{"id":2840,"date":"2019-08-16T17:02:47","date_gmt":"2019-08-16T20:02:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2840"},"modified":"2022-02-22T08:19:38","modified_gmt":"2022-02-22T11:19:38","slug":"como-fazer-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/como-fazer-diferente\/","title":{"rendered":"Como fazer diferente"},"content":{"rendered":"<p><em>Novos modelos de parceria e tecnologias de ponta d\u00e3o impulso a investimentos na agenda da \u00e1gua e clima<\/em><\/p>\n<p><em>Por S\u00e9rgio Adeodato<\/em><\/p>\n<p>Em 1,7 mil comunidades rurais do Cear\u00e1, sistemas de abastecimento de \u00e1gua constru\u00eddos com recurso p\u00fablico estariam condenados a virar sucata por falta de manuten\u00e7\u00e3o, como \u00e9 comum no Sert\u00e3o nordestino, n\u00e3o fosse uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o que tem permitido contar uma nova hist\u00f3ria para quem vive o drama da escassez.<\/p>\n<p>Fortalecer o associativismo e o protagonismo social para a garantia das torneiras funcionando \u00e9 apenas um cap\u00edtulo da trama, cujas cenas incluem tecnologias de vanguarda que melhoram a qualidade do recurso h\u00eddrico e ampliam o atendimento, com menor custo, diante do aumento populacional em localidades que j\u00e1 n\u00e3o dependem dos \u201ccoron\u00e9is\u201d para lidar com a seca.<\/p>\n<p>O enredo abrange um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o rural do Cear\u00e1 e desde 2016 recebeu investimentos de R$ 1,6 milh\u00e3o, ilustrando como conciliar o ente p\u00fablico e o privado na quest\u00e3o da \u00e1gua. \u201cEst\u00e3o em jogo desafios de sa\u00fade, redu\u00e7\u00e3o da pobreza e cidadania\u201d, ressalta Marcondes Ribeiro, diretor do Instituto Sisar, atuante em oito munic\u00edpios cearenses. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 parceira do Instituto Coca-Cola na Alian\u00e7a \u00c1gua+ Acesso, iniciativa que foi ampliada em 2018 de tr\u00eas para oito estados, beneficiando atualmente 77 mil pessoas por meio de um arranjo inovador de governan\u00e7a, baseado na uni\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es em busca de solu\u00e7\u00f5es duradouras.<\/p>\n<p>No Semi\u00e1rido do Cear\u00e1, as comunidades s\u00e3o mobilizadas para os cuidados com o sistema de abastecimento p\u00fablico em parceria com o governo estadual, com apoio empresarial para inova\u00e7\u00f5es no tratamento: dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de po\u00e7os subterr\u00e2neos para distribui\u00e7\u00e3o na rede e novos processos de filtra\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cA conviv\u00eancia com a seca exige maior diversidade de fontes de abastecimento e o governo sozinho n\u00e3o d\u00e1 conta, em fun\u00e7\u00e3o de in\u00fameras quest\u00f5es t\u00e9cnicas e gerenciais\u201d, explica Ribeiro. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a expans\u00e3o das <a href=\"https:\/\/www.asabrasil.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cisternas<\/a> para ac\u00famulo de \u00e1gua da chuva na zona rural se somou a outros avan\u00e7os para mudar a realidade social do sert\u00e3o. \u201cTransportar \u00e1gua no lombo de jumento ou em baldes na cabe\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais uma cena corriqueira\u201d, aponta o diretor, ao lembrar que um dos efeitos \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do \u00eaxodo para o meio urbano. Na mais recente seca da regi\u00e3o, s\u00f3 3% dos sistemas de abastecimento beneficiados pelo projeto ficaram sem \u00e1gua e, curiosamente, \u201cvimos um movimento no sentido contr\u00e1rio, de pessoas da cidade indo para zona rural encher os baldes\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com levantamento da Unicef, 50% das estruturas h\u00eddricas s\u00e3o sucateadas em at\u00e9 cinco anos na zona rural, no Brasil. Ao mesmo tempo, essas \u00e1reas re\u00fanem 67% dos 35 milh\u00f5es de brasileiros sem acesso \u00e0 \u00e1gua. \u201cPrecisamos garantir a sustentabilidade do abastecimento n\u00e3o apenas enquanto o recurso financeiro est\u00e1 sendo doado\u201d, destaca Rodrigo Brito, gerente do \u00c1gua+ Acesso no Instituto Coca-Cola. Em tr\u00eas anos, a organiza\u00e7\u00e3o investiu R$ 11 milh\u00f5es, al\u00e9m de recursos adicionais de parceiros, na estrat\u00e9gia de envolver os benefici\u00e1rios na manuten\u00e7\u00e3o dos sistemas h\u00eddricos: \u201cqueremos impacto positivo relevante, mas que fique de p\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>No Amazonas, o programa beneficia moradores de unidades de conserva\u00e7\u00e3o em \u00e1reas remotas da floresta, com a instala\u00e7\u00e3o de sistemas abastecidos por energia fotovoltaica para a capta\u00e7\u00e3o e despolui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, com investimento superior a R$ 700 mil. A tecnologia Ecol\u00e1gua, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), aplica raios ultravioleta (UVB) para o tratamento dos volumes captados dos rios ou po\u00e7os artesianos, o que aumenta a seguran\u00e7a h\u00eddrica. O resultado \u00e9 o menor risco de doen\u00e7as, como a diarreia \u2013 problema que reflete o paradoxo entre a fartura dos rios da regi\u00e3o e a dificuldade de acesso \u00e0 \u00e1gua limpa em comunidades ribeirinhas, devido principalmente \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por esgoto.<\/p>\n<p>A abordagem conecta a agenda da \u00e1gua \u00e0 do clima, porque maior renda e melhor qualidade de vida evitam o \u00eaxodo e favorecem atividades produtivas tradicionais que valorizam a floresta em p\u00e9 \u2013 e n\u00e3o derrubada por pr\u00e1ticas predat\u00f3rias. O impacto pelas mudan\u00e7as de uso da terra e florestas \u00e9 respons\u00e1vel por 46% das emiss\u00f5es brasileiras de gases de efeito estufa, segundo a plataforma <a href=\"http:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/total_emission\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Seeg<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cPelo contexto clim\u00e1tico e import\u00e2ncia ao futuro do Pa\u00eds, a Amaz\u00f4nia representa hoje uma importante janela ao Investimento Social Privado (ISP), ainda pouco presente na regi\u00e3o \u2013 em parte porque as pessoas que dirigem as institui\u00e7\u00f5es investidoras n\u00e3o est\u00e3o familiarizadas com a tem\u00e1tica\u201d, analisa Virgilio Viana, superintendente geral da Funda\u00e7\u00e3o Amazonas Sustent\u00e1vel (FAS), parceira da Coca-Cola no \u00c1gua+ Acesso.<\/p>\n<p>Criada por meio da constitui\u00e7\u00e3o de um fundo filantr\u00f3pico de<em> endowment<\/em> com R$ 20 milh\u00f5es do Banco Bradesco e R$ 20 milh\u00f5es do governo do Amazonas, a institui\u00e7\u00e3o promove a melhoria de renda, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade em 16 reservas ambientais estaduais, beneficiando um total de 40 mil pessoas. Entre os atuais apoiadores est\u00e3o as Lojas Americanas, com investimento no Jirau da Amaz\u00f4nia \u2013 loja virtual de produtos da biodiversidade, comercializados no <em>marketplace<\/em> do grupo ap\u00f3s aux\u00edlio da FAS \u00e0 atividade produtiva e \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o dos empreendedores ribeirinhos.<\/p>\n<p>\u201cO investimento social das empresas faz toda a diferen\u00e7a no atual momento, em que as pol\u00edticas de governo enfraquecem o repasse de recursos p\u00fablicos e a coopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d, explica Viana. \u201cAs institui\u00e7\u00f5es privadas t\u00eam o papel de n\u00e3o deixar a agenda da redu\u00e7\u00e3o da pobreza e desigualdade e do controle do desmatamento se desidratar\u201d.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de Jos\u00e9 Marcelo Zacchi, secret\u00e1rio-geral do Grupo de Institutos, Funda\u00e7\u00f5es e Empresas (Gife), \u201ctemos claramente a demanda para expandir a a\u00e7\u00e3o da filantropia no Brasil em face da agenda socioambiental, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar o bem-estar coletivo e a supera\u00e7\u00e3o de desafios p\u00fablicos sem abarcar o acesso e uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais e respostas consistentes aos imperativos da preserva\u00e7\u00e3o de ecossistemas e da seguran\u00e7a clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Neg\u00f3cios bons para o clima<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA filantropia d\u00e1 o impulso, mas precisamos de engajamento, escala e sobrevida, combinando novos modelos de investimento e parceria, com \u00eanfase no apoio a neg\u00f3cios que fazem bem ao planeta\u201d, complementa Valmir Ortega, diretor executivo do Conexsus. No prop\u00f3sito de construir redes e pontes no mercado, o instituto mapeou 1040 organiza\u00e7\u00f5es brasileiras de base comunit\u00e1ria, das quais 70 participaram de um programa de acelera\u00e7\u00e3o para a modelagem do neg\u00f3cio, com metas e planos de acesso a cr\u00e9dito e mercado.<\/p>\n<p>No passo seguinte, a plataforma <a href=\"https:\/\/negociospelaterra.conexsus.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Neg\u00f3cios pela Terra<\/a>, lan\u00e7ada este ano com recursos do Instituto GPA e outros parceiros, como o Fundo Vale, aproxima produtores da agricultura familiar \u00e0 ponta final da cadeia produtiva, promovendo facilidade de financiamento e <em>matches<\/em> com empresas compradoras previamente mapeadas. L\u00e1 est\u00e3o, por exemplo, a Manioca, de Bel\u00e9m, que produz alimentos naturais com ingredientes da Amaz\u00f4nia, e o Clube Org\u00e2nico, do Rio de Janeiro \u2013 neg\u00f3cio que conecta consumidores e produtores atrav\u00e9s de clube de assinatura de cestas.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia parte do princ\u00edpio de que neg\u00f3cios bons para o clima s\u00e3o cada vez mais necess\u00e1rios para fortalecer a economia de baixo carbono e regenerativa no Brasil e no mundo, o que tamb\u00e9m implica em acelerar o plantio de \u00e1rvores. Entre as iniciativas, o projeto Lab SAF, voltado a empreendimentos agroflorestais com efeitos diretos no desafio da \u00e1gua e do clima, demonstra a possibilidade de novos caminhos como a convers\u00e3o de pastagens para pecu\u00e1ria org\u00e2nica e a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas pela minera\u00e7\u00e3o, em parceria com produtores rurais.<\/p>\n<p><strong>Cidades resilientes <\/strong><\/p>\n<p>Estabelecer conex\u00f5es entre o rural e o urbano, entre as florestas na Amaz\u00f4nia e a vida cotidiana nas grandes cidades, \u00e9 um campo que se abre a inova\u00e7\u00f5es e investimentos com olhar nas demandas em torno da \u00e1gua e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cIncorporar a abordagem da resili\u00eancia \u00e9 um grande desafio para o capital privado\u201d, enfatiza Anna Romanelli, coordenadora de programas da Funda\u00e7\u00e3o Avina. A funda\u00e7\u00e3o \u00e9 parceira do projeto 100 Cidades Resilientes, lan\u00e7ado globalmente em 2013 pela Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller com o objetivo de destinar US$ 100 milh\u00f5es ao diagn\u00f3stico de demandas socioambientais e planejamento municipal sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a iniciativa contempla Buenos Aires, Quito, Cidade do M\u00e9xico e Salvador, capital brasileira que come\u00e7ou a desenvolver um plano de resili\u00eancia baseado na economia circular e inclusiva, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades sociais, com incentivo a neg\u00f3cios em setores priorit\u00e1rios, como a gest\u00e3o de res\u00edduos e a gastronomia. \u201cAp\u00f3s o mapeamento de solu\u00e7\u00f5es, a ideia \u00e9 buscar di\u00e1logo com o ISP para dar novos passos\u201d, explica Romanelli.<\/p>\n<p>Se antes cada qual trabalhava no seu \u201cquadrado\u201d, o momento agora \u00e9 de buscar sinergia na agenda do desenvolvimento, inclusive entre concorrentes. O prop\u00f3sito \u00e9 o bem comum: \u201ctrazer \u00e0 dimens\u00e3o do \u2018nosso\u2019 algo constru\u00eddo pelo projeto de um ou outro isoladamente\u201d, arremata Telma Rocha, respons\u00e1vel pelo programa regional de acesso \u00e0 \u00e1gua da Avina. \u201cOs impactos s\u00e3o maiores quando se compartilha resultados que abrem portas a novos investimentos\u201d, diz.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma receita pronta. Na complexidade do desafio da \u00e1gua, a solu\u00e7\u00e3o passa pelo aspecto da infraestrutura, mas tamb\u00e9m da cultura, dos saberes locais e do empoderamento das comunidades. \u201cA ansiedade de chegar r\u00e1pido \u00e0 escala dos milh\u00f5es, reproduzindo f\u00f3rmulas sem o envolvimento das pessoas, pode tornar a solu\u00e7\u00e3o um problema\u201d, adverte Rocha.<\/p>\n<p>O leque da governan\u00e7a local abrange tamb\u00e9m as voca\u00e7\u00f5es produtivas e a renda. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio casar a agenda do clima com a do desenvolvimento econ\u00f4mico dos territ\u00f3rios e, para isso, a expans\u00e3o de parcerias com o ISP \u00e9 muito importante\u201d, recomenda Bruna Cerqueira, gerente de rela\u00e7\u00f5es institucionais do Iclei \u2013 Governos Locais pela Sustentabilidade. Ela cita iniciativas apoiadas pela organiza\u00e7\u00e3o que podem representar novos espa\u00e7os para o investimento privado somar for\u00e7as, a exemplo do <a href=\"http:\/\/pactodealcaldes-la.eu\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia<\/a>, que no Brasil tem 80 signat\u00e1rios com planos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e acesso \u00e0 energia sustent\u00e1vel. Em paralelo, a Uni\u00e3o Europeia e a ONU Habitat investem na elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de baixo carbono em oito cidades brasileiras, como Recife. \u201cH\u00e1 alta demanda por capacita\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios neste tema para caminharmos mais r\u00e1pido\u201d, lembra Cerqueira.<\/p>\n<p>A corrida tem ainda o combust\u00edvel da <a href=\"https:\/\/www.citiesclimatefinance.org\/about\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alian\u00e7a de Lideran\u00e7as em Finan\u00e7as Clim\u00e1ticas das Cidades<\/a>, coaliz\u00e3o de mais de 40 organiza\u00e7\u00f5es criada pela ONU em 2014 para acelerar o investimento em infraestrutura de baixo carbono e resiliente ao clima em cidades, com apoio \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de projetos e ao acesso a recursos.<\/p>\n<p>Mas, para Gustavo Pinheiro, coordenador do portf\u00f3lio de economia de baixo carbono do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o Pa\u00eds ainda est\u00e1 atrasado nessa agenda. \u201cO Brasil tem a tradi\u00e7\u00e3o de se engajar tardiamente nos grandes temas globais e n\u00e3o \u00e9 diferente quanto ao ISP\u201d, avalia. A organiza\u00e7\u00e3o investe em pesquisas e gera\u00e7\u00e3o de conhecimento como suporte \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias frente ao aquecimento global, basicamente por meio de doadores internacionais, mas v\u00ea um caminho ainda longo. Os alertas da ci\u00eancia n\u00e3o t\u00eam se traduzido em investimentos na mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: \u201cn\u00e3o temos a cultura da gest\u00e3o de riscos e isso se reflete nas ideias da elite brasileira e na filantropia\u201d, destaca Pinheiro.<\/p>\n<p>\u201cA agenda mais importante no curto prazo \u00e9, na verdade, do s\u00e9culo passado, ou seja, acabar com o desmatamento\u201d, completa. A esperan\u00e7a, segundo ele, est\u00e1 no exemplo de empresas inovadoras, l\u00edderes em transforma\u00e7\u00f5es no horizonte da economia de baixo carbono \u2013 \u00e1rea em que o Pa\u00eds poderia se diferenciar mundialmente em fun\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica limpa. \u201cDevemos acelerar o processo apoiando o empreendedorismo de baixo carbono, e isso deve ser feito agora, porque o tempo de retorno desses investimentos \u00e9 de 30 anos e o prazo para resultados na mitiga\u00e7\u00e3o do clima \u00e9 curto\u201d.<\/p>\n<p>______________________________________________________________________________________<\/p>\n<p><strong>O ISP como indutor de transforma\u00e7\u00f5es nas empresas mantenedoras<\/strong><\/p>\n<p>Em que medida o investimento social das funda\u00e7\u00f5es influencia mudan\u00e7as de cultura e pr\u00e1ticas de sustentabilidade nas empresas mantenedoras, ajudando a levar cuidados com a \u00e1gua e o clima ao centro das opera\u00e7\u00f5es? Dados do <a href=\"https:\/\/sinapse.gife.org.br\/download\/censo-gife-2016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Censo Gife 2016<\/a> indicam que o alinhamento \u00e9 mais frequente nos aspectos de comunica\u00e7\u00e3o, engajamento com comunidade, di\u00e1logo com poder p\u00fablico e sensibiliza\u00e7\u00e3o de colaboradores.<\/p>\n<p>No entanto, segundo a pesquisa, \u00e9 crescente a parcela de associados que se envolvem com \u00e1reas do <em>core business<\/em> das empresas e com as estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios, mesmo observando-se que demandas essenciais a transforma\u00e7\u00f5es estruturantes no cen\u00e1rio da urg\u00eancia clim\u00e1tica, por exemplo, ainda estejam pouco presentes no radar.<\/p>\n<p>Menos da metade (47%) dos institutos e funda\u00e7\u00f5es tem algum grau de envolvimento com as empresas mantenedoras em solu\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de neg\u00f3cios, incluindo o controle e mitiga\u00e7\u00e3o de externalidades. Nas institui\u00e7\u00f5es familiares, o \u00edndice cai para 5%.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, a aproxima\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas de investimento social empresarial e atua\u00e7\u00e3o global das empresas tem sido, positivamente, uma das t\u00f4nicas do setor\u201d, aponta Gustavo Bernardino, gerente de programas do Gife. O movimento passa pela premissa b\u00e1sica de que a constru\u00e7\u00e3o de impacto social e ambiental positivo tem naturalmente que olhar o arco completo de a\u00e7\u00e3o da empresa, desde as pr\u00e1ticas internas at\u00e9 as cadeias de valor. \u201cAs rela\u00e7\u00f5es com a coletividade e a mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos para supera\u00e7\u00e3o de seus problemas s\u00e3o apenas uma parte desse conjunto, no qual as empresas tamb\u00e9m est\u00e3o inseridas\u201d.<\/p>\n<p>O horizonte da economia de baixo carbono define o atual momento de transi\u00e7\u00e3o. \u201cFazemos avan\u00e7os graduais, mas claros, na dire\u00e7\u00e3o de incorporar esses imperativos \u00e0s estrat\u00e9gias corporativas por meio do desenvolvimento de pr\u00e1ticas e m\u00e9tricas\u201d, diz o gerente. Na soma de esfor\u00e7os, \u201cfrentes de investimento e responsabilidade social precisam mais que nunca de uma maior aproxima\u00e7\u00e3o, considerando o sentido contempor\u00e2neo de prop\u00f3sito nos neg\u00f3cios.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novos modelos de parceria e tecnologias de ponta d\u00e3o impulso a investimentos na agenda da \u00e1gua e clima Por S\u00e9rgio Adeodato Em 1,7 mil comunidades rurais do Cear\u00e1, sistemas de abastecimento de \u00e1gua constru\u00eddos com recurso p\u00fablico estariam condenados a virar sucata por falta de manuten\u00e7\u00e3o, como \u00e9 comum no Sert\u00e3o nordestino, n\u00e3o fosse uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2880,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2070],"tags":[2154,598,2082,2192,2153,2142,2151,2149,2189,2144,2105,2152,2098,673,393,2187,2094,2150,2141,2086,2087,2145,2147,2148,2188,764,2190,2191,2093,269,1774,1912,2146,2143],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - 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