{"id":3147,"date":"2021-06-01T16:06:09","date_gmt":"2021-06-01T19:06:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=3147"},"modified":"2022-02-22T08:00:22","modified_gmt":"2022-02-22T11:00:22","slug":"vitrines-inspiradoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/vitrines-inspiradoras\/","title":{"rendered":"Vitrines inspiradoras"},"content":{"rendered":"\r\n<p><em><strong>Iniciativas nos diferentes biomas acumulam conhecimento e tornam-se refer\u00eancia para o aumento da escala da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Pa\u00eds<\/strong><\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Por<strong> S\u00e9rgio Adeodato<\/strong><\/em> _ Foto: Hanna Tims\/ Unsplash<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-drop-cap\">Duas pol\u00edticas p\u00fablicas destacam-se no cen\u00e1rio brasileiro como refer\u00eancia em restaura\u00e7\u00e3o florestal. Uma \u00e9 municipal e largou na frente, reconhecida pelo pioneirismo que agora inspira novos modelos Pa\u00eds afora. A outra, estadual, figura no p\u00f3dio como maior iniciativa do g\u00eanero em curso no Brasil, j\u00e1 caminhando para fazer a diferen\u00e7a no desenvolvimento da economia regional.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>S\u00e3o hist\u00f3rias e territ\u00f3rios diferentes, mas com pelo menos quatro caracter\u00edsticas em comum: al\u00e9m da Mata Atl\u00e2ntica que compartilham, ambos os casos adotam um mecanismo financeiro de incentivo engajador, o <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais<\/a><\/strong> (PSA); t\u00eam como principal motiva\u00e7\u00e3o a garantia de disponibilidade h\u00eddrica; e, por fim, os dois avan\u00e7am nos planos de ampliar a escala da reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores e seus benef\u00edcios \u2013 marcos que projetam o real potencial de experi\u00eancias hoje existentes nos v\u00e1rios biomas brasileiros.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No munic\u00edpio de Extrema (MG), o primeiro a despontar nacionalmente no tema, o Programa Conservador das \u00c1guas foi constru\u00eddo do zero, em 2005, quando no mundo se multiplicavam alertas da ci\u00eancia para os riscos de escassez h\u00eddrica e da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e existiam pouqu\u00edssimos exemplos de sucesso de solu\u00e7\u00f5es baseadas no que a pr\u00f3pria natureza oferece.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Diante da preocupante degrada\u00e7\u00e3o das microbacias do munic\u00edpio e entorno, devido \u00e0 longa hist\u00f3ria de impactos ambientais, o caminho foi criar uma pol\u00edtica municipal para investimento p\u00fablico na prote\u00e7\u00e3o de nascentes, recupera\u00e7\u00e3o de matas na beira dos rios e promo\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis no campo. Com o diferencial de um instrumento inovador \u00e0 \u00e9poca: o mecanismo de PSA como recompensa financeira a produtores rurais engajados no desafio de reduzir os danos e garantir os servi\u00e7os ambientais de suas propriedades, em benef\u00edcio de toda a sociedade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA iniciativa teve amplo apoio da popula\u00e7\u00e3o e alavancou o desenvolvimento econ\u00f4mico e social, com gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d, destaca o bi\u00f3logo Paulo Henrique Pereira, o Paulinho, como \u00e9 mais conhecido, secret\u00e1rio do Meio Ambiente de Extrema. Ele lembra que os efeitos v\u00e3o al\u00e9m das porteiras dos s\u00edtios e das divisas do territ\u00f3rio municipal, porque os rios da regi\u00e3o impactados por pastagens degradadas nutrem mananciais de outras cidades do interior e das duas maiores capitais brasileiras, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com mais de 1 milh\u00e3o de \u00e1rvores plantadas at\u00e9 o momento, a pol\u00edtica contribui diretamente na manuten\u00e7\u00e3o do ciclo hidrol\u00f3gico, com aumento da permeabilidade do solo e redu\u00e7\u00e3o de sedimentos escoados para os rios. Dessa forma, estruturado como lei municipal, o programa atraiu parcerias de organiza\u00e7\u00f5es ambientais e empresas. Em 2018, atingiu outro patamar com a cria\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Municipal de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, prevendo receita com a neutraliza\u00e7\u00e3o de carbono, via restaura\u00e7\u00e3o florestal, junto a empreendimentos privados que operam no munic\u00edpio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com base no invent\u00e1rio municipal de gases de efeito estufa, al\u00e9m das empresas, tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o paga pelo plantio de \u00e1rvores, por meio de diferentes tributos. Os 20 mil ve\u00edculos da cidade, por exemplo, geram anualmente R$ 4 milh\u00f5es em IPVA, dos quais 20% v\u00e3o para a restaura\u00e7\u00e3o florestal como forma de neutralizar emiss\u00f5es \u2013 valor suficiente para recuperar 53 hectares. Al\u00e9m dessa fonte, os recursos para investimento prov\u00eam de um percentual do IPTU e do ISS, como compensa\u00e7\u00e3o do carbono emitido por resid\u00eancias, pr\u00e9dios e atividades de servi\u00e7os em Extrema. Isso demonstra, diz Paulinho, que o modelo de restaura\u00e7\u00e3o \u201cconsolidou-se no munic\u00edpio como um projeto da sociedade\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo ele, em 2021, o Conservador das \u00c1guas receber\u00e1 R$ 6,5 milh\u00f5es para repasse \u00e0s propriedades rurais. Os valores s\u00e3o investidos tamb\u00e9m em \u00e1reas priorit\u00e1rias para restaura\u00e7\u00e3o adquiridas pela prefeitura, no plano de conectar parques municipais por corredores biol\u00f3gicos. \u201cO \u00eaxito vem da continuidade pol\u00edtico-administrativa, da constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e do fortalecimento da gest\u00e3o\u201d, ressalta Paulinho, ao lembrar que tudo come\u00e7ou com \u201cum Fusca velho, uma mula e R$ 20 mil\u201d. Ele aponta o desafio atual: levar a experi\u00eancia a um raio de maior abrang\u00eancia, no programa Conservador da Mantiqueira, que envolve diferentes institui\u00e7\u00f5es e prefeituras e pretende recuperar 1,5 milh\u00e3o de hectares nesta d\u00e9cada, sob a lideran\u00e7a da The Nature Conservancy (TNC) e parceiros, entre os quais o WWF-Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Expans\u00e3o capixaba<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al\u00e9m dos avan\u00e7os em torno do exemplo de Extrema, o outro destaque no topo das refer\u00eancias brasileiras vem do Esp\u00edrito Santo, onde o Programa Reflorestar, criado em 2008, inovou como pol\u00edtica p\u00fablica estadual contra os riscos na escassez h\u00eddrica, prevendo o repasse de <em>royalties <\/em>do petr\u00f3leo para o pagamento de produtores que conservam florestas, protegem nascentes e restauram \u00e1reas degradadas. \u201cChegamos \u00e0 D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas, das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com muitos aprendizados, j\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de aumentar a escala desse trabalho\u201d, afirma o coordenador do programa, Marcos Sossai.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em seis anos, a iniciativa envolveu 4 mil propriedades rurais, com a restaura\u00e7\u00e3o de cerca de 10 mil hectares em \u00e1reas degradadas, al\u00e9m de outros 10 mil hectares de florestas j\u00e1 existentes que foram mantidas em p\u00e9. O programa executou, at\u00e9 o momento, cerca de R$ 65 milh\u00f5es em PSA aos produtores, e tem previs\u00e3o de mais R$ 53 milh\u00f5es at\u00e9 2022. Com novo financiamento do Banco Mundial, a expectativa \u00e9 aumentar a escala para 10 mil propriedades atendidas at\u00e9 2027. \u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como suporte \u00e0 expans\u00e3o, um estudo em 150 microbacias hidrogr\u00e1ficas no estado est\u00e1 medindo a qualidade da \u00e1gua e definindo \u00e1reas priorit\u00e1rias de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o de modo a reduzir os sedimentos carreados para os rios. \u201cCom base nisso, inverteremos a l\u00f3gica do trabalho: vamos chamar o produtor e dizer qual \u00e1rea queremos recuperar\u201d, explica Sossai.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em paralelo, outro levantamento colhe dados sobre o n\u00edvel de sedimentos em diferentes pontos de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. O intuito \u00e9 demonstrar o potencial de ganho econ\u00f4mico no servi\u00e7o de abastecimento com a redu\u00e7\u00e3o do impacto da sedimenta\u00e7\u00e3o. Pesquisas anteriores apoiadas pelo Banco Mundial nas bacias que abastecem a Regi\u00e3o Metropolitana de Vit\u00f3ria j\u00e1 indicaram que a redu\u00e7\u00e3o de 1% nos sedimentos pode diminuir em at\u00e9 R$ 20 milh\u00f5es os gastos no tratamento h\u00eddrico, em 20 anos. Segundo Sossai, a ideia \u00e9 identificar o potencial de futuras iniciativas de investimento em PSA que venham a ser adotadas por empresas de abastecimento como forma de alcan\u00e7ar menores custos ao incentivar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e plantios de \u00e1rvores nas \u00e1reas de mananciais.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o h\u00eddrica, a experi\u00eancia do Programa Reflorestar, com o cont\u00ednuo aumento de agroflorestas no card\u00e1pio de projetos, expande-se na agenda do desenvolvimento econ\u00f4mico do Esp\u00edrito Santo, diante do atual plano do governo de criar um polo regional de silvicultura de esp\u00e9cies nativas, baseado em madeiras nobres. Desenvolvida em parceria com a Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a estrat\u00e9gia pretende aproveitar a estrutura log\u00edstica e a voca\u00e7\u00e3o florestal do eucalipto cultivado no estado para produ\u00e7\u00e3o de celulose e papel. \u201cA prioridade agora \u00e9 trabalhar a frente legal para viabilizar o ambiente de neg\u00f3cios e atrair investidores\u201d, revela Sossai.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: center;\"><strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Rio do Peixe, uma nova hist\u00f3ria <\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As irm\u00e3s bi\u00f3logas Ana e Fl\u00e1via Balderi estavam no Ensino M\u00e9dio quando o programa de fim de semana consistia em coletar sementes na mata e descobrir nos livros em quais \u00e1rvores iriam se tornar. Da\u00ed a juntar mais jovens para plant\u00e1-las na margem dos rios foi um passo natural, intrigadas que estavam com a cor de terra daquelas \u00e1guas, no munic\u00edpio de Socorro (SP): \u201cQuer\u00edamos mudar essa realidade de degrada\u00e7\u00e3o, mas de nada adiantava tudo isso sem planejar e medir resultados\u201d, revela Ana, cofundadora da Associa\u00e7\u00e3o Copa\u00edba \u2013 inspirada no nome da \u00e1rvore bastante conhecida na Amaz\u00f4nia, mas que na Mata Atl\u00e2ntica tamb\u00e9m d\u00e1 o ar da gra\u00e7a, destacando-se na paisagem pela cor vermelha no per\u00edodo da troca das folhas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nas bacias dos rios do Peixe e Camanducaia, o trabalho abrange hoje 305 propriet\u00e1rios rurais em 19 munic\u00edpios do Leste de S\u00e3o Paulo e Sul de Minas Gerais, com o total de 600 hectares em processo de restaura\u00e7\u00e3o sendo monitorados, com apoio ONGs parceiras, como o WWF-Brasil, e de empresas. Al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o ambiental e engajamento de produtores locais, a estrat\u00e9gia requer mobiliza\u00e7\u00e3o em redes e f\u00f3runs, apoio a pol\u00edticas p\u00fablicas e produ\u00e7\u00e3o de mudas em viveiro pr\u00f3prio, capaz de produzir 500 mil unidades por ano a partir de sementes colhidas nas matas de s\u00edtios e fazendas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O salto inicial, no projeto Verde Novo, teve recursos do governo federal, quando o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente apoiava a sociedade civil no desafio, al\u00e9m do suporte internacional, por meio de movimentos como o One Tree Planted, para o plantio de 160 mil mudas at\u00e9 2021. \u201cAp\u00f3s 16 anos, j\u00e1 observamos o retorno da avifauna e de esp\u00e9cies como lobo-guar\u00e1 e cachorro-do-mato\u201d, diz Fl\u00e1via.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2784-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Estudo<\/a> internacional identificou a Mata Atl\u00e2ntica \u2013 reduzida a 12,4% da original \u2013 como \u00e1rea priorit\u00e1ria para restaura\u00e7\u00e3o no mundo. Al\u00e9m disso, segundo <a href=\"https:\/\/www.bpbes.net.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/SPM_RestauracaoVF_ebook.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"levantamento (abre numa nova aba)\">levantamento<\/a> do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), a recupera\u00e7\u00e3o do bioma pode gerar tr\u00eas milh\u00f5es de empregos no campo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cTrabalhamos toda a cadeia, desde a coleta de sementes at\u00e9 doa\u00e7\u00e3o de mudas e assist\u00eancia para plantio e monitoramento\u201d, informa a bi\u00f3loga, ao lembrar que na regi\u00e3o onde trabalha restaram apenas 15% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, com predomin\u00e2ncia de pastagens de baixa produtividade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 essencial a ades\u00e3o de vizinhos para a forma\u00e7\u00e3o de corredores ecol\u00f3gicos, mas h\u00e1 barreiras: \u201cComo a maioria dos propriet\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o vive mais no local, existe a cultura de abandonar o gado no pasto e ap\u00f3s seis anos lev\u00e1-lo para o abate, e neste per\u00edodo os animais t\u00eam livre acesso \u00e0 beira dos rios para beber \u00e1gua, causando impactos\u201d. A proximidade da regi\u00e3o com a capital paulista tem gerado um movimento de lotear propriedades devido \u00e0 press\u00e3o imobili\u00e1ria, \u201cmas h\u00e1 uma maior percep\u00e7\u00e3o no sentido de conservar matas e recuperar \u00e1reas degradadas\u201d, completa Fl\u00e1via. Como exemplo, duas propriet\u00e1rias doaram \u00e0 Copa\u00edba 2,5 hectares, transformados em Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN), de onde se irradiam as a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o no entorno.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O projeto Ra\u00edzes do Mogi Gua\u00e7u, iniciado em 2019 com seis propriet\u00e1rios, re\u00fane atualmente 26 produtores de seis munic\u00edpios, totalizando 42 hectares em restaura\u00e7\u00e3o. A meta \u00e9 recuperar uma \u00e1rea pelo menos cinco vezes maior, em parceria com o WWF-Brasil e empresas como a International Paper, que possui f\u00e1brica na regi\u00e3o e demandou inicialmente as a\u00e7\u00f5es para enfrentamento do risco h\u00eddrico, ap\u00f3s as li\u00e7\u00f5es impostas pela severa seca que afetou as atividades produtivas entre 2013 e 2014.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A iniciativa permitiu ampliar o apoio que vinha sendo fornecido aos propriet\u00e1rios rurais pela Copa\u00edba, criando maior engajamento. \u201cAssim, com assist\u00eancia t\u00e9cnica e materiais para cerca e preparo do solo, por exemplo, h\u00e1 mais chances de as florestas se perpetuarem\u201d, afirma Ana, lembrando que, apesar do grande interesse, a restaura\u00e7\u00e3o, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 realizada porque \u00e9 cara. Atualmente, segundo ela, h\u00e1 maior atrativo para o retorno dos propriet\u00e1rios \u00e0 terra, com motiva\u00e7\u00e3o para ampliar a \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o e investir em <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">agroflorestas<\/a><\/strong> com retorno econ\u00f4mico, al\u00e9m do potencial do turismo rural (<em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/videodepoimentos-cerrado-mata-atlantica-pantanal-e-florestas-urbanas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">assista aqui ao v\u00eddeo sobre a iniciativa<\/a><\/em>).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Entre as 17 nascentes em processo de recupera\u00e7\u00e3o pelo projeto, uma est\u00e1 localizada no s\u00edtio do casal Andr\u00e9 e J\u00falia Jardim, no munic\u00edpio de Bueno Brand\u00e3o (MG). Ele, ge\u00f3grafo, ela, ge\u00f3loga, a dupla antecipou o antigo sonho de viver no campo, longe da correria da capital, adquirindo seis hectares \u2013 metade com mata conservada. N\u00e3o fosse a pandemia de Covid-19, o plano original seria tirar um per\u00edodo sab\u00e1tico na mineradora onde trabalhavam para fazer uma expedi\u00e7\u00e3o por estradas de Ushuaia ao Alasca, a bordo de uma antiga camionete Chevrolet 71, no ano passado. \u201cPlantamos 4,3 mil mudas para recuperar a nascente e come\u00e7amos a criar uma agrofloresta com esp\u00e9cies frut\u00edferas na pastagem degradada\u201d, conta Andr\u00e9, com plano de adquirir terras vizinhas para dobrar a \u00e1rea.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: center;\"><strong>Cerrado<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Os coletores da Chapada dos Veadeiros<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Filho de agricultor e garimpeiro, o goiano Claudomiro Cortes trabalhava na lavoura com a fam\u00edlia de 13 irm\u00e3os e decidiu ingressar na brigada de combate a inc\u00eandios do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros como complemento de renda no per\u00edodo de clima seco, quando a ro\u00e7a fica menos produtiva. Ele n\u00e3o sabia, por\u00e9m, que a atitude significaria um futuro diferente para sua hist\u00f3ria pessoal e daquele importante peda\u00e7o do Cerrado, bioma que j\u00e1 perdeu mais da metade da vegeta\u00e7\u00e3o original e representa 70% da agricultura brasileira.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Do trabalho inicial contra o fogo na mata veio o entendimento de como funciona a natureza e, posteriormente, a descoberta de oportunidades na restaura\u00e7\u00e3o do que havia sido destru\u00eddo. \u201cAp\u00f3s seis meses na brigada, fui chamado para trabalhar no parque e assim come\u00e7ou minha paix\u00e3o pela conserva\u00e7\u00e3o, porque antes disso s\u00f3 fazia derrubar \u00e1rvores\u201d, revela Clau, como \u00e9 conhecido pelas bandas de Alto Para\u00edso (GO) e entorno, onde vive \u00e0 luz de vela, sem energia el\u00e9trica, no povoado de S\u00e3o Jorge \u2013 famoso como reduto de vida alternativa, agora tamb\u00e9m ber\u00e7o de a\u00e7\u00f5es visando a recupera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, com envolvimento de empresas e diversas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A primeira luz neste caminho surgiu em 2009, quando um grande inc\u00eandio fugiu de controle devido \u00e0 grande quantidade de capim-coloni\u00e3o disseminada no passado para alimentar gado em \u00e1rea hoje dentro do Parque Nacional. Essa esp\u00e9cie ex\u00f3tica, ou seja, n\u00e3o nativa do Cerrado, funciona como combust\u00edvel que faz a queimada se alastrar, e as equipes n\u00e3o tiveram chances de evitar o estrago. Algu\u00e9m deu a ideia de retirar a <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">planta invasora<\/a> <\/strong>e colocar o Cerrado de volta, para que o problema n\u00e3o se repetisse no futuro. \u201cFomos a campo, coletamos v\u00e1rios quilos de sementes de \u00e1rvores nativas, plantamos, mas ningu\u00e9m acreditava que germinaria, tal a degrada\u00e7\u00e3o causada na \u00e1rea pelo fogo\u201d, conta Clau, revelando a grande surpresa que tiveram ao retornar tempos depois para ver o experimento: \u201cTinha nascido tudo; estava lindo\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>At\u00e9 o dia da reuni\u00e3o com o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMbio) para avalia\u00e7\u00e3o da continuidade do projeto, em que veio uma outra surpresa: a recomenda\u00e7\u00e3o de plantar n\u00e3o somente \u00e1rvore, como tamb\u00e9m capins nativos, de forma que o Cerrado fosse recuperado com crit\u00e9rios ecol\u00f3gicos, como no ambiente natural, no qual as gram\u00edneas est\u00e3o presentes. \u201cNo meu imagin\u00e1rio, restaura\u00e7\u00e3o s\u00f3 se fazia plantando \u00e1rvore\u201d, afirma Clau. Ele diz que foi chamado de maluco pelos colegas, que ap\u00f3s esse dia o flagravam colhendo sementes de capim. \u201cFiquei especializado nisso, descobri que h\u00e1 mais de 300 esp\u00e9cies nativas desse tipo no Cerrado, mas o pessoal dizia que precis\u00e1vamos plantar banana, abacate ou outras \u00e1rvores mais \u00fateis, porque capim a gente n\u00e3o come.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>N\u00e3o demorou para o trabalho ser reconhecido. Crescia a procura por projetos de restaura\u00e7\u00e3o no parque e foi necess\u00e1rio treinar 66 fam\u00edlias de comunidades vizinhas na coleta de sementes, em 2017, convencendo-as a manter a mata bem conservada para terem renda e, nisso, conseguiram juntar 12 toneladas. Precisavam vender, e o empurr\u00e3o foi dado pelo ator Marcos Palmeira, em filmagem na regi\u00e3o: \u201cEle me parou na estrada dizendo que soube do grupo de coletores que estava restaurando o Cerrado e queria falar com quem coordenava\u201d, revela Clau. Com ajuda do artista, o Sebrae apoiou a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Cerrado de P\u00e9, na qual os coletores n\u00e3o somente expandiram a venda de sementes, como passaram a executar projetos de restaura\u00e7\u00e3o, inclusive fora do Parque Nacional.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como forma de evitar a burocracia, participar de editais e viabilizar o escoamento, a estrat\u00e9gia do grupo foi realizar as vendas atrav\u00e9s da Rede de Sementes do Cerrado, sediada em Bras\u00edlia e j\u00e1 estabelecida no mercado, o que demonstra a tend\u00eancia do trabalho em rede neste setor (<em>saiba mais nesta reportagem<\/em>). Em 2020, o faturamento chegou a R$ 200 mil, e o objetivo neste ano \u00e9 aumentar para R$ 350 mil, distribu\u00eddos entre 80 fam\u00edlias de comunidades rurais, como Teresina de Goi\u00e1s, do povo Kalunga.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>L\u00e1, o quilombola Jaber Guilhermino de Brito orgulha-se ao contar que comprou um bezerro com um p\u00e9 de cagaita \u2013 fruta do Cerrado bastante apreciada em sucos e sorvetes. Al\u00e9m das sementes, o dinheiro para a aquisi\u00e7\u00e3o do animal veio da polpa que o produtor come\u00e7ou a beneficiar, e o plano \u00e9 agora vender as vacas para plantar esp\u00e9cies nativas no quintal e se dedicar exclusivamente ao fornecimento do insumo b\u00e1sico de projetos que reconstroem o bioma.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A renda de uma fam\u00edlia com a venda de sementes pode chegar a R$ 15 mil por ano, segundo estimativa de Clau. Ele conta que, no ano passado, um grupo de coletores fez a restaura\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea sob encomenda de uma usina hidrel\u00e9trica e pelo bom trabalho todos receberam uma di\u00e1ria a mais. Tr\u00eas deles, irm\u00e3os Kalunga da comunidade V\u00e3o do Moleque, utilizaram os R$ 300 al\u00e9m do previsto na compra de um fog\u00e3o a g\u00e1s para a m\u00e3e, que durante toda a vida precisou cortar lenha para cozinhar. \u201cVoltei l\u00e1 ap\u00f3s tr\u00eas meses e ela ainda n\u00e3o tinha usado o presente, guardado como rel\u00edquia para n\u00e3o estragar, at\u00e9 o dia em que finalmente fez a inaugura\u00e7\u00e3o e me chamou para um caf\u00e9\u201d, diz Clau.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ele passou de coletor de sementes a t\u00e9cnico em restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado, na trajet\u00f3ria que permitiu, at\u00e9 o momento, a volta da vegeta\u00e7\u00e3o nativa em 450 hectares. Diante da crescente demanda de empresas em projetos de compensa\u00e7\u00e3o ambiental, a ideia \u00e9 expandir as a\u00e7\u00f5es por meio de parcerias com fazendeiros para acesso a novas \u00e1reas de coleta, seguindo regras como a retirada de at\u00e9 30% das sementes para garantir a dispers\u00e3o natural e a alimenta\u00e7\u00e3o da fauna. \u201cN\u00e3o temos outra sa\u00edda sen\u00e3o restaurar, porque daqui a um tempo j\u00e1 n\u00e3o teremos \u00e1gua\u201d, afirma (<em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/videodepoimentos-cerrado-mata-atlantica-pantanal-e-florestas-urbanas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">assista aqui ao v\u00eddeo sobre a iniciativa<\/a><\/em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/videodepoimentos-cerrado-mata-atlantica-pantanal-e-florestas-urbanas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">)<\/a>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: center;\"><strong>Caatinga<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A salva\u00e7\u00e3o do Velho Chico<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A necessidade da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da Caatinga, bioma que apresenta particulares condi\u00e7\u00f5es de clima e solo no Semi\u00e1rido brasileiro, com vegeta\u00e7\u00e3o nativa reduzida a 44% da original, traz junto um desafio urgente: evitar a degrada\u00e7\u00e3o e a morte do Rio S\u00e3o Francisco, recuperando as matas ciliares do longo de suas margens. Em alguns trechos, devido \u00e0 acentuada eros\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel atravess\u00e1-lo a p\u00e9, e a busca por solu\u00e7\u00f5es tem inspirado experimentos cient\u00edficos do Centro de Refer\u00eancia para Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas (Crad), no sentido de entender as din\u00e2micas que influenciam a flora e como devolv\u00ea-la \u00e0 paisagem severina.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Cerca de 40% da bacia hidrogr\u00e1fica do Velho Chico \u00e9 coberta pelo bioma Caatinga, e algo perigoso acontece na faixa \u00e0 beira d\u2019\u00e1gua: uma invas\u00e3o biol\u00f3gica. \u201cAs margens est\u00e3o repletas de plantas ex\u00f3ticas, como gram\u00edneas africanas e outras esp\u00e9cies origin\u00e1rias dos v\u00e1rios continentes, o que coloca em risco os 2% de <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">matas ciliares<\/a><\/strong> que restaram, em m\u00e9dia\u201d, adverte Jos\u00e9 Alves de Siqueira Filho, diretor-executivo do Crad, ao lembrar que h\u00e1 v\u00e1rios tipos de Caatinga e a existente nessa regi\u00e3o difere das caracter\u00edsticas em outros lugares do sert\u00e3o nordestino.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Iniciada h\u00e1 cinco anos, uma pesquisa em \u00e1rea experimental na margem do S\u00e3o Francisco, em Juazeiro (BA), identificou 101 esp\u00e9cies de plantas, sendo 18 invasoras. Um dos objetivos foi entender o real papel da algaroba, \u00e1rvore origin\u00e1ria do Peru, disseminada no Nordeste brasileiro para alimenta\u00e7\u00e3o do gado e do bode pelas vagens. \u201cVerificamos que ela atrapalha a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, mas n\u00e3o \u00e9 o principal problema e pode dispensar custos com o corte para repor esp\u00e9cies nativas. As maiores amea\u00e7as s\u00e3o as invasoras\u201d, adverte Siqueira.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A pesquisa constatou que, devido a essas altera\u00e7\u00f5es e \u00e0 cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o das matas ciliares, plantas de regi\u00f5es secas, como o emblem\u00e1tico mandacaru e outros cactos, est\u00e3o tomando o espa\u00e7o na beira do rio. Nessas \u00e1reas, segundo Siqueira, a vegeta\u00e7\u00e3o tornou-se mais empobrecida \u2013 e restaur\u00e1-la requer conhecimento cient\u00edfico, al\u00e9m de interven\u00e7\u00f5es de longo prazo. \u201cNa Caatinga, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">regenera\u00e7\u00e3o natural<\/a><\/strong> como ocorre em outros biomas mais \u00famidos, tamanho o n\u00edvel de colapso aqui verificado\u201d, refor\u00e7a o pesquisador. \u201c\u00c9 preciso um pacote de tecnologias para gerir a restaura\u00e7\u00e3o do bioma; s\u00f3 doa\u00e7\u00e3o de mudas para educa\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o resolve.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que existe solu\u00e7\u00e3o, embora de alto custo pela necessidade de mudas, \u00e1gua e cont\u00ednuo monitoramento. Com base nos experimentos em Juazeiro, nos quais foram plantadas 30 esp\u00e9cies, os pesquisadores confirmaram os resultados da t\u00e9cnica de restaura\u00e7\u00e3o, desenvolvida pelo Crad, que considera as condi\u00e7\u00f5es de resili\u00eancia no bioma, chamada \u201cbomba de biodiversidade\u201d. Funciona, analogicamente, como uma maternidade. Nela, o conceito de \u201ccova\u201d \u00e9 substitu\u00eddo pelo de \u201cber\u00e7o\u201d, forrado por palha de coqueiro para o desenvolvimento da muda, e uma garrafa pl\u00e1stica com \u00e1gua tem a fun\u00e7\u00e3o de \u201cmamadeira\u201d na irriga\u00e7\u00e3o. No sistema, as plantas crescem conforme a sequ\u00eancia da natureza, envolvendo <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">esp\u00e9cies pioneiras, secund\u00e1rias e de cl\u00edmax<\/a><\/strong> (<em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RpC4059ePqY\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"assista aqui ao v\u00eddeo sobre a iniciativa (abre numa nova aba)\">assista aqui ao v\u00eddeo sobre a iniciativa<\/a><\/em>).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cComo filho de produtor rural, vi muito desmatamento acontecendo como m\u00e9todo\u201d, afirma o ge\u00f3grafo Joaquim Neto, criador da SOS Sert\u00e3o, sediada em Patos (PB), e que h\u00e1 duas d\u00e9cadas luta para a regi\u00e3o n\u00e3o virar um deserto. Para isso, um dos principais desafios \u00e9 viabilizar o insumo indispens\u00e1vel \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica: \u00e1gua. No Rio Grande do Norte, com apoio do Banco Mundial e do governo estadual, a ONG recuperou \u00e1reas com irriga\u00e7\u00e3o por po\u00e7o artesiano durante o per\u00edodo de seca, incluindo como diferencial o plantio da palma forrageira, \u00fatil \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o animal e gera\u00e7\u00e3o de renda na regi\u00e3o. Na Para\u00edba, igual modelo foi implantado, mas com uma novidade: a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de reuso do chuveiro \u00e0 cozinha nas comunidades rurais.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201c\u00c9 fundamental plantar antes do per\u00edodo de chuva, para posteriormente a \u00e1rvore utiliz\u00e1-la no crescimento\u201d, recomenda Neto. Em territ\u00f3rio potiguar, as aten\u00e7\u00f5es se voltam agora \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de 106 hectares em \u00e1rea atingida por fogo no Parque Nacional da Furna Feia, rico em \u00e1gua no subsolo. Al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o de po\u00e7o e viveiro de mudas, a integra\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica das comunidades locais t\u00eam sido fator-chave no projeto, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: center;\"><strong>Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Menos custos, mais valor<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O conceito de <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">regenera\u00e7\u00e3o natural assistida<\/a><\/strong> \u2013 ou seja, o empurr\u00e3o na capacidade da natureza de se autorregenerar \u2013 ganha espa\u00e7o em regi\u00f5es de clima e solo prop\u00edcios, diante do desafio de reduzir custos e aumentar o engajamento de grandes produtores rurais para uma maior escala da restaura\u00e7\u00e3o florestal no Pa\u00eds. \u201cO m\u00e9todo \u00e9 um importante chamariz por exigir baixo capital, no cen\u00e1rio em que os propriet\u00e1rios resistem a dispender m\u00e3o de obra e investimentos sem retorno imediato\u201d, afirma o bi\u00f3logo Eduardo Darvin, coordenador do programa de Neg\u00f3cios Sociais do Instituto Centro de Vida (ICV), em Cuiab\u00e1 (MT).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em oito munic\u00edpios amaz\u00f4nicos do Mato Grosso e Par\u00e1, o objetivo \u00e9 restaurar 260 mil hectares em quatro anos, no projeto iniciado no fim de 2020 pela ONG, com apoio da empresa Suzano e recursos de US$ 5 milh\u00f5es por ano. Em campo, os t\u00e9cnicos verificar\u00e3o os fatores que mais contribuem para a regenera\u00e7\u00e3o, como a proximidade com florestas naturais que permitem a dispers\u00e3o de sementes em benef\u00edcio das \u00e1reas vizinhas em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas abandon\u00e1-las e deixar as \u00e1rvores crescerem sozinhas, mas isolar o local de agentes impactantes, como o gado, agrot\u00f3xicos, m\u00e1quinas agr\u00edcolas e fogo. \u00c9 preciso uma intera\u00e7\u00e3o m\u00ednima, al\u00e9m de colocar cercas: \u201cAs \u00e1reas devem ser estudadas e monitoradas, al\u00e9m da necessidade de reconhecimento formal como projeto de restaura\u00e7\u00e3o\u201d, explica Darvin.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o dos atores e realiza\u00e7\u00e3o de oficinas junto a empresas rurais, cooperativas e outras organiza\u00e7\u00f5es, a iniciativa far\u00e1 o mapeamento de \u00e1reas priorit\u00e1rias por meio de geotecnologias, apontando lugares de baixo, m\u00e9dio e alto potencial de regenera\u00e7\u00e3o natural. Entre as a\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o engajamento de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para a ado\u00e7\u00e3o do modelo no Programa de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental (PRA) das propriedades rurais, conforme previsto pela lei.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA principal barreira est\u00e1 em novos desmatamentos que colocam em risco \u00e1reas em recupera\u00e7\u00e3o\u201d, adverte o bi\u00f3logo, para quem \u00e9 necess\u00e1rio criar par\u00e2metros de monitoramento. E, tamb\u00e9m, definir os locais mais prop\u00edcios e agir, antes que seja tarde demais. O potencial da regenera\u00e7\u00e3o natural \u00e9 atrativo, mas em \u00e1reas de maior degrada\u00e7\u00e3o h\u00e1 o risco de isso j\u00e1 n\u00e3o ser mais poss\u00edvel, conforme o resultado dos impactos das queimadas e do desmatamento.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na Amaz\u00f4nia, o passivo ambiental soma 8 milh\u00f5es de hectares \u2013 \u00e1rea que precisa receber a floresta de volta e representa o dobro do territ\u00f3rio do estado do Rio de Janeiro. Em S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu e Tucum\u00e3 (PA), munic\u00edpios do Arco do Desmatamento, outro projeto, conduzido pela TNC, mobiliza a agricultura familiar para a produ\u00e7\u00e3o em agroflorestas, alternativa de renda que valoriza a floresta em p\u00e9 e tem o cacau como carro-chefe na concorr\u00eancia com atividades que degradam.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cNa Amaz\u00f4nia, o modelo se integra a uma bioeconomia da restaura\u00e7\u00e3o florestal vinculada \u00e0s cadeias produtivas da sociobiodiversidade\u201d, observa Rodrigo Freire, gerente da estrat\u00e9gia de restaura\u00e7\u00e3o florestal da ONG e coordenador das a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, com apoio \u00e0 assist\u00eancia t\u00e9cnica e acesso a cr\u00e9dito rural. Hoje, a estrat\u00e9gia abrange 260 fam\u00edlias, no total de 900 hectares de pastagens transformadas em agrofloresta produtiva, junto a mais 500 hectares de \u00e1reas conservadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Al\u00e9m da seguran\u00e7a alimentar, o plano \u00e9 alcan\u00e7ar entre 20% e 30% de aumento da renda bruta ap\u00f3s cinco anos de projeto. A iniciativa integra grandes ind\u00fastrias do setor para fazer a ponte entre cooperativas de pequenos produtores e a fabrica\u00e7\u00e3o de chocolate com o diferencial amaz\u00f4nico e rastreabilidade da origem sustent\u00e1vel. \u201cO cacau apresenta rentabilidade sete a dez vezes maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pecu\u00e1ria de baixa produtividade, principal vetor de desmate na regi\u00e3o, 40% a 50% associado \u00e0 agricultura familiar\u201d, ressalta Freire.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O objetivo, segundo ele, \u00e9 tornar a restaura\u00e7\u00e3o florestal um motor de desenvolvimento, na esteira do interesse global por coopera\u00e7\u00e3o nas quest\u00f5es da Amaz\u00f4nia. Em parceria com a Extreme E, empresa brit\u00e2nica que promove corridas <em>off-road<\/em> internacionais com carros el\u00e9tricos em regi\u00f5es remotas como a Floresta Amaz\u00f4nica ou o \u00c1rtico, o projeto vai restaurar 200 hectares com agrofloresta, beneficiando 50 fam\u00edlias na regi\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: center;\"><strong>Pantanal<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Vida ap\u00f3s o fogo<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Menos de um ano ap\u00f3s a trag\u00e9dia dos inc\u00eandios que devastaram o Pantanal, as cenas da natureza \u201cressuscitada\u201d pelas chuvas, exibidas recentemente na TV, s\u00e3o motivo de alento. Mas est\u00e3o longe de elucidar a complexidade da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no bioma, marcado pelo fluxo das \u00e1guas na din\u00e2mica de cheias e vazantes. \u201c\u00c9 preciso conhecer bem o sistema e n\u00e3o d\u00e1 para trabalhar com modelos importados de outras regi\u00f5es\u201d, diz a pesquisadora Solange Ikeda, da Universidade do Estado do Mato Grosso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A bi\u00f3loga seguiu com os pais e av\u00f3s a rota da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil at\u00e9 chegar em C\u00e1ceres (MT), ao Norte do Pantanal, onde o legado da hist\u00f3ria familiar a fez mergulhar na viv\u00eancia com comunidades tradicionais, associando as pesquisas acad\u00eamicas ao trabalho social. Nessa trajet\u00f3ria, criou o Instituto Gaia, inicialmente voltado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ambiental e aos alertas contra os impactos da Hidrovia Paraguai-Paran\u00e1, at\u00e9 que, em 2011, come\u00e7ou a olhar tamb\u00e9m para as crescentes demandas de assentamentos rurais diante das nascentes que secavam.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA uni\u00e3o do conhecimento tradicional \u00e0 ci\u00eancia \u00e9 estrat\u00e9gica, porque n\u00e3o existem refer\u00eancias completas sobre a germina\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies no Pantanal\u201d, afirma Ikeda. Ela lembra que o bioma apresenta diversas fisionomias vegetais, desde as \u00e1reas mais secas at\u00e9 as alag\u00e1veis, e nesses sistemas as plantas s\u00e3o condicionadas a fatores como altura e tempo de inunda\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Atualmente, ap\u00f3s as queimadas do ano passado, as equipes da bi\u00f3loga est\u00e3o revisitando as \u00e1reas de 50 nascentes que come\u00e7aram a ser restauradas, com apoio do WWF-Brasil e outras entidades, em 2012. O objetivo \u00e9 verificar o estado em que se encontram e a necessidade de novas interven\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 fundamental o di\u00e1logo com as comunidades para a restaura\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 not\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o das chuvas e das \u00e1reas alagadas, agora vulner\u00e1veis ao fogo&#8221;, diz Ikeda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em paralelo, o Instituto Gaia iniciou a recupera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica com vi\u00e9s social em quatro comunidades do entorno do Parque Nacional do Pantanal, com plantio de 30 esp\u00e9cies nativas em sistema agroflorestal, como a laranjinha-de-pacu, importante para a cadeia alimentar, e a cambar\u00e1, uma das primeiras a retornar \u00e0 natureza em regenera\u00e7\u00e3o. A iniciativa, tamb\u00e9m voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, foi demandada pela Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras e integra o programa Humedales Sin Fronteras, abrangendo \u00e1reas \u00famidas do Brasil e de pa\u00edses vizinhos, com financiamento da Holanda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com pr\u00e1ticas de restaura\u00e7\u00e3o no Pantanal, <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">pl\u00e2ntulas<\/a><\/strong> abundantes coletadas nas regi\u00f5es de baixio, que j\u00e1 sofreram cheias, s\u00e3o transplantadas para as \u00e1reas mais altas e protegidas do gado por cerca, aumentando sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA chuva ameniza, mas n\u00e3o cura as feridas\u201d, refor\u00e7a a pesquisadora, ao explicar que \u201ctudo pode rebrotar, mas n\u00e3o sabemos os impactos da degrada\u00e7\u00e3o sobre a sucess\u00e3o ecol\u00f3gica e os demais fatores ligados a esse processo\u201d. Al\u00e9m das queimadas no per\u00edodo seco, a plan\u00edcie pantaneira sofre com os efeitos da expans\u00e3o da soja no bioma vizinho, o Cerrado \u2013 problema associado a outros fatores, que por d\u00e9cadas causa eros\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es graves do Rio Taquari, na regi\u00e3o de Coxim (MS), afetando o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e a din\u00e2mica de inunda\u00e7\u00f5es (<em>saiba mais sobre o desastre ecol\u00f3gico do Rio Taquari <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=VGkWVb2bjSs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">neste document\u00e1rio<\/a><\/em>).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Essas e outras quest\u00f5es s\u00e3o temas do atual movimento, liderado por Ikeda, em torno da constitui\u00e7\u00e3o do Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o do Pantanal, com mais de 40 entidades, nos moldes de redes j\u00e1 existentes nos demais biomas brasileiros (<em>saiba mais <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/conexoes-em-rede\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"nesta reportagem (abre numa nova aba)\">nesta reportagem<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/videodepoimentos-cerrado-mata-atlantica-pantanal-e-florestas-urbanas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"assista aqui ao v\u00eddeo (abre numa nova aba)\">assista aqui ao v\u00eddeo<\/a> sobre a iniciativa<\/em>).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align: center;\"><strong>Pampa <\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A natureza a nosso favor<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Aos 12 anos, quando percebeu que os impactos dos cultivos agr\u00edcolas causavam escassez de \u00e1gua e sumi\u00e7o dos animais no entorno do Rio Vacaca\u00ed, em Santa Maria (RS), a pesquisadora ga\u00facha Ana Paula Rovedder j\u00e1 tinha decidido pelo futuro profissional na \u00e1rea de meio ambiente e caiu na restaura\u00e7\u00e3o florestal. \u201cChorei na adolesc\u00eancia com a not\u00edcia do assassinato do l\u00edder seringueiro Chico Mendes e certamente aquilo n\u00e3o passaria em branco\u201d, conta.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>De in\u00edcio, a agr\u00f4noma e engenheira florestal dedicou-se \u00e0s pesquisas sobre impactos \u00e0s dunas naturais no Oeste ga\u00facho. Hoje, como coordenadora do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas (Neprade), da Universidade Federal de Santa Maria, est\u00e1 \u00e0 frente de trabalhos que imitam os processos da natureza para a restaura\u00e7\u00e3o do Pampa, bioma que ocupa 176 mil quil\u00f4metros quadrados no Sul do Pa\u00eds, ou 2% do territ\u00f3rio brasileiro. \u201cA caminhada \u00e9 recente e temos muito a aprender, porque a demanda para conserto dos danos \u00e9 muito grande\u201d, aponta a pesquisadora.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao contr\u00e1rio das \u00e1reas florestais, associadas a rios e \u00e0 transi\u00e7\u00e3o desse bioma com a Mata Atl\u00e2ntica \u2013 em que j\u00e1 existe maior conhecimento t\u00e9cnico para recupera\u00e7\u00e3o \u2013, as forma\u00e7\u00f5es campestres presentes em grande parte da regi\u00e3o representam um desafio. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio adaptar m\u00e9todos j\u00e1 conhecidos aos condicionantes do clima subtropical, entendendo melhor o comportamento de nossas esp\u00e9cies e como os plantios reagem a determinadas situa\u00e7\u00f5es, como as geadas\u201d, explica Rovedder.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA estrat\u00e9gia \u00e9 desenvolver t\u00e9cnicas que tenham a natureza a nosso favor\u201d, enfatiza. No projeto Restaura Pampa, financiado pelo Global Environment Fund (GEF), o objetivo \u00e9 testar formas de recompor a vegeta\u00e7\u00e3o campestre, utilizando como laborat\u00f3rio \u00e1reas da Reserva Biol\u00f3gica do Ibirapuit\u00e3 e do Parque Estadual do Espinilho. Nesses locais, ser\u00e3o aplicadas t\u00e9cnicas como a transposi\u00e7\u00e3o de fatias do solo contendo <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">prop\u00e1gulos<\/a><\/strong> e sementes e a dispers\u00e3o delas por animais, inclusive com a reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de aves, como o cardeal-amarelo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O Pampa possui diferentes fisionomias de paisagem, dos banhados e matas de galeria aos mosaicos de vegeta\u00e7\u00e3o campestre, nos quais os campos nativos convivem em equil\u00edbrio com a pecu\u00e1ria. A atividade ajuda a conserv\u00e1-los por meio do pastejo \u2013 cen\u00e1rio onde historicamente surgiu o \u00edcone cultural do \u201chomem ga\u00facho\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nos campos sulinos, a estrat\u00e9gia de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica deve incluir o manejo pastoril, associado ao uso de esp\u00e9cies nativas n\u00e3o florestais, permitindo retorno econ\u00f4mico e o ganho de escala. No entanto, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas os impactos ambientais reduziram em 17% a cobertura original do bioma \u2013 1,5 mil quil\u00f4metros quadrados, dez vezes o territ\u00f3rio do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. \u201cA maior amea\u00e7a vem da agricultura para produ\u00e7\u00e3o de commodities, principalmente soja\u201d, adverte a pesquisadora, tamb\u00e9m dedicada ao estudo de esp\u00e9cies medicinais como resgate do conhecimento tradicional perdido ao longo da Hist\u00f3ria.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativas nos diferentes biomas acumulam conhecimento e tornam-se refer\u00eancia para o aumento da escala da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Pa\u00eds Por S\u00e9rgio Adeodato _ Foto: Hanna Tims\/ Unsplash Duas pol\u00edticas p\u00fablicas destacam-se no cen\u00e1rio brasileiro como refer\u00eancia em restaura\u00e7\u00e3o florestal. 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