{"id":2265,"date":"2018-10-02T14:51:48","date_gmt":"2018-10-02T17:51:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2265"},"modified":"2022-02-22T09:09:04","modified_gmt":"2022-02-22T12:09:04","slug":"dinheiro-que-da-em-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/10\/02\/dinheiro-que-da-em-arvores\/","title":{"rendered":"Dinheiro que d\u00e1 em \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<p><em>Bens materiais ou imateriais da natureza rendem neg\u00f3cios, demonstrando que cada p\u00e9 de planta pode valer a pena e fazer a diferen\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><em>Por S\u00e9rgio Adeodato<\/em><\/p>\n<p>Novos modelos de uso econ\u00f4mico e sustent\u00e1vel da biodiversidade podem gerar renda em maior escala e se tornar competitiva em rela\u00e7\u00e3o a atividades que desmatam, viabilizando a conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, com benef\u00edcios ao planeta. Em muitos casos, as pr\u00e1ticas seguem o conceito de agrofloresta, por meio do cons\u00f3rcio entre mata nativa e esp\u00e9cies comerciais que diversificam a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Patos de Minas (MG), a semente foi plantada, h\u00e1 sete anos, com a demanda da ind\u00fastria de avia\u00e7\u00e3o alem\u00e3 por pesquisas de biocombust\u00edveis para mover aeronaves em lugar da op\u00e7\u00e3o convencional, vinda do petr\u00f3leo. A estrat\u00e9gia era uma resposta \u00e0s press\u00f5es para reduzir emiss\u00f5es de carbono.<\/p>\n<p>Diante do desafio, cientistas coordenados pela Universidade de Leuphana, na Baixa Sax\u00f4nia, rodaram o mundo em busca de \u00f3leos vegetais capazes de suprir de forma vi\u00e1vel e segura o novo mercado. A palma (dend\u00ea) e a soja chegaram a ser cogitadas como fonte, mas pecavam no quesito sustentabilidade, devido a problemas como desmatamento e uso excessivo de agrot\u00f3xicos. At\u00e9 que, no Brasil, a equipe europeia, de tanto investigar, descobriu uma palmeira nativa promissora: a maca\u00faba.<\/p>\n<p>\u201cMas as aten\u00e7\u00f5es acabaram se voltando ao potencial de aplica\u00e7\u00f5es mais nobres, de maior valor e escala, como a ind\u00fastria de alimentos e cosm\u00e9ticos\u201d, conta Johannes Zimpel, diretor da empresa Inocas, de Patos de Minas (MG), integrante do esfor\u00e7o inicial de prospec\u00e7\u00e3o. Entre outros pontos, a vantagem da planta estava na ampla presen\u00e7a no territ\u00f3rio nacional, na alta produtividade de \u00f3leo vegetal e na caracter\u00edstica de conviver em harmonia com pastagens.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s estudo de viabilidade financeira com a coleta de 300 toneladas do fruto no pasto e enriquecimento com plantio da palmeira em \u00e1reas da agricultura familiar, foi estabelecida a meta de alcan\u00e7ar 2 mil hectares e 100 pequenos produtores para processamento de 8,5 toneladas por hora. Como projeto experimental, uma pequena usina instalada em uma comunidade rural de Carmo do Parana\u00edba (MG) come\u00e7ou a beneficiar 50 quilos por hora no intuito de azeitar a produ\u00e7\u00e3o e demonstrar a capacidade do insumo natural como mat\u00e9ria-prima para diferentes setores industriais.<\/p>\n<p>\u201cSe metade das atuais pastagens do Cerrado recebesse plantios de maca\u00faba, o volume de \u00f3leo seria provavelmente maior do que o obtido da palma para uso na maioria dos alimentos industrializados em todo o mundo\u201d, estima Zimpel, ao lembrar o impacto social positivo. Com a palmeira consorciada \u00e0 pastagem visando a diversifica\u00e7\u00e3o de alternativas de renda, a receita do produtor de gado para carne ou leite, hoje em m\u00e9dia de R$ 500 por hectare na regi\u00e3o, poderia dobrar para R$ 1 mil. Al\u00e9m de fornecer o insumo da biodiversidade, a \u00e1rvore ajuda no sombreamento da pastagem, melhorando o conforto t\u00e9rmico dos animais com ganho de produtividade. E ainda evita eros\u00e3o das colinas, atrai fauna silvestre e captura carbono da atmosfera.<\/p>\n<p>Vinte propriedades rurais, no total de 150 hectares, integraram-se em 2018 ao projeto, que tem parceria com o Instituto Agron\u00f4mico de Campinas e outros centros de pesquisa, na perspectiva de ultrapassar barreiras cient\u00edficas, convencer sobre o potencial da planta e replicar os resultados no campo. Um desafio t\u00e9cnico, vencido na \u00faltima d\u00e9cada, por exemplo, foi resolver a dificuldade de quebrar a forte dorm\u00eancia das sementes que prejudicava a viabilidade do plantio comercial. Hoje, segundo Zimpel, busca-se efici\u00eancia do processamento do fruto para se chegar a uma mat\u00e9ria-prima condizente com os padr\u00f5es da ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos, a que paga melhores pre\u00e7os pelo produto.<\/p>\n<p>Explorada para fornecer \u00f3leo \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica quando n\u00e3o havia energia el\u00e9trica, a maca\u00faba \u2013\u00a0<em>Acrocomia aculeata<\/em>, tamb\u00e9m conhecida como bocai\u00fava \u2013 \u00e9 alimento de araras, cotias, capivaras, antas e emas. Cheia de espinhos, foi bastante suprimida da paisagem ao longo das d\u00e9cadas, quando deixou de ter utilidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Atualmente, surge uma nova perspectiva, na onda da demanda por alimentos e cosm\u00e9ticos. O uso do \u00f3leo como combust\u00edvel de avi\u00f5es, possibilidade de impulsionou as pesquisas, foi para o fim da fila. Um dia poder\u00e1 voltar \u00e0 cena, tendo em vista a meta do <a href=\"https:\/\/www.icao.int\/Newsroom\/Pages\/New-ICAO-Aircraft-CO2-Standard-One-Step-Closer-To-Final-Adoption.aspx\">setor aeron\u00e1utico<\/a> de se tornar carbono neutro no mundo at\u00e9 2027. \u201cUma planta que se tornou esquecida est\u00e1 sendo agora redescoberta como fonte de mat\u00e9ria-prima disputada por setores de largo consumo\u201d, afirma o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Am\u00eandoas aliam lucro e conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a novidade que diversifica a produ\u00e7\u00e3o nas fazendas corre por conta de uma am\u00eandoa origin\u00e1ria da Austr\u00e1lia, bastante apreciada na gastronomia: a macad\u00e2mia. \u201cA esp\u00e9cie pode ser consorciada \u00e0 mata nativa para fins de restaura\u00e7\u00e3o florestal com uso econ\u00f4mico\u201d, explica o empres\u00e1rio Edwin Montenegro, que apostou na especiaria e tratou de cultiv\u00e1-la na centen\u00e1ria propriedade de cana-de-a\u00e7\u00facar da fam\u00edlia no munic\u00edpio de Bocaina (SP) como alternativa econ\u00f4mica contra os riscos da crise sucroalcooleira, em 2005.<\/p>\n<p>Diante dos bons resultados, criou a Arroba Sustentabilidade, neg\u00f3cio que vai al\u00e9m de processar e vender o fruto no mercado. A proposta \u00e9 construir uma rela\u00e7\u00e3o entre empreendedores e produtores rurais que buscam sintonia com meio ambiente, adotando uma estrat\u00e9gia produtiva de uso do solo, no conceito de agrofloresta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/10\/02\/dinheiro-que-da-em-arvores\/estagiarios-do-etec\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3788 size-full\" src=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Estagiarios-do-ETEC.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"719\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Estagiarios-do-ETEC.jpg 1280w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Estagiarios-do-ETEC-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Estagiarios-do-ETEC-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Estagiarios-do-ETEC-768x431.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como base experimental para inova\u00e7\u00f5es, a antiga fazenda implantou diferentes tipos de pomares de macad\u00e2mia: um reunindo apenas plantas dessa esp\u00e9cie, outro integrado a um cafezal e um terceiro associado \u00e0 mata nativa. \u201cO objetivo \u00e9 auxiliar o planejamento produtivo em 16 munic\u00edpios da regi\u00e3o, identificando nas propriedades \u00e1reas de maior declividade e de passivos ambientais que poderiam receber as \u00e1rvores da am\u00eandoa\u201d, revela Montenegro, que estruturou viveiro de mudas para fornecimento aos vizinhos. Dos 650 mil hectares mapeados pelo projeto, 94 mil t\u00eam disponibilidade para o novo cultivo, dos quais 24 mil correspondem a \u00e1reas que por lei precisam ter a vegeta\u00e7\u00e3o nativa restaurada.<\/p>\n<p>Essa demanda potencial abrange 17 mil pequenos propriet\u00e1rios, cada um com possibilidade de alcan\u00e7ar renda anual de R$ 40 mil a R$ 50 mil por hectare ap\u00f3s 12 anos, quando os pomares se tornam adultos. Deduzindo-se os custos da produ\u00e7\u00e3o, metade desses valores entra na contabilidade das fam\u00edlias como lucro. Diferente das esp\u00e9cies madeireiras, cortadas com fins comerciais, a macad\u00e2mia rende o ano todo porque \u00e9 mantida em p\u00e9. Segundo dados da empresa, a rentabilidade da esp\u00e9cie por hectare \u00e9 superior \u00e0 da soja, do milho e do caf\u00e9, e o dobro da alcan\u00e7ada pela cana.<\/p>\n<p>A proposta do neg\u00f3cio \u00e9 principalmente a valoriza\u00e7\u00e3o e o empoderamento da m\u00e3o de obra rural com vis\u00e3o ambiental, o que inclui a cria\u00e7\u00e3o de modelos de mosaico agroflorestal para recomposi\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reserva Legal<\/a>, em que a macad\u00e2mia, uma planta ex\u00f3tica, entra num cons\u00f3rcio com esp\u00e9cies nativas, tamb\u00e9m na perspectiva de ganhos com o estoque de carbono. \u201cSeguimos a linha da nova agricultura de processos e n\u00e3o de insumos, com menos adubo e defensivos qu\u00edmicos\u201d, explica o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na fazenda, a macad\u00e2mia passa por m\u00e1quinas para retirada da casca, secagem e armazenamento com ventila\u00e7\u00e3o fria, destinando-se a compradores de diferentes perfis. Al\u00e9m do consumo como <em>snacks<\/em>, a am\u00eandoa \u00e9 a base de v\u00e1rios alimentos, como granolas, farinha e azeite. Na ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos, apresenta de propriedade de combater radicais livres e rejuvenescer a pele, sendo utilizada em sabonetes, xampus e produtos esfoliantes.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de Montenegro, \u201co potencial de mercado \u00e9 promissor, sabendo-se que a produ\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds \u00e9 ainda pequena\u201d. Com dez ind\u00fastrias processadoras do fruto em opera\u00e7\u00e3o, o Brasil produz 1,1 mil toneladas por ano, enquanto na \u00c1frica do Sul e Austr\u00e1lia o volume \u00e9 quase 12 vezes maior. No mundo, o mercado de macad\u00e2mia duplicou nos \u00faltimos dez anos, com 52 mil toneladas em 2017, mas a iguaria representou somente 1% do consumo total de nozes e am\u00eandoas, segundo dados do International Nut and Dried Fruit Council Foundation. Estados Unidos e China s\u00e3o os principais importadores.<\/p>\n<p><strong>Visitas guiadas \u00e0 f\u00e1brica de chocolate<\/strong><\/p>\n<p>Quando o assunto \u00e9 alimento produzido com a manuten\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9, o <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">capital natural<\/a> se traduz em diferentes atividades, como \u00e9 o caso do turismo. Na Ilha do Combu, pr\u00f3ximo a Bel\u00e9m, no Par\u00e1, a ribeirinha Izete dos Santos Costa, mais conhecida como Dona Nena, vivia do extrativismo do cacau nativo, beneficiado de forma rudimentar para venda a atravessadores por pre\u00e7os vis. Como na maior parte da Amaz\u00f4nia, a vida como ref\u00e9m dos comerciantes que compram produtos da floresta estaria condenada a jamais mudar, n\u00e3o fosse a ideia que surgiu quando as mulheres locais tentavam sem muito sucesso obter renda vendendo biojoias de sementes na feira da capital.<\/p>\n<p>Como eram muitas bancas de comerciantes com o mesmo produto, havia a necessidade de se pensar algo diferente, e o grupo percebeu que receitas de fam\u00edlia poderiam ser o caminho. Foi quando veio \u00e0 lembran\u00e7a de Dona Nena o chocolate caseiro feito pela m\u00e3e, pilado manualmente e embrulhado na folha de cacau, como uma minipamonha. Logo, encontrou-se uma maneira de retirar o a\u00e7\u00facar e fazer o produto embarcar na onda dos org\u00e2nicos e da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. Assim, ganhou fama na feira; vieram reportagens e com elas mais notoriedade, at\u00e9 a empreendedora decidir, em 2011, pela profissionaliza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, batizado de Filha do Combu.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2330\" aria-describedby=\"caption-attachment-2330\" style=\"width: 3264px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20180106_104852.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2330\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20180106_104852.jpg\" alt=\"Dona Nena em visita guiada \u00e0 f\u00e1brica de chocolate. Foto: Filha do Combu\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"3264\" height=\"1836\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20180106_104852.jpg 3264w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20180106_104852-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20180106_104852-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/20180106_104852-1440x810.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 3264px) 100vw, 3264px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2330\" class=\"wp-caption-text\">Dona Nena em visita guiada \u00e0 f\u00e1brica de chocolate. Foto: Filha do Combu\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO modelo se ampliou e acrescentou maior valor \u00e0 floresta\u201d, atesta Mario Cesar Carvalho, \u00e0 \u00e9poca consultor da marca. Ap\u00f3s desenvolver as embalagens, dando identidade ao projeto, passou a coordenar uma estrutura bem organizada que hoje proporciona diversas frentes de renda para a localidade.<\/p>\n<p>Com a receita da feira, a empres\u00e1ria ribeirinha construiu uma nova casa para expandir as atividades, antes realizadas informalmente na sua pr\u00f3pria moradia, e iniciou um concorrido roteiro de visita\u00e7\u00e3o que abrange o traslado de 20 minutos em barco tradicional de Bel\u00e9m \u00e0 ilha, na Ba\u00eda do Guajar\u00e1, e uma trilha no quintal dos cacaueiros em meio \u00e0 floresta de v\u00e1rzea. A atividade demonstra o potencial de um modelo de neg\u00f3cio criado a partir do ambiente de produ\u00e7\u00e3o do cacau, ou seja, dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, tanto os de provis\u00e3o como os culturais. No percurso, s\u00e3o apresentados o bioma onde cresce o cacau e as dezenas de outras esp\u00e9cies de \u00e1rvores respons\u00e1veis por manter o equil\u00edbrio dessa \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Os atrativos incluem a visita \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de chocolate, degusta\u00e7\u00e3o de brigadeiros e, finalmente, compras na lojinha. Com m\u00e9dia de 300 turistas por m\u00eas, de janeiro a junho de 2018, a receita foi de R$ 36 mil com as atividades relacionadas \u00e0s visitas guiadas. Desse valor, cerca de 55% s\u00e3o revertidos de imediato para a Dona Nena para o pagamento dos servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o e taxa de visita\u00e7\u00e3o. Os 45% restantes s\u00e3o destinados a pagamento dos demais parceiros: guias, barqueiros e a estrutura de gest\u00e3o e planejamento dos passeios.<\/p>\n<p>Como desdobramento, criou-se um grupo de economia criativa com foco no resgate da cultura cabocla. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 expandir o aprendizado com o cacau para ganhos em outras atividades, como a extra\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed e a produ\u00e7\u00e3o de cestaria e de farinha, criando uma esp\u00e9cie de museu ao ar livre da vida ribeirinha\u201d, revela Carvalho. Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio \u201carrega\u00e7ar as mangas para n\u00e3o depender de governo, porque destruir a floresta \u00e9 um tiro no p\u00e9\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">Raio X das propostas<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Projeto Maca\u00faba: extrativismo e plantio de \u00e1rvores de maca\u00faba no sistema silvipastoril<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente: <\/strong>Inocas \u2013 empresa privada de pequeno porte do setor agr\u00edcola<\/p>\n<p><strong>Data de in\u00edcio:<\/strong> 8\/7\/2015<\/p>\n<p><strong>Data de t\u00e9rmino:<\/strong> n\u00e3o aplic\u00e1vel<\/p>\n<p><strong>Local da iniciativa:<\/strong> Patos de Minas (MG)<\/p>\n<p><strong>Investimento aproximado<\/strong>: US$ 6 milh\u00f5es (R$ 24 milh\u00f5es pelo c\u00e2mbio de fim de setembro)<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como gera valor para a empresa:<\/strong><\/p>\n<p>O projeto \u00e9 o pr\u00f3prio neg\u00f3cio da empresa, portanto, gera valor por si s\u00f3. Al\u00e9m de ser atrativo economicamente para os investidores, o Projeto Maca\u00faba alinha a Inocas e seus parceiros comerciais a valores fundamentais dos Direitos Humanos (incremento de renda e acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas pelos agricultores familiares), agricultura sustent\u00e1vel (intensifica\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, melhoria do microclima da pastagem, preven\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o) e meio ambiente (sequestro de carbono, garantia de habitat para esp\u00e9cies nativas, redu\u00e7\u00e3o do desmatamento).<\/p>\n<p><strong>Como gera valor para o ecossistema e atores envolvidos:<\/strong><\/p>\n<p>O Projeto Maca\u00faba conserva o capital natural e contribui para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos por meio do fornecimento de mat\u00e9rias-primas para as ind\u00fastrias farmac\u00eautica, qu\u00edmica, de energia e de cosm\u00e9ticos; alimentos para a fauna nativa, gado e humanos; \u00e1gua e regula\u00e7\u00e3o do clima local; sequestro de 600 mil toneladas de CO<sub>\u00b2<\/sub>; preven\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo; redu\u00e7\u00e3o indireta do desmatamento de florestas tropicais; entre outros. O projeto apoia os extrativistas, por meio de capacita\u00e7\u00e3o em boas pr\u00e1ticas e no acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas, como a Pol\u00edtica de Garantia do Pre\u00e7o M\u00ednimo e o Selo Combust\u00edvel Social, al\u00e9m de garantir a compra dos frutos coletados. Para os pequenos agricultores do plantio, garante-se o pagamento de uma taxa compensat\u00f3ria pela suspens\u00e3o tempor\u00e1ria das atividades pastoris, assim como a compra dos frutos.<\/p>\n<p><strong>Como se relaciona com outras iniciativas globais: <\/strong><\/p>\n<p>O projeto est\u00e1 alinhado com a Agenda 2030 da ONU, em especial com os <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/a> 2, atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da agricultura sustent\u00e1vel vinculada ao desenvolvimento rural dos menos favorecidos do campo; 7, por meio da destina\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de maca\u00faba para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis; 9, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de ind\u00fastria pioneira e sustent\u00e1vel da maca\u00faba e seus subprodutos; 12, em raz\u00e3o da gest\u00e3o sustent\u00e1vel e do uso eficiente dos recursos naturais; 13, por meio de a\u00e7\u00f5es que combatem a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e seus impactos; e 15, atrav\u00e9s da gest\u00e3o sustent\u00e1vel de florestas.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Restaura\u00e7\u00e3o de Reserva legal para a adequa\u00e7\u00e3o ao C\u00f3digo Florestal e explora\u00e7\u00e3o comercial da macad\u00e2mia <\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente:<\/strong> Arroba Sustentabilidade \u2013 empresa de pequeno porte do setor de alimentos<\/p>\n<p><strong>Data de in\u00edcio:<\/strong> 2017<\/p>\n<p><strong>Data de t\u00e9rmino:<\/strong> 2045<\/p>\n<p><strong>Local da iniciativa:<\/strong> Bocaina (SP)<\/p>\n<p><strong>Investimento aproximado:<\/strong> R$ 3 milh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Como gera valor para a empresa:<\/strong><\/p>\n<p>O valor \u00e9 gerado pelo modelo de neg\u00f3cios com cons\u00f3rcio de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas e nativas que promovam sustentabilidade e cumpram uma fun\u00e7\u00e3o social e ambiental positiva, regularizando propriedades rurais de acordo com o C\u00f3digo Florestal e oferecendo uma alternativa agroflorestal de alimento saud\u00e1vel e nutritivo. O principal retorno \u00e0s empresas envolvidas \u00e9 a oferta local de mat\u00e9ria-prima para ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. De uma \u00fanica esp\u00e9cie nativa, como a maca\u00faba, pode-se extrair \u00f3leo, polpa, alimento, cosm\u00e9ticos, combust\u00edvel pra avia\u00e7\u00e3o, \u00f3leos nobres, biomassa, mat\u00e9ria org\u00e2nica. A iniciativa tamb\u00e9m gera empregos na cadeia produtiva, leva \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de novas m\u00e1quinas e equipamentos e ao aumento nas atividades ligadas ao com\u00e9rcio de alimentos, exporta\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>Como gera valor para o ecossistema e atores envolvidos:<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a da paisagem local com introdu\u00e7\u00e3o de florestas frut\u00edferas produtivas, em lugar ocupado pela monocultura de cana-de-a\u00e7\u00facar, possibilita a cria\u00e7\u00e3o de barreiras naturais de vento, a redu\u00e7\u00e3o das pragas e a diminui\u00e7\u00e3o no emprego de agrot\u00f3xicos, al\u00e9m de melhorar o clima e a temperatura da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como se relaciona com outras iniciativas globais: <\/strong><\/p>\n<p>O modelo pode ser replicado, contribuindo para a expans\u00e3o do reflorestamento no estado de S\u00e3o Paulo, onde mais de 300 mil hectares dever\u00e3o ser restaurados.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Visita guiada \u00e0 f\u00e1brica de chocolate da Dona Nena<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Proponente:<\/strong> Filha do Combu \u2013 empresa privada de pequeno porte do setor de alimentos artesanais<\/p>\n<p><strong>Data de in\u00edcio:<\/strong> 1\u00ba\/7\/2017<\/p>\n<p><strong>Data de t\u00e9rmino:<\/strong> n\u00e3o aplic\u00e1vel<\/p>\n<p><strong>Local da iniciativa:<\/strong> Ilha do Combu, Bel\u00e9m (PA)<\/p>\n<p><strong>Investimento aproximado:<\/strong> n\u00e3o estimado<\/p>\n<p><strong>Como gera valor para a empresa:<\/strong><\/p>\n<p>O cliente torna-se mais predisposto a pagar pelos produtos e pela experi\u00eancia tur\u00edstica, \u00e0 medida que fica mais informado sobre a origem, as peculiaridades e os desafios envolvidos na produ\u00e7\u00e3o de um chocolate org\u00e2nico no meio da Floresta Amaz\u00f4nica. Al\u00e9m disso, a divulga\u00e7\u00e3o boca a boca \u00e9 potencializada. Da receita obtida, cerca de 55% do valor s\u00e3o revertidos de imediato para a Dona Nena para o pagamento dos servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o e taxa de visita\u00e7\u00e3o. Os 45% restantes remuneram os demais parceiros: guias, barqueiros e a estrutura de gest\u00e3o e planejamento dos passeios. Al\u00e9m desses valores que entram apenas pelo pagamento das visitas, o ticket m\u00e9dio relacionado ao consumo na lojinha de Casa do Chocolate aumentou consideravelmente com a atividade das visitas guiadas.<\/p>\n<p><strong>Como gera valor para o ecossistema e atores envolvidos:<\/strong><\/p>\n<p>O cultivo do cacau org\u00e2nico s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em um bioma equilibrado. A preserva\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental em que se d\u00e1 a planta\u00e7\u00e3o \u00e9 vital para que Dona Nena, protagonista da iniciativa, consiga obter frutos de qualidade para produzir seu chocolate e para que os neg\u00f3cios na \u00e1rea de turismo criativo apresentem receitas crescentes. Com isso, a atividade contribui para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental da \u00e1rea e tamb\u00e9m proporciona aos clientes uma aula de sustentabilidade e de valoriza\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios feitos pelos amaz\u00f4nidas e para benef\u00edcio dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como se relaciona com outras iniciativas globais: <\/strong><\/p>\n<p>A iniciativa est\u00e1 de acordo com a ideia de um crescimento sustent\u00e1vel aliando as dimens\u00f5es ambiental, social e econ\u00f4mica, e pode inspirar novas iniciativas na pr\u00f3pria Ilha do Combu, no que se refere ao desenvolvimento de neg\u00f3cios baseados na manuten\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bens materiais ou imateriais da natureza rendem neg\u00f3cios, demonstrando que cada p\u00e9 de planta pode valer a pena e fazer a diferen\u00e7a Por S\u00e9rgio Adeodato Novos modelos de uso econ\u00f4mico e sustent\u00e1vel da biodiversidade podem gerar renda em maior escala e se tornar competitiva em rela\u00e7\u00e3o a atividades que desmatam, viabilizando a conserva\u00e7\u00e3o dos recursos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2329,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1890],"tags":[1942,1944,1950,138,1940,1949,1941,1948,1947,1939,1312,1946,1945,1943,1183,1912,1951],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - 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