{"id":3431,"date":"2021-09-23T16:10:03","date_gmt":"2021-09-23T19:10:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=3431"},"modified":"2022-02-22T07:49:52","modified_gmt":"2022-02-22T10:49:52","slug":"pontes-a-construir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/pontes-a-construir\/","title":{"rendered":"Pontes a construir"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>O mercado de trabalho para profissionais que atuem com tem\u00e1tica ESG est\u00e1 aquecido<\/em><em>, mas falta integrar quest\u00f5es socioambientais a todas as \u00e1reas do conhecimento. H\u00e1 lacunas de comunica\u00e7\u00e3o e no aprendizado, prejudicado pelas desigualdades no Brasil <\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Por <strong>Andrea Vialli<\/strong> _ Foto: Tim Swaan\/ Unsplash<\/em><\/p>\n<p>O tsunami ESG chegou ao mercado e fez transbordar a demanda por cursos que possam qualificar profissionais interessados em atuar na esfera ambiental, social e de governan\u00e7a dos neg\u00f3cios. Por abrigar um tema transversal, as \u00e1reas de sustentabilidade \u2013 e agora ESG \u2013 nas organiza\u00e7\u00f5es abarcam profissionais de forma\u00e7\u00f5es das mais variadas, passando por direito, administra\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m as ci\u00eancias da natureza, como biologia, qu\u00edmica, engenharia e gest\u00e3o ambiental. Hoje, com o aquecimento do mercado de trabalho para profissionais que lidem com a tem\u00e1tica, pipocam cursos de forma\u00e7\u00e3o complementares, oferecidos em variados formatos e dura\u00e7\u00f5es, por institui\u00e7\u00f5es tradicionais e outras nem tanto. Para o futuro, a tend\u00eancia \u00e9 que a tem\u00e1tica seja incorporada ao curr\u00edculo da gradua\u00e7\u00e3o, na vis\u00e3o dos especialistas ouvidos pela <strong>P\u00e1gina22<\/strong>.<\/p>\n<p>Embora a agenda ESG n\u00e3o seja necessariamente nova \u2013 entrou para o radar das empresas h\u00e1 pelo menos 20 anos \u2013, o que tem motivado a busca por conhecimento nesses temas \u00e9 uma mudan\u00e7a no ambiente dos neg\u00f3cios, motivada por regula\u00e7\u00f5es, acordos internacionais (como o Acordo de Paris para conter as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas), press\u00f5es de todos os lados (consumidores, investidores) e o clamor da sociedade para o combate \u00e0s desigualdades sociais, de g\u00eanero e etnia. \u00c9 como se n\u00e3o fosse poss\u00edvel fazer neg\u00f3cios sem considerar essas for\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cHoje \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar neg\u00f3cios que n\u00e3o considerem os aspectos ESG no contexto em que vivemos. H\u00e1, de fato, uma transforma\u00e7\u00e3o em curso que est\u00e1 batendo forte nas empresas e elas n\u00e3o podem mais ficar apartadas das demandas da sociedade\u201d, avalia Nelmara Arbex, l\u00edder da divis\u00e3o ESG da empresa de consultoria global KPMG. No Brasil, essas quest\u00f5es v\u00eam ganhando contornos ainda mais expressivos face ao governo de Jair Bolsonaro, que vai na dire\u00e7\u00e3o de desmantelar pol\u00edticas socioambientais, gerando press\u00f5es internacionais que afetam sobretudo empresas exportadoras.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o desse contexto, institui\u00e7\u00f5es que apostaram na qualifica\u00e7\u00e3o em temas da sustentabilidade nos \u00faltimos anos viram a demanda por cursos explodir. \u00c9 o caso do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGVces), fundado em 2003 e uma das primeiras institui\u00e7\u00f5es a criar um mestrado profissional (MBA) em sustentabilidade h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada. Desde o segundo semestre de 2020, a procura por forma\u00e7\u00e3o mais que dobrou, tanto para o pr\u00f3prio MBA quanto para cursos <em>in company<\/em> (elaborados sob medida para as empresas) e de curta dura\u00e7\u00e3o. Entre as novidades, o Centro lan\u00e7ou no ano passado o BootCamp ESG, com 16 horas-aula, cuja procura foi o triplo das 40 vagas iniciais e levou o FGVces a abrir nova turma este ano, com 45 alunos.<\/p>\n<p>\u201cA demanda para cursos ESG veio avassaladora\u201d, resume Fernanda Carreira, coordenadora do Programa de Forma\u00e7\u00e3o Integrada do FGVces. Segundo ela, a procura se deu em duas ondas que est\u00e3o interligadas: a primeira foi a dos profissionais do mercado financeiro, que buscam realizar a gest\u00e3o de risco das carteiras de ativos com um olhar voltado para as quest\u00f5es ESG, impulsionados pelo posicionamento da <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>BlackRock<\/strong><\/a> e outras gestoras de fundos; depois, vieram os executivos da alta gest\u00e3o e membros de Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o. \u201cO mercado financeiro fez o movimento inicial, que reverbera nas empresas. Elas passam a ser questionadas por investidores sobre quest\u00f5es ESG, o que faz com que v\u00e1rios n\u00edveis da administra\u00e7\u00e3o, incluindo da m\u00e9dia ger\u00eancia a CEOs e Conselhos, passem a buscar mais conhecimento na \u00e1rea\u201d, diz Carreira.<\/p>\n<p>J\u00e1 no mestrado profissional, que tem carga hor\u00e1ria de 420 horas-aula e pode ser cursado em um ano e meio, parte da procura vem de pessoas que desejam fazer transi\u00e7\u00e3o de carreira para \u00e1reas conectadas com a tem\u00e1tica ESG, recebendo pessoas das \u00e1reas de recursos humanos, gest\u00e3o, direito e comunica\u00e7\u00e3o, entre outras. Al\u00e9m disso, a procura por forma\u00e7\u00e3o em sustentabilidade n\u00e3o est\u00e1 presente s\u00f3 em grandes empresas.<\/p>\n<p>Recentemente o FGVces elaborou um curso espec\u00edfico sobre a tem\u00e1tica de inclus\u00e3o de g\u00eanero e diversidade, a pedido da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq com recursos da Estrat\u00e9gia ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel) da Uni\u00e3o Europeia, programa voltado ao cumprimento da Agenda 2030. Foi aberto um processo seletivo para 50 empresas, que deu origem a duas turmas de 25 alunos de perfis variados \u2013 havia desde executivos de grandes empresas exportadoras do agroneg\u00f3cio at\u00e9 gestor de funer\u00e1ria do interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Na Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), cuja cria\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de Sustentabilidade remonta a 2002, a alta procura por forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea se repete, tanto para o curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o para a Sustentabilidade, tanto na cria\u00e7\u00e3o de cursos sob medida. Setores como energia, agroneg\u00f3cio e minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que mais t\u00eam demandado capacita\u00e7\u00f5es e, tal como no FGVces, o movimento \u00e9 puxado pela demanda das \u00e1reas financeiras e de gest\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>\u201cESG \u00e9 o nome que o setor financeiro deu para a sustentabilidade corporativa, com a perspectiva de risco. Ent\u00e3o, o que vemos \u00e9 que essa onda transbordou e chegou ao CFO [Chief Financial Officer, o equivalente a diretor financeiro], pois os investidores querem a presta\u00e7\u00e3o de contas\u201d, analisa Heiko Spitzeck, professor e diretor do N\u00facleo de Sustentabilidade da FDC.<\/p>\n<p>Na alta lideran\u00e7a, a procura por capacita\u00e7\u00e3o ESG pode ter motiva\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas \u2013 quando o CEO e conselheiros t\u00eam valores conectados \u00e0 sustentabilidade \u2013 ou motiva\u00e7\u00f5es extr\u00ednsecas, quando a press\u00e3o vem do mercado ou de investidores. \u201cNo n\u00edvel CEO, s\u00e3o poucas as lideran\u00e7as que t\u00eam motiva\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas, mas, a depender de como as novas gera\u00e7\u00f5es enxergam o tema, \u00e9 prov\u00e1vel que isso mude rapidamente na sucess\u00e3o\u201d, analisa.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o no sentido amplo<\/strong><\/p>\n<p>O preparo de uma nova lideran\u00e7a para assumir um posto de CEO, no contexto em que as qualifica\u00e7\u00f5es ESG s\u00e3o t\u00e3o requeridas, passa ainda por extrapolar a forma\u00e7\u00e3o especializada propriamente dita \u2013 h\u00e1 algo que MBAs, mestrados e doutorados n\u00e3o ensinam, e tem a ver com valores, entre eles, o entendimento do esp\u00edrito do tempo (<em>zeitgeist<\/em>), \u00e9tica, humanidade, abertura \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. \u201cLevar esses temas para a alta gest\u00e3o implica em haver a abertura e a motiva\u00e7\u00e3o para esses valores\u201d, diz Spitzeck.<\/p>\n<p>O professor observa dois p\u00fablicos majorit\u00e1rios que buscam capacita\u00e7\u00e3o ESG: de um lado, as gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o entrando agora no mercado e buscam o chamado \u201ctrabalho com prop\u00f3sito\u201d, e, de outro, profissionais de n\u00edvel executivo, muitos deles em transi\u00e7\u00e3o de carreira, que querem adquirir compet\u00eancias na \u00e1rea. Para alcan\u00e7ar o primeiro grupo, al\u00e9m dos cursos espec\u00edficos para a tem\u00e1tica ESG, a FDC vem apostando em uma abordagem inovadora dessas quest\u00f5es, por meio de um N\u00facleo de Intraempreendedorismo, criado em 2018 para incentivar o desenvolvimento de iniciativas e neg\u00f3cios de impacto socioambiental dentro de empresas parceiras.<\/p>\n<p>A entrega final do curso, por exemplo, \u00e9 um <em>pitch<\/em> (ferramenta usada para apresentar neg\u00f3cios a investidores) em v\u00eddeo onde os alunos apresentam um projeto com a proposta de agregar valor socioambiental em sua respectiva \u00e1rea na empresa, ou um modelo de neg\u00f3cio com impacto positivo. Desde o in\u00edcio dos trabalhos do n\u00facleo, foram capacitados 240 jovens de nove empresas, que apresentaram 59 <em>pitches<\/em>. De acordo com Spitzeck, esse tipo de fomento \u00e0 inova\u00e7\u00e3o dentro das companhias agrada especialmente \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, que se engajam mais em abordagens que n\u00e3o sejam de cima para baixo e est\u00e3o em sintonia com movimentos como o das empresas do <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Sistema B<\/strong><\/a> e das <em>startups<\/em> de impacto positivo.<\/p>\n<p><strong>Lacuna de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os profissionais da \u00e1rea financeira que come\u00e7am agora a lidar com informa\u00e7\u00f5es ESG muitas vezes esbarram na falta de conhecimento dos dados e indicadores t\u00e9cnicos do universo da sustentabilidade \u2013 tais como pegada de carbono e indicadores de diversidade. O inverso tamb\u00e9m ocorre: profissionais da sustentabilidade muitas vezes encontram dificuldade ao lidar com m\u00e9tricas financeiras e a linguagem do mercado. Transpor esse abismo de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio para todos que atuam ou querem atuar com ESG.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso unir os discursos das \u00e1reas t\u00e9cnicas de sustentabilidade, respons\u00e1veis pelos relat\u00f3rios anuais, com o trabalho de divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es a mercado das \u00e1reas de rela\u00e7\u00f5es com investidores e finan\u00e7as. S\u00e3o dois mundos com dificuldade em se comunicar, e para isso ambos os profissionais ter\u00e3o de entender a linguagem um do outro\u201d, diz Maria Eug\u00eania Buosi, s\u00f3cia da Resultante, consultoria especializada em estrat\u00e9gia ESG.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa lacuna de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um estudo realizado pelo Laborat\u00f3rio de Inova\u00e7\u00e3o Financeira (LAB), por meio do seu Grupo de Trabalho de Gest\u00e3o de Riscos ASG, que buscou captar as pr\u00e1ticas de <em>disclosure<\/em> (transpar\u00eancia) ESG das empresas em seus <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Formul\u00e1rios de Refer\u00eancia<\/a> que s\u00e3o entregues \u00e0 Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM). O LAB \u00e9 uma iniciativa coordenada por Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), CVM e a ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o alem\u00e3 GIZ.<\/p>\n<p>O objetivo da an\u00e1lise era entender de que forma as companhias est\u00e3o divulgando as informa\u00e7\u00f5es ESG ao mercado. A leitura de formul\u00e1rios de 96 empresas, que comp\u00f5em o \u00edndice IBX-100 da B3, apontou que a abordagem das empresas nas quest\u00f5es ESG \u00e9 ligada \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es a legisla\u00e7\u00f5es ambientais (79%), enquanto 47% relacionam o tema \u00e0 gest\u00e3o de riscos corporativos. Menos de um ter\u00e7o (27%) apresenta a governan\u00e7a dos riscos socioambientais na companhia e pouco mais de 20% trata dos riscos ESG em suas cadeias de valor.<\/p>\n<p>De acordo com Buosi, o mercado caminha para um cen\u00e1rio em que os conhecimentos ESG dever\u00e3o estar incorporados a qualquer carreira, n\u00e3o apenas \u00e0s que s\u00e3o mais comumente associadas ao tema. Por isso, tanto as escolas de neg\u00f3cios quanto as gradua\u00e7\u00f5es dever\u00e3o incorporar a tem\u00e1tica \u00e0s suas grades, e esse processo j\u00e1 come\u00e7a a ocorrer. \u201cO mercado est\u00e1 demandando que o conhecimento em ESG fa\u00e7a parte da grade de forma\u00e7\u00e3o de qualquer profiss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 preciso reinventar a roda, mas incorporar a tem\u00e1tica aos curr\u00edculos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Pioneiro na cria\u00e7\u00e3o de an\u00e1lise de risco socioambiental para opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito no Pa\u00eds e hoje respons\u00e1vel pela \u00e1rea de Risco Socioambiental do Santander (Brasil e global), Christopher Wells acompanhou as transforma\u00e7\u00f5es do tema ESG no setor financeiro ao longo dos \u00faltimos 20 anos. Mesmo com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica na \u00e1rea \u2013 Wells \u00e9 bacharel em Ci\u00eancias Pol\u00edticas pela Columbia University \u2013, ele estruturou uma abordagem que virou refer\u00eancia para bancos brasileiros e estrangeiros. Comandando uma \u00e1rea com oito funcion\u00e1rios no Brasil e cerca de 25 divididos entre Espanha e pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, Wells afirma que \u00e9 justamente a habilidade de comunicar as quest\u00f5es socioambientais em linguagem financeira que faz diferen\u00e7a no curr\u00edculo de um profissional que queira atuar com ESG.<\/p>\n<p>\u201cNossa fun\u00e7\u00e3o no risco socioambiental \u00e9 dar pareceres sobre os problemas de natureza ambiental, sobre condi\u00e7\u00f5es sociais e de trabalho, e reportar a quest\u00e3o clim\u00e1tica para al\u00e9m da futurologia e de previs\u00f5es catastr\u00f3ficas sobre o aumento do n\u00edvel do mar. \u00c9 dizer: se continuar emitindo tal poluente, vai perder dinheiro e acesso ao mercado l\u00e1 na frente\u201d, afirma Wells. \u201cIndependente da forma\u00e7\u00e3o, quem souber fazer esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o vai crescer junto com o mercado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Seu bra\u00e7o direito, a superintendente de risco socioambiental Maria Silvia Chicarino, \u00e9 bi\u00f3loga e se especializou em an\u00e1lises financeiras de quest\u00f5es ESG ap\u00f3s conhecer o universo dos estudos de impacto ambiental (EIA), um campo de atua\u00e7\u00e3o que desconhecia enquanto era estudante. Hoje, \u00e9 respons\u00e1vel pela capacita\u00e7\u00e3o dos <em>trainees<\/em> da \u00e1rea \u2013 a maioria vem de cursos como Engenharia ou Gest\u00e3o Ambiental. \u201cAo longo dos anos, os cursos mudaram, a tem\u00e1tica ESG ficou mais presente, mas ainda \u00e9 preciso capacit\u00e1-los para lidar com a linguagem do universo de finan\u00e7as\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea jur\u00eddica, o ESG tamb\u00e9m est\u00e1 trazendo necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o. Os cursos de Direito come\u00e7am a dar maior abertura para essa tem\u00e1tica, dada a proximidade entre algumas \u00e1reas do Direito com as quest\u00f5es sociais, ambientais e de governan\u00e7a \u2013 exemplos s\u00e3o o direito ambiental, trabalhista, societ\u00e1rio e penal e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Na Escola de Direito de S\u00e3o Paulo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Direito SP), por exemplo, s\u00e3o oferecidos cursos de curta dura\u00e7\u00e3o sobre governan\u00e7a corporativa desde 2005. J\u00e1 os cursos relacionados a <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong><em>compliance<\/em><\/strong><\/a> e direito penal e econ\u00f4mico (que abordam crimes de colarinho branco) come\u00e7aram a ter grande procura a partir de 2013, quando a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato da Pol\u00edcia Federal estava em evid\u00eancia. Agora, a institui\u00e7\u00e3o de ensino formatou um curso mais espec\u00edfico sobre a tem\u00e1tica ESG, com dois meses de dura\u00e7\u00e3o, face \u00e0 demanda aquecida: lan\u00e7ado em mar\u00e7o deste ano, a procura foi mais do que o dobro das 40 vagas oferecidas, o que levou a FGV Direito SP a lan\u00e7ar processo seletivo para a segunda turma em outubro.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00f5es transversais<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os demais cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ser\u00e3o reformulados para que suas grades contemplem a tem\u00e1tica ESG, afirma Emerson Fabiani, professor do mestrado profissional da FGV Direito SP. \u201cHoje o esfor\u00e7o \u00e9 para que cada \u00e1rea do Direito forme profissionais com a no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da sustentabilidade. Queremos expandir ao m\u00e1ximo a oferta de conhecimento para que as quest\u00f5es ESG sejam transversais e ajudem a formar profissionais mais \u00e9ticos e conscientes dessa agenda que olha para o futuro\u201d, diz Fabiani.<\/p>\n<p>A car\u00eancia de capacita\u00e7\u00e3o no mercado para o tema da governan\u00e7a, o G do ESG, levou o Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa (IBGC) a criar sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o. A entidade, respons\u00e1vel por difundir os preceitos da governan\u00e7a corporativa entre as empresas brasileiras, abriu a primeira turma para o curso de Governance Officer, cujas aulas come\u00e7aram em setembro de 2021. Virtual e com carga hor\u00e1ria de 80 horas, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada para profissionais que j\u00e1 atuam com o tema, mas buscam uma forma\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida para liderar ou estruturar uma \u00e1rea de governan\u00e7a em suas empresas.<\/p>\n<p>De acordo com Adriane de Almeida, diretora de desenvolvimento do IBGC, o atual curso \u00e9 um aperfei\u00e7oamento do curso de secretaria de governan\u00e7a, que come\u00e7ou a ser ministrado h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada e j\u00e1 capacitou 1 mil alunos, e responde tamb\u00e9m \u00e0 maior demanda do mercado para o tema. \u201cRemodelamos o curso anterior e criamos um novo <em>status<\/em> para a profiss\u00e3o. O profissional de governan\u00e7a tem perfil semelhante ao de um conselheiro, ou seja, ele ter\u00e1 de entender de estrat\u00e9gias, de rela\u00e7\u00f5es institucionais e lidar com demandas que a alta lideran\u00e7a n\u00e3o vai absorver\u201d, explica Almeida.<\/p>\n<p>Segundo ela, a governan\u00e7a corporativa viveu ondas bem definidas. A primeira delas foi com os esc\u00e2ndalos cont\u00e1beis nos EUA no in\u00edcio dos anos 2000, que deram origem \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei <strong>Sarbanes-Oxley<\/strong><\/a> para preven\u00e7\u00e3o de fraudes financeiras, o que acabou reverberando no Brasil. Depois, a crise das hipotecas em 2008 tamb\u00e9m impulsionou o tema, sob a perspectiva da gest\u00e3o de riscos. E, no Brasil, esse movimento ficou mais forte com o envolvimento de grandes empresas em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o revelados pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. \u201cO ESG cresceu e fez a governan\u00e7a voltar \u00e0 pauta\u201d, diz a diretora.<\/p>\n<p>Term\u00f4metros do mercado de trabalho, as grandes empresas globais de auditoria e consultoria confirmam a tend\u00eancia de alta das tem\u00e1ticas ESG. A demanda dos clientes por servi\u00e7os nesse campo for\u00e7ou as gigantes do ramo a remodelar suas \u00e1reas dedicadas a ESG e contratar profissionais. A PwC, por exemplo, tem a perspectiva de contratar 100 mil profissionais globalmente nos pr\u00f3ximos cinco anos para lidar com ESG e dar suporte \u00e0 \u00e1rea, o que inclui pessoal de tecnologia e cientistas de dados. Tamb\u00e9m est\u00e1 formulando um curso de capacita\u00e7\u00e3o em ESG voltado \u00e0 toda a for\u00e7a de trabalho, com capacita\u00e7\u00f5es sobre assuntos espec\u00edficos \u2013 como mudan\u00e7a clim\u00e1tica, diversidade ou cuidados com as pessoas \u2013 conforme a \u00e1rea em que o profissional tenha ader\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da demanda do mercado, as pr\u00f3prias metas de sustentabilidade da firma de auditoria global impulsionam a especializa\u00e7\u00e3o. A PwC quer se tornar uma empresa neutra em emiss\u00f5es l\u00edquidas de carbono at\u00e9 2030, e tem ampliado a produ\u00e7\u00e3o de estudos setoriais sobre o tema. \u201cPrecisamos de pessoas que conhe\u00e7am a tem\u00e1tica ESG. Hoje, a equipe de sustentabilidade \u00e9 composta majoritariamente por pessoas com origem na \u00e1rea ambiental, como engenheiros e gestores ambientais e bi\u00f3logos, mas profissionais de toda forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o bem-vindos, do direito ao financeiro\u201d, diz Mauricio Colombari, s\u00f3cio da PwC e respons\u00e1vel pela \u00e1rea de ESG.<\/p>\n<p>A companhia tamb\u00e9m busca inovar no processo seletivo dos profissionais que v\u00e3o compor a for\u00e7a de trabalho ESG, por meio de an\u00e1lise das chamadas <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong><em>soft skills<\/em><\/strong><\/a>, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o e do curr\u00edculo. A ideia \u00e9 detectar se o candidato tem habilidade para compreender e resolver problemas complexos. \u201cO profissional ESG precisa estar atento ao que est\u00e1 acontecendo na sociedade, saber lidar com pessoas diferentes, ter intelig\u00eancia emocional e saber inspirar\u201d, explica Tatiana Fernandes, s\u00f3cia da PwC e respons\u00e1vel pelo RH.<\/p>\n<p>Outra gigante da consultoria e auditoria, a KPMG, h\u00e1 dois anos se reposicionou globalmente e transformou o tema ESG em uma divis\u00e3o de neg\u00f3cios para atender \u00e0 crescente demanda das empresas sobre o tema, seja para realizar diagn\u00f3sticos ou estruturar \u00e1reas de sustentabilidade, ou para opera\u00e7\u00f5es de auditoria de informa\u00e7\u00f5es ESG. No Brasil, a reestrutura\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de sustentabilidade come\u00e7ou a ser implementada h\u00e1 um ano, com a forma\u00e7\u00e3o de uma equipe de mais de 50 pessoas de forma\u00e7\u00f5es variadas \u00ad\u2013 h\u00e1 cientistas sociais, bi\u00f3logos, ge\u00f3logos e analistas financeiros, entre outros profissionais. A divis\u00e3o de neg\u00f3cios tamb\u00e9m conta com profissionais com perfil ESG alocados em outras \u00e1reas da consultoria, que trabalham em colabora\u00e7\u00e3o com o time principal, conforme o projeto.<\/p>\n<p>\u201cA sustentabilidade deixou de ser uma \u00e1rea de apoio para se tornar uma \u00e1rea de neg\u00f3cios, oferecendo servi\u00e7os em toda a jornada ESG, do diagn\u00f3stico at\u00e9 o relat\u00f3rio, passando por <em>compliance<\/em> e governan\u00e7a\u201d, diz Nelmara Arbex, l\u00edder da divis\u00e3o ESG da KPMG.<\/p>\n<p>Segundo Arbex, o movimento \u00e9 sem volta, pois reflete o momento em que empresas dos mais variados portes v\u00eam sendo mais cobradas para cumprir os requisitos de mercado na \u00e1rea ambiental, social e de governan\u00e7a. \u201cS\u00e3o filiais de multinacionais que t\u00eam de implementar a agenda e encontram dificuldade, empresas nacionais que exportam e t\u00eam sido pressionadas por clientes e investidores, e as B2C [Business to Consumer, empresas que lidam com o consumidor final] que s\u00e3o cobradas pelos consumidores\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O obst\u00e1culo, de acordo com a l\u00edder da KPMG, \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais ainda deixa a desejar \u2013 n\u00e3o apenas nas qualifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas relacionadas a ESG, mas na forma\u00e7\u00e3o como um todo, dadas as disparidades socioecon\u00f4micas de um pa\u00eds como o Brasil. Isso reflete no acesso ao conhecimento e no debate sobre \u00e9tica e quest\u00f5es socioambientais, que est\u00e1 fora do dia a dia da maior parte dos estudantes brasileiros (<em>mais sobre desigualdades brasileiras <\/em><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/futuro-do-preterito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong><em>nesta reportagem<\/em><\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>Como exemplo, ela cita pa\u00edses como Alemanha e Holanda, onde o curr\u00edculo b\u00e1sico escolar j\u00e1 trata de assuntos ambientais ou de empreendedorismo desde os primeiros anos. \u201cEssa lacuna na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais no Brasil, e isso vale para qualquer \u00e1rea, precisa ser superada para que nossas empresas se mantenham competitivas\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Apesar das falhas de forma\u00e7\u00e3o e acesso ao conhecimento com uma vis\u00e3o mais integrada de seus componentes, tudo indica que o fen\u00f4meno ESG vai fincar suas ra\u00edzes e causar uma transforma\u00e7\u00e3o nos curr\u00edculos e no perfil do profissional que o mercado buscar\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de trabalho para profissionais que atuem com tem\u00e1tica ESG est\u00e1 aquecido, mas falta integrar quest\u00f5es socioambientais a todas as \u00e1reas do conhecimento. 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