00e3o verific\u00e1vamos antes, principalmente em S\u00e3o Paulo e no Distrito Federal\u201d. Mais um caso s\u00e9rio, que afeta a qualidade, \u00e9 a falta de saneamento: \u201cAlgumas cidades est\u00e3o com essa quest\u00e3o bem equacionada, mas de maneira geral a gente trata muito pouco do esgoto gerado no Brasil\u201d, afirma Werneck.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da ANA reitera dados j\u00e1 bastante conhecidos dos brasileiros, como o de que somente 43% da popula\u00e7\u00e3o urbana brasileira possuem seu esgoto coletado e tratado, e 12% utilizam solu\u00e7\u00e3o individual com fossa s\u00e9ptica. O Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico (Plansab) considera que esses 55% da popula\u00e7\u00e3o urbana brasileira est\u00e3o providos com atendimento adequado. Os demais est\u00e3o divididos entre 18% que t\u00eam seu esgoto coletado e n\u00e3o tratado, o que \u00e9 considerado um atendimento prec\u00e1rio, e 27% que n\u00e3o possuem coleta nem tratamento, isto \u00e9, s\u00e3o desprovidos de qualquer servi\u00e7o de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Bomba-rel\u00f3gio<\/strong><\/p>\n<p>O t\u00f3pico do estudo da ANA que analisa a qualidade das \u00e1guas brasileiras traz um dado que surpreendeu Marussia Whately: mapas mostram que uma boa parte do territ\u00f3rio nacional ainda est\u00e1 em branco no quesito an\u00e1lise da qualidade da \u00e1gua. \u201cDas 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o s\u00f3 17 t\u00eam sistema de monitoramento de qualidade\u201d, afirma ela. \u201cE os dados integrados das an\u00e1lises s\u00e3o baseados em Demanda Bioqu\u00edmica de Oxig\u00eanio (DBO), um \u00edndice da d\u00e9cada de 1970.\u201d O DBO \u00e9 um indicador das cargas org\u00e2nicas nos corpos h\u00eddricos que aponta a quantidade de oxig\u00eanio consumido nos processos biol\u00f3gicos de degrada\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica no meio aqu\u00e1tico.<\/p>\n<p>Para a especialista, a leitura atenta do relat\u00f3rio do relat\u00f3rio como um todo revela algumas \u201cbombas-rel\u00f3gio\u201d. Ao mesmo tempo, de todos os lados, desde a Enc\u00edclica papal at\u00e9 o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos (Su\u00ed\u00e7a), chegam sinais da urg\u00eancia e da emerg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados com a \u00e1gua. \u201cEsta deve se tornar a principal agenda da sustentabilidade no s\u00e9culo XXI. E tamb\u00e9m a mais complexa\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os detalhes de toda essa complexidade, que vai requerer um conjunto de acordos internacionais, legisla\u00e7\u00f5es de diferentes \u00e1reas e indicadores dos mais variados, est\u00e1 no livro <em>O<\/em>\u00a0<em>S\u00e9culo da Escassez<\/em>\u00a0(Cia. das Letras, 2016), escrito por Whately em coautoria com a jornalista Maura Campanili. \u201cS\u00e3o montanhas de dados que abordam o tema \u00e1gua \u00e1gua sobre as quais precisamos nos debru\u00e7ar.\u201d<\/p>\n<p>Um dos ind\u00edcios de que o Brasil n\u00e3o se deu conta da complexidade do tema \u2013 diz ela no livro \u2013 \u00e9 o jarg\u00e3o \u201ccrise da \u00e1gua\u201d. Por defini\u00e7\u00e3o, \u201cas crises s\u00e3o per\u00edodos de exce\u00e7\u00e3o dentro da normalidade. O que vemos, no entanto, \u00e9 um cen\u00e1rio de dif\u00edcil revers\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magali Cabral Campe\u00e3o mundial em disponibilidade de \u00e1gua doce, detentor dos mais fabulosos \u00edndices referentes a vaz\u00e3o, armazenamento e produ\u00e7\u00e3o deste bem essencial \u00e0 vida, o Pa\u00eds hoje convive com escassez, conflitos de compartilhamento e queda de qualidade em diversos pontos de seu territ\u00f3rio O mundo tem v\u00e1rios exemplos de pa\u00edses que transformam desertos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1964,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1803],"tags":[1730,598,1728,601,1724,1726,1733,1725,1729,1731,70,1727,1732,647],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Apesar dos esfor\u00e7os, dados revelam nossa dificuldade de lidar com a \u00e1gua<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Por Magali Cabral Campe\u00e3o mundial em disponibilidade de \u00e1gua doce, detentor dos mais fabulosos \u00edndices referentes a vaz\u00e3o, armazenamento e produ\u00e7\u00e3o deste bem essencial \u00e0 vida, o Pa\u00eds hoje convive com escassez, conflitos de compartilhamento e queda de qualidade em diversos pontos de seu territ\u00f3rio O mundo tem v\u00e1rios exemplos de pa\u00edses que transformam desertos&hellip;\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/03\/10\/apesar-dos-esforcos-dados-revelam-nossa-dificuldade-de-lidar-com-agua\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Apesar dos esfor\u00e7os, dados revelam nossa dificuldade de lidar com a \u00e1gua\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Magali Cabral Campe\u00e3o mundial em disponibilidade de \u00e1gua doce, detentor dos mais fabulosos \u00edndices referentes a vaz\u00e3o, armazenamento e produ\u00e7\u00e3o deste bem essencial \u00e0 vida, o Pa\u00eds hoje convive com escassez, conflitos de compartilhamento e queda de qualidade em diversos pontos de seu territ\u00f3rio O mundo tem v\u00e1rios exemplos de pa\u00edses que transformam desertos&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/03\/10\/apesar-dos-esforcos-dados-revelam-nossa-dificuldade-de-lidar-com-agua\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"P22_ON\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/p22on\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-03-10T19:25:37+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-02-22T12:33:43+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/ValerieJusticeFlickr.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2048\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1536\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"19 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/03\/10\/apesar-dos-esforcos-dados-revelam-nossa-dificuldade-de-lidar-com-agua\/\",\"url\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/03\/10\/apesar-dos-esforcos-dados-revelam-nossa-dificuldade-de-lidar-com-agua\/\",\"name\":\"Apesar dos esfor\u00e7os, dados revelam nossa dificuldade de lidar com a \u00e1gua - 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