{"id":2851,"date":"2019-08-16T17:59:38","date_gmt":"2019-08-16T20:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=2851"},"modified":"2022-02-22T08:18:16","modified_gmt":"2022-02-22T11:18:16","slug":"recursos-privados-para-bens-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/","title":{"rendered":"Recursos privados para bens p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<p><em>Ao mesmo tempo em que aumentam as expectativas para uma contribui\u00e7\u00e3o mais forte nas agendas de clima, \u00e1gua e energia renov\u00e1vel, o Investimento Social Privado no Pa\u00eds enfrenta novos desafios, como ganhar mais <\/em><em>transpar\u00eancia, relev\u00e2ncia e escala<\/em><\/p>\n<p><em>Por Am\u00e1lia Safatle<\/em><\/p>\n<p>A impressionante cena do <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/globo-news\/globo-news-em-pauta\/videos\/v\/jorge-pontual-11-bi-de-toneladas-de-gelo-derreteram-em-um-dia-na-groenlandia\/7815187\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">derretimento de 11 bilh\u00f5es de toneladas de gelo do \u00c1rtico em um s\u00f3 dia<\/a>\u00a0n\u00e3o deixa \u2013 ou n\u00e3o deveria deixar \u2013 d\u00favidas de que a crise clim\u00e1tica est\u00e1 definitivamente instaurada, indicando o fim do mundo tal qual o conhecemos.<\/p>\n<p>A Terra, com febre, registrou as temperaturas mais altas dos \u00faltimos dois mil anos, enquanto a emiss\u00e3o de gases-estufa bateu o recorde, atingindo em 2018 a concentra\u00e7\u00e3o de 407,4 partes por milh\u00e3o, segundo a Sociedade Americana de Metereologia. Estudo publicado na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-019-0531-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Nature Climate Change<\/em><\/a> mostra que o n\u00edvel do mar est\u00e1 se elevando mais do que se previa e pode chegar a um metro neste s\u00e9culo, arrasando cidades costeiras e pa\u00edses-ilha em todo o mundo. A partir de agora, passamos a navegar em um caminho desconhecido, mais arriscado e perigoso.<\/p>\n<p>Tida como a m\u00e3e de todas as crises, a clim\u00e1tica, se n\u00e3o for mitigada, trar\u00e1 preju\u00edzos mais intensos para tudo aquilo de que nossa vida depende. Oferta de \u00e1gua e de energia, produ\u00e7\u00e3o de alimentos, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, bem-estar, o funcionamento da economia e da sociedade como um todo.<\/p>\n<p>N\u00e3o param de sair c\u00e1lculos sobre as decorrentes perdas para a economia. S\u00f3 com desastres causados pelos <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eventos extremos<\/a>, os Estados Unidos perderam 2% do PIB nos \u00faltimos dois anos. Caso a temperatura suba 1,5 grau at\u00e9 2030 \u2013 proje\u00e7\u00e3o mais otimista de todas \u2013, US$ 2,4 trilh\u00f5es dever\u00e3o \u201cevaporar\u201d apenas com a perda de produtividade causada no mundo pelo estresse t\u00e9rmico. O preju\u00edzo econ\u00f4mico \u00e9 estimado pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, no estudo <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/global\/publications\/books\/WCMS_711919\/lang--en\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Working on a Warmer Planet<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>No Brasil, onde ainda persiste o <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mito da abund\u00e2ncia de \u00e1gua<\/a>, \u00e9 preciso relembrar que, embora o Pa\u00eds detenha 12% da \u00e1gua doce do mundo, a maior parte est\u00e1 longe dos grandes centros consumidores. A Regi\u00e3o Norte, com 45% da \u00e1gua, abriga somente 5% da popula\u00e7\u00e3o, enquanto as regi\u00f5es pr\u00f3ximas ao Oceano Atl\u00e2ntico, com 45% da popula\u00e7\u00e3o, det\u00eam menos de 3% dos recursos h\u00eddricos, segundo a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA). Al\u00e9m das secas recorrentes no Semi\u00e1rido nordestino, o Sudeste vive no limiar da oferta de \u00e1gua, depois de ter experimentado, em 2015, o risco iminente de colapso, inclusive na maior cidade brasileira.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2019\/08\/06\/grandes-cidades-brasileiras-estao-no-mapa-do-alto-risco-hidrico-indica-estudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Recente estudo<\/a> do World Resources Institute coloca grandes cidades brasileiras no mapa do alto risco de falta d\u2019\u00e1gua: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bras\u00edlia, Fortaleza, Recife, Vit\u00f3ria e Campinas, al\u00e9m da Regi\u00e3o Nordeste e de pontos no Planalto Central.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fator clim\u00e1tico, o desmatamento, a contamina\u00e7\u00e3o, o mau uso e o <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desperd\u00edcio<\/a> explicam o <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estresse h\u00eddrico<\/a> sob o qual vivem milh\u00f5es de brasileiros. S\u00e3o 35 milh\u00f5es de pessoas, ou 17% da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o acessam \u00e1gua tratada. A falta de saneamento impacta diretamente na qualidade de \u00e1gua. De quase metade da popula\u00e7\u00e3o (47,6%) que n\u00e3o possui a coleta de esgoto, uma parte vive com esgoto a c\u00e9u aberto e outra com fossas s\u00e9pticas \u2013 \u00e9 um tipo de solu\u00e7\u00e3o, mas a maioria \u00e9 feita de forma equivocada e contamina o len\u00e7ol fre\u00e1tico da \u00e1gua que, por vezes, a pr\u00f3pria pessoa est\u00e1 consumindo.<\/p>\n<p>Segundo o Plano Nacional de Saneamento (Plansab), o custo para universalizar o acesso aos quatro servi\u00e7os do saneamento (\u00e1gua, esgotos, res\u00edduos e drenagem) \u00e9 de R$ 508 bilh\u00f5es, no per\u00edodo de 2014 a 2033. Para universaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e dos esgotos, esse custo ser\u00e1 de R$ 303 bilh\u00f5es em 20 anos.<\/p>\n<p>Seja na \u00e1gua, seja no clima, seja no desenvolvimento de fontes renov\u00e1veis, os desafios s\u00e3o t\u00e3o imensos que o setor p\u00fablico, em pa\u00eds nenhum, conseguiria enfrentar sozinho. Ser\u00e1 preciso somar esfor\u00e7os e investimentos das empresas. A\u00ed que entra a contribui\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Investimento Social Privado (ISP)<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Mas o que \u00e9 Investimento Social Privado e para que serve?<\/strong><\/p>\n<p>ISP \u00e9 o repasse volunt\u00e1rio de recursos privados, de forma planejada, monitorada e sistem\u00e1tica, para projetos sociais, ambientais, cient\u00edficos e culturais de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o difundida pelo Grupo de Institutos, Funda\u00e7\u00f5es e Empresas (Gife), associa\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia do tema no Brasil, que re\u00fane 141 membros, entre empresas, fam\u00edlias, organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e independentes. Juntos, investiram R$ 2,9 bilh\u00f5es em 2016, por meio de projetos pr\u00f3prios ou viabilizando os de terceiros.<\/p>\n<p>\u201cO ISP investe um recurso privado na sociedade, com a finalidade de provocar um bem p\u00fablico\u201d, diz Andr\u00e9a Wolffenb\u00fcttel, diretora de comunica\u00e7\u00e3o do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), que \u00e9 mais uma refer\u00eancia nesse assunto. Com isso, o ISP se diferencia da Responsabilidade Social Empresarial (RSE), que, segundo ela, \u00e9 focada na empresa em si. Ou seja, busca sanar problemas provocados pela pr\u00f3pria atividade empresarial, ou promover melhores condi\u00e7\u00f5es para seu funcionamento, ao formar sua m\u00e3o de obra, reduzir seu impacto ambiental, melhorar as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos empregados, educar os consumidores etc.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 o ISP tem uma vis\u00e3o mais ampla, entende a empresa como cidad\u00e3, que investe recursos para melhorar a sociedade como um todo. \u00c9 o caso do Parceiros da Educa\u00e7\u00e3o, projeto no qual empresas adotam a gest\u00e3o de uma escola para melhorar os resultados, sem que isso tenha rela\u00e7\u00e3o alguma com o seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio\u201d, exemplifica a diretora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2924\" aria-describedby=\"caption-attachment-2924\" style=\"width: 774px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/slide-idis-2\/\" rel=\"attachment wp-att-2924\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2924\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/slide-Idis-1.png\" alt=\"\" width=\"774\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/slide-Idis-1.png 774w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/slide-Idis-1-300x136.png 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/slide-Idis-1-768x349.png 768w\" sizes=\"(max-width: 774px) 100vw, 774px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2924\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Idis<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO ISP tamb\u00e9m busca se diferenciar da filantropia ao trazer um componente mais estrat\u00e9gico, duradouro e cont\u00ednuo, descolando-se do vi\u00e9s de assistencialismo e caridade\u201d, explica F\u00e1bio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin e conselheiro do Gife (<em>assista \u00e0 entrevista em v\u00eddeo no <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/entrevista-em-video-visao-de-um-investidor-social-privado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Drops<\/a><\/em>). \u00c9 tamb\u00e9m autor do livro <em>Impacto na<\/em> <em>Encruzilhada \u2013 Inova\u00e7\u00e3o social, neg\u00f3cios de impacto e investimento social privado: caminhos e descaminhos<\/em>.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de maior investimento social privado \u00e9, disparado, educa\u00e7\u00e3o, envolvendo 84% dos associados, segundo o <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Censo Gife<\/a> (<em>ver gr\u00e1fico a seguir<\/em>). Meio ambiente, que engloba assuntos como \u00e1gua, clima e energia renov\u00e1vel, entre outros, est\u00e1 em sexto lugar, com 47%. Wolffenb\u00fcttel ainda observa que o volume de recursos \u00e9 muito menor. \u201cIsso evidencia que h\u00e1 um grande desafio na quest\u00e3o ambiental. Os investidores sociais acreditam que resolvendo a educa\u00e7\u00e3o voc\u00ea resolve os outros problemas. Entretanto, se n\u00e3o houver investimentos tamb\u00e9m em temas transversais como o da mudan\u00e7a do clima, n\u00e3o adianta investir em educa\u00e7\u00e3o, porque as pessoas n\u00e3o ter\u00e3o os recursos naturais e condi\u00e7\u00f5es elementares para viverem\u201d, afirma a executiva do Idis.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/grafico-gife-2\/\" rel=\"attachment wp-att-2921\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3744 size-full\" src=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/grafico-Gife.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"831\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/grafico-Gife.jpg 530w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/grafico-Gife-191x300.jpg 191w\" sizes=\"(max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O volume de recursos para temas ambientais e para adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima tem sido t\u00edmido, especialmente se comparado com a urg\u00eancia, a magnitude e a abrang\u00eancia do problema. \u201cS\u00e3o altera\u00e7\u00f5es ambientais t\u00e3o grandes que v\u00e3o mexer profundamente nos neg\u00f3cios nos pr\u00f3ximos anos\u201d, diz Mariana Nicolletti, coordenadora do programa de Iniciativas Empresariais do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGVces) e especialista em adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em sua avalia\u00e7\u00e3o, as empresas, de forma geral, ainda atuam em um n\u00edvel de adapta\u00e7\u00e3o superficial, sem considerar impactos mais profundos, como mudan\u00e7as de comportamento, nos h\u00e1bitos de consumo, al\u00e9m de migra\u00e7\u00f5es populacionais, alterando a din\u00e2mica demogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Maria Cec\u00edlia (Ci\u00e7a) Wey de Brito, respons\u00e1vel por rela\u00e7\u00f5es institucionais e pela coordena\u00e7\u00e3o de projetos no Instituto Ekos Brasil, h\u00e1 uma tend\u00eancia no mundo dos neg\u00f3cios, pelo menos no Brasil, de se fazer apenas o que est\u00e1 dentro dos limites da obriga\u00e7\u00e3o quando o assunto diz respeito \u00e0 \u00e1rea ambiental. \u201cEssa \u00e9 uma lacuna que precisa ser trabalhada para haver ades\u00e3o no combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirma. \u201cSe fizessem um pouquinho al\u00e9m da obriga\u00e7\u00e3o, ajudariam a causa e ao mesmo tempo trariam mais valor agregado ao pr\u00f3prio neg\u00f3cio.\u201d<\/p>\n<p>O Instituto Ekos atua como uma plataforma para empresas interessadas em apoiar projetos socioambientais e fomentar uma economia de baixo carbono, compensando, juntas, suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Nasceu de uma parceria institucional entre Natura e Banco Ita\u00fa, aos quais se juntaram mais recentemente a B3 e as Lojas Renner.<\/p>\n<p>Para Ci\u00e7a Wey, a iniciativa do Gife de estimular a introdu\u00e7\u00e3o do tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no mundo do ISP deve pavimentar um caminho importante para organiza\u00e7\u00f5es como o Instituto Ekos, que j\u00e1 trabalham em parceria (<em>mais sobre <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/articulacao-e-redes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">articula\u00e7\u00e3o e redes<\/a><\/em>). \u201cQuando visitamos potenciais parceiros e falamos sobre a import\u00e2ncia de se medir a pegada de carbono ou de fazer compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, parece que estamos apenas tentando fazer uma venda da nossa agenda [e n\u00e3o trabalhando em prol do combate \u00e0 mudan\u00e7a do clima]. Mas, se isso for feito antecipadamente por uma organiza\u00e7\u00e3o que tem esse papel, o nosso caminho ficar\u00e1 mais f\u00e1cil de ser trilhado\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cO ISP \u00e9 um vetor, um <em>player<\/em> importante em termos de mudan\u00e7a de cultura e de provoca\u00e7\u00e3o [para as pr\u00f3prias empresas]\u201d, entende Wolffenb\u00fcttel. Para ela, as grandes empresas, principalmente com sede em outros pa\u00edses \u2013 e, portanto, convivendo com uma regula\u00e7\u00e3o mais atenta \u2013 j\u00e1 entenderam isso, est\u00e3o fazendo suas mudan\u00e7as e incorporando-as ao <em>core business<\/em>, e n\u00e3o s\u00f3 nas suas \u00e1reas de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) ou de Sustentabilidade. \u201cO desafio, agora, \u00e9 escalar para suas cadeias produtivas e trazer empresas de setores que t\u00eam responsabilidade grande nas emiss\u00f5es, como o de transporte, o segundo maior poluidor no Brasil, segundo o Seeg [Sistema de Estimativa de Gases de Efeito Estufa].\u201d<\/p>\n<p>Um norte capaz de alinhar os esfor\u00e7os do setor privado em torno das quest\u00f5es ambientais como \u00e1gua, clima e energia renov\u00e1vel \u00e9 aderir a uma agenda global que j\u00e1 est\u00e1 pronta e detalhada em objetivos e metas: a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agenda 2030<\/a>. \u201cN\u00f3s temos que nos alinhar e remar todos no mesmo sentido\u201d, prop\u00f5e Wolffenb\u00fcttel.<\/p>\n<p>Glaucia Barros, diretora program\u00e1tica da Funda\u00e7\u00e3o Avina, tamb\u00e9m entende o ISP como um est\u00edmulo \u00e0 remodelagem das pr\u00e1ticas empresariais nos diferentes n\u00edveis, de pequenos a grandes neg\u00f3cios, buscando uma melhor adequa\u00e7\u00e3o aos <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS)<\/a>. O alinhamento aos ODS pode ajudar na concerta\u00e7\u00e3o de atores e agendas, de forma que olhem os mesmos indicadores para promover solu\u00e7\u00f5es mais efetivas e inteligentes \u2013 o que exige abordagens inovadoras (<em>mais sobre <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/como-fazer-diferente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inova\u00e7\u00e3o<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>Para isso, tamb\u00e9m ser\u00e1 preciso olhar para dentro. \u201cH\u00e1 varias organiza\u00e7\u00f5es importantes atuando, como Pacto Global e Ethos, mas isso \u00e9 insuficiente para o tamanho do desafio que temos. Como a atividade empresarial contribui, por exemplo, para o cumprimento da <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NDC<\/a> brasileira [contribui\u00e7\u00e3o nacional para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es]? Que mudan\u00e7as as empresas est\u00e3o fazendo em seus processos internos e em toda a sua cadeia, para que possamos ter uma perspectiva de desenvolvimento sustent\u00e1vel?\u201d, questiona Barros.<\/p>\n<p><strong>O passo que falta<\/strong><\/p>\n<p>Dados n\u00e3o faltam: a comunidade cient\u00edfica, a academia e at\u00e9 mesmo as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil t\u00eam sido pr\u00f3digas em gerar e divulgar conhecimento sobre os grandes problemas ambientais, al\u00e9m de apresentar caminhos e solu\u00e7\u00f5es. Todo esse manancial de informa\u00e7\u00f5es est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o dos gestores das empresas no Brasil, mas como convenc\u00ea-los a transformar isso em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Para Guilherme Checco, pesquisador do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), grande parte das empresas j\u00e1 est\u00e1 devidamente informada sobre as quest\u00f5es ambientais, mas at\u00e9 o momento poucas assimilaram de fato essas informa\u00e7\u00f5es e as trouxeram para o seu neg\u00f3cio. Ele cita como exemplo o setor do saneamento b\u00e1sico. \u201cAinda que sejam bem informados e instru\u00eddos, os gestores na maioria das empresas de saneamento no Brasil ainda operam levando em conta apenas o hist\u00f3rico de chuvas que foi registrado\u201d. As novas proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a quest\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o de mananciais, por exemplo, est\u00e3o longe de seus radares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de informar as mentes, ser\u00e1 preciso engajar os cora\u00e7\u00f5es, falando direto ao <em>core business<\/em> das empresas. Isso vai requerer a constru\u00e7\u00e3o de outras narrativas, que nem a ci\u00eancia nem os socioambientalistas parecem dominar hoje. Nicolletti, do FGVces, aposta no uso do termo \u201credu\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades\u201d, uma linguagem mais assimil\u00e1vel no meio empresarial. \u201c\u00c9 por esse caminho que faz sentido pensar o Investimento Social Privado\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ou seja, embora o ISP vise a gera\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos, quando estes impactam positivamente os neg\u00f3cios do investidor o engajamento tende a ocorrer mais facilmente. Isso porque os danos ambientais podem ser diretos, como a interrup\u00e7\u00e3o no fornecimento de \u00e1gua de uma planta industrial, at\u00e9 indiretos, como jur\u00eddicos e de reputa\u00e7\u00e3o. Na quest\u00e3o da energia renov\u00e1vel, as a\u00e7\u00f5es em geral levam o carimbo de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, mas o setor privado percebe tamb\u00e9m que isso reduz risco porque diversifica suas fontes de energia (<em>mais sobre <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/energia-renovavel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">energia renov\u00e1vel<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>Outro caminho para estimular a ades\u00e3o do investimento privado em quest\u00f5es ambientais, segundo Nicolletti, \u00e9 trabalhar com o que se chama de \u201cconverg\u00eancias de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, teoria que pesquisou em sua tese de doutorado e se aplica tamb\u00e9m ao setor privado.<\/p>\n<p><em>Grosso modo<\/em>, significa utilizar a for\u00e7a de outras agendas bastante consolidadas, que j\u00e1 possuem aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e o engajamento de diversos atores, inclusive do setor privado, para aplicar nas quest\u00f5es ambientais. \u00c9 o caso das agendas de sa\u00fade e bem-estar, por exemplo, que trazem um maior apelo quando se fala em adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p>Segundo ela, na hora em que as empresas teorizam os riscos e as oportunidades e chegam \u00e0 pr\u00e1tica, s\u00e3o levadas a a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 tinham sido planejadas, ou est\u00e3o sendo implementadas, mas partindo de outras lentes. S\u00e3o medidas que t\u00eam a ver com sa\u00fade e seguran\u00e7a, sa\u00fade do trabalhador, Recursos Humanos, e efici\u00eancia no uso de recursos h\u00eddricos. Com isso, basta convergir os esfor\u00e7os j\u00e1 existentes, em vez de lan\u00e7ar outras agendas.<\/p>\n<p><strong>Novo enquadramento<\/strong><\/p>\n<p><em>Reframing climate<\/em> \u2013 dar um outro enfoque para o tema da mudan\u00e7a do clima \u2013 \u00e9 a express\u00e3o que Renata Piazzon, gerente executiva do Programa Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do Instituto Arapya\u00fa, usa ao defender a necessidade de se adotar novas narrativas sobre clima, \u00e1gua e energia. Para ela, \u00e9 preciso rechear o discurso com dados de economia, emprego, gera\u00e7\u00e3o de renda. \u201cEstamos falhando na comunica\u00e7\u00e3o e precisamos entender como fazer de forma diferente\u201d, diz (<em>mais sobre <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/o-desafio-de-conquistar-coracoes-e-mentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dissemina\u00e7\u00e3o e engajamento<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o apoia projetos como o MapBiomas, plataforma gratuita que re\u00fane imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o sobre uso da terra. O Brasil \u00e9 o s\u00e9timo maior emissor de gases de efeito estufa e quase metade das emiss\u00f5es (44%) prov\u00e9m da mudan\u00e7a no uso da terra. Em apenas seis meses, o projeto validou 4.577 alertas de desmatamento em todo o Pa\u00eds. Tamb\u00e9m apoia a Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial formado por entidades do agroneg\u00f3cio, ind\u00fastria, academia e ONGs em defesa da agricultura sustent\u00e1vel e do cumprimento das metas clim\u00e1ticas brasileiras.<\/p>\n<p>O instituto, que tamb\u00e9m atua como um articulador entre essas organiza\u00e7\u00f5es e outras presentes na Amaz\u00f4nia, como Ipam e Imazon, est\u00e1 em uma busca ativa de atores-chave do setor privado para integrar e \u201caumentar a ambi\u00e7\u00e3o\u201d dessa agenda. Para identificar novas empresas, o instituto conta com o mapeamento de <em>stakeholders<\/em> da consultoria Tree Intelligence, que usa ferramentas como Big Data e Intelig\u00eancia Artificial.<\/p>\n<p>O grande desafio, como dizem os pr\u00f3prios socioambientalistas, \u00e9 \u201csair do gueto\u201d, ou seja, despertar o interesse da sociedade em geral, popularizando o tema. Os momentos cr\u00edticos ajudam, ao menos, a dar um empurr\u00e3o nesse sentido. \u201cA gente viveu e vive crises h\u00eddricas, dificuldades de abastecimento, conflitos pela \u00e1gua. Isto, de certo modo, mexeu no cora\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio brasileiro, mas ainda de maneira t\u00edmida. Tocou o cora\u00e7\u00e3o de alguns, mas n\u00e3o de toda a ind\u00fastria\u201d, avalia Checco, do IDS.<\/p>\n<p>O instituto chegou a fazer um <a href=\"http:\/\/www.idsbrasil.org\/multimidia\/90\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">evento<\/a>, em 2016, com o tema \u201cSaindo do gueto ambientalista: o desafio de mobilizar as pessoas para a sustentabilidade\u201d, reunindo personalidades como o cineasta Fernando Meirelles e o especialista em identidade de marca Ricardo Guimar\u00e3es, da Thymus Branding (<em>mais no <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/dicionario-dicas-de-leitura-e-videos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ba\u00fa<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>Checco d\u00e1 um exemplo. O IDS h\u00e1 tr\u00eas anos se aprofunda na quest\u00e3o das tarifas de \u00e1gua e esgoto, um assunto complexo, com c\u00e1lculos e interesses em jogo. Enquanto isso, as pessoas mal sabem o que s\u00e3o essas tarifas. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o nas cidades mora em pr\u00e9dio e nem sequer recebe esta conta no final do m\u00eas, pois ela vem embutida no condom\u00ednio. Segundo ele, embora a \u00e1gua seja elementar \u00e0 vida e esteja em tudo o que se consome, no dia a dia passa despercebida. Mais que informar, o desafio est\u00e1 em traduzir as informa\u00e7\u00f5es e criar narrativas envolventes.<\/p>\n<p>\u201cO terceiro setor descobriu as campanhas de comunica\u00e7\u00e3o, mas se n\u00e3o se dedicar a manter o engajamento, morre na praia, dispersa recursos valiosos, n\u00e3o s\u00f3 financeiros, mas de credibilidade\u201d, diz Barros, da Avina. \u201cA comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 carro-chefe nas estrat\u00e9gias. Como convencer o cidad\u00e3o de que a falta d\u2019\u00e1gua na torneira tem a ver com o desmatamento na Amaz\u00f4nia?\u201d<\/p>\n<p><strong>Desafios do ISP em si<\/strong><\/p>\n<p>Fora os desafios na agenda ambiental, o ISP precisa lidar com mudan\u00e7as no contexto de sua pr\u00f3pria atua\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma cobran\u00e7a, da sociedade em geral, por mais transpar\u00eancia, maior relev\u00e2ncia e maior escala. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Deboni, do Instituto Sabin.<\/p>\n<p>Para ele, todo o fen\u00f4meno da internet e das redes sociais faz com que o cidad\u00e3o e o consumidor, tendo mais acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, alimente mais expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es com as quais se relacionam. \u201cN\u00e3o d\u00e1 mais para eu criar um instituto que fa\u00e7a um projetinho pontual para atender 20 jovens do lado da planta industrial da empresa. As pessoas esperam mais das marcas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo Deboni, novas ferramentas e formas de atuar, como os <a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/ed-109\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">investimentos de impacto<\/a>, elevam o grau de complexidade do ISP, exigindo projetos mais elaborados e inovadores. O uso da tecnologia, a seu ver, ser\u00e1 um elemento-chave para que o ISP ganhe escala e alcance parcelas maiores da sociedade. Para isso, ele v\u00ea dois caminhos: um via mercado, por meio de investimentos de impacto, e outro via governo, com o ISP atuando junto a pol\u00edticas p\u00fablicas. Quanto mais alta a esfera governamental, maior o alcance, ou seja, para se obter maior escala, ser\u00e1 preciso falar n\u00e3o apenas com prefeituras e poderes locais, mas atuar junto a minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Os investidores sociais, no entanto, encontram um desafio pr\u00e1tico ao buscar a escala. \u201cSe eu for para o caminho da politica p\u00fablica, naturalmente perco o controle sobre o meu projeto, pois tenho que me relacionar com o Estado, que possui muitas nuances e inst\u00e2ncias\u201d, diz Deboni. S\u00f3 que a grande maioria dos institutos corporativos trabalha em uma l\u00f3gica de or\u00e7amentos anuais. Ent\u00e3o se voc\u00ea perde o controle sobre o projeto no m\u00e9dio e longo prazo, n\u00e3o consegue, no final do ano, entregar um resultado de curto prazo que justifique a sua continuidade de or\u00e7amento, de equipe, de agenda etc.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um baita desafio: como gerar entregas de curto prazo sem se perder nelas e, ao mesmo tempo, construir uma agenda de m\u00e9dio e longo prazo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 escala\u201d (<em>mais sobre <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/o-valor-das-causas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>escala e inclus\u00e3o<\/strong><\/a><\/em>).<\/p>\n<p>Andrea Wolffenb\u00fcttel, do Idis, adiciona um desafio que \u00e9 a pr\u00f3pria sustentabilidade financeira dos projetos. Como o ISP tem um olhar mais estrat\u00e9gico e n\u00e3o pontual, precisa atuar de uma forma que a agenda permane\u00e7a e continue gerando frutos para a sociedade. Mas como conseguir recursos de forma permanente? \u201cOu se escala para o governo, ou se encontra formas de o projeto conseguir sustentabilidade financeira [como gerar rendas que s\u00e3o reinvestidas]\u201d. No contexto de limita\u00e7\u00e3o de recursos, ditado pela recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que ainda n\u00e3o veio, esse \u00e9 um desafio dos mais cruciais. (<em>Colaboraram: Andrea Vialli e Magali Cabral<\/em>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao mesmo tempo em que aumentam as expectativas para uma contribui\u00e7\u00e3o mais forte nas agendas de clima, \u00e1gua e energia renov\u00e1vel, o Investimento Social Privado no Pa\u00eds enfrenta novos desafios, como ganhar mais transpar\u00eancia, relev\u00e2ncia e escala Por Am\u00e1lia Safatle A impressionante cena do derretimento de 11 bilh\u00f5es de toneladas de gelo do \u00c1rtico em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2881,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2075],"tags":[2177,598,43,2100,2102,615,1781,2097,2116,2101,162,2114,2105,2098,2106,2108,2099,2107,2110,2103,2104,2086,2087,2079,660,764,852,658,2111,2115,2109,647,269,828,821],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Recursos privados para bens p\u00fablicos<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Ao mesmo tempo em que aumentam as expectativas para uma contribui\u00e7\u00e3o mais forte nas agendas de clima, \u00e1gua e energia renov\u00e1vel, o Investimento Social Privado no Pa\u00eds enfrenta novos desafios, como ganhar mais transpar\u00eancia, relev\u00e2ncia e escala Por Am\u00e1lia Safatle A impressionante cena do derretimento de 11 bilh\u00f5es de toneladas de gelo do \u00c1rtico em&hellip;\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Recursos privados para bens p\u00fablicos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ao mesmo tempo em que aumentam as expectativas para uma contribui\u00e7\u00e3o mais forte nas agendas de clima, \u00e1gua e energia renov\u00e1vel, o Investimento Social Privado no Pa\u00eds enfrenta novos desafios, como ganhar mais transpar\u00eancia, relev\u00e2ncia e escala Por Am\u00e1lia Safatle A impressionante cena do derretimento de 11 bilh\u00f5es de toneladas de gelo do \u00c1rtico em&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"P22_ON\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/p22on\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-08-16T20:59:38+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-02-22T11:18:16+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/chang-duong-ZshVGzJ6a_s-unsplash-1024x683.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"683\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@p22on\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"P\u00e1gina22\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/\",\"url\":\"https:\/\/www.p22on.com.br\/2019\/08\/16\/recursos-privados-para-bens-publicos\/\",\"name\":\"Recursos privados para bens p\u00fablicos - 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