{"id":3443,"date":"2021-09-23T17:04:57","date_gmt":"2021-09-23T20:04:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=3443"},"modified":"2022-02-22T07:52:02","modified_gmt":"2022-02-22T10:52:02","slug":"para-dar-respostas-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/para-dar-respostas-sociedade\/","title":{"rendered":"Para dar respostas \u00e0 sociedade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por <strong>Am\u00e1lia Safatle _ <\/strong>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Muito bem-vindo, necess\u00e1rio, mas n\u00e3o suficiente. O setor financeiro era uma parte que faltava na equa\u00e7\u00e3o da sustentabilidade e seu recente ingresso traz um ganho relevante na medida em que evidencia riscos e oportunidades da atividade empresarial. No entanto, o ESG deve ser encarado a partir das demandas da sociedade e n\u00e3o das empresas, e claramente dar respostas a desafios como pobreza, desigualdade, racismo, clima, polui\u00e7\u00e3o, perda de biodiversidade. Esta \u00e9 a vis\u00e3o de Fabio Feldmann, do alto de uma larga experi\u00eancia no movimento ambientalista, no Executivo, no Parlamento e em assuntos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Para ele, o ESG deve tamb\u00e9m considerar o fator pol\u00edtico. &#8220;Para uma boa governan\u00e7a dos nossos temas, \u00e9 preciso um Estado inteligente e preparado, que trabalhe com regula\u00e7\u00e3o.&#8221; Isso leva \u00e0 regula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ou seja, aos parlamentos. Aqui Feldmann v\u00ea uma oportunidade de separar o joio do trigo e identificar empresas que se dizem comprometidas com a sustentabilidade mas que, na sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, apoiam iniciativas que v\u00e3o na contram\u00e3o.<\/p>\n<p>O ambientalista chama a aten\u00e7\u00e3o das empresas que ainda recaem em equ\u00edvocos como o <em>greenwashing<\/em>, esquecendo-se que o cerco est\u00e1 se fechando especialmente nos mercados internacionais. A busca de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>materialidade<\/strong><\/a> \u00e9 uma forma de a empresa tra\u00e7ar planos de a\u00e7\u00e3o objetivos a respeito dos impactos que causa. Mas, associado \u00e0 materialidade, ele defende o di\u00e1logo franco da empresa com a sociedade e seus <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong><em>stakeholders<\/em><\/strong><\/a>, reconhecendo que aquilo que faz n\u00e3o \u00e9 suficiente. &#8220;Esse compromisso eu chamaria, em uma linguagem clim\u00e1tica, de <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>adicionalidade<\/strong><\/a>. Ou seja: estou nesta linha de base e prometo melhorar. Porque, se n\u00e3o, vira conversa fiada&#8221;, diz.<\/p>\n<blockquote><p>Perfil: Administrador de empresas e advogado, atua como consultor em sustentabilidade. Foi deputado federal por tr\u00eas mandatos consecutivos (1986-1998) e participou como deputado constituinte da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo destinado ao meio ambiente. Foi secret\u00e1rio estadual de Meio Ambiente de S\u00e3o Paulo (1995-1998) e membro oficial da delega\u00e7\u00e3o brasileira nas Confer\u00eancias das Partes da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima (1997-2002). Em 2000, juntamente com o ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso, criou o F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. Tamb\u00e9m foi secret\u00e1rio-executivo do F\u00f3rum Paulista de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais e de Biodiversidade. No movimento ambientalista desde 1980, participou da funda\u00e7\u00e3o da Oikos, da SOS Mata Atl\u00e2ntica, do Instituto GEA e da Funda\u00e7\u00e3o Onda Azul. Foi membro do primeiro conselho da Global Reporting Initiative (GRI).<strong style=\"color: #191919; font-family: 'PT Serif', Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 18px;\">\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Assista aqui a trechos em v\u00eddeo desta entrevista e leia o conte\u00fado completo a seguir.<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ESG precisa dar respostas \u00e0 sociedade\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oLJXGGHu8_E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ESG traz o mundo das finan\u00e7as para a sustentabilidade, o que ajuda muito a colocar o assunto no <em>mainstream<\/em>. Ao mesmo tempo, essa abordagem mais financista, se ficar dominante, pode atrapalhar uma vis\u00e3o mais sist\u00eamica, integrada e humanista?<\/strong><\/p>\n<p>A grande novidade nas nossas quest\u00f5es [da sustentabilidade] \u00e9 o engajamento do setor financeiro, basicamente no tema da mudan\u00e7a do clima. Isto tem ocorrido de uns anos pra c\u00e1, inclusive com bancos centrais se envolvendo na tem\u00e1tica e criando grupo de trabalho, e a obrigatoriedade das empresas em divulgar os seus riscos clim\u00e1ticos. O ex-presidente do Banco da Inglaterra [Mark Carney] teve uma lideran\u00e7a relevante em colocar esta agenda para o setor financeiro, para os bancos centrais e com isto contaminou, digamos assim, os bancos centrais do mundo inteiro. Isso \u00e9 importante porque o setor financeiro se manteve totalmente distante dos nossos temas nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u00c9 um ganho o setor financeiro ter entrado nesta quest\u00e3o, entretanto, n\u00e3o acho que seja suficiente. O ESG deve ser encarado a partir das demandas da sociedade e n\u00e3o das empresas. Por exemplo, se o tema dos pl\u00e1sticos nos oceanos \u00e9 real e de dimens\u00e3o global, cabe \u00e0 ind\u00fastria da moda e t\u00eaxtil dizer qual \u00e9 o seu papel na solu\u00e7\u00e3o do problema, uma vez que as roupas que usamos cont\u00eam grande quantidade de micro e nanopl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>No caso de polui\u00e7\u00e3o do ar, hoje considerado o maior problema de sa\u00fade no mundo pela OMS [Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade], temos um claro exemplo no Brasil de contradi\u00e7\u00f5es entre os compromissos existentes nos relat\u00f3rios de sustentabilidade das grandes empresas e a realidade. A Anfavea [Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores] ostensivamente procura a flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras do Proconve [Programa de Controle da Polui\u00e7\u00e3o do Ar por Ve\u00edculos Automotores], por exemplo, e a Mercedes-Benz mant\u00e9m no Brasil uma f\u00e1brica de motores defasados ambientalmente para exporta\u00e7\u00e3o para \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina. Isso para n\u00e3o falar da fraude praticada pela Volkswagen e demais montadoras no que tange aos seus reais padr\u00f5es de emiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Petrobras, a empresa adquiriu blocos de petr\u00f3leo da BP \u2013 a respons\u00e1vel pelo desastre no Golfo do M\u00e9xico \u2013 na foz do Amazonas e est\u00e1 em busca de um licenciamento ambiental diferenciado: explora\u00e7\u00e3o de energia f\u00f3ssil, isso ap\u00f3s os \u00faltimos relat\u00f3rios do IPCC e considerando que essa \u00e9 uma \u00e1rea extremamente vulner\u00e1vel do ponto de vista ambiental, com consequ\u00eancias dram\u00e1ticas face a poss\u00edveis acidentes de derramamento. Hoje os empreendimentos imobili\u00e1rios s\u00e3o ditos sustent\u00e1veis, mas ser\u00e1 mesmo?<\/p>\n<p>No caso da constru\u00e7\u00e3o civil, precisamos lembrar que duas mat\u00e9rias-primas representam desafios: cimento e areia. O cimento \u00e9 um dos setores com maior contribui\u00e7\u00e3o na emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. A areia, por sua vez, tem apresentado cen\u00e1rios de escassez mundial e, no Brasil, a sua extra\u00e7\u00e3o, na maioria das vezes, \u00e9 ilegal. O ESG deveria claramente dar respostas aos desafios da sociedade: pobreza, desigualdade, racismo, clima, polui\u00e7\u00e3o, perda de biodiversidade. Cada empresa de acordo com seu campo de atua\u00e7\u00e3o, ou seja, Sabesp, Cedae etc., enfrentando os impactos do clima no regime hidrol\u00f3gico com medidas pr\u00e1ticas, a exemplo de investimentos em restaura\u00e7\u00e3o florestal e invas\u00e3o de mananciais.<\/p>\n<p><strong>O conceito do ESG n\u00e3o \u00e9 novo, e os problemas ambientais, sociais e de governan\u00e7a menos ainda, mas a sigla virou uma febre. Essa onda \u00e9 uma grande oportunidade de avan\u00e7armos de forma mais pr\u00e1tica na agenda da sustentabilidade, ou h\u00e1 riscos de embarcarmos em mais um modismo com poucos resultados efetivos?<\/strong><\/p>\n<p>Muitas empresas est\u00e3o equivocadas ao tratarem do assunto como marketing, esquecendo que a Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 exigindo apresenta\u00e7\u00e3o de planos de implementa\u00e7\u00e3o logo mais. Assim, os riscos reputacionais e de acesso ao mercado europeu de quem n\u00e3o levar a s\u00e9rio essas quest\u00f5es certamente \u00e9 muito s\u00e9rio. E a pr\u00e1tica de <em>greenwashing<\/em> poder\u00e1 trazer consequ\u00eancias concretas e mesmo judiciais, com base na Resolu\u00e7\u00e3o do Conar surgida ap\u00f3s o pol\u00eamico caso de enxofre no diesel nacional envolvendo a Petrobras. Quem fizer publicidade enganosa, al\u00e9m de sofrer questionamentos no \u00e2mbito do Conar [Conselho Nacional de Autorregulamenta\u00e7\u00e3o Publicit\u00e1ria], poder\u00e1 se sujeitar a condena\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos.<\/p>\n<p>Em um pr\u00f3ximo governo \u2013 certamente n\u00e3o o de Bolsonaro \u2013, essas tem\u00e1ticas estar\u00e3o na pauta da CVM, a exemplo da SEC [Securities and Exchange Commission] nos Estados Unidos, e do Banco Central, de modo que trat\u00e1-las como marketing, filantropia e n\u00e3o como estrat\u00e9gia de longo prazo poder\u00e1 trazer questionamentos comprometedores.<\/p>\n<p><strong>A <\/strong><strong>materialidade, que \u00e9 tema desta edi\u00e7\u00e3o, tem como intuito identificar o que realmente importa na agenda das empresas, o que pode inibir o <em>greenwashing<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso aprofundar a discuss\u00e3o do ESG em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa e ao setor empresarial no qual ela se insere. Pois o que pode ser muito relevante para um setor pode ser pouco para outro. Tempo atr\u00e1s, fui consultado sobre uma empresa de servi\u00e7o que queria trabalhar com sustentabilidade e gostaria de criar uma \u00e1rea de ESG. S\u00f3 que \u00e9 uma empresa de servi\u00e7o, ent\u00e3o a energia que ela consome n\u00e3o \u00e9 relevante, n\u00e3o tem uma grande materialidade. Talvez o aspecto mais importante do ESG para essa empresa seja o fato de ser uma grande usu\u00e1ria de m\u00e3o de obra, o que requer uma estrat\u00e9gia de recursos humanos para garantir diversidade e participa\u00e7\u00e3o de minorias.<\/p>\n<p>Outro aspecto para o qual j\u00e1 tem muita gente chamando a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os compromissos <em>net zero <\/em>que as empresas est\u00e3o fazendo para 2040, 2050 \u2013 datas muito long\u00ednquas do ponto de vista do que tem que ser feito. Daqui at\u00e9 l\u00e1 tem muito tempo, e n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos ter mais clareza do significado da express\u00e3o carbono neutro. Porque quando as pessoas se referem a carbono neutro nem sempre est\u00e3o falando das mesmas coisas, dos mesmos crit\u00e9rios, das mesmas metodologias. <strong>\u00a0<\/strong>E associada \u00e0 materialidade tem que haver uma quest\u00e3o de ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A empresa precisa ter um di\u00e1logo franco com a sociedade e com os seus <em>stakeholders<\/em>, reconhecendo que o que faz n\u00e3o \u00e9 suficiente. E eu n\u00e3o sinto esta conversa quando eu falo em ESG. Esse compromisso eu chamaria, em uma linguagem clim\u00e1tica, de adicionalidade. Ou seja: estou nesta linha de base e prometo melhorar. Porque se n\u00e3o vira conversa fiada.<\/p>\n<p>Para saber se as empresas est\u00e3o levando ESG seriamente, alguns especialistas apontam alguns elementos. Os Conselhos est\u00e3o preparados para avaliar o desempenho da empresa no que tange \u00e0s tem\u00e1ticas sociais, ambientais? O modelo de governan\u00e7a reflete a incorpora\u00e7\u00e3o dessas dimens\u00f5es? Existem mecanismos de recompensa para os executivos com melhor desempenho? Como a empresa est\u00e1 organizada para tratar dessas tem\u00e1ticas? Elas est\u00e3o inseridas no modelo de neg\u00f3cios de longo prazo ou na \u00e1rea de marketing ou comunica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>O senhor v\u00ea alguma raz\u00e3o para o mundo das finan\u00e7as ter acordado somente agora para para assuntos que a academia e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil t\u00eam alertado h\u00e1 muito tempo? Seria porque chegamos em um ponto muito cr\u00edtico e de alto risco?<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima, estamos realmente em um ponto muito cr\u00edtico. E a\u00ed acho que o tema do risco fica muito relevante porque, a continuarem os cen\u00e1rios que a comunidade cient\u00edfica tem mostrado, a mudan\u00e7a do clima vai afetar e j\u00e1 est\u00e1 afetando o mundo dos neg\u00f3cios, como o agroneg\u00f3cio e a infraestrutura, com o aumento dos desastres naturais. E ainda temos outras crises, como a da biodiversidade. Mesmo com todos os esfor\u00e7os da sociedade civil, da comunidade acad\u00eamica, da m\u00eddia, os cen\u00e1rios s\u00e3o muito pessimistas. Quase nada melhorou nos \u00faltimos 30 anos.<\/p>\n<p>O que melhorou foi o reconhecimento da sociedade civil e a capacidade da sociedade civil de produzir informa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, mas n\u00e3o h\u00e1 um relat\u00f3rio sobre nossos temas que n\u00e3o tenha indicado uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais dram\u00e1tica. Isso gera a crise da nossa gera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos resultados. Ainda temos uma janela de oportunidade, mas desde que consigamos traduzir em a\u00e7\u00e3o o que temos falado nesses \u00faltimos anos.<\/p>\n<p><strong>E no Brasil ainda temos toda a quest\u00e3o da desigualdade social, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>A desigualdade social est\u00e1 crescendo no mundo inteiro. Inclusive em todos os pa\u00edses, mesmo nos Estados Unidos, que continuam sendo a primeira economia do mundo. Na China tamb\u00e9m h\u00e1 o desafio da desigualdade social, al\u00e9m do combate \u00e0 pobreza. Certos temas est\u00e3o ganhando import\u00e2ncia no mundo, como o racismo, e no Brasil, como o racismo estrutural \u2013 o que vejo com bons olhos porque obriga uma rea\u00e7\u00e3o da sociedade. Mas o fato \u00e9 que os nossos cen\u00e1rios s\u00e3o muito desanimadores.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma peculiaridade brasileira juntar a agenda social com a ambiental?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma mudan\u00e7a importante na percep\u00e7\u00e3o dos problemas. O conservacionismo ambiental, como era pensado at\u00e9 as d\u00e9cadas de 1970 e 80, hoje est\u00e1 positivamente influenciado pela necessidade de discutir a quest\u00e3o social. Ainda assim, os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel [ODS] muitas vezes s\u00e3o conflitantes entre si. E a\u00ed a gente tem uma dificuldade de mentalidade. O <em>mainstream<\/em> ainda n\u00e3o entendeu que o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 desenvolvimento, ainda que se fale em desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>No ESG parece faltar uma vertente decisiva para que todas as agendas aconte\u00e7am, que \u00e9 a pol\u00edtica. A governan\u00e7a \u00e9 entendida dentro dos muros das empresas, mas n\u00e3o extrapola para uma boa gest\u00e3o p\u00fablica e decis\u00f5es pol\u00edticas, como se as empresas operassem em uma bolha, sem contato com o mundo externo. O sr. concorda com esta vis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Concordo inteiramente e acho, inclusive, que, para uma boa governan\u00e7a dos nossos temas, \u00e9 preciso um Estado inteligente e preparado, que trabalhe com regula\u00e7\u00e3o. Existem algumas iniciativas em curso, mas eu acho que a gente vai fazer o teste de coer\u00eancia de muitas empresas quando elas tiverem que se posicionar, por exemplo, em medidas como a CVM [Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios] fazendo o que a SEC faz h\u00e1 anos, que \u00e9 obrigar as empresas que operam em bolsa a fazer o <em>disclosure<\/em> de seus passivos ambientais. E o Brasil avan\u00e7ou muito pouco nisso.<\/p>\n<p>Dou esse exemplo porque uma coisa \u00e9 certa: n\u00f3s teremos de mudar o perfil do poder p\u00fablico brasileiro no sentido de que ele tem que empregar novas estrat\u00e9gias, inclusive intelig\u00eancia artificial e novos mecanismos. O Estado brasileiro ter\u00e1 muitas dificuldades em financiar, por exemplo, ag\u00eancias ambientais. Uma regula\u00e7\u00e3o da CVM \u00e9 bem-vinda porque vai obrigar as empresas a um <em>disclosure<\/em> dos seus passivos ambientais e, com isso, a fazerem frente a esses passivos. E a\u00ed teremos como fazer a prova dos nove. Essas empresas todas que hoje se dizem totalmente sustent\u00e1veis e comprometidas com a sustentabilidade ter\u00e3o de entender que regula\u00e7\u00e3o, em alguns casos, \u00e9 o caminho necess\u00e1rio. N\u00e3o basta voluntarismo, voc\u00ea vai ter que trabalhar com regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E isto vai a outra quest\u00e3o que \u00e9 a regula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que s\u00e3o os parlamentos. Voc\u00ea veja que n\u00e3o s\u00f3 o governo Bolsonaro \u00e9 um desastre, mas a C\u00e2mara dos Deputados tem sido totalmente insens\u00edvel aos temas da nossa agenda. Aprovou, por exemplo, a lei geral de licenciamento, que tem como objetivo principal dispensar do licenciamento uma s\u00e9rie de atividades, criar um autolicenciamento altamente controvertido, a Lei da Grilagem\u2026 Esse \u00e9 um aspecto importante porque o Parlamento tem que, de certa maneira, estar mais voltado para a sociedade do que a alguns interesses, inclusive empresariais, de diminuir a efic\u00e1cia do licenciamento. A\u00ed est\u00e1 a oportunidade de separarmos o joio do trigo, ou seja, empresas que se dizem comprometidas com a sustentabilidade mas que, na sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, apoiam iniciativas contra a sustentabilidade. Temos enormes passivos ambientais que s\u00e3o solenemente ignorados, desconhecidos, e temos de enfrentar.<\/p>\n<p>E o setor empresarial tem, sim, uma responsabilidade clara de reconhecer esses passivos e tra\u00e7ar estrat\u00e9gias para diminu\u00ed-los. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa quest\u00e3o est\u00e1 resolvida h\u00e1 anos. O mundo caminha nessa dire\u00e7\u00e3o, mas aqui h\u00e1 uma enorme resist\u00eancia quando se trata deste assunto. No Brasil, infelizmente, este governo significa o atraso. Ningu\u00e9m de n\u00f3s imaginaria que o Brasil pudesse viver um governo em que o presidente foi eleito apesar de ter se manifestado em favor da tortura, desmontado os \u00f3rg\u00e3os ambientais e tudo que j\u00e1 conhecemos. Agora, a tend\u00eancia mundial \u00e9 um vetor de press\u00e3o muito grande, e temos de saber utilizar isto.<\/p>\n<p>No Brasil tamb\u00e9m tem espa\u00e7o para alian\u00e7as estrat\u00e9gicas importantes, entre um setor empresarial mais cosmopolita, a sociedade civil, e o pr\u00f3prio poder p\u00fablico, para que l\u00edderes do poder p\u00fablico possam defender ou promover mudan\u00e7as com o apoio da sociedade. Sem isso, fica muito dif\u00edcil. Existe um espa\u00e7o que podemos aproveitar e eu acho que vai depender muito do resultado eleitoral do ano que vem, mas eu acho que depois de [a realiza\u00e7\u00e3o da COP 26 em] Glasgow, essas tend\u00eancias ser\u00e3o fortalecidas e o Brasil n\u00e3o poder\u00e1 ficar fora disso.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o aos ataques \u00e0 democracia que temos visto neste governo, como isso afeta os neg\u00f3cios do setor privado?<\/strong><\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio teve que se mobilizar no in\u00edcio do governo Bolsonaro contra a possibilidade de o Brasil sair do Acordo de Paris, o que poderia afetar seus neg\u00f3cios. Em algumas outras ocasi\u00f5es, o setor privado tamb\u00e9m se posicionou, muitas delas com muita timidez. Pessoalmente acho que o setor empresarial tem plena consci\u00eancia de que qualquer potencial amea\u00e7a \u00e0 democracia teria um efeito perverso e dram\u00e1tico sobre o Pa\u00eds. Voc\u00ea consegue imaginar como ficaria o Brasil perante a comunidade internacional com uma ruptura do sistema democr\u00e1tico? E perante os mercados internacionais?<\/p>\n<p>O setor empresarial teve um posicionamento contra o voto impresso com assinaturas expressivas de gente importante, mas precisamos ir al\u00e9m. O que est\u00e1 em jogo nesta altura dos acontecimentos pode afetar, como estou dizendo, dramaticamente o Brasil. N\u00e3o acho que a elite econ\u00f4mica queira entrar em uma aventura. Agora, \u00e9 importante que o setor empresarial tenha uma posi\u00e7\u00e3o firme na quest\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/2021\/09\/23\/dicionario-notas-videos-dicas-afins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Estado de Direito<\/strong><\/a>, da democracia e das institui\u00e7\u00f5es. Eu, que fui constituinte, posso dizer que este governo mostrou claramente como \u00e9 importante ter uma Constitui\u00e7\u00e3o que defenda a democracia e institui\u00e7\u00f5es como o Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>O ano de 2022 ser\u00e1 um ano muito importante para n\u00f3s, e acho que teremos mudan\u00e7as positivas nas elei\u00e7\u00f5es. O Brasil j\u00e1 est\u00e1 pagando uma conta enorme por conta do desgoverno do Bolsonaro, em todos os sentidos. N\u00e3o tem uma \u00e1rea em que voc\u00ea n\u00e3o fique surpreso. E o Brasil tem uma agenda legislativa muito importante, inclusive de regulamenta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira foi promulgada em 88 e, pessoalmente, acho que o Pa\u00eds precisa de uma lei por bioma. Uma lei para a Amaz\u00f4nia, uma lei para o Pantanal, uma lei para a Serra do Mar. Porque hoje o \u00fanico bioma protegido por lei \u00e9 a Mata Atl\u00e2ntica e, ainda assim, com riscos. Dev\u00edamos ter uma agenda muito clara sobre os temas que estamos falando aqui, coloc\u00e1-la na campanha eleitoral e tentar um compromisso eleitoral desses candidatos. \u00c9 crucial que tenhamos parlamentares e partidos comprometidos com a nossa agenda. N\u00f3s regredimos com rela\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n<p><strong>E de que forma o setor privado pode contribuir com isso?<\/strong><\/p>\n<p>Por meio de uma alian\u00e7a entre o setor privado e a sociedade civil, para tentar definir uma agenda de consenso. Uma agenda de consenso significa eliminar temas altamente controvertidos. Eu acho que tem espa\u00e7o para uma agenda de converg\u00eancia. Quanto mais comprometido estiver o Pa\u00eds, o poder p\u00fablico, o setor empresarial e o reconhecimento da sociedade civil, melhores as condi\u00e7\u00f5es de competitividade do Brasil mundo afora. Se o Brasil quer ter acesso ao mercado internacional, quanto mais ele estiver preparado para isso, melhor. Isso \u00e9 de interesse do Brasil.<\/p>\n<p>O que eu colocaria como importante para a elei\u00e7\u00e3o do ano que vem? Discutir os nossos temas na perspectiva de uma economia de baixo carbono. Junto a isso, tamb\u00e9m defendo que o tema da economia da biodiversidade seja colocado com clareza, na medida em que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds megabiodiverso. Isso pode gerar muita oportunidade de neg\u00f3cios, inclusive para o setor empresarial brasileiro, mas desde que ele perceba a import\u00e2ncia desses temas. Para isso, seria bom se a gente tivesse governos.<\/p>\n<p>Eu falo no plural porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 governo federal; temos que trabalhar com governos estaduais e eventualmente com governos municipais comprometidos com esta agenda. Quando falo isso, n\u00e3o \u00e9 porque eu ache que o setor empresarial tem que ser mais altru\u00edsta, \u00e9 porque ele tem muito a ganhar com o que estamos falando. E tem muito a perder na medida em que n\u00e3o abra\u00e7ar essas tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Muitas pessoas que trabalham com essas agendas est\u00e3o deprimidas, vendo que est\u00e3o perdendo as batalhas. Os tempos s\u00e3o dist\u00f3picos. A sustentabilidade continua como uma utopia?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o acho que seja poss\u00edvel para qualquer empresa e para qualquer setor empresarial deixar de colocar no modelo de neg\u00f3cio a admiss\u00e3o da sustentabilidade. \u00c9 uma quest\u00e3o de tempo. Mais r\u00e1pido ou menos r\u00e1pido dependendo de haver lideran\u00e7as que puxem esta agenda de protagonismo. Se voc\u00ea olhar Estocolmo em 72, que foi a grande Confer\u00eancia, ou a Eco-92, de l\u00e1 pra c\u00e1, olha o peso que os nossos temas ganharam de l\u00e1 pra c\u00e1! Quem de n\u00f3s imaginaria que o setor financeiro do mundo estaria discutindo risco clim\u00e1tico? E discutindo risco clim\u00e1tico como uma agenda dos bancos centrais do mundo! Existe raz\u00e3o para otimismo e acho que esta agenda veio para ficar.<\/p>\n<p>O grande desafio que n\u00f3s enfrentamos \u00e9 a quest\u00e3o do tempo, n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder. E infelizmente temos tido mais uma discuss\u00e3o de conceito do que de implementa\u00e7\u00e3o. O grande desafio do mundo \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 do Brasil. Precisamos ter capacidade de formular uma agenda inovadora. Algumas coisas est\u00e3o acontecendo. O MapBiomas, por exemplo, \u00e9 uma coisa muito interessante porque voc\u00ea n\u00e3o precisa do poder p\u00fablico para, digamos assim, realizar relat\u00f3rios com amparo cient\u00edfico. A gente tem que acelerar isso.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao planeta, a\u00ed sim, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica, porque a realidade suplanta os cen\u00e1rios mais negativos. O que n\u00f3s pens\u00e1vamos que aconteceria daqui a xis anos j\u00e1 est\u00e1 acontecendo e tem muita gente que n\u00e3o acredita na perspectiva de aumento de 2 graus at\u00e9 o fim do s\u00e9culo [em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-industrial]. Tudo que o IPCC tem falado, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea uma diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es do g\u00e1s de efeito estufa. De certa maneira os padr\u00f5es de emiss\u00e3o anteriores \u00e0 pandemia voltaram. Neste sentido, eu acho que estamos do lado da Greta [Thunberg, jovem ativista], de que de fato muito pouco est\u00e1 sendo feito.<\/p>\n<p>Mas a sociedade tamb\u00e9m n\u00e3o age linearmente. Embora olhando a realidade as mudan\u00e7as pare\u00e7am dif\u00edceis, elas podem vir a ocorrer, inclusive no setor empresarial. As empresas s\u00e3o formadas por gente que tamb\u00e9m tem fam\u00edlia e compromissos individuais. E ficar fora da nossa agenda n\u00e3o garante a longevidade do ponto de vista empresarial. N\u00e3o vejo possibilidade de que esta agenda n\u00e3o penetre pra valer. A quest\u00e3o, como enfatizei, \u00e9 o tempo. \u00c9 o rel\u00f3gio contra n\u00f3s. O importante \u00e9 que de fato o desempenho de sustentabilidade do setor empresarial seja um dos principais crit\u00e9rios de investimento: premiar corretamente quem age e punir quem n\u00e3o age. N\u00e3o vejo outro caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Am\u00e1lia Safatle _ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Muito bem-vindo, necess\u00e1rio, mas n\u00e3o suficiente. O setor financeiro era uma parte que faltava na equa\u00e7\u00e3o da sustentabilidade e seu recente ingresso traz um ganho relevante na medida em que evidencia riscos e oportunidades da atividade empresarial. 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