{"id":3036,"date":"2020-10-24T13:30:14","date_gmt":"2020-10-24T16:30:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=3036"},"modified":"2020-10-28T21:38:04","modified_gmt":"2020-10-29T00:38:04","slug":"neblina-na-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/neblina-na-floresta\/","title":{"rendered":"Neblina na floresta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Caixas-pretas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica levam riscos aos neg\u00f3cios, ao colocar o Brasil como vil\u00e3o do desmatamento<\/em><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Por S\u00e9rgio Adeodato<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Foto: Bruno Kelly<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Uma cortina de fuma\u00e7a tomava conta do amanhecer daquela ter\u00e7a-feira pl\u00fambea de setembro em Manaus, a maior metr\u00f3pole da Amaz\u00f4nia. O \u201cnevoeiro\u201d indicava mais do que a expans\u00e3o das queimadas no interior da floresta e os impactos ao clima global, \u00e0 biodiversidade e sa\u00fade respirat\u00f3ria de quem j\u00e1 convive no dia a dia com o drama da Covid-19. Em 2019, a polui\u00e7\u00e3o do fogo causou pelo menos 2,2 mil interna\u00e7\u00f5es em toda a regi\u00e3o, metade relativa a pessoas com 60 anos ou mais \u2013 n\u00fameros que, em meio \u00e0 imensid\u00e3o verde, exp\u00f5em desafios ainda ocultos para a maior parte da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>[Estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia e da Human Rights Watch revela o custo de R$ 5,6 milh\u00f5es para o sistema de sa\u00fade devido \u00e0 fuma\u00e7a das queimadas<\/strong>]<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1\u00ba e 8 de setembro de 2020, os focos de calor no Amazonas aumentaram 170% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, e por tr\u00e1s da nuvem de fuma\u00e7a h\u00e1 uma Amaz\u00f4nia obscura a ser desvendada. Nela, a riqueza natural convive com a desigualdade social e o submundo da viol\u00eancia e da ilegalidade: grilagem de terras, conflitos fundi\u00e1rios, tr\u00e1fico de drogas, animais e pessoas, desmatamento. Mas a crescente exposi\u00e7\u00e3o global pela demanda da mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica joga holofotes na escurid\u00e3o da floresta. E a necessidade de abrir portas e janelas para entender e resolver os seus problemas \u2013 que na verdade s\u00e3o de todo o planeta \u2013 pode tornar a regi\u00e3o fiel sinalizadora do movimento de governos e empresas em torno de um tema essencial \u00e0 sustentabilidade: o da transpar\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais caixas-pretas da maior floresta tropical do mundo est\u00e1 nos garimpos, ou seja, na cadeia do ouro, diamantes e outros minerais&nbsp; \u2013 ativo que chama aten\u00e7\u00e3o pela <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"valoriza\u00e7\u00e3o (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/financas-pessoais\/noticias\/redacao\/2020\/06\/10\/ouro-ja-subiu-45-no-ano-ainda-vale-a-pena-investir-no-metal.htm\" target=\"_blank\">valoriza\u00e7\u00e3o<\/a> como lastro de reservas cambiais dos pa\u00edses e investimento na paralisia econ\u00f4mica global, devido \u00e0 Covid-19. Com um alerta: quem compra alian\u00e7as de casamento ou aplica em fundos baseados na rentabilidade do que sai dos garimpos da Amaz\u00f4nia tem alta chance de financiar impactos irrevers\u00edveis \u00e0 floresta, com morte de rios e danos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 biodiversidade pela <a href=\"https:\/\/mercurio.infoamazonia.org\/pt\/?fbclid=IwAR2X_rxjSvlb1ceet35toibhg8cnOkyCQVFVGsDnizdcl-UGdqhYod-Jams\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">polui\u00e7\u00e3o do merc\u00fario<\/a>, associado a esquemas de contrabando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ouro de tolo&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A corrida do ouro move engrenagens da corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia onde muitas vezes impera a lei da selva, escondida pela realidade difusa do isolamento amaz\u00f4nico. Da origem na floresta ao mercado financeiro, ind\u00fastrias de joias e exporta\u00e7\u00f5es, o caminho do metal est\u00e1 aberto a processos de \u201clavagem\u201d por meio de permiss\u00f5es falsas e outras opera\u00e7\u00f5es fraudulentas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 sistema de controle como em outros ativos, e a fiscaliza\u00e7\u00e3o chega a ser bizarra, com notas fiscais de papel\u201d, afirma Ana Carolina Bragan\u00e7a, procuradora da Rep\u00fablica no Amazonas. \u201cJ\u00e1 na primeira aquisi\u00e7\u00e3o nesta cadeia, o ouro ganha apar\u00eancia de legalidade\u201d, revela.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Faltam dados confi\u00e1veis e o resultado, n\u00e3o raro, \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o em \u00e1reas n\u00e3o permitidas, em reservas ambientais e Terras Ind\u00edgenas, por exemplo. \u201cPrecisamos avan\u00e7ar na rastreabilidade do ouro, at\u00e9 porque os problemas mancham a imagem do mercado miner\u00e1rio como um todo\u201d, recomenda a procuradora, integrante do Grupo de Trabalho (GT) Amaz\u00f4nia Legal do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF).<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembra que o cen\u00e1rio atual de press\u00f5es comerciais \u00e9 prop\u00edcio a mudan\u00e7as vindas do mercado, em especial por parte de empresas interessadas em separar o joio do trigo e, assim, tirar vantagens na competi\u00e7\u00e3o com a<strong>&nbsp;<\/strong>ilegalidade.&nbsp;A Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Ouro estima que pelo menos dois ter\u00e7os da produ\u00e7\u00e3o brasileira seja ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por lei, a atividade requer a Permiss\u00e3o de Lavra Garimpeira, conferida pela Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM); licenciamento ambiental pelo munic\u00edpio, estado ou Uni\u00e3o, dependendo do porte do empreendimento; e notas fiscais emitidas pelas Distribuidoras de T\u00edtulos e Valores Miner\u00e1rios \u2013 representadas pelos postos de compra situados nos garimpos, de onde o ouro segue para o mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia da falta de controle \u00e9 o crescimento de conflitos com povos ind\u00edgenas e tradicionais, em locais de potencial para extra\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos dez anos, a ANM registrou 656 processos miner\u00e1rios nesses territ\u00f3rios, com tend\u00eancia de alta. Al\u00e9m dos Munduruku, no Par\u00e1, os pedidos se concentraram nas terras dos Kaxuyana e dos Kayap\u00f3, ambos tamb\u00e9m no Par\u00e1, e dos Yanomami, em Roraima e no Amazonas, segundo divulgado pela <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/02\/23\/a-mineracao-em-terra-indigena-com-nome-sobrenome-e-cnpj\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Ag\u00eancia P\u00fablica (abre numa nova aba)\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os garimpeiros de hoje est\u00e3o longe da imagem rom\u00e2ntica do trabalho manual com bateia e peneira. Eles usam maquin\u00e1rio pesado, de maior capacidade destrutiva, para explorar o ouro prim\u00e1rio, mais abaixo da superf\u00edcie, pois acima dela as jazidas j\u00e1 se esgotaram. Basta ver a movimenta\u00e7\u00e3o do porto de Itaituba (PA), no Rio Tapaj\u00f3s, segundo maior munic\u00edpio brasileiro produtor de ouro, atr\u00e1s de Paracatu (MG). A cidade do oeste paraense, na Rodovia Transamaz\u00f4nica, \u00e9 conhecida por abrigar a maior revendedora de uma multinacional de retroescavadeiras, tratores e outros equipamentos, em parte financiados por bancos p\u00fablicos e privados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm movimento novo est\u00e1 ocorrendo na regi\u00e3o: a conflu\u00eancia de interesses de garimpeiros, mineradoras, grandes comerciantes e agroneg\u00f3cio, que antes mantinham certa dist\u00e2ncia e hoje se sentem empoderados pelo discurso do governo federal\u201d, constata Alfredo de Almeida, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas. O projeto <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Nova Cartografia Social da Amaz\u00f4nia (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/novacartografiasocial.com.br\/pre-lancamento-do-livro-mineracao-e-garimpo-em-terras-tradicionalmente-ocupadas-conflitos-sociais-e-mobilizacoes-etnicas-no-dia-28-de-abril-de-2020\/\" target=\"_blank\">Nova Cartografia Social da Amaz\u00f4nia<\/a>, coordenado por ele, mapeou\u00a0 a minera\u00e7\u00e3o e o garimpo em Terras Ind\u00edgenas: a Amaz\u00f4nia \u00e9 o epicentro, na esteira da diminui\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental sobre a atividade. \u201cO Pa\u00eds n\u00e3o toma p\u00e9 do que est\u00e1 acontecendo e hoje a transpar\u00eancia \u00e9 punida como crime por quem tem interesses contr\u00e1rios\u201d,\u00a0 lamenta o pesquisador.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>[A minera\u00e7\u00e3o desmatou em 2019 e 2020 mais do que a soma dos tr\u00eas anos anteriores, com lideran\u00e7a do Par\u00e1, segundo dados dos alertas do Deter\/Inpe]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO garimpo quer se legalizar, mas n\u00e3o assumir a responsabilidade decorrente disso\u201d, concorda S\u00e9rgio Leit\u00e3o, diretor-executivo do Instituto Escolhas, que enviou uma proposta \u00e0 Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) para a garantia do lastro ambiental ao ouro brasileiro. Um levantamento de dados p\u00fablicos, desenvolvido pela organiza\u00e7\u00e3o, inspirou campanha nas redes sociais dirigida a compradores: \u201cSeus brincos dourados podem ser t\u00e3o pesados quanto uma floresta. Consegue lidar com isso?\u201d, dizia uma das mensagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise revelou os maiores arrecadadores da Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Explora\u00e7\u00e3o de Recursos Minerais (CFEM), as concess\u00f5es de lavras garimpeiras e os impactos econ\u00f4micos e ambientais. Em 2020, at\u00e9 o fim de julho, foram exportadas 54,9 toneladas de min\u00e9rio de ouro (US$ 2,5 bilh\u00f5es), com crescimento de 30% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00f3 da madeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTer informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente; \u00e9 preciso utiliz\u00e1-la\u201d, observa Renato Morgado, coordenador do Programa de Integridade Socioambiental da Transpar\u00eancia Internacional Brasil, em recente <em>webinar<\/em> sobre o setor florestal. Para ele, o uso de dados serve n\u00e3o apenas ao controle e puni\u00e7\u00e3o, mas como oportunidade de mercado, com a valoriza\u00e7\u00e3o de quem adota padr\u00f5es sustent\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (2011), o Novo C\u00f3digo Florestal (2012) e a Pol\u00edtica Nacional de Dados Abertos (2016), o Brasil, segundo Morgado, est\u00e1 bem municiado de marcos legais relacionados \u00e0 transpar\u00eancia. \u201cMas h\u00e1 bases de dados n\u00e3o integradas ou totalmente dispon\u00edveis\u201d, ressalva. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos problemas mais vis\u00edveis consiste no controle da madeira nativa: 75% da produ\u00e7\u00e3o de toras do Par\u00e1 e 44% do Mato Grosso \u00e9 ilegal, ou seja, \u00e9 lastreada por autoriza\u00e7\u00f5es irregulares que esquentam o produto obtido de maneira predat\u00f3ria em terras p\u00fablicas e outras \u00e1reas proibidas, segundo o Sistema de Monitoramento da Explora\u00e7\u00e3o Madeireira (Simex), mantido pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>[Dados do Banco Mundial indicam que o mundo perde US$ 15 bilh\u00f5es por ano em impostos que deixam de ser arrecadados devido \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rastreabilidade da carne<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o em desatar n\u00f3s da transpar\u00eancia ocupa o centro do debate na pecu\u00e1ria \u2013 <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"principal vetor de desmatamento e emiss\u00f5es (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/sectors\/agropecuaria\" target=\"_blank\">principal vetor de desmatamento e emiss\u00f5es<\/a> de gases de efeito estufa . A rastreabilidade da carne requer acesso a dados completos da<strong>\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Guia de Transporte Animal (GTA) (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\">Guia de Transporte Animal<\/a><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Guia de Transporte Animal (GTA) (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\"> <\/a><strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Guia de Transporte Animal (GTA) (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\">(GTA)<\/a><\/strong>, inclusive para controle dos fornecedores indiretos dos frigor\u00edficos, ainda desprovidos de controle seguro (<em>mais <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/pistas-de-uma-transformacao\/\">nesta reportagem<\/a>)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 caminhos em testes no mercado. \u201cMas a prioridade deve ser o fomento do di\u00e1logo e transpar\u00eancia, que trazem luz a essa complexidade\u201d, afirma Isabel Drigo, coordenadora de cadeias agropecu\u00e1rias e florestais do Instituto de Manejo e Certifica\u00e7\u00e3o Florestal e Agr\u00edcola (Imaflora). \u201cSozinhos, os grandes frigor\u00edficos n\u00e3o resolver\u00e3o o problema do desmatamento pela pecu\u00e1ria\u201d, adverte.<\/p>\n\n\n\n<p>No projeto <a href=\"https:\/\/www.boinalinha.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Boi na Linha (abre numa nova aba)\">Boi na Linha<\/a>, a ONG harmonizou protocolos e crit\u00e9rios para monitoramento e auditoria dos compromissos assumidos por frigor\u00edficos de todos os portes que operam na Amaz\u00f4nia, de modo a n\u00e3o comprar de \u00e1reas desmatadas. A ideia \u00e9 promover engajamento e melhores pr\u00e1ticas, diminuindo impactos ambientais e sociais, como o trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da Carne, firmado em 2009 junto ao MPF, abrange hoje 89 frigor\u00edficos que compram gado na Amaz\u00f4nia, entre os 115 existentes na regi\u00e3o, sem contar os do Acre. Dos signat\u00e1rios, 55% foram auditados. \u201cN\u00e3o adianta s\u00f3 assinar um papel e achar que a crise est\u00e1 resolvida\u201d, completa a coordenadora, ao lembrar que a press\u00e3o internacional impacta principalmente o produto exportado, em especial para a Europa, e grande parte do desmatamento causado pela pecu\u00e1ria est\u00e1 associada a frigor\u00edficos de menor porte que fornecem ao mercado interno. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novo consumidor chin\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece com os gigantes da carne, no entanto, resvala no mercado em geral. \u201cEst\u00e1 surgindo um novo consumidor chin\u00eas, que vincula cada vez mais a sa\u00fade ao meio ambiente, ap\u00f3s a Covid-19\u201d, atesta Fabiola Zerbini, diretora regional da Tropical Forest Alliance (TFA). A organiza\u00e7\u00e3o iniciou <br>rodadas de di\u00e1logo entre Brasil e China sobre pecu\u00e1ria sustent\u00e1vel, envolvendo autoridades de governo, empresas exportadoras, bancos financiadores e ONGs.\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>[A iniciativa abrange tamb\u00e9m cacau com selo de origem amaz\u00f4nica e soja beneficiada por Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 construir um mapa de rotas baseado em acordos, para ent\u00e3o se chegar a um<em> case <\/em>(projeto demonstrativo) bilateral em que rastreabilidade e intensifica\u00e7\u00e3o produtiva s\u00e3o temas centrais. \u201cO governo chin\u00eas tem demonstrado claramente o prop\u00f3sito de alimentar a popula\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a e crit\u00e9rios de sustentabilidade, e no m\u00ednimo separar o ilegal do legal\u201d, afirma Zerbini.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTecnologias existem e com custo vi\u00e1vel\u201d, destaca Carlos Souza, diretor da empresa Terras, de Bel\u00e9m (PA), voltada a sistemas de imagens de sat\u00e9lite que apoiam bancos na an\u00e1lise de riscos para cr\u00e9dito rural sem desmatamento. A tecnologia est\u00e1 sendo refinada para que produtores rurais obtenham facilmente comprovantes de conformidade ambiental no telefone celular, e possam abrir portas em mercados preocupados com a origem do gado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>[Desde setembro de 2018, o sistema subsidiou a an\u00e1lise de 70 mil propostas de cr\u00e9dito pelo Banco da Amaz\u00f4nia, sendo que metade foi reprovada por problemas socioambientais]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, segundo Souza, o aumento do desmate se deve mais a fatores especulativos do que produtivos, com ocupa\u00e7\u00e3o de novas fronteiras em terras p\u00fablicas e \u00e1reas protegidas. Tecnologias \u00e1geis e precisas detectam o problema, mas h\u00e1 barreiras culturais, burocr\u00e1ticas e administrativas para maior escala do controle. \u201cInstitui\u00e7\u00f5es financeiras precisam internalizar essas ferramentas, porque o controle passar\u00e1 de nicho a obriga\u00e7\u00e3o, e ser\u00e1 necess\u00e1rio disponibilizar informa\u00e7\u00e3o segura sobre os compromissos para a sociedade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Engajamento dos bancos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A transpar\u00eancia sobre a origem do gado com desmatamento zero \u00e9 prioridade na agenda proposta para a Amaz\u00f4nia pelos tr\u00eas maiores bancos privados brasileiros \u2013 Bradesco, Ita\u00fa e Santander \u2013, diante dos riscos econ\u00f4micos da imagem do Pa\u00eds como vil\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em setembro, a alian\u00e7a entregou um manifesto com <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3iZHK6p\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"dez propostas (abre numa nova aba)\">dez propostas<\/a> ao Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia Legal e criou um grupo consultivo de especialistas para implement\u00e1-las \u2013 um sinal claro de que a preocupa\u00e7\u00e3o saiu da bolha ambientalista e aterrissou no mundo financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos no epicentro das cadeias produtivas, da fazenda ao garimpo, e no que elas representam para o futuro dos nossos neg\u00f3cios\u201d,&nbsp; disse S\u00e9rgio Rial, CEO do Santander, em recente semin\u00e1rio virtual sobre a iniciativa. Ele sublinhou: \u201cS\u00e3o cadeias globais estrat\u00e9gicas e a Amaz\u00f4nia \u00e9 a grande reguladora de possibilidades para o Brasil continuar l\u00edder no agroneg\u00f3cio\u201d. Na vis\u00e3o do executivo, renovar a estrutura de coer\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente, porque hoje \u201ca possibilidade de ganho com ouro, por exemplo, \u00e9 muito maior do que o risco de ser preso\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Karine Bueno, superintendente executiva de sustentabilidade do banco, explica que a transpar\u00eancia se dar\u00e1 por meio de devolutivas \u00e0 sociedade e uso de dados p\u00fablicos na gest\u00e3o de riscos. No agroneg\u00f3cio, em expans\u00e3o nas opera\u00e7\u00f5es da empresa, foi constru\u00eddo um sistema de monitoramento 24 horas por sat\u00e9lite. \u201cCom o compromisso p\u00fablico, a responsabilidade na execu\u00e7\u00e3o aumenta\u201d,&nbsp;enfatiza Bueno, informando que o plano conjunto dos bancos ser\u00e1 pragm\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o logo o an\u00fancio ganhou eco na m\u00eddia, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"reportagens (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/bancos-injetaram-r-235-bilhoes-em-frigorificos-desmatadores-desde-o-acordo-de-paris\/\" target=\"_blank\">reportagens<\/a>&nbsp;apontaram que institui\u00e7\u00f5es financeiras do Brasil e exterior destinaram R$ 235 bilh\u00f5es \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e ao abate de gado na Amaz\u00f4nia, entre 2016 e abril de 2020, segundo estudo global do Forests and Finance (F&amp;F).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO desmatamento da Amaz\u00f4nia afeta toda a economia e as medidas agora propostas pelos bancos precisam ser de curto prazo para n\u00e3o prevalecer o discurso do Presidente da Rep\u00fablica, que j\u00e1 reflete na cont\u00ednua expans\u00e3o da grilagem em novas fronteiras\u201d, alerta Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. &nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Riscos \u00e0 imagem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa dos bancos soma-se a outros movimentos empresariais que fizeram p\u00e9riplo nos gabinetes do poder em Bras\u00edlia, nos \u00faltimos dois meses. \u201cDefendemos uma agenda de Estado; uma chamada a a\u00e7\u00f5es pelo setor privado com metas, indicadores e resultados concretos na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento\u201d, destaca Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CEBDS). A organiza\u00e7\u00e3o divulgou <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"comunicado (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/cebds.org\/publicacoes\/comunicado-do-setor-empresarial-brasileiro\/#.X2vGXJNKh0x\" target=\"_blank\">comunicado<\/a>&nbsp;ao Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio em que ressalta a preocupa\u00e7\u00e3o com o impacto da imagem negativa do Brasil nos neg\u00f3cios, devido \u00e0s quest\u00f5es socioambientais da Amaz\u00f4nia. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para fazer mais do mesmo\u201d,&nbsp;refor\u00e7a Grossi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcello Brito, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio, integrante do movimento, vai al\u00e9m: \u201cSomente o protagonismo do setor privado, pela capacidade de investimento, vai tirar a Amaz\u00f4nia do buraco, mas isso s\u00f3 acontecer\u00e1 dentro de um processo de transpar\u00eancia que garanta a seguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d. Entre o legal e o ilegal, diz&nbsp;o empres\u00e1rio, existe o informal, \u201cque \u00e9 gigantesco na Amaz\u00f4nia e desfavorece investimentos\u201d. Ele pergunta: \u201cQuem faz a coisa correta est\u00e1 querendo esconder o qu\u00ea?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em igual caminho, a <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\"><strong>Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura<\/strong><\/a>, formada por mais de 300 representantes do agroneg\u00f3cio, setor financeiro, sociedade civil e academia, entregou <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"documento (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.coalizaobr.com.br\/home\/index.php\/posicionamentos\/item\/1114-acoes-para-a-queda-rapida-do-desmatamento\" target=\"_blank\">documento<\/a>&nbsp;ao governo federal com seis propostas para a queda r\u00e1pida do desmatamento, e uma delas pede \u201ctotal transpar\u00eancia e efici\u00eancia \u00e0s autoriza\u00e7\u00f5es de supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o\u201d. As recomenda\u00e7\u00f5es v\u00e3o da retomada da fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 destina\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de hectares \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel e concess\u00e3o de financiamentos sob crit\u00e9rios socioambientais. <\/p>\n\n\n\n<p>Na Amaz\u00f4nia, h\u00e1 uma peculiaridade marcante: \u201cO paradoxo entre a clareza dos dados territoriais sobre ocupa\u00e7\u00e3o e uso do solo, que \u00e9 um movimento inexor\u00e1vel devido \u00e0s imagens de sat\u00e9lite, e as obscuras transa\u00e7\u00f5es que acontecem na regi\u00e3o, impactadas por uma grande nebulosidade de mentiras e falsas verdades\u201d, avalia Roberto Silva Waack, presidente do conselho do Instituto Arapya\u00fa, e integrante de <a href=\"https:\/\/pagina22.com.br\/uma-concertacao-pela-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia (abre numa nova aba)\">Uma Concerta\u00e7\u00e3o pela Amaz\u00f4nia<\/a>. A iniciativa articula mais de 100 lideran\u00e7as da academia, sociedade civil e iniciativa privada, visando a constru\u00e7\u00e3o de sinapses entre diferentes pontos de vista e o engajamento fundamentado em informa\u00e7\u00e3o de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele, o futuro da regi\u00e3o depende dessa abertura de caixas-pretas e a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 basicamente pol\u00edtica. Dessa forma, \u201co caminho est\u00e1 no envolvimento da sociedade pelo poder de voto, j\u00e1 agora nas elei\u00e7\u00f5es municipais, e pelo sentimento coletivo de desonra face \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da floresta\u201d, completa Waack, para quem a press\u00e3o comercial, na forma de boicote, pode ser uma armadilha. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o falta tecnologia, mas a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, n\u00e3o h\u00e1 como esconder problemas diante dos avan\u00e7os na intelig\u00eancia artificial e dos in\u00fameros pesquisadores abastecidos por imagens de sat\u00e9lite mundo afora \u2013 sem falar do poder de replica\u00e7\u00e3o das redes sociais. \u201cO desafio \u00e9 muito mais de a\u00e7\u00e3o do que de informa\u00e7\u00e3o\u201d, atesta Tasso Azevedo, coordenador do <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">MapBiomas<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Barreiras do<strong> <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2020\/10\/24\/dicionario-e-notas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Cadastro Ambiental Rural (CAR) (abre numa nova aba)\">Cadastro Ambiental Rural (CAR)<\/a><\/strong> para acesso a dados de identifica\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios, por exemplo, n\u00e3o impedem o poder p\u00fablico e a iniciativa privada de agir. \u201cN\u00e3o \u00e9 preciso esperar uma \u00e1rea ser embargada para reter cr\u00e9dito a quem desmata\u201d, ilustra Azevedo, ao lembrar que qualquer um pode facilmente receber relat\u00f3rios de imagem de sat\u00e9lite sobre desmatamento, seja onde for. \u201cH\u00e1 um processo pol\u00edtico em curso de dificultar esse monitoramento, mas, entre os seis sistemas existentes no Pa\u00eds, o \u00fanico sem acesso aberto \u00e9 o do Minist\u00e9rio da Defesa\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto, h\u00e1 uma d\u00e9cada, o Ibama recebia 1 mil relat\u00f3rios por ano baseados em alertas dos sistemas de monitoramento, agora s\u00e3o 100 mil, o que representou 2 milh\u00f5es de hectares de desmatamento, no ano passado. No entanto, o dado de quantos efetivamente resultaram em medidas pr\u00e1ticas de fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 disponibilizado pelo governo federal via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo realizado pelo Imaflora mostrou melhora na abertura de dados em clima, floresta e agricultura entre 2017 e 2020, no Brasil. \u201cDe que adianta isso, se na pr\u00e1tica houve redu\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o?\u201d, questiona Leonardo Sobral, gerente de certifica\u00e7\u00e3o florestal da ONG. Faltam dados transparentes sobre a\u00e7\u00f5es de controle. O que existem, diz, s\u00e3o apenas \u201cind\u00edcios sobre o seu enfraquecimento, como o corte de verbas e a desconstru\u00e7\u00e3o do setor\u201d. A reportagem da <strong>P\u00e1gina22<\/strong> n\u00e3o obteve retorno do Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia para a quest\u00e3o at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 desculpa tecnol\u00f3gica para n\u00e3o agir, embora tanto a Vice-Presid\u00eancia da Rep\u00fablica como o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente insistam no projeto de comprar nova tecnologia para monitorar o desmatamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Funcion\u00e1rios do Ibama de longa experi\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, que preferiram n\u00e3o se identificar, questionam: \u201cPara que um outro sistema, se o problema \u00e9 n\u00e3o querer enxergar?\u201d. Reduzir o desmatamento, segundo explicam, exige vontade pol\u00edtica, estrutura de coer\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia, e duas estrat\u00e9gias que consideram fundamentais: \u201cdescapitalizar\u201d e \u201cdissuadir\u201d futuros infratores com exposi\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de campo na m\u00eddia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da exist\u00eancia de bases de dados abertos, p\u00fablicos e gratuitos, \u00e9 dif\u00edcil traduzi-los para a sociedade como um todo \u2013 e, junto a essa complexidade, se v\u00ea um ambiente de guerra entre informa\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fake news<\/em>, fatos distorcidos e outras artimanhas de marketing povoam comunicados oficiais, como no epis\u00f3dio do transporte de garimpeiros ilegais em avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira para reuni\u00e3o no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em Bras\u00edlia, ou ent\u00e3o na divulga\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que mostravam o mico-le\u00e3o-dourado para provar que o Pa\u00eds protege a Amaz\u00f4nia, enquanto essa esp\u00e9cie de primata s\u00f3 habita a Mata Atl\u00e2ntica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento do desmatamento e das queimadas, que neste ano assolaram n\u00e3o somente a Amaz\u00f4nia como, principalmente, o Pantanal, coloca em xeque o acordo Uni\u00e3o Europeia e Mercosul, que poderia trazer investimentos de US$ 580 bilh\u00f5es, em dez anos, para o agroneg\u00f3cio brasileiro. Junto com o esfor\u00e7o de mostrar ao mundo que \u201co Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais protege florestas\u201d vieram queixas a pesquisadores do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) pelas informa\u00e7\u00f5es da destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Dados que o vice-presidente da Rep\u00fablica, Hamilton Mour\u00e3o, qualificou como vazados, embora sejam p\u00fablicos e abertos, dispon\u00edveis a qualquer brasileiro na Internet.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso \u00e9 f\u00e1cil e r\u00e1pido, a apenas um clique, na plataforma do Programa Queimadas, do Inpe. Em 2020, at\u00e9 21 de setembro, o Brasil havia registrado exatos 147.279 &nbsp;focos de calor, 48,7% na Amaz\u00f4nia, a maior parte no Mato Grosso. \u201cBastam tr\u00eas dias sem chuva em Manaus para a fuma\u00e7a da mata queimada aparecer e a garganta arder\u201d,&nbsp; conta o ge\u00f3grafo Carlos Durigan, diretor do WCS Brasil, ONG voltada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e manejo de recursos naturais, sediada na capital amazonense. Estudo da Nasa mostrou que 65% das \u00e1reas com focos de queimada este ano foram desmatadas em maio e junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica agrava o fen\u00f4meno. Em pouco tempo, a poeira preta da fuligem cobre m\u00f3veis e objetos das casas, mas prevalece a ideologia da nega\u00e7\u00e3o. \u201cQuem reclama das queimadas \u00e9 acusado de jogar contra o Pa\u00eds\u201d,&nbsp; diz o ge\u00f3grafo, h\u00e1 26 anos na Amaz\u00f4nia. Um dia, quando a neblina passar e as mentes se abrirem, a esp\u00e9cie humana enfim ver\u00e1 a import\u00e2ncia do momento que vivemos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caixas-pretas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica levam riscos aos neg\u00f3cios, ao colocar o Brasil como vil\u00e3o do desmatamento Por S\u00e9rgio Adeodato Foto: Bruno Kelly Uma cortina de fuma\u00e7a tomava conta do amanhecer daquela ter\u00e7a-feira pl\u00fambea de setembro em Manaus, a maior metr\u00f3pole da Amaz\u00f4nia. 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