{"id":3153,"date":"2021-06-01T16:22:04","date_gmt":"2021-06-01T19:22:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=3153"},"modified":"2022-02-22T07:56:25","modified_gmt":"2022-02-22T10:56:25","slug":"muito-alem-de-plantar-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/muito-alem-de-plantar-arvores\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m de plantar \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>A restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na escala da paisagem \u00e9 o m\u00e9todo mais eficaz, em conjunto com a regenera\u00e7\u00e3o natural de florestas, para o Brasil alcan\u00e7ar suas metas clim\u00e1ticas. E, ao mesmo tempo, fortalecer a biodiversidade <\/em><\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><em><strong>Por Magali Cabral<\/strong> _ Foto: Simon Berger\/ Unsplash<\/em><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true} -->\r\n<p class=\"has-drop-cap\">Conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o s\u00e3o termos muito associados ao mundo das artes, mas, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tornaram-se conceitos cruciais no campo ambiental. Quando se restaura uma obra de arte muito maltratada pelo tempo ou pela a\u00e7\u00e3o humana, a ideia \u00e9 aproxim\u00e1-la ao m\u00e1ximo de sua forma e express\u00f5es originais. Com a natureza acontece mais ou menos a mesma coisa. Existem m\u00e9todos de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que trazem de volta ecossistemas muito semelhantes aos originais.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Mas a analogia termina aqui, pois, se um afresco deteriorado pode ser \u201crecuperado\u201d em quest\u00e3o de semanas, a natureza, por mais incentivos que receba, precisa de muitas d\u00e9cadas para recompor um ecossistema biodiverso. <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature16512\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Este estudo<\/a> publicado na revista cient\u00edfica <em>Nature<\/em> mostra, por exemplo, que s\u00e3o necess\u00e1rios 66 anos, em m\u00e9dia, para uma floresta em processo de regenera\u00e7\u00e3o estocar 90% do carbono presente em um ecossistema original.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Com o chamado <strong><em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">tipping point<\/a><\/em><\/strong> \u201cbatendo \u00e0 porta\u201d do planeta azul, a falta de tempo aciona dois alarmes. Um, para a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o do pouco que restou de ecossistemas originais \u2013 cerca de 3%, segundo <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/ffgc.2021.626635\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">pesquisa<\/a> realizada na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Outro, para a urg\u00eancia da restaura\u00e7\u00e3o florestal na escala da paisagem, um conceito criado pela Uni\u00e3o Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) e que vem sendo disseminado mundialmente nos \u00faltimos anos. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que podem ajudar a frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a evitar o colapso da biodiversidade.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>\u00c9 disso que trata a D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas 2021 \u2013 2030, lan\u00e7ada em junho pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, sob a lideran\u00e7a do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO). Outros objetivos da campanha s\u00e3o o combate \u00e0 pobreza e a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda (<em>abaixo, algumas das iniciativas mais emblem\u00e1ticas em restaura\u00e7\u00e3o florestal no planeta<\/em>).<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:image {\"id\":3269,\"width\":1920,\"height\":1264,\"linkDestination\":\"media\"} -->\r\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3342 size-full\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1264\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa.jpg 1920w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa-768x506.jpg 768w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa-1024x674.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mapa-1440x948.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a>\r\n<figcaption>Clique para ampliar<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<!-- \/wp:image -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Um diferencial da restaura\u00e7\u00e3o na escala da paisagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s iniciativas convencionais \u00e9 a inclus\u00e3o dos atores locais no planejamento e na execu\u00e7\u00e3o dos projetos. As necessidades humanas passam a integrar a composi\u00e7\u00e3o das paisagens. Outra caracter\u00edstica \u00e9 o ganho de escala: em vez de projetos pontuais que restauram, por exemplo, a mata ciliar em um trecho de rio ou a Reserva Legal de uma fazenda, a ideia \u00e9 olhar mais longe. Geograficamente, a delimita\u00e7\u00e3o de uma paisagem costuma abranger uma microbacia hidrogr\u00e1fica, um munic\u00edpio ou toda uma regi\u00e3o com v\u00e1rias cidades.<a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3270 size-full\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1264\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a.jpg 1920w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a-768x506.jpg 768w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a-1024x674.jpg 1024w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/info-2a-1440x948.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:image {\"id\":3270,\"width\":1920,\"height\":1264,\"linkDestination\":\"media\"} -->\r\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\">\r\n<figcaption>Clique para ampliar<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<!-- \/wp:image -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>O Plano Conservador da Mantiqueira, por exemplo, est\u00e1 certificando para restaura\u00e7\u00e3o florestal na escala da paisagem uma regi\u00e3o de 1,5 milh\u00e3o de hectares, que abriga 425 munic\u00edpios (<em>mais <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/vitrines-inspiradoras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"nesta reportagem (abre numa nova aba)\">nesta reportagem<\/a><\/em>). \u201cCom essa configura\u00e7\u00e3o, a restaura\u00e7\u00e3o consegue se tornar um vetor de desenvolvimento\u201d, afirma o especialista em restaura\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil, Thiago Belote.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Al\u00e9m de gerar <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">externalidades positivas<\/a><\/strong> ao reduzir a press\u00e3o do desmatamento e recuperar servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, autorregula\u00e7\u00e3o do clima, controle de pragas, entre outras, a pr\u00f3pria atividade de restaura\u00e7\u00e3o em si \u00e9 uma geradora de empregos, pois arregimenta ca\u00e7adores de sementes nativas, produtores de mudas, pessoal para o plantio e manuten\u00e7\u00e3o, para o monitoramento etc.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>\u201cDe certo modo j\u00e1 se pensava nessa abordagem de paisagem h\u00e1 muitos anos. Para buscar solu\u00e7\u00f5es para as crises h\u00eddricas, por exemplo, j\u00e1 along\u00e1vamos a nossa vis\u00e3o para toda a bacia hidrogr\u00e1fica. Mas faltava uma metodologia\u201d, lembra o consultor s\u00eanior do Programa de Florestas do\u00a0WRI\u00a0Brasil, Miguel Calmon.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Em 2013, o WRI e a UICN lan\u00e7aram a ferramenta Restoration Opportunity Assessment Methodology (ROAM), dando destaque \u00e0 import\u00e2ncia do trabalho de engajamento e da governan\u00e7a participativa. \u201cSe antes trabalh\u00e1vamos s\u00f3 com o produtor rural, agora procuramos engajar todos os atores de uma paisagem, agricultores, moradores, prefeitura, sociedade civil e empres\u00e1rios para participar da elabora\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de projetos\u201d, afirma Calmon.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><strong>Paisagem em mosaico<\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>As camadas que formam a paisagem de uma restaura\u00e7\u00e3o florestal s\u00e3o totalmente male\u00e1veis, podem variar conforme as caracter\u00edsticas locais, mas seguem alguns princ\u00edpios. \u00c9 fundamental ter nessa paisagem florestas nativas bem conservadas que garantam a provis\u00e3o de <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">servi\u00e7os ecossist\u00eamicos<\/a><\/strong>, como produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em quantidade e com qualidade.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Quando essas florestas est\u00e3o degradadas ou fragmentadas, \u00e9 necess\u00e1rio recuper\u00e1-las, seja por meio do plantio de sementes e mudas, seja por regenera\u00e7\u00e3o natural, quando poss\u00edvel. Na sequ\u00eancia, formando cont\u00ednuos florestais, entram na paisagem os <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Sistemas Agroflorestais <\/a><\/strong>(SAF), que permitem incont\u00e1veis arranjos produtivos sustent\u00e1veis e rent\u00e1veis (<em>mais <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/o-continuo-florestal-e-a-continuidade-das-florestas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"neste artigo (abre numa nova aba)\">neste artigo<\/a><\/em>). \u00a0<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Juntas, a restaura\u00e7\u00e3o florestal na escala da paisagem e a regenera\u00e7\u00e3o natural de \u00e1reas florestais desmatadas \u2013 que estejam abandonadas ou que n\u00e3o tenham aptid\u00e3o para a agricultura \u2013 s\u00e3o vistas como o \u201cpulo do gato\u201d para se atingir a meta global de recuperar 350 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2030, prevista no<strong> <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Desafio de Bonn (abre numa nova aba)\">Desafio de Bonn<\/a> <\/strong>(The Bonn Challenge). Esse acordo foi assinado em 2011, em Bonn, na Alemanha, por mais de 70 pa\u00edses \u2013 entre eles, o Brasil. Desse montante, cabe ao Brasil a restaura\u00e7\u00e3o de 12 milh\u00f5es de hectares, meta inicialmente prevista na Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada, a NDC brasileira, estabelecida em 2015 no Acordo de Paris, e hoje amparada pelo Plano Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/servicosambientais\/ecossistemas-1\/conservacao-1\/politica-nacional-de-recuperacao-da-vegetacao-nativa\/planaveg_plano_nacional_recuperacao_vegetacao_nativa.pdf\">Planaveg<\/a>), de 2017 (<em>mais no quadro &#8220;Organizando as Metas<\/em>&#8220;). \u00a0<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o de outros 10 milh\u00f5es de hectares est\u00e1 prevista no\u00a0Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), sendo 5 milh\u00f5es de hectares para Integra\u00e7\u00e3o Lavoura, Pecu\u00e1ria e Floresta (ILPF) e a outra metade para recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas. \u201cA restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa monumental. Nos pr\u00f3ximos dez anos, cada a\u00e7\u00e3o conta. Cada pa\u00eds, empresa, organiza\u00e7\u00e3o e indiv\u00edduo tem um papel a desempenhar\u201d, enfatiza a campanha da ONU para esta d\u00e9cada, cujas estrat\u00e9gias podem ser visitadas <a href=\"https:\/\/www.decadeonrestoration.org\/pt-br\/estrategia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">aqui<\/a>.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Na opini\u00e3o de Miguel Calmon, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds da restaura\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos 20 anos, acumulou muita experi\u00eancia no tema, mas com foco em projetos de abrang\u00eancia limitada. \u201cQuando olhamos para as \u00faltimas d\u00e9cadas, vemos que, apesar de muito esfor\u00e7o e investimento, obtivemos resultados pouco significativos se comparado ao que almejamos hoje\u201d, avalia. \u201cA partir de 2011, quando o Bonn Challenge consolidou essa nova abordagem de paisagem, come\u00e7amos a mudar nossa estrat\u00e9gia, ou jamais atingir\u00edamos metas t\u00e3o ambiciosas.\u201d<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><strong>Regenera\u00e7\u00e3o natural<\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Boa parte da press\u00e3o do desmatamento sobre a floresta \u00e9 para a convers\u00e3o do solo em cultivo agr\u00edcola. Na Amaz\u00f4nia, por exemplo, pratica-se uma agricultura itinerante de fogo: a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 cortada e queimada para permitir o plantio.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Segundo a gerente s\u00eanior de Restaura\u00e7\u00e3o de Paisagens e Florestas da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional (CI-Brasil), Danielle Celentano, essa \u00e9 uma pr\u00e1tica muito antiga, de origem ind\u00edgena. Foi uma t\u00e9cnica sustent\u00e1vel enquanto seu uso limitava-se \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas numa \u00e9poca em que a imensa disponibilidade de florestas ainda n\u00e3o despertava interesse econ\u00f4mico. \u201cOs ind\u00edgenas colhiam o alimento e buscavam uma nova \u00e1rea para o plantio, enquanto aquela era deixada para a natureza regenerar. Como era uma atividade de baixa intensidade, a natureza conseguia recuperar o ecossistema sem problemas\u201d, conta.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Hoje, a regenera\u00e7\u00e3o natural, importante para o Pa\u00eds alcan\u00e7ar suas metas, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, e tamb\u00e9m na Mata Atl\u00e2ntica, existem \u00e1reas desmatadas que ainda conservam resili\u00eancia. Se o solo estiver em bom estado e se existirem remanescentes florestais ricos em biodiversidade n\u00e3o muito distantes, est\u00e3o dadas as condi\u00e7\u00f5es para uma nova floresta crescer sem necessidade de muita interven\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 preciso apenas a garantia de que a \u00e1rea est\u00e1 segura em rela\u00e7\u00e3o a novos dist\u00farbios.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>\u201cSe h\u00e1 risco de fogo, a \u00e1rea deve ser protegida com aceiros [<em>faixas sem vegeta\u00e7\u00e3o para prevenir a passagem do fogo<\/em>]. Ou, se existirem pastagens nas imedia\u00e7\u00f5es, \u00e9 importante impedir o acesso do gado \u00e0s folhas palat\u00e1veis da regenera\u00e7\u00e3o. Feito isso, a biodiversidade presente nas florestas remanescentes \u2013 aves, morcegos e outros mam\u00edferos polinizadores \u2013 dar\u00e1 conta do trabalho\u201d, explica Celentano.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Caso contr\u00e1rio, se houver pouca resili\u00eancia \u2013 vegeta\u00e7\u00e3o remanescente muito fragmentada ou solo degradado \u2013, a regenera\u00e7\u00e3o exigir\u00e1 investimentos em aduba\u00e7\u00e3o e em plantio de sementes e mudas nativas, preferencialmente, mais atrativas \u00e0 fauna.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Um grande desafio atual \u00e9 identificar as \u00e1reas que est\u00e3o passando por processo de regenera\u00e7\u00e3o natural e contabiliz\u00e1-las para que sejam oficialmente computadas como meta cumprida. Para o diretor de Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do Instituto BVRio, Beto Mesquita, as a\u00e7\u00f5es de monitoramento est\u00e3o atrasadas devido ao fato de o tema da regenera\u00e7\u00e3o natural ter demorado a despertar um real interesse da ci\u00eancia. \u201cO tema sempre esteve ali piscando, mas s\u00f3 agora veio \u00e0 tona como um elemento importante para a contabilidade da restaura\u00e7\u00e3o florestal\u201d, afirma.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Se o Brasil colocasse hoje na ponta do l\u00e1pis toda a sua \u00e1rea florestal em processo de regenera\u00e7\u00e3o natural, segundo Mesquita, alcan\u00e7aria facilmente os 12 milh\u00f5es de hectares. No entanto, \u00e9 preciso retirar dessa contabilidade as \u00e1reas que parecem estar em processo de regenera\u00e7\u00e3o mas, na verdade, est\u00e3o em <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">pousio<\/a><\/strong> \u2013 \u201cs\u00e3o terras dispon\u00edveis para a agricultura, inclusive do ponto de vista legal, e que por uma conting\u00eancia econ\u00f4mica ou social moment\u00e2nea est\u00e3o em repouso, mas a qualquer momento podem ser convertidas novamente para a agricultura\u201d, explica.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Para serem consideradas \u00e1reas em processo de regenera\u00e7\u00e3o plena, eleg\u00edveis \u00e0 contabilidade da meta, \u00e9 preciso manter um monitoramento sob par\u00e2metros e crit\u00e9rios expressivos. \u201cAtualmente, tanto o Brasil como outros pa\u00edses debru\u00e7am-se em pesquisas para definir as regenera\u00e7\u00f5es naturais que podem ser contabilizadas como \u00e1reas em processo de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas\u201d, afirma Mesquita.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Uma nova iniciativa veio da Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que lan\u00e7ou neste ano o <a href=\"https:\/\/observatoriodarestauracao.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Observat\u00f3rio da Restaura\u00e7\u00e3o e Reflorestamento<\/a>, uma plataforma que re\u00fane dados de restaura\u00e7\u00e3o, reflorestamento e regenera\u00e7\u00e3o natural no Brasil por meio de imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LQCGTbrBhqM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Neste webinar<\/a> de lan\u00e7amento da plataforma, especialistas debatem os desafios do processo de monitoramento da restaura\u00e7\u00e3o florestal no Brasil. Celentano, uma das participantes, observa que o monitoramento feito em larga escala, embora muito importante, \u00e9 insuficiente. \u201cN\u00e3o podemos deixar de lado o monitoramento complementar <em>in loco, <\/em>pois o sat\u00e9lite mostra a cobertura vegetal, mas n\u00e3o consegue enxergar se os processos ecol\u00f3gicos est\u00e3o de fato no caminho da restaura\u00e7\u00e3o. Isso, s\u00f3 indo a campo\u201d, alerta.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><strong>Sistemas Agroflorestais<\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Os SAFs que comp\u00f5em as restaura\u00e7\u00f5es feitas na escala da paisagem tamb\u00e9m entram na contabilidade das metas. Visto de cima, o Sistema Agroflorestal aparece em continuidade \u00e0 floresta nativa.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Existem in\u00fameros desenhos de manejo de um SAF. Esp\u00e9cies permanentes como o cacau e o cupua\u00e7u podem intercalar-se com culturas anuais, como milho, ab\u00f3bora, mandioca, enquanto mam\u00e3o e banana s\u00e3o colhidos a qualquer momento. Os arranjos s\u00e3o intermin\u00e1veis e, segundo Danielle Celentano, podem gerar uma rentabilidade interessante, como j\u00e1 acontece particularmente em Tom\u00e9-A\u00e7u, no Par\u00e1, onde uma col\u00f4nia de japoneses muito desenvolvidos em sistemas agroflorestais j\u00e1 produz frutas em escala para exporta\u00e7\u00e3o. \u201cO SAF \u00e9 muito compat\u00edvel com a floresta, recupera servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e, em alguns casos, restaura a biodiversidade\u201d, afirma.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Um SAF permite em sua configura\u00e7\u00e3o at\u00e9 os monocultivos, por exemplo, um plantio de eucalipto para a produ\u00e7\u00e3o de celulose. \u201cDesde que feito dentro de um contexto de melhorar a qualidade da paisagem, n\u00e3o h\u00e1 problema nenhum\u201d, pondera a l\u00edder global de restaura\u00e7\u00e3o de paisagens florestais do WWF-Brasil, Anita Diederichsen.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Sob o guarda-chuva dos SAF, surgiu recentemente o conceito de agricultura regenerativa, que vem despertando o interesse de empresas interessadas em gerar impactos positivos em prol da resili\u00eancia clim\u00e1tica. Felipe Villela, cofundador da reNature, uma\u00a0 empresa especializada no assunto, com sede na Holanda, explica que esse sistema ambiciona maximizar os impactos positivos daquilo que j\u00e1 \u00e9 sustent\u00e1vel. \u201cBuscamos ser carbono positivo, e n\u00e3o apenas carbono neutro.\u201d Para atingir resultados, Villela explica que a reNature trabalha com os princ\u00edpios do SAF, da <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">agroecologia<\/a><\/strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">, da <\/a><strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">agricultura sintr\u00f3pica<\/a><\/strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\"> e de <\/a><strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">sistemas agrosilvipastoris<\/a><\/strong> em seus projetos \u2013 um deles, com a Nespresso, busca solu\u00e7\u00f5es para o impacto que a seca persistente no Cerrado mineiro est\u00e1 provocando na produ\u00e7\u00e3o de seus 1.200 fornecedores de caf\u00e9.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><strong><em>Net zero<\/em><\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Um questionamento frequente em semin\u00e1rios e <em>webinares<\/em> diz respeito \u00e0 estrat\u00e9gia preferida do setor empresarial de uso da natureza \u2013 basicamente, o plantio de \u00e1rvores \u2013 para retirar carbono da atmosfera a fim de compensar a sua pegada de carbono. Seria essa estrat\u00e9gia capaz de impactar a temperatura do planeta a tempo de frear a mudan\u00e7a clim\u00e1tica? Afinal, trata-se de uma iniciativa cujos resultados s\u00e3o de longo prazo.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Segundo Anita Diederichsen, para fins clim\u00e1ticos, pouco adianta uma empresa sequestrar carbono para compensar suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.\u00a0\u201cA neutraliza\u00e7\u00e3o do carbono precisa ser considerada em um contexto mais amplo. O setor industrial deve buscar a neutralidade dentro de suas instala\u00e7\u00f5es. Feito isso, o sequestro de carbono adicional ser\u00e1 mais do que bem-vindo, pois poder\u00e1 contribuir com as pol\u00edticas nacionais de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.\u201d<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Os caminhos para uma empresa se tornar neutra em emiss\u00f5es de carbono, independentemente de suas iniciativas em prol da natureza, est\u00e3o apresentados na <a href=\"https:\/\/sciencebasedtargets.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Science Based Targets Initiative<\/a> (SBTi), que surgiu da parceria entre Pacto Global das Na\u00e7\u00f5es Unidas, CDP, We Mean Business Coalition, WRI e WWF. Essa ferramenta traz orienta\u00e7\u00f5es sobre a transi\u00e7\u00e3o de uma matriz energ\u00e9tica emissora de gases para uma matriz limpa, como forma de aumentar as ambi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u201cNesse momento, faz mais sentido para o clima as empresas adotarem essas novas pr\u00e1ticas em vez de apenas lan\u00e7ar cr\u00e9ditos de carbono no mercado. Quando conseguirmos fazer a integra\u00e7\u00e3o da agenda de restaura\u00e7\u00e3o com a do clima, daremos um grande salto\u201d, diz Diederichsen.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Sobre a estrat\u00e9gia predominante das empresas de uso da natureza como medida de combate \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, Anita Diederichsen explica ainda que plantar \u00e1rvores n\u00e3o \u00e9 um fim, \u00e9 um meio. \u201cEstamos falando em ver florestas crescendo com biodiversidade, e a \u00e1rvore, que muitas vezes atrai a aten\u00e7\u00e3o do leigo, \u00e9 s\u00f3 uma parte do processo da restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, observa. \u201cSeria muito bom levar esse olhar ao mundo corporativo, onde o indicador costuma ser apenas a quantidade de \u00e1rvores plantadas.\u201d<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><strong>Gargalos <\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o na escala da paisagem \u00e9 uma abordagem complexa, relativamente nova e, portanto, ainda com muitos desafios pela frente, a come\u00e7ar pela dificuldade de capta\u00e7\u00e3o de recursos financeiros. \u201cAinda que seja caro, ou, em alguns casos, nem tanto, faltam recursos para fazer restaura\u00e7\u00e3o na escala da paisagem\u201d, diz Thiago Belote. Uma possibilidade para viabilizar novos projetos \u00e9, segundo ele, atrair o setor corporativo apresentando-lhe uma perspectiva de aumentar suas ambi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Outro gargalo reside na \u00e1rea t\u00e9cnico-operacional. \u201cN\u00e3o temos viveiros suficientes e nossa assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e9 deficit\u00e1ria. H\u00e1 muitos profissionais na extens\u00e3o rural, mas poucos na florestal\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, os grupos de coletores de sementes est\u00e3o desarticulados e existem poucas tecnologias para aumentar a produtividade de sementes nativas.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Mais uma quest\u00e3o apontada por Belote \u00e9 a baixa capacidade instalada das institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na ponta dos projetos de restaura\u00e7\u00e3o. \u201cAs pequenas associa\u00e7\u00f5es locais, aquelas que p\u00f5em \u2018a m\u00e3o na massa\u2019 da restaura\u00e7\u00e3o, est\u00e3o enfraquecidas, quando n\u00e3o quebradas.\u201d No entanto, \u201celas s\u00e3o fundamentais, pois det\u00eam os contatos locais e conseguem abrir as porteiras das propriedades para a restaura\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Enquanto isso, as ONGs maiores, como o pr\u00f3prio WWF-Brasil, n\u00e3o est\u00e3o, segundo ele, aptas a atuar na ponta fazendo restaura\u00e7\u00e3o. \u201cQuando conseguimos recurso e queremos repass\u00e1-lo para uma institui\u00e7\u00e3o local, n\u00e3o podemos porque ela est\u00e1 com a documenta\u00e7\u00e3o negativada\u201d, lamenta. Para ele, \u00e9 preciso reestruturar as ONGs que atuam na ponta, capacit\u00e1-las em metodologia de restaura\u00e7\u00e3o, em monitoramento e em gest\u00e3o administrativo-financeira.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Outros desafios listados por Belote dizem respeito aos mecanismos regulat\u00f3rios: \u00e9 preciso implementar o C\u00f3digo Florestal e universalizar o <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Cadastro Ambiental Rural <\/a><\/strong>(CAR)<strong>.<\/strong> A inseguran\u00e7a jur\u00eddica tamb\u00e9m est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o de gargalos a serem superados: os estados precisam fazer seus <strong><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/06\/01\/dicionario-dicas-de-leitura-videos-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Programas de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental<\/a><\/strong> (PRA) dando as normativas para que os propriet\u00e1rios rurais tenham seguran\u00e7a para fazer restaura\u00e7\u00e3o com fim econ\u00f4mico. \u201cPoder\u00e1 o propriet\u00e1rio retirar um produto madeireiro daqui a 30 anos? Talvez n\u00e3o. Sem essa seguran\u00e7a jur\u00eddica, ele pode achar melhor nem restaurar\u201d, explica Belote.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o <em>versus<\/em> Covid<\/strong><\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>\u00a0\u201cA import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o das florestas tropicais ganha novos contornos com o surto de Covid-19, na medida em que se constata que o desmatamento de fato aumenta os riscos de doen\u00e7as zoon\u00f3ticas com potencial pand\u00eamico.\u201d A afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 na introdu\u00e7\u00e3o do estudo <em><a href=\"https:\/\/www.iis-rio.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/brancalion_crouzeilles.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Emerging threats linking tropical deforestation and the COVID-19 pandemic<\/a><\/em> (em tradu\u00e7\u00e3o livre: Surgem novas amea\u00e7as relacionando o desmatamento em pa\u00edses tropicais \u00e0 pandemia de Covid-19), que tem como um dos autores o gerente s\u00eanior de conserva\u00e7\u00e3o de biodiversidade no Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), Renato Crouzeilles.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>De acordo com ele, se j\u00e1 era sabido que o desmatamento aumentava o risco de surgimento de novas pandemias, o estudo acrescenta que a pandemia de Covid-19 provoca, ela mesma, um encadeamento de fatos que maximiza ainda mais esse risco.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Mesmo em pa\u00edses tropicais que mant\u00eam pol\u00edticas governamentais fortes na press\u00e3o contra o desmatamento florestal, esse compromisso pode ter sido relaxado durante as medidas de combate ao cont\u00e1gio. O estudo mostra que fechamentos e restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias de ag\u00eancias ambientais durante a pandemia podem ter restringido as opera\u00e7\u00f5es de campo para aplica\u00e7\u00e3o da lei, cuja log\u00edstica \u00e9 particularmente complexa nas fronteiras de desmatamento.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Os pesquisadores compararam imagens de sat\u00e9lite do desmatamento durante um per\u00edodo de quatro semanas em 2020 com dados do mesmo per\u00edodo em 2019 nos tr\u00f3picos globais e registraram um aumento no desmatamento de 63%, 136% e 63% na Am\u00e9rica, \u00c1frica e \u00c1sia-Pac\u00edfico, respectivamente.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Al\u00e9m disso, acordos comerciais que valorizam a sustentabilidade na cadeia produtiva podem ter sido relaxados durante a pandemia para salvaguardar o fornecimento de alimentos aos pa\u00edses importadores.\u00a0 Tudo isso \u00e9 est\u00edmulo ao aumento do desmatamento e cria um c\u00edrculo negativo em que uma coisa leva a outra: \u201cO <em>lockdown<\/em> resulta em menos fiscaliza\u00e7\u00e3o, o que, por sua vez, implica um aumento do\u00a0 desmatamento, da ca\u00e7a e do tr\u00e1fico de animais silvestres que fazem crescer as chances de contato, inclusive por meio da alimenta\u00e7\u00e3o, entre pessoas e v\u00edrus com potencial de suscitar uma nova pandemia como a Covid-19\u201d, explica Crouzeilles.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>A obra do bi\u00f3logo e escritor estadunidense <a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/jared_diamond_why_do_societies_collapse?language=pt-br\">Jared Diamond<\/a>, autor de <em>Colapso<\/em>, sobre civiliza\u00e7\u00f5es que desapareceram em grande parte devido ao mau uso dos recursos naturais, traz \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o a luz piscante de alerta para o <em>tipping point<\/em>. Mas, diferentemente dos idos das extintas civiliza\u00e7\u00f5es Maia (Am\u00e9rica Central e M\u00e9xico) e Rapanui (Ilha de P\u00e1scoa), hoje l\u00edderes mundiais j\u00e1 falam em uma retomada econ\u00f4mica verde no p\u00f3s-pandemia.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph -->\r\n<p>Al\u00e9m disso, a humanidade est\u00e1 bem provida de instrumentos e conhecimentos capazes de evitar o pior desfecho. Um deles, segundo Renato Crouzeilles, \u00e9 a pr\u00f3pria restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas: \u201c\u00c9 uma das formas mais custo-efetivas que existem no mundo para mitigar os efeitos negativos causados pelos seres humanos ao meio ambiente, com in\u00fameros benef\u00edcios, entre os quais o de minimizar o risco de um novo colapso pand\u00eamico\u201d. \u00a0<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph {\"backgroundColor\":\"very-light-gray\",\"fontSize\":\"medium\"} -->\r\n<blockquote>\r\n<p class=\"has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-background-color\" style=\"text-align: center;\"><strong>Organizando as metas<\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<!-- wp:paragraph {\"backgroundColor\":\"very-light-gray\"} -->\r\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\">Ao submeter uma nova Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC), em dezembro de 2020, ao Acordo de Paris, o atual governo brasileiro excluiu do texto a meta de recuperar 12 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas desmatadas at\u00e9 2030, prevista na primeira vers\u00e3o de 2015. Segundo o l\u00edder de restaura\u00e7\u00e3o florestal na The Nature Conservancy (TNC), Rubens Benini, de todo modo a NDC n\u00e3o especificava o tipo de restaura\u00e7\u00e3o florestal que deveria ser adotado, o que pressupunha tanto cobertura vegetal com as esp\u00e9cies nativas dos respectivos biomas como reflorestamento com \u00e1rvores ex\u00f3ticas.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph {\"backgroundColor\":\"very-light-gray\"} -->\r\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\">No entanto, o Plano Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa\u00a0 (Planaveg), lan\u00e7ado em 2017, conforme estava previsto no Desafio de Bonn, estabelece a restaura\u00e7\u00e3o \u2013 esta, sim, ecol\u00f3gica \u2013 de 12,5 milh\u00f5es de hectares. O objetivo do Planaveg nada tem a ver com a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa prevista no Acordo de Paris. Sua finalidade \u00e9 cumprir o C\u00f3digo Florestal Brasileiro. \u201cMas como a extens\u00e3o da \u00e1rea a ser restaurada \u00e9 parecida com a da NDC, e como o Planaveg est\u00e1 em vigor, a meta de restaura\u00e7\u00e3o permanece\u201d, explica Benini. \u00a0<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph {\"backgroundColor\":\"very-light-gray\"} -->\r\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\">Os outros 10 milh\u00f5es de hectares previstos no Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), de acordo com Benini, assim como na antiga NDC brasileira, tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam a ver com restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, apenas com sequestro de carbono. Metade visa melhorar a qualidade do solo de pastagens. E a outra metade visa a ILPF [Integra\u00e7\u00e3o Lavoura, Pecu\u00e1ria e Floresta], \u201co que pode se resumir \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de um sistema silvipastoril, ou seja, introduzir \u00e1rvores em meio \u00e0s pastagens, que n\u00e3o \u00e9 uma restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, mas contribui para conforto animal, sequestro de carbono e conserva\u00e7\u00e3o do solo\u201d, afirma.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n\r\n<!-- wp:paragraph {\"backgroundColor\":\"very-light-gray\"} -->\r\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\">Saiba mais sobre o Desafio de Bonn <a href=\"https:\/\/www.bonnchallenge.org\/sites\/default\/files\/resources\/files\/%5Bnode%3Anid%5D\/Bonn%20Challenge%20Report%20-%20Portuguese.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">aqui<\/a> e, para acessar o Planaveg, clique <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/servicosambientais\/ecossistemas-1\/conservacao-1\/politica-nacional-de-recuperacao-da-vegetacao-nativa\/planaveg_plano_nacional_recuperacao_vegetacao_nativa.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">aqui<\/a>.<\/p>\r\n<!-- \/wp:paragraph -->\r\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na escala da paisagem \u00e9 o m\u00e9todo mais eficaz, em conjunto com a regenera\u00e7\u00e3o natural de florestas, para o Brasil alcan\u00e7ar suas metas clim\u00e1ticas. 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