{"id":2107,"date":"2018-05-23T11:10:54","date_gmt":"2018-05-23T14:10:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2107"},"modified":"2022-02-22T09:24:28","modified_gmt":"2022-02-22T12:24:28","slug":"iniciativa-vai-calcular-emissoes-de-carne-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/05\/23\/iniciativa-vai-calcular-emissoes-de-carne-brasileira\/","title":{"rendered":"Iniciativa vai calcular emiss\u00f5es da carne brasileira"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Magali Cabral\u00a0 \u2013\u00a0<\/em><em>Colaborou Matheus Fernandes<\/em><\/p>\n<p><em>O estudo\u00a0Pegada de Carbono da Carne Bovina Brasileira, a ser conclu\u00eddo no ano que vem, busca resultados quantitativos em toda a cadeia de valor, incluindo\u00a0produ\u00e7\u00e3o da ra\u00e7\u00e3o, atividades de\u00a0<strong>c<\/strong>ria, recria e engorda, e nos processos dos frigor\u00edficos, no transporte\u00a0at\u00e9 a Europa\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Existe uma tend\u00eancia crescente nos mercados internacionais para se calcular e comunicar os impactos ambientais dos produtos, em especial a pegada de carbono. A da carne bovina, por exemplo, poder\u00e1 em breve fazer parte das exig\u00eancias do mercado internacional, em especial o europeu. Essa for\u00e7a do mercado puxada pelos compradores (individuais e institucionais),\u00a0e refor\u00e7ada por pol\u00edticas da\u00a0Comiss\u00e3o Europeia, deve trazer importantes sinais para os produtores em todas as etapas do ciclo produtivo (do frigor\u00edfico at\u00e9 o produtor de ra\u00e7\u00e3o) cumprirem um papel na transforma\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o que promova e incentive a redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais.<\/p>\n<p>A gestora de projetos do Programa Produ\u00e7\u00e3o e Consumo Sustent\u00e1veis (PCS) do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (FGVces), Beatriz Kiss, sugere que, se quiser manter e aumentar suas vendas para a Uni\u00e3o Europeia, o Brasil precisa reduzir desde j\u00e1 eventuais riscos da exporta\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, aumentar a competitividade dos produtos. Por exemplo, fomentar as pr\u00e1ticas da pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel no Pa\u00eds e informar os impactos associados ao ciclo de vida da carne. \u201cAt\u00e9 porque n\u00e3o tem outra op\u00e7\u00e3o\u201d, diz (<em>saiba mais sobre <strong>Avalia\u00e7\u00e3o de Ciclo de Vida<\/strong><\/em> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=D6h3jHX8_oQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>neste v\u00eddeo<\/em><\/a>).<\/p>\n<p>Ocorre que as estimativas da pegada de carbono dos produtos brasileiros ainda s\u00e3o poucas e nem sempre muito precisas \u2013 diversos estudos foram desenvolvidos por organiza\u00e7\u00f5es no exterior, gerando d\u00favidas quanto a qualidade e precis\u00e3o dos dados utilizados nesses levantamentos que nem sempre refletem as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds tropical. Na aus\u00eancia de melhores informa\u00e7\u00f5es produzidas em territ\u00f3rio nacional, c\u00e1lculos internacionais prevalecem e s\u00e3o os que \u201ccarimbam\u201d a carne brasileira, eventualmente superestimando os valores das pegadas ou evidenciando apenas os seus aspectos negativos.<\/p>\n<p>Uma dessas pesquisas, a <em>Including Carbon Emissions from Deforestation in the Carbon Footprint of Brazilian Beef <\/em>publicada em 2011 pelo peri\u00f3dico <em>Environmental Science &amp; Technology<\/em> da Sociedade Americana de Qu\u00edmicos (American Chemical Society), diz que a pegada de carbono de 1 quilo de carne bovina brasileira pode chegar a 726 quilos de <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/05\/23\/conheca-as-expressoes-usadas-nesta-edicao\/\">CO<sub>2<\/sub> equivalent<\/a>e <\/strong>quando se leva em considera\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7a do uso da terra \u2013 aspecto que pode envolver tamb\u00e9m as emiss\u00f5es provenientes de \u00e1reas desmatadas. Outros levantamentos apontam que, em pa\u00edses europeus como Reino Unido, Dinamarca e Su\u00e9cia, as emiss\u00f5es variam entre 23 e 25 quilos de CO<sub>2<\/sub> equivalente por quilo de carne produzida, o que representa uma pequena porcentagem do valor calculado para o produto nacional (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zFKVEpg25Qk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>neste v\u00eddeo<\/em><\/a><em> voc\u00ea pode saber mais sobre o conceito de mudan\u00e7a no uso da terra).<\/em><\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que est\u00e3o em andamento v\u00e1rias iniciativas nacionais, embora ainda care\u00e7am de uma compreens\u00e3o melhor do panorama brasileiro. Isto \u00e9, h\u00e1 que se considerar que cada tipo de carne, cada lugar, cada sistema de produ\u00e7\u00e3o varia conforme a regi\u00e3o e os biomas. \u201c\u00c9 preciso fazer a tipifica\u00e7\u00e3o e a regionaliza\u00e7\u00e3o, mapear os diversos atores, os sistemas produtivos e as diferentes pr\u00e1ticas adotadas, atribuindo resultados de emiss\u00e3o para cada um deles; n\u00e3o podemos generalizar, tendo um resultado \u00fanico para o Brasil\u201d, assinala Kiss.<\/p>\n<p>Para atender a essa necessidade, o Programa PCS est\u00e1 conduzindo o projeto Pegada de Carbono da Carne Bovina Brasileira. O trabalho teve in\u00edcio em 2017 e dever\u00e1 ser conclu\u00eddo no ano que vem, mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel extrair algumas informa\u00e7\u00f5es. \u201cQueremos entender, com base em resultados quantitativos de emiss\u00e3o, onde est\u00e3o realmente os pontos mais cr\u00edticos dessa cadeia. A pegada de carbono \u00e9 a t\u00e9cnica mais indicada para isso, pois permite essa vis\u00e3o abrangente da cadeia e de seus impactos clim\u00e1ticos\u201d, explica a pesquisadora e coordenadora do projeto (<em>leia<\/em> <em><a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2017\/10\/03\/protocolo-de-carne-sustentavel-ainda-desconsidera-pegada-de-carbono\/\">mais aqui<\/a>\u00a0sobre a contribui\u00e7\u00e3o da iniciativa<\/em>).<\/p>\n<p>Segundo ela, o desmatamento relacionado \u00e0 pecu\u00e1ria, item frequentemente mencionado como o \u201cvil\u00e3o da carne\u201d, representa apenas uma das potenciais fontes de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (GEE) dessa cadeia. A t\u00e9cnica de Avalia\u00e7\u00e3o de Ciclo de Vida permite mapear, quantificar e compreender que existem impactos acontecendo tamb\u00e9m nas demais etapas da cadeia da pecu\u00e1ria: desde a produ\u00e7\u00e3o da ra\u00e7\u00e3o, passando pelas atividades de <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/05\/23\/conheca-as-expressoes-usadas-nesta-edicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cria, recria e engorda<\/a><\/strong>, incluindo tamb\u00e9m os processos que acontecem nos frigor\u00edficos, na etapa de consumo e todos os transportes envolvidos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Recorte da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>O estudo do PCS abrange o c\u00e1lculo da pegada de carbono de tr\u00eas produtos de carne exportados para a Europa e deve apresentar resultados espec\u00edficos de cada vari\u00e1vel. Ainda que a exporta\u00e7\u00e3o para a Europa represente uma pequena parcela da produ\u00e7\u00e3o nacional em volume (em torno de 2%) \u2013 o Brasil responde por 42%\u00a0de toda a carne bovina importada pela Europa, segundo dados da Uni\u00e3o Europeia. Ainda assim, a receita dos produtos vendidos para a Europa responde por aproximadamente 11% do faturamento do setor no pa\u00eds, sendo este mercado o mais importante em termos de faturamento depois dos mercados asi\u00e1ticos (China e Hong Kong), segundo dados da\u00a0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carne (Abiec).<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o por esse recorte justifica-se no fato de os europeus, diferentemente dos compradores da \u00c1sia, estarem trabalhando ativamente na constru\u00e7\u00e3o de diretrizes para a rotulagem ambiental de produtos e demandando informa\u00e7\u00f5es desse tipo. Em 2012 a Comiss\u00e3o Europeia lan\u00e7ou a iniciativa The Single Market for Green Products, que incentiva o c\u00e1lculo da pegada ambiental dos produtos (Product Environmental Footprint \u2013 PEF). Esta atividade est\u00e1 atualmente \u201crodando\u201d pilotos sobre como padronizar os c\u00e1lculos e a comunica\u00e7\u00e3o ambiental do produto nos r\u00f3tulos.<\/p>\n<p>Tal iniciativa avan\u00e7a rapidamente e a carne \u00e9 um dos produtos da lista priorit\u00e1ria do PEF. De acordo com Beatriz Kiss, as exig\u00eancias europeias s\u00e3o baseadas na abordagem de ciclo de vida (v\u00e3o muito al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de um invent\u00e1rio corporativo, por exemplo) e demandar\u00e3o conhecimentos espec\u00edficos sobre toda a cadeia da pecu\u00e1ria. Ou seja, o desafio ser\u00e1 enorme para os exportadores \u2013 e tamb\u00e9m para os demais elos ligados direta ou indiretamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da carne. \u201c\u00c9 poss\u00edvel comparar-se a medida com uma futura barreira n\u00e3o tarif\u00e1ria\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Naturalmente isso tem provocado apreens\u00e3o entre os exportadores de carne para a UE. Em vista de tamanho desafio, o trabalho em andamento no FGVces pretende, al\u00e9m de medir a pegada de carbono da carne exportada para a Europa, discutir tamb\u00e9m como essas novas exig\u00eancias poder\u00e3o afetar a competitividade do produto nacional.<\/p>\n<p>O escopo de estudo passar\u00e1 por todas as fases da produ\u00e7\u00e3o de carne (e principais insumos) at\u00e9 a chegada do produto no porto europeu. Atualmente, os trabalhos encontram-se em fase de defini\u00e7\u00e3o dos atores mais indicados para fornecer os dados para as an\u00e1lises e refinamento das fronteiras. O projeto contemplar\u00e1 ainda uma capacita\u00e7\u00e3o para os principais atores, visando a dissemina\u00e7\u00e3o dos conceitos de ciclo de vida e de pegada de carbono no setor e sua import\u00e2ncia na competitividade.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas produtos escolhidos para esta an\u00e1lise \u2013 e mais um para servir de refer\u00eancia, foram: carne bovina <em>in natura<\/em> produzida no Brasil (refer\u00eancia); carne bovina <em>in natura<\/em> produzida no Brasil e exportada para o mercado europeu; carne bovina <em>in natura<\/em> produzida no Brasil e exportada para o mercado europeu atrav\u00e9s da <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/05\/23\/conheca-as-expressoes-usadas-nesta-edicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cota Hilton<\/a><\/strong>; e carne bovina <em>in natura<\/em> produzida no Brasil com boas pr\u00e1ticas ambientais em programas estruturados.<\/p>\n<p>A Cota Hilton foi criada em 1979 e estabeleceu um volume-limite de exporta\u00e7\u00e3o de cortes bovinos de alta qualidade, provenientes de pa\u00edses credenciados, para a Uni\u00e3o Europeia. A cota atual do Brasil \u00e9 de 10 mil toneladas de carne desossada por ano, mas o pa\u00eds n\u00e3o tem conseguido atingir esse volume m\u00e1ximo permitido.<\/p>\n<p>O produto refer\u00eancia ajudar\u00e1 a fazer uma an\u00e1lise de sensibilidade: por exemplo, qual \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es da pegada da carne exportada em rela\u00e7\u00e3o ao produto t\u00edpico do Brasil e em qual etapa ou processo estas apresentam maior impacto. No segundo universo, ser\u00e3o trabalhadas apenas fazendas e frigor\u00edficos autorizados a exportar para a Europa. Existem no Brasil 45 frigor\u00edficos aptos para a exporta\u00e7\u00e3o para a Europa. Mais de 80% deles pertencem \u00e0 rede controlada pelos tr\u00eas maiores do Pa\u00eds \u2013 JBS, Marfrig e Minerva.<\/p>\n<p>Para cada um dos produtos pesquisados haver\u00e1 resultados espec\u00edficos que refletem a realidade do escopo analisado. Ainda que essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o possam ser generalizadas, permitir\u00e1 uma compreens\u00e3o melhor do cen\u00e1rio atual: desde o mapeamento dos <strong><em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/05\/23\/conheca-as-expressoes-usadas-nesta-edicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hotspots<\/a> <\/em><\/strong>e a constru\u00e7\u00e3o de metas e planos de mitiga\u00e7\u00e3o at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o para a valoriza\u00e7\u00e3o da carne nacional. \u201cPor este motivo, \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia o envolvimento dos diversos atores da cadeia da pecu\u00e1ria neste projeto, j\u00e1 que estes ser\u00e3o os primeiros benefici\u00e1rios dos resultados gerados\u201d, afirma Beatriz Kiss.<\/p>\n<p>Segundo ela, n\u00e3o se pretende gerar \u201cn\u00fameros m\u00e1gicos\u201d para a carne (como os <em>xis<\/em> quilos de CO<sub>2<\/sub> para cada quilo de carne), mas, sim, produzir conhecimento em torno das muitas vari\u00e1veis que fazem parte desta complexa cadeia, olhando para o lado \u201cmeio cheio\u201d do copo. \u201cO Brasil j\u00e1 possui muitas pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis na produ\u00e7\u00e3o de gado (<em>inclusive na Amaz\u00f4nia<\/em>), e \u00e9 preciso desmistificar que a carne nacional \u00e9 uma s\u00f3 e que todas as formas e locais de produ\u00e7\u00e3o impactam do mesmo modo; h\u00e1 produtos mais eficientes, h\u00e1 produtos menos eficientes, e o consumidor precisa compreender essas diferen\u00e7as\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Outro resultado da iniciativa ser\u00e1 dimensionar o potencial de redu\u00e7\u00e3o da pegada ao longo da cadeia produtiva. A cadeia toda (incluindo os pecuaristas e os frigor\u00edficos) saber\u00e1 exatamente onde agir e poder\u00e1 se articular para promover a redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono, evitando investimentos em determinadas tecnologias n\u00e3o relacionadas com o principal foco de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa do produto.<\/p>\n<p><strong>Pecu\u00e1ria intensiva e extensiva<\/strong><\/p>\n<p>Uma discuss\u00e3o que faz parte do debate para se produzir uma carne mais sustent\u00e1vel envolve os sistemas de produ\u00e7\u00e3o existentes \u2013 o extensivo e o intensivo. No primeiro, o gado \u00e9 criado em campo aberto, com a t\u00e9cnica de pastejo cont\u00ednuo, em pastagens de baixa qualidade que recebem pouco ou nenhum tipo fertiliza\u00e7\u00e3o. Os investimentos necess\u00e1rios s\u00e3o baixos e, para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso aumentar a \u00e1rea de pastagem. Da\u00ed surgem os debates em torno da expans\u00e3o e da press\u00e3o da pecu\u00e1ria brasileira sobre as \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Cerrado e na Amaz\u00f4nia, que pode promover as emiss\u00f5es relacionadas \u00e0 mudan\u00e7a do uso da terra, discutidas anteriormente.<\/p>\n<p>No segundo sistema, os animais s\u00e3o mantidos em \u00e1reas menores, chamadas de piquetes, nas quais s\u00e3o aplicadas t\u00e9cnicas de <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/05\/23\/conheca-as-expressoes-usadas-nesta-edicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pastejo rotacionado<\/a><\/strong> e de melhoria da fertilidade do solo, aliados \u00e0 suplementa\u00e7\u00e3o alimentar do rebanho por meio de ra\u00e7\u00e3o. Isso faz com que a produtividade em rela\u00e7\u00e3o a cabe\u00e7as de gado por hectare e quilos de carne por cabe\u00e7a sejam muito maiores neste sistema do que no anterior. Apesar disso, segundo dados de 2009, apenas 5% das fazendas de pecu\u00e1ria do Pa\u00eds faziam uso do sistema intensivo, enquanto o extensivo representava cerca de 80% da produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria. Os 15% restantes eram produzidos no sistema semi-intensivo, um h\u00edbrido em que o animal \u00e9 criado em campo aberto, por\u00e9m passa a um sistema intensivo principalmente nas fases de engorda e termina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A suplementa\u00e7\u00e3o que ocorre por meio de ra\u00e7\u00e3o no sistema intensivo tamb\u00e9m \u00e9 um fator preocupante, pois essa ra\u00e7\u00e3o \u00e9 composta principalmente de soja e milho, e quest\u00f5es relacionadas aos impactos do cultivo desses gr\u00e3os precisam ser levados em considera\u00e7\u00e3o na hora de avaliar a sustentabilidade do produto final (carne bovina), em especial as emiss\u00f5es de GEE: como a soja e o milho foram cultivados com a finalidade de alimentar o gado, estes passam a fazer parte do ciclo de vida desse produto e seus impactos ambientais devem ser tamb\u00e9m contabilizados. Entram na conta os fatores relevantes desse cultivo, como o uso dos fertilizantes, o local em que foram produzidos, se houve ou n\u00e3o mudan\u00e7a de uso da terra, a transforma\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os em ra\u00e7\u00e3o e o transporte at\u00e9 o local de consumo. S\u00f3 quando todas essas etapas s\u00e3o inclu\u00eddas em uma avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que se pode ter mais confiabilidade nos resultados finais de um estudo.<\/p>\n<p>Em contraponto, pode-se dizer que a cria\u00e7\u00e3o do gado em sistemas intensivos evita o desmatamento de novas \u00e1reas, uma vez que, para aumentar a produtividade deste sistema, busca-se um maior n\u00famero de cabe\u00e7as de gado por hectare (e n\u00e3o mais hectares para acomodar mais cabe\u00e7as). Ainda que nem sempre a expans\u00e3o das \u00e1reas produtivas esteja diretamente ligada ao desmatamento, a discuss\u00e3o em torno dos impactos ambientais e das emiss\u00f5es de GEE nos sistemas intensivo e extensivo \u00e9 recorrente. Sem o uso de ferramentas que permitam quantificar estes impactos de forma abrangente (ao longo de toda a cadeia e da vida do produto \u2013 como a ACV), fica dif\u00edcil indicar qual sistema \u00e9 o mais apropriado em qual caso. H\u00e1 ainda as varia\u00e7\u00f5es regionais e dos biomas, que impactam diretamente nos resultados.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o Grupo de Trabalho da Pecu\u00e1ria Sustent\u00e1vel (<a href=\"http:\/\/gtps.org.br\/mapa-de-iniciativas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GTPS<\/a>) vem identificando e divulgando as melhores pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o relacionadas \u00e0s quest\u00f5es ambientais. O GTPS mapeou mais de 25 iniciativas espalhadas pelo Brasil que adotam pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1veis, inclusive na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. Um exemplo \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.icv.org.br\/programa-novo-campo-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa Novo Campo<\/a>, que consiste em um protocolo de ades\u00e3o volunt\u00e1ria de pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel em fazendas da Amaz\u00f4nia, monitorado pelo Instituto Centro de Vida (ICV). Para evitar novos desmatamentos na regi\u00e3o de Alta Floresta, norte de Mato Grosso, os pecuaristas que aderiram ao Novo Campo aumentaram sua produtividade adotando o sistema de produ\u00e7\u00e3o intensivo, com fazendas alcan\u00e7ando uma produtividade de at\u00e9 2,7 cabe\u00e7as por hectare, muito mais alta que a m\u00e9dia do Estado, que \u00e9 de 0,76, segundo dados do pr\u00f3prio ICV.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magali Cabral\u00a0 \u2013\u00a0Colaborou Matheus Fernandes O estudo\u00a0Pegada de Carbono da Carne Bovina Brasileira, a ser conclu\u00eddo no ano que vem, busca resultados quantitativos em toda a cadeia de valor, incluindo\u00a0produ\u00e7\u00e3o da ra\u00e7\u00e3o, atividades de\u00a0cria, recria e engorda, e nos processos dos frigor\u00edficos, no transporte\u00a0at\u00e9 a Europa\u00a0 Existe uma tend\u00eancia crescente nos mercados internacionais para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2152,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1820],"tags":[1181,815,858,1849,1847,1758,118,1848,162,1852,1035,70,1844,1851,1850,817,1845,1846,73],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - 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