{"id":3003,"date":"2020-10-24T12:49:39","date_gmt":"2020-10-24T15:49:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=3003"},"modified":"2020-10-28T21:38:27","modified_gmt":"2020-10-29T00:38:27","slug":"pistas-de-uma-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/pistas-de-uma-transformacao\/","title":{"rendered":"Pistas de uma transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Investidores, consumidores e empresas d\u00e3o sinais de que as mudan\u00e7as sist\u00eamicas rumo \u00e0 sustentabilidade est\u00e3o em curso. O desafio ainda \u00e9 dar escala e celeridade a este movimento<\/em><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Por Andrea Vialli<\/h5>\n\n\n\n<p>Foto: Egor Vikhrev\/ Unsplash<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Marcado pela pandemia da Covid-19, o ano de 2020 frustrou tentativas de planejamento por parte de empresas e organiza\u00e7\u00f5es. Entre demiss\u00f5es e home office, a preocupa\u00e7\u00e3o com a sobreviv\u00eancia ocupou cora\u00e7\u00f5es e mentes, especialmente nos meses mais delicados da quarentena e do isolamento social. Ao mesmo tempo, pesquisas diversas captaram o aumento do questionamento, entre os cidad\u00e3os, sobre seu papel no mundo, as rela\u00e7\u00f5es familiares, suas escolhas de consumo e o impacto da presen\u00e7a humana no planeta. <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda paira a d\u00favida se a pandemia transformar\u00e1 de fato comportamentos humanos e se isso se refletir\u00e1 em mudan\u00e7as sist\u00eamicas rumo \u00e0 maior transpar\u00eancia nas informa\u00e7\u00f5es que chegam aos cidad\u00e3os e a padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1veis por parte das companhias. Mas h\u00e1 pistas que apontam para uma transforma\u00e7\u00e3o em curso, seja no campo dos investimentos, seja do consumo, seja nas estrat\u00e9gias empresariais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos investimentos, este foi o ano em que mais se falou em <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\">ESG<\/a><\/strong> no Pa\u00eds, mesmo o conceito tendo sido lan\u00e7ado oficialmente h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, com a cria\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de Sustentabilidade Empresarial (<strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">ISE<\/a><\/strong>), em 2005.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No consumo, uma sondagem da consultoria Accenture com 3 mil consumidores em 15 pa\u00edses, lan\u00e7ada em maio, mostrou que 64% dos entrevistados afirmaram estar mais focados na redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos e que manter\u00e3o esse comportamento no p\u00f3s-pandemia. Do total, 45% afirmaram fazer escolhas sustent\u00e1veis em suas compras e que tamb\u00e9m manter\u00e3o esse comportamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas estrat\u00e9gias empresariais, h\u00e1 exemplos vindo tanto de pequenas empresas, cada vez mais atentas \u00e0s demandas do consumidor por sustentabilidade, quanto de conglomerados ligados \u00e0 cadeia da carne bovina, que avan\u00e7aram em compromissos para aumentar a rastreabilidade de fornecedores indiretos e dar <strong><em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">disclosure<\/a><\/em><\/strong> dessas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEstamos vivenciando outro padr\u00e3o de consumo e de comportamento, com a r\u00e9gua mais alta. Tenho participado de muitas conversas sobre ESG, e vejo entrar no mercado um investidor que acha relevante tudo isso de que estamos falando. A gera\u00e7\u00e3o atual quer saber de onde vem a carne, se causa desmatamento, se o alimento tem muito s\u00f3dio\u201d, diz F\u00e1bio Colletti Barbosa, s\u00f3cio da G\u00e1vea Investimentos e membro do conselho de grandes empresas, como Natura, Ita\u00fa Unibanco e Hering.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como ex-presidente do Banco Real, depois adquirido pelo grupo espanhol Santander, Barbosa teve papel relevante em trazer inova\u00e7\u00f5es em sustentabilidade para o setor banc\u00e1rio \u2013 como o Fundo Ethical, de 2001, primeiro fundo de investimentos com tem\u00e1tica ESG lan\u00e7ado por um banco privado; e a ado\u00e7\u00e3o de an\u00e1lise de risco socioambiental na concess\u00e3o de cr\u00e9dito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>webinar<\/em> sobre crit\u00e9rios ESG e risco financeiro realizado pelo escrit\u00f3rio Veirano Advogados, de S\u00e3o Paulo, Barbosa relembrou casos emblem\u00e1ticos dos prim\u00f3rdios do ESG no Brasil. Primeiramente, o banco come\u00e7ou a restringir cr\u00e9dito para empresas que n\u00e3o tinham boas pr\u00e1ticas, como uma madeireira no Paran\u00e1 que estava desmatando a Mata Atl\u00e2ntica al\u00e9m do permitido. No segundo momento, conta o executivo, a ideia era agir de forma mais educativa, ajudando as empresas a se adequarem a novos padr\u00f5es. \u201cOutro caso foi de uma empresa do Cear\u00e1 que estava praticando pesca predat\u00f3ria do camar\u00e3o. Em vez de cortar o cr\u00e9dito da empresa, o banco financiou a contrata\u00e7\u00e3o de um ocean\u00f3grafo que ensinou a empresa a trabalhar de forma sustent\u00e1vel\u201d, diz Barbosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com essas pr\u00e1ticas, foram surgindo clientes que perceberam que a ent\u00e3o chamada responsabilidade socioambiental poderia ser um diferencial competitivo na hora de pedir um empr\u00e9stimo. \u201cQuando uma empresa que produzia madeira certificada no Par\u00e1 procurou o banco para fazer neg\u00f3cios, descobrimos que havia um nicho a ser explorado\u201d, acrescenta o ex-presidente do Banco Real.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamado de \u201cbanqueiro verde\u201d e \u201cabra\u00e7ador de \u00e1rvores\u201d, Barbosa e suas equipes acabaram antecipando tend\u00eancias que chegariam, enfim, a ser postuladas pelo regulador. No in\u00edcio de setembro, o Banco Central do Brasil anunciou que as institui\u00e7\u00f5es financeiras ter\u00e3o de reportar seus riscos e oportunidades associados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos moldes da For\u00e7a-Tarefa sobre Divulga\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas ao Clima (<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\">TCFD<\/a><\/strong> na sigla em ingl\u00eas), e lan\u00e7ar\u00e1 uma consulta p\u00fablica sobre o tema no ano que vem, com ado\u00e7\u00e3o mandat\u00f3ria a partir de 2022.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O Bacen tamb\u00e9m prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de cadastro positivo verde para direcionar o cr\u00e9dito rural para pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis no campo. A ideia \u00e9 tanto refor\u00e7ar o veto a produtores em desconformidade ambiental quanto premiar aqueles que possuem ou querem adotar pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis. A medida deve abranger todo tipo de cr\u00e9dito rural (custeio e investimento), um mercado anual da ordem de mais de R$ 200 bilh\u00f5es em mais de 2 milh\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201ctsunami\u201d ESG que est\u00e1 varrendo o universo dos neg\u00f3cios hoje \u00e9 resultado n\u00e3o apenas da pandemia, mas de um processo que j\u00e1 vinha norteando os investidores mundo afora, com o assunto em pauta no F\u00f3rum Econ\u00f4mico de Davos, a TCFD, as iniciativas empresariais para reduzir emiss\u00f5es e combater a mudan\u00e7a do clima, e as cartas de Larry Fink, CEO da BlackRock, aos investidores, respons\u00e1veis por ditar tend\u00eancias de mercado, com \u00eanfase na sustentabilidade. A BlackRock \u00e9 a maior gestora de investimentos do mundo, com US$ 7 trilh\u00f5es em ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, embora v\u00e1rias gestoras de ativos e bancos tenham lan\u00e7ado produtos com vi\u00e9s ESG em anos anteriores (muitos deles replicando a carteira do ISE), o tema estava restrito a um nicho. Mas a press\u00e3o global movimentou o mercado no \u00faltimo ano: muitos fundos perceberam que j\u00e1 n\u00e3o conseguiam captar recursos no exterior sem a ado\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios ESG e passaram a incluir o tema na agenda (<em>mais sobre ESG em entrevista ao fim desta reportagem<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A XP Investimentos, uma das gestoras de maior visibilidade atualmente, navega nessa dire\u00e7\u00e3o. Este ano, estruturou sua \u00e1rea de <br>\n<em>sustainable wealth<\/em> \u2013 express\u00e3o utilizada pela ind\u00fastria de fundos internacional que significa literalmente \u201criqueza sustent\u00e1vel\u201d \u2013, lan\u00e7ou seus primeiros tr\u00eas fundos de investimentos sustent\u00e1veis e pretende alocar R$ 100 milh\u00f5es em capital-semente para desenvolver essa ind\u00fastria no Pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marcela Ungaretti, analista ESG da XP, o interesse cada vez maior pelos temas sociais, ambientais e de governan\u00e7a tem transformado rapidamente a ind\u00fastria de investimentos no mundo todo e \u00e9 um ind\u00edcio do que est\u00e1 por vir no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA pandemia do coronav\u00edrus agiu como um catalisador e vemos raz\u00f5es estruturais pelas quais a participa\u00e7\u00e3o dos investimentos ESG continuar\u00e1 ganhando for\u00e7a no Brasil. Em nossa vis\u00e3o, as empresas que n\u00e3o se adaptarem a esse novo cen\u00e1rio ficar\u00e3o para tr\u00e1s\u201d, diz a analista.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O apetite do mercado por informa\u00e7\u00f5es ESG tamb\u00e9m pressiona as empresas para que fa\u00e7am o <em>disclosure<\/em> dessas informa\u00e7\u00f5es, de modo mais transparente do que o que \u00e9 habitualmente relatado nos relat\u00f3rios de sustentabilidade das companhias.<\/p>\n\n\n\n<p>O ato de consumir de forma mais sustent\u00e1vel tamb\u00e9m tende a ser um h\u00e1bito mais incorporado durante e ap\u00f3s a pandemia, como captam diferentes pesquisas de mercado. \u201cApesar de ainda n\u00e3o ser poss\u00edvel prever claramente o aumento da consci\u00eancia de consumo decorrente da pandemia, o que se observa \u00e9 uma acelera\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia do consumo consciente, que exclui excessos e prioriza o que \u00e9 essencial\u201d, diz Larissa Kuroki, coordenadora de conte\u00fados e metodologias do Akatu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O isolamento social fez ainda com que as pessoas passassem mais tempo em casa, observando de modo mais intenso o impacto do seu consumo por meio da gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, compra de alimentos, uso de energia e \u00e1gua. Isso foi positivo para o consumo consciente, pois os consumidores passaram a buscar maneiras de economizar em todos esses aspectos para n\u00e3o sofrer no final do m\u00eas com contas de \u00e1gua e luz mais altas, por exemplo \u2013 oportunidade para incentivar as pessoas a manterem tais pr\u00e1ticas para al\u00e9m da pandemia, observa Kuroki.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outras mudan\u00e7as que levariam d\u00e9cadas para ser implementadas naturalmente tiveram de ser adotadas no susto \u2013 \u00e9 o caso do <em>home office<\/em>, recha\u00e7ado por muitos empregadores, que agora s\u00e3o aderentes \u00e0 pr\u00e1tica. S\u00f3 na capital paulista, o fechamento de estabelecimentos na quarentena e a ado\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio em casa levou a uma redu\u00e7\u00e3o de 50% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa nos meses de mar\u00e7o e abril, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb).<\/p>\n\n\n\n<p>O Akatu, por meio de estudos, monitora o panorama do consumo consciente no Brasil desde 2002. A \u00faltima pesquisa, de 2018, entrevistou 1.090 pessoas de 12 regi\u00f5es do Pa\u00eds e avaliou o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados e seus h\u00e1bitos de compra, dividindo o grau de consci\u00eancia dos brasileiros em quatro perfis: indiferente, iniciante, engajado e consciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ev-tOM8X1NJbQA-unsplash-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3063\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ev-tOM8X1NJbQA-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ev-tOM8X1NJbQA-unsplash-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ev-tOM8X1NJbQA-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ev-tOM8X1NJbQA-unsplash-1440x960.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Kuroki, os percentuais de consumidores mais conscientes se mantiveram relativamente est\u00e1veis ao longo dos anos. Mas, de 2012 para 2018, houve aumento de 32% para 38% na parcela dos iniciantes: s\u00e3o aqueles consumidores que aderem a comportamentos que trazem economia clara e no curto prazo e encontram barreiras na mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, al\u00e9m de desconfiarem das informa\u00e7\u00f5es contidas nos produtos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a pesquisa, 68% dos brasileiros dizem j\u00e1 ter ouvido falar em sustentabilidade, mas as principais barreiras para a&nbsp;ado\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas pelos consumidores s\u00e3o a necessidade de esfor\u00e7o para a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos e a percep\u00e7\u00e3o de que os produtos mais sustent\u00e1veis s\u00e3o mais caros e dif\u00edceis de encontrar no com\u00e9rcio. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201c\u00c9 preciso uma mudan\u00e7a de <em>mindset<\/em> do consumidor para que este passe a acreditar que suas a\u00e7\u00f5es t\u00eam relev\u00e2ncia. Assim, qualquer mudan\u00e7a de comportamento visando menor impacto, se praticada por um grupo de pessoas, durante certo per\u00edodo de tempo, tem o potencial de causar enorme impacto positivo\u201d, diz a coordenadora de conte\u00fados e metodologias do Akatu.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O nicho dos engajados e conscientes, que somam 24% dos consumidores brasileiros, segundo o Akatu, \u00e9 o p\u00fablico-alvo de empresas atentas a esse movimento. A pequena Insecta Shoes, marca de sapatos e acess\u00f3rios veganos fundada em 2015, mira esse consumidor mais engajado, mas que tamb\u00e9m busca <em>design <\/em>e informa\u00e7\u00e3o de moda, e adota a\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia (<em>saiba mais no quadro ao fim desta reportagem<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passar de uma a\u00e7\u00e3o orientada pela gest\u00e3o do risco comercial e de reputa\u00e7\u00e3o (postura mais reativa) para uma gest\u00e3o baseada na oportunidade gerada pelas demandas do consumo sustent\u00e1vel, tornou-se o grande desafio para as empresas. Na cadeia de produ\u00e7\u00e3o da carne bovina, por exemplo, grandes frigor\u00edficos t\u00eam sido cada vez mais pressionados por investidores, redes do varejo e consumidores a adotar medidas de rastreabilidade para mapear suas cadeias de fornecimento e evitar que suas marcas estejam associadas ao desmatamento da Amaz\u00f4nia e do Cerrado e ao trabalho an\u00e1logo ao escravo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento, fruto de um <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Termo de Ajustamento de Conduta<\/a><\/strong> (TAC) assinado em 2009 entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e frigor\u00edficos que atuam na Amaz\u00f4nia Legal, permitiu avan\u00e7os no mapeamento da cadeia de fornecedores diretos pelos principais frigor\u00edficos que compram gado da regi\u00e3o \u2013 caso da Marfrig, da Minerva Foods e da JBS. Mas ainda h\u00e1 lacunas na rastreabilidade dos fornecedores indiretos, especialmente nas fazendas de cria, que produzem os bezerros, e que s\u00e3o o primeiro elo da cadeia \u2013 depois esse gado ser\u00e1 vendido para as fazendas que fazem a recria e engorda e fornecem diretamente para os frigor\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Marfrig anunciou, em julho, um conjunto de compromissos e metas, acompanhado de um plano de execu\u00e7\u00e3o, para os biomas Amaz\u00f4nia e Cerrado, em uma linha do tempo que vai at\u00e9 2030. Os compromissos est\u00e3o centrados em quatro pilares (rastreabilidade, inclus\u00e3o, desmatamento zero e transpar\u00eancia) e pressup\u00f5em um trabalho em rede, em parcerias com setor privado, academia, ONGs, governo e Minist\u00e9rio P\u00fablico, al\u00e9m de plataformas transparentes para que a sociedade possa acompanhar o ritmo de cumprimento das metas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o TAC de 2009 a empresa estruturou um modelo de georreferenciamento e monitoramento via sat\u00e9lite que permite acompanhar 26 milh\u00f5es de hectares na Amaz\u00f4nia. Agora, uma das metas \u00e9 avan\u00e7ar no monitoramento dos fornecedores indiretos, ponto cr\u00edtico da cadeia da carne. Uma das ferramentas para isso s\u00e3o os mapas de risco, que cruzam dados de vegeta\u00e7\u00e3o com os fornecedores de cria e recria, permitindo identificar as \u00e1reas mais suscet\u00edveis ao desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o fim de setembro, a empresa pretende ter o mapa de cria funcionando para os biomas Cerrado e Amaz\u00f4nia, fruto de uma parceria com a empresa Agroicone. \u201cS\u00f3 na Amaz\u00f4nia, temos 16 mil fornecedores, sendo que 3.500 est\u00e3o bloqueados por inconformidades. Queremos levar para esses bols\u00f5es de maior risco o conhecimento e o engajamento dos produtores para melhores pr\u00e1ticas\u201d, diz Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade da Marfrig.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia da Marfrig, explica o executivo, \u00e9 n\u00e3o se limitar a bloquear os fornecedores que est\u00e3o na ilegalidade, mas tamb\u00e9m promover a inclus\u00e3o desses produtores na cadeia, com assist\u00eancia t\u00e9cnica e conhecimento para que adequem sua situa\u00e7\u00e3o. Com isso, a meta da empresa \u00e9 eliminar o desmatamento ao longo de sua cadeia no bioma amaz\u00f4nico at\u00e9 2025 e estender o geomonitoramento via sat\u00e9lite para o Cerrado, de modo a alcan\u00e7ar o desmatamento zero nos dois biomas at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias de rastreabilidade dos rebanhos tamb\u00e9m \u00e9 a estrat\u00e9gia empregada pela Minerva Foods para mapear e monitorar mais de 9 mil fornecedores na Amaz\u00f4nia, espalhados por uma \u00e1rea de 9 milh\u00f5es de hectares \u2013 em 2019, 2.400 deles foram bloqueados por n\u00e3o estar em conformidade ambiental, trabalhista e fundi\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com 80% da produ\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e capital em <em>private equity<\/em> da International Finance Corporation (IFC), bra\u00e7o para investimentos privados do Banco Mundial, a companhia sente o aumento da press\u00e3o por padr\u00f5es ESG oriunda dos mercados nos \u00faltimos oito anos. \u201cDe 2012 para c\u00e1, a empresa investiu continuamente para ter o melhor sistema de monitoramento de fornecedores diretos, condi\u00e7\u00e3o exigida pelos investidores. Agora o desafio \u00e9 monitorar os indiretos com a mesma qualidade\u201d, diz Taciano Custodio, diretor de sustentabilidade da Minerva Foods.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o executivo, os tr\u00eas primeiros anos desde a assinatura do TAC foram marcados pela indisponibilidade de ferramentas para rastrear a cadeia da pecu\u00e1ria bovina na Amaz\u00f4nia, situa\u00e7\u00e3o que foi corrigida com o monitoramento do sistema\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\">Prodes<\/a><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\">,<\/a> do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a inscri\u00e7\u00e3o dos produtores no <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Cadastro Ambiental Rural (CAR)<\/a><\/strong>. A produtividade do gado tamb\u00e9m evoluiu no per\u00edodo: em 2019, 80% da produ\u00e7\u00e3o da Minerva foi originada de sistemas de intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, com m\u00e9dia de abate de 30 meses \u2013 em 2014, a m\u00e9dia era de 36 meses, o que faz diferen\u00e7a na pegada de carbono do gado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desses avan\u00e7os, Custodio afirma que o setor ainda tem o desafio de avan\u00e7ar como um todo nas ferramentas de rastreabilidade, especialmente os frigor\u00edficos de pequeno e m\u00e9dio porte, cuja produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada para o mercado dom\u00e9stico. \u201cHoje, a Minerva Foods representa 4% do abate do gado na Amaz\u00f4nia. Se juntarmos os tr\u00eas principais frigor\u00edficos que atuam na regi\u00e3o, \u00e9 30%. O restante da cadeia permanece sem monitoramento e rastreabilidade\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">For\u00e7a-Tarefa <\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&#8220;A ado\u00e7\u00e3o da TCFD pelos bancos a partir de 2022 vai provocar um efeito cascata no sistema financeiro&#8221;<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><strong>Nesta entrevista, o gerente de relacionamento do Princ\u00edpios para o Investimento Respons\u00e1vel (PRI, na sigla em ingl\u00eas) no Brasil, Marcelo Seraphim, falou sobre a &#8220;explos\u00e3o&#8221; do conceito ESG, a preocupa\u00e7\u00e3o dos investidores com a Amaz\u00f4nia e a necessidade de aumentar a transpar\u00eancia nas informa\u00e7\u00f5es sobre o clima. Os PRI constituem uma rede internacional de investidores apoiada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para impulsionar a sustentabilidade nos investimentos. Criada em 2006, conta com mais de 3.200 membros em todo o mundo, que representam US$ 103 trilh\u00f5es em ativos sob gest\u00e3o.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 2020, o tema ESG est\u00e1 muito presente na m\u00eddia, com muitas mat\u00e9rias abordando o assunto e gestores de recursos lan\u00e7ando fundos com a tem\u00e1tica. O mercado brasileiro acordou para o tema?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mercado brasileiro reflete uma tend\u00eancia global do aumento de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o tema. Mas, mais recentemente, os investidores brasileiros t\u00eam percebido que administrar os fatores ESG \u00e9 um instrumento poderoso de gest\u00e3o de riscos. Diversos fatores impulsionaram isso: primeiro, o senso de urg\u00eancia que existe hoje no mundo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e \u00e0 necessidade de fazermos uma transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para a economia de baixo carbono. Um segundo fator foi a responsabilidade das empresas perante trag\u00e9dias como as que ocorreram em Mariana e Brumadinho, que obrigaram uma multinacional brasileira a esclarecer a diferentes atores (governo, acionistas, sociedade) sobre as causas e medidas tomadas para remediar os impactos sociais e ambientais, ao mesmo tempo em que tinha de gerenciar os impactos financeiros em suas opera\u00e7\u00f5es e nos valores dos ativos. Um terceiro fator que influenciou esse despertar do investidor brasileiro para o tema foi o aumento do desmatamento, principalmente na Amaz\u00f4nia. Outro divisor de \u00e1guas foi a carta da <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"BlackRock (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\"><strong>BlackRock<\/strong><\/a> aos seus acionistas, que anunciou medidas de descarboniza\u00e7\u00e3o do portf\u00f3lio e, mais recentemente, votou contra a reelei\u00e7\u00e3o de conselheiros em mais de 50 empresas, por n\u00e3o concordar com o desempenho delas no gerenciamento de quest\u00f5es ligadas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a preocupa\u00e7\u00e3o com a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pressiona essa mudan\u00e7a? Em 2019, um comunicado do PRI enviado ao governo gerou bastante repercuss\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento na Amaz\u00f4nia envolve diversas quest\u00f5es. Se considerarmos que o discurso mais ideol\u00f3gico \u00e9 um forte componente de parte da equipe do governo atual, o assunto fica ainda mais complexo. No ano passado, o PRI coordenou uma manifesta\u00e7\u00e3o de investidores conclamando o setor privado a implementar mecanismos de monitoramento em suas cadeias, para diminuir os riscos. Este ano, um grupo de quase 40 investidores enviou ao governo brasileiro uma carta com uma lista de pontos cr\u00edticos para que seus investimentos n\u00e3o fiquem expostos a riscos reputacionais, operacionais e at\u00e9 legais. O setor privado tem evolu\u00eddo. No entanto, o governo brasileiro precisa fazer cumprir a lei e recuperar a capacidade operacional dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o no combate ao desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tarefa de engajar investidores nas quest\u00f5es de sustentabilidade est\u00e1 avan\u00e7ando? Quais s\u00e3o os progressos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, sem d\u00favida. O n\u00famero de eventos virtuais ligados \u00e0s quest\u00f5es ESG desde o in\u00edcio da pandemia \u00e9 um indicativo. Destaco o aumento do n\u00famero de signat\u00e1rios do PRI no Brasil, de 20% ao ano nos \u00faltimos dois anos (devemos fechar o ano com mais de 70 signat\u00e1rios) e a maior oferta de produtos financeiros sustent\u00e1veis, desde <em>green bonds<\/em> ao investidor institucional at\u00e9 fundos ESG ao cliente do varejo. Entre os signat\u00e1rios do PRI, h\u00e1 um aumento da exig\u00eancia da divulga\u00e7\u00e3o dos impactos financeiros relacionados ao clima, alinhada \u00e0 TCFD [For\u00e7a-Tarefa sobre Divulga\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas ao Clima]. Isso for\u00e7a o signat\u00e1rio a incluir essa quest\u00e3o nos seus processos de an\u00e1lise. O mesmo se d\u00e1 \u00e0s quest\u00f5es de impacto e contribui\u00e7\u00e3o com os ODS. Destaco tamb\u00e9m o an\u00fancio important\u00edssimo do Banco Central em 8 de setembro que, entre outras medidas, prev\u00ea a obrigatoriedade da ado\u00e7\u00e3o da TCFD pelos bancos a partir de 2022. Isso vai provocar um efeito cascata no sistema financeiro como um todo, aumentando ainda mais o engajamento do investidor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Na pegada da transpar\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><strong>A hist\u00f3ria da Insecta come\u00e7ou com a paix\u00e3o da empreendedora Barbara Mattivy por roupas antigas e lojas de segunda m\u00e3o. Ela tinha um brech\u00f3 online, mas n\u00e3o sabia o que fazer com algumas pe\u00e7as que precisavam de ajustes, at\u00e9 que uma amiga <em>designer<\/em> de cal\u00e7ados prop\u00f4s utilizar aqueles tecidos para a produ\u00e7\u00e3o de uma linha de sapatos, colocando em pr\u00e1tica o conceito do <\/strong><em><strong>upcycling<\/strong><\/em><strong>, que agrega valor ao produto reciclado. Hoje, o carro-chefe da empresa s\u00e3o produtos feitos com a reutiliza\u00e7\u00e3o de roupas <\/strong><em><strong>vintage<\/strong><\/em><strong>, garimpadas em diferentes locais, e tecido ecol\u00f3gico feito com PET reciclado. O solado \u00e9 feito de borracha reaproveitada e o restante dos materiais utilizados s\u00e3o sobras da ind\u00fastria cal\u00e7adista.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA moda descarta uma quantidade enorme de materiais todo ano, ent\u00e3o reaproveitar e ressignificar esses itens \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o para mim, no papel de empreendedora. Desde o in\u00edcio da empresa, tenho a miss\u00e3o de causar um impacto socioambiental o mais positivo poss\u00edvel, e \u00e9 para isso que trabalhamos\u201d, diz Mattivy Al\u00e9m do uso de materiais, a Insecta Shoes tamb\u00e9m inovou ao dar transpar\u00eancia para os custos envolvidos na fabrica\u00e7\u00e3o de seus cal\u00e7ados, expostos no site da marca \u2013 l\u00e1, \u00e9 poss\u00edvel saber quanto cada item (custo de produ\u00e7\u00e3o, margem de lucro, impostos, entre outros) pesa no pre\u00e7o final do produto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse n\u00edvel de transpar\u00eancia, raro no mercado brasileiro, agrada o consumidor da marca, que sabe exatamente o que est\u00e1 pagando. Tamb\u00e9m promove, em seu site e m\u00eddias sociais, conte\u00fados voltados a espalhar um estilo de vida mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Mattivy, ser transparente nunca foi um problema para a empresa, hoje certificada como empresa do &nbsp; <strong>Sistema B,<\/strong> com duas lojas f\u00edsicas, um e-commerce, uma equipe de 11 pessoas no Brasil e duas no Canad\u00e1, onde come\u00e7ou a primeira opera\u00e7\u00e3o internacional. \u201cOs problemas geralmente acontecem quando as empresas n\u00e3o s\u00e3o transparentes\u201d, diz. \u201cNosso cliente tem consci\u00eancia ambiental e valoriza comprar de uma marca que compartilha dos seus valores e, al\u00e9m disso, tem orgulho de usar um produto que \u00e9 esteticamente do seu gosto e, ao mesmo tempo, n\u00e3o contribui para o impacto negativo da ind\u00fastria da moda\u201d, completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investidores, consumidores e empresas d\u00e3o sinais de que as mudan\u00e7as sist\u00eamicas rumo \u00e0 sustentabilidade est\u00e3o em curso. 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