{"id":2279,"date":"2018-10-02T18:06:27","date_gmt":"2018-10-02T21:06:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2279"},"modified":"2022-02-22T08:39:29","modified_gmt":"2022-02-22T11:39:29","slug":"capital-natural-uma-forma-de-reconhecer-o-valor-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2018\/10\/02\/capital-natural-uma-forma-de-reconhecer-o-valor-da-natureza\/","title":{"rendered":"Uma forma de reconhecer o valor da natureza"},"content":{"rendered":"<p><em>Para a nova economia avan\u00e7ar, ser\u00e1 preciso incorporar o capital natural na estrat\u00e9gia\u00a0das empresas<\/em><\/p>\n<p><em>Por Am\u00e1lia Safatle<\/em><\/p>\n<p>Na Economia, o capital pode ser entendido como um conjunto de bens que geram produ\u00e7\u00e3o, rendimentos e riquezas. Ao transpor essa linguagem para a natureza, chegamos \u00e0 express\u00e3o \u201c<a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">capital natural<\/a>\u201d, usada para representar o estoque de recursos renov\u00e1veis e n\u00e3o renov\u00e1veis que se combinam e geram um fluxo de benef\u00edcios para as pessoas \u2013 como ar limpo, \u00e1gua fresca, abrigo, alimentos, regula\u00e7\u00e3o do clima, rem\u00e9dios, recrea\u00e7\u00e3o e assim por diante.<\/p>\n<p>Para Herman Daly e Joshua Farley, autores de obras referenciais como <em>Ecological Economics: principle and applications<\/em>, capital natural significa o \u201cestoque ou reserva provida pela natureza (bi\u00f3tica ou abi\u00f3tica) que produz um valioso fluxo futuro de recursos ou servi\u00e7os naturais\u201d. Enquanto os ecossistemas s\u00e3o um exemplo de \u201cestoque\u201d, os <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">servi\u00e7os ecossist\u00eamicos<\/a> prestados pela natureza podem ser considerados como \u201cfluxo\u201d (<em>saiba mais sobre Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/servicos-ecossistemicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nesta edi\u00e7\u00e3o<\/a>)<\/em>.<\/p>\n<p>Conservar a natureza, por princ\u00edpio, deveria ser uma pr\u00e1tica incondicional, da qual n\u00e3o se espera nada em troca. Bastaria compreender que toda forma e estrutura de sustenta\u00e7\u00e3o da vida s\u00e3o dignas de amor, respeito e prote\u00e7\u00e3o simplesmente pelo fato de existirem. Raz\u00f5es \u00e9ticas e morais tamb\u00e9m seriam suficientes para justificar pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, nos sistemas econ\u00f4micos que veem a natureza como um conjunto de recursos a ser explorado ou sumidouro de recursos descartados em benef\u00edcio da esp\u00e9cie humana, partindo de uma vis\u00e3o antropoc\u00eantrica, torna-se crucial reconhec\u00ea-la como um capital dotado de imenso valor que <a href=\"http:\/\/www.stockholmresilience.org\/research\/research-news\/2016-06-14-how-food-connects-all-the-sdgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sustenta todos os demais<\/a> \u2013 humano, social, financeiro, de infraestrutura etc. Esse reconhecimento passa a ser um forte argumento para que a natureza n\u00e3o seja espoliada, mas vista como oportunidade de gerar e distribuir ganhos econ\u00f4micos e sociais.<\/p>\n<p>Atualmente uma importante fonte do conhecimento sobre capital natural s\u00e3o os trabalhos de sistematiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o feitos pela iniciativa The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB), ou Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, liderada pelo economista Pavan Sukhdev e lan\u00e7ada em 2007 pela Alemanha e Comiss\u00e3o Europeia. O intuito \u00e9 demonstrar a import\u00e2ncia econ\u00f4mica da perda de biodiversidade e da degrada\u00e7\u00e3o ecossist\u00eamica, considerando os efeitos prejudiciais sobre o bem-estar humano.<\/p>\n<p>Quando trabalhava no setor financeiro nos anos 1990, Sukhdev ficou inconformado com a desconex\u00e3o entre o not\u00e1vel desempenho econ\u00f4mico dos chamados Tigres Asi\u00e1ticos, que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de fortunas pessoais, e a destrui\u00e7\u00e3o a olhos vistos das bases naturais da economia (no final da d\u00e9cada de 1990, a \u00c1sia entraria em crise).<\/p>\n<p>\u201cO Rio Amarelo ficou seco durante nove meses em 1997 e, em 1998, houve a enchente do Yang-ts\u00e9. Densas nuvens de fuma\u00e7a vindas da queima de turfeiras na Sumatra prejudicaram a qualidade do ar em Cingapura, onde eu vivia. Mas as manchetes em todo mundo relatavam a crise financeira da \u00c1sia, o colapso do mercado mobili\u00e1rio da Tail\u00e2ndia, as manifesta\u00e7\u00f5es na Indon\u00e9sia, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda local na Mal\u00e1sia e sua substitui\u00e7\u00e3o pelos controles de c\u00e2mbio\u201d, escreveu Sukhdev no primeiro <em>Relat\u00f3rio TEEB<\/em>.<\/p>\n<p>E, ent\u00e3o, questionou: \u201cPor qual motivo a riqueza pessoal \u00e9 perseguida e sua perda \u00e9 objeto de interesse, mas n\u00e3o a riqueza p\u00fablica?\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, percebia-se que, em algumas vezes, bastava o reconhecimento do valor intr\u00ednseco, espiritual ou social dos ecossistemas e da biodiversidade para estimular a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas, em outras situa\u00e7\u00f5es, os formuladores de pol\u00edticas precisavam antes demonstrar o valor econ\u00f4mico de um servi\u00e7o para justificar pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um exemplo cl\u00e1ssico disso \u2013 ilustrado no cap\u00edtulo 4 do <em>Relat\u00f3rio TEEB<\/em>\u00a0\u2013 foi a demonstra\u00e7\u00e3o, por meio de n\u00fameros, de que conservar os mangues pr\u00f3ximos \u00e0 cidade de Kampala, capital de Uganda, seria mais vantajoso que usar as \u00e1reas para cultivo agr\u00edcola, pois os mangues agem como um tratamento natural do esgoto, economizando recursos em saneamento.<\/p>\n<p><strong>Falando a mesma l\u00edngua<\/strong><\/p>\n<p>Seria mais eficaz, portanto, lan\u00e7ar m\u00e3o das mesmas express\u00f5es usadas do modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico dominante no mundo. Em outras palavras, falar a mesma l\u00edngua do <em>business as usual <\/em>para apresentar novos paradigmas.<\/p>\n<p>Ainda hoje, o uso de express\u00f5es origin\u00e1rias da Economia, tais como capital natural, estoque, fluxo e recursos naturais, \u00e9 criticado por algumas correntes ambientalistas e socioambientalistas. No entanto, valorar o capital natural \u00e9 diferente de atribuir um car\u00e1ter comercial. N\u00e3o significa que a natureza esteja \u00e0 venda, e sim que possui um valor tang\u00edvel e, muitas vezes, intang\u00edvel \u2013 que n\u00e3o pode ser monetizado, como o afetivo, o espiritual, o cultural (<em>mais sobre <\/em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2015\/10\/02\/o-desafio-de-valorar-o-que-e-imaterial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>servi\u00e7os ecossist\u00eamicos culturais aqui<\/em><\/a>)<\/p>\n<p>O problema de n\u00e3o reconhecer valores tang\u00edveis e intang\u00edveis \u00e9 passar justamente um sinal contr\u00e1rio aos mais desavisados: de que os bens naturais s\u00e3o gratuitos e est\u00e3o totalmente dispon\u00edveis para serem explorados por todos a qualquer momento, ampliando o risco de lev\u00e1-los \u00e0 exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Scarano, coordenador do Painel Intergovernamental de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ambientais (IPBES), alerta para o vi\u00e9s antropoc\u00eantrico que a express\u00e3o capital natural sugere e afirma que o desafio \u00e9 saber manter bem separadas as no\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o e de valor. \u201cA natureza n\u00e3o pre\u00e7o\u201d, pontua. A seu ver, o risco de uma confus\u00e3o entre esses conceitos cresce quando o capital natural \u00e9 incorporado na gest\u00e3o empresarial.<\/p>\n<p>Esse assunto \u00e9 tratado no <em>Relat\u00f3rio TEEB<\/em>, segundo o qual estabelecer um valor para os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos n\u00e3o significa que devam ser convertidos em valores mobili\u00e1rios, pass\u00edveis de troca no mercado aberto: \u201cO TEEB n\u00e3o prop\u00f5e uma confian\u00e7a cega na capacidade dos mercados de otimizar o bem-estar social, privatizando os bens ecol\u00f3gicos e deixando que os mercados estabele\u00e7am seus pre\u00e7os. O que o TEEB oferece s\u00e3o as ferramentas para a ado\u00e7\u00e3o da boa gest\u00e3o por ser uma boa pr\u00e1tica econ\u00f4mica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Em busca\u00a0da melhor gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 motivos sobrando para se perseguir a melhor gest\u00e3o empresarial, econ\u00f4mica e dos recursos naturais. Como mostra seguidamente o <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dia de Sobrecarga da Terra<\/a><\/strong>, divulgado pelo WWF, a cada ano esgotamos os recursos mais rapidamente do que os sistemas naturais s\u00e3o capazes de regenerar no per\u00edodo de 12 meses, o que nos mant\u00e9m em um explosivo cheque especial \u2013 para usar tamb\u00e9m uma express\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o capital financeiro cresce, em boa parte, \u00e0s custas do uso, da explora\u00e7\u00e3o e da degrada\u00e7\u00e3o dos capitais natural e humano, segundo a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Natural Capital Coalition<\/a>. Essa coaliz\u00e3o, que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es e especialistas sobre o tema em todo o mundo, produziu um <a href=\"https:\/\/naturalcapitalcoalition.org\/natural-capital-protocol\/\">protocolo<\/a>, usado pelas empresas como guia de implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas ligadas ao capital natural.<\/p>\n<p>A Natural Capital Coalition lembra que toda empresa impacta e depende do capital natural em algum grau e, por conta disso, sofrer\u00e1 riscos, mas tamb\u00e9m poder\u00e1 se beneficiar de oportunidades. \u201cTodos os impactos e depend\u00eancias afetam n\u00e3o apenas os neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m a sociedade\u201d, afirma a coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o intuito de investigar a import\u00e2ncia que as empresas, no Brasil, d\u00e3o ao capital natural e de que forma lidam com esse assunto em sua gest\u00e3o, foi lan\u00e7ada em maio passado a chamada de casos Gest\u00e3o Empresarial de Capital Natural, cujos resultados s\u00e3o objeto de reportagens ao longo desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se de uma iniciativa, in\u00e9dita no Brasil,\u00a0que nasceu da parceria entre o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e a Coopera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (GIZ), no \u00e2mbito do Projeto TEEB Regional-Local, com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV Eaesp (FGVces). Contou tamb\u00e9m com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio (<em>entenda o <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2277\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">processo de sele\u00e7\u00e3o aqui<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>O ideal \u00e9 que a preocupa\u00e7\u00e3o com o capital natural seja internalizada na estrat\u00e9gia e na gest\u00e3o cotidiana da empresa. Ou seja, n\u00e3o basta ter um projeto isolado que busca a conserva\u00e7\u00e3o do capital natural enquanto os neg\u00f3cios principais s\u00e3o movidos pela \u201cvelha economia\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um risco alertado por Carlos Eduardo Frickmann Young, professor associado do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia de Pol\u00edticas P\u00fablicas, Estrat\u00e9gias e Desenvolvimento. \u201cNo setor de agro, por exemplo, existem iniciativas muito bacaninhas de conserva\u00e7\u00e3o, mas o grosso do investimento vai no sentido da \u2018<strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">competitividade esp\u00faria<\/a><\/strong>\u2019, como dizia o Fernando Fajnzylber\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A mensagem de Young \u00e9 para que as iniciativas empresariais de conserva\u00e7\u00e3o do capital natural n\u00e3o sejam pontuais, e sim sist\u00eamicas \u2013 especialmente considerando o contexto de \u201creprimariza\u00e7\u00e3o\u201d da economia brasileira como um todo. Essa tend\u00eancia busca a competitividade a baixos custos, calcada fortemente em <em>commodities<\/em>, como gr\u00e3os <em>in natura<\/em> e min\u00e9rio bruto, em geral com baixa cria\u00e7\u00e3o de emprego e alta gera\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2261\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">externalidades<\/a>\u00a0negativas.<\/p>\n<p>Reflexos negativos ou positivos de uma atividade que s\u00e3o sentidos por aqueles que pouco ou nada contribu\u00edram para ger\u00e1-los. No caso de externalidades negativas, os preju\u00edzos impostos \u00e0 sociedade n\u00e3o s\u00e3o arcados por aqueles que os provocam, e sim pagos por todos.<\/p>\n<p>Segundo ele, o fen\u00f4meno da reprimariza\u00e7\u00e3o intensificou-se nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas (<em>ver gr\u00e1fico abaixo<\/em>) e \u00e9 protagonizado por setores que muitas vezes tentam se libertar do que veem como amarras do ponto de vista ambiental, como controle de agrot\u00f3xicos, condicionantes de licenciamento e combate ao desmatamento.<\/p>\n<p>Sem que as empresas incorporem o capital natural em suas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o, ser\u00e1 muito dif\u00edcil o Pa\u00eds avan\u00e7ar na agenda do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Reconhecer as que inserem o capital natural em sua estrat\u00e9gia de neg\u00f3cios \u00e9 a grande motiva\u00e7\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o do PIB Trimestral por atividade, 1996-2018 (m\u00e9dia de 1996 = 100):\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Screen-Shot-2018-10-02-at-6.21.07-PM.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2286\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Screen-Shot-2018-10-02-at-6.21.07-PM.png\" alt=\"Screen Shot 2018-10-02 at 6.21.07 PM\" width=\"710\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Screen-Shot-2018-10-02-at-6.21.07-PM.png 710w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Screen-Shot-2018-10-02-at-6.21.07-PM-300x181.png 300w\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Picture-clipping1.jpg\">Fonte: IBGE, Contas Trimestrais<br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a nova economia avan\u00e7ar, ser\u00e1 preciso incorporar o capital natural na estrat\u00e9gia\u00a0das empresas Por Am\u00e1lia Safatle Na Economia, o capital pode ser entendido como um conjunto de bens que geram produ\u00e7\u00e3o, rendimentos e riquezas. 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