{"id":604,"date":"2016-03-02T10:15:01","date_gmt":"2016-03-02T13:15:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=604"},"modified":"2022-02-22T12:15:39","modified_gmt":"2022-02-22T15:15:39","slug":"pilares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2016\/03\/02\/pilares\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a as bases da forma\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Am\u00e1lia Safatle<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Iluminismo, a separa\u00e7\u00e3o do saber em diversas \u00e1reas e disciplinas foi fundamental para a humanidade avan\u00e7ar e aprofundar o conhecimento. Sem a crescente especializa\u00e7\u00e3o, jamais ter\u00edamos chegado ao n\u00edvel de hoje e nem conseguiremos ir mais longe no futuro. Mas, nesse caminho de ultraespecializa\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito f\u00e1cil perdermos a no\u00e7\u00e3o do todo. Sem uma vis\u00e3o integrada de tudo o que somos, de tudo o que nos une e conecta com o mundo \u00e0 nossa volta, dificilmente vamos conseguir lidar com os complexos desafios globais que se apresentam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma forma\u00e7\u00e3o integrada para a sustentabilidade, portanto, pede o olhar transdisciplinar. Mas o que \u00e9 a transdisciplinaridade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para explicar a diferen\u00e7a entre as vis\u00f5es disciplinar, multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, \u00e9 mais f\u00e1cil usarmos um exemplo. Foi o que fez o f\u00edsico romeno Basarab Nicolescu, um dos principais estudiosos do tema. De modo a ilustrar sua explica\u00e7\u00e3o, ele cita a Igreja da Sagrada Fam\u00edlia, constru\u00edda por Antonio Gaud\u00ed em Barcelona (<em>leia mais <\/em><a href=\"http:\/\/www.pagina22.com.br\/2009\/12\/10\/travessia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>nesta reportagem<\/em><\/a><em> de <\/em>P\u00e1gina22):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto objeto de estudo disciplinar, a Igreja da Sagrada Fam\u00edlia remete \u00e0 Arquitetura, uma disciplina que tem sua pr\u00f3pria metodologia. Mas ele tamb\u00e9m pode receber olhares cruzados partindo de diferentes disciplinas, como a Hist\u00f3ria da Arte, a Hist\u00f3ria das Religi\u00f5es, a F\u00edsica (sobre a resist\u00eancia dos materiais), a Qu\u00edmica, a Psican\u00e1lise (sobre a personalidade de Gaud\u00ed). Essa j\u00e1 \u00e9 uma vis\u00e3o multidisciplinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra possibilidade \u00e9 transferir m\u00e9todos de uma disciplina para outra, ou seja: com a finalidade de terminar o templo que Gaud\u00ed deixou inacabado, podemos nos servir de seus projetos e desenhos para nos inspirar, ou utilizar a eletr\u00f4nica e a realidade virtual, e transferir o m\u00e9todo da Inform\u00e1tica para a Arquitetura. Trata-se da vis\u00e3o interdisciplinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPodemos, contudo, ter um olhar radicalmente diferente\u201d, diz Nicolescu. \u201cComo posso eu mesmo, pessoa privada, visitar esse templo? Em que esse objeto concerne a mim, \u00e0 minha vida, \u00e0 nossa vida de hoje, ao sentido deste mundo onde eu vivo?\u201d Aqui j\u00e1 estamos tratando da transdisciplinaridade, em que h\u00e1 um caminho de ida e volta entre o mundo interior e o objeto exterior. \u201cTalvez seja isso o que Gaud\u00ed queria exprimir (<em>ao construir a igreja<\/em>): oferecer a n\u00f3s sua pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da realidade, irredut\u00edvel a qualquer discurso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicolescu denomina essas vis\u00f5es de quatro flechas do arco do conhecimento, em que nenhuma substitui a outra. N\u00e3o s\u00e3o olhares excludentes. \u201cA transdisciplinaridade n\u00e3o veio tomar o lugar ocupado pelo competente exerc\u00edcio da disciplinaridade, da multi e da inter. Essas quatro flechas n\u00e3o apenas podem como devem continuar coexistindo\u201d, diz Maria de Mello, do Centro Internacional de Pesquisas e Estudos Transdisciplinares (Ciret), e que participou do desenvolvimento do programa de Forma\u00e7\u00e3o Integrada para a Sustentabilidade (FIS) no FGVces.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transdisciplinaridade \u00e9 uma das inspira\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas nas quais o FIS se baseia (a outra \u00e9 a Teoria U, descrita no final deste texto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transdisciplinaridade \u00e9 aquilo que est\u00e1 ao mesmo tempo entre as disciplinas, atrav\u00e9s das diferentes disciplinas e al\u00e9m de todas as disciplinas, remetendo tamb\u00e9m \u00e0 ideia de transcend\u00eancia. A sua proposta \u00e9 mais que integrar conhecimentos de diversas disciplinas \u2013 o que se d\u00e1 por meio da interdisciplinaridade \u2013, mas a ultrapass\u00e1-los e atravess\u00e1-los, incluindo a arte, a cultura e a espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, \u201c\u00e9 uma teoria do conhecimento, \u00e9 uma compreens\u00e3o de processos, \u00e9 um di\u00e1logo entre as diferentes \u00e1reas do saber e uma aventura do esp\u00edrito. A transdisciplinaridade \u00e9 uma nova atitude, \u00e9 a assimila\u00e7\u00e3o de uma cultura, \u00e9 uma arte, no sentido da capacidade de articular a multirreferencialidade e a multidimensionalidade do ser humano e do mundo\u201d, define o Centro de Educa\u00e7\u00e3o Transdisciplinar (<a href=\"http:\/\/cetrans.com.br\/cetrans\/o-que-e-a-transd\/\">Cetrans<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transdisciplinaridade apoia-se em tr\u00eas pilares. S\u00e3o eles a complexidade, a l\u00f3gica do terceiro inclu\u00eddo e os n\u00edveis de realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento complexo, por mais que se compreenda as partes de um sistema, n\u00e3o estamos habilitados a compreender a propriedade do todo que o caracteriza. Existem intera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser resolvidas ou explicadas por equa\u00e7\u00f5es lineares, ou seja, por rela\u00e7\u00f5es diretas entre causa e efeito. Assim, alguns aspectos que caracterizam o comportamento de sistemas complexos incluem: paradoxos, incompletude, autorrefer\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para caracterizar uma l\u00f3gica que v\u00e1 al\u00e9m do cl\u00e1ssico pensamento bin\u00e1rio \u201cisso ou aquilo\u2019, o fil\u00f3sofo de nacionalidade romeno-francesa St\u00e9phane Lupasco elaborou o que se chama l\u00f3gica do terceiro inclu\u00eddo. Para a l\u00f3gica cl\u00e1ssica, os termos A e n\u00e3o-A constituem um par de opostos, uma polaridade, n\u00e3o havendo possibilidade para um terceiro termo T. No entanto, na l\u00f3gica lupasciana, \u00e9 poss\u00edvel encontrar um terceiro termo T que integra os opostos e resolve a polaridade entre A e n\u00e3o-A. Essa l\u00f3gica permite o \u201cisso e aquilo\u201d e o \u201cnem isso nem aquilo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro pilar \u00e9 o que reconhece diversos n\u00edveis de realidade, assim como diferentes formas de o ser humano acess\u00e1-los. O n\u00edvel 1 \u00e9 aquele que se busca por meio dos cinco sentidos. O 2 \u00e9 o que captamos pelo nosso aparato de percep\u00e7\u00f5es: representa\u00e7\u00f5es, pensamentos, formula\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o n\u00edvel 3 \u00e9 aquele percebido pela intui\u00e7\u00e3o, pelo sentimento e\/ou pelo imagin\u00e1rio \u2013 \u00e9 aqui que adentramos o mundo dos s\u00edmbolos, dos mitos, da poesia. E, por fim, o 4 \u00e9 o que nos permite contemplar o mundo das ess\u00eancias e vivenciar experi\u00eancias mais et\u00e9reas e espirituais. Saiba mais <a href=\"http:\/\/cetrans.com.br\/textos\/contradicao-logica-do-terceiro-incluido-e-niveis-de-realidade.pdf\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para acessar esses n\u00edveis de realidade, lidamos com raz\u00f5es distintas, a formal, a sens\u00edvel e a experiencial. A raz\u00e3o formal \u00e9 aquela que remete \u00e0 lei e ao h\u00e1bito. Consiste na fundamenta\u00e7\u00e3o, conceitos, metodologias, conte\u00fados, teorias. Est\u00e1 em conformidade com a regra geral e \u00e9 a raz\u00e3o com a qual estamos mais acostumados a lidar quando buscamos o conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a raz\u00e3o sens\u00edvel encontra-se nos sentidos, nos sentimentos e na imagina\u00e7\u00e3o. Explora a linguagem simb\u00f3lica, como as met\u00e1foras, e permite acesso \u00e0s potencialidades e \u00e0 intui\u00e7\u00e3o e a tudo aquilo que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o foi imaginado. E a raz\u00e3o experiencial est\u00e1 na intelig\u00eancia pr\u00e1tica, nas experi\u00eancias que produzem sentido e se transformam em conhecimento \u00e0 medida que v\u00e3o sendo interpretadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na autoforma\u00e7\u00e3o, o \u201caprendente\u201d \u00e9 estimulado a travar um contato consigo mesmo. Isso inclui, por exemplo, momentos de sil\u00eancio, convite a registros pessoais das experi\u00eancias vividas, express\u00f5es art\u00edsticas, pr\u00e1ticas corporais e contempla\u00e7\u00e3o da natureza. Trata-se de um processo individual e permanente de produ\u00e7\u00e3o de sentido pessoal no cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hetero, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada a partir do relacionamento com o outro. Pode ser estimulada em espa\u00e7os relacionais criados em grupo, com uma equipe, com uma turma em uma viagem de campo, enquanto a ecoforma\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pelo contato direto com a realidade, com o ambiente que estamos vivenciando, o que dialoga muito com a raz\u00e3o experiencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todos essas frentes de relacionamento, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 favorecida por algumas pr\u00e1ticas e c\u00f3digos de comportamento, que chamamos de \u201cetiqueta relacional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos pela escuta sens\u00edvel, aquela que se faz necess\u00e1ria diante do fato em geral, que sabemos ouvir muito pouco. Quando algu\u00e9m nos fala, em vez de escutar at\u00e9 o fim, logo come\u00e7amos a comparar o que \u00e9 dito com nossas ideias e referenciais pr\u00e9vios. \u201cEsse processo mental \u2013 que chamo de automatismo concordo-discordo \u2013, quando levado a extremos, \u00e9 muito limitante. Ouvir at\u00e9 o fim, sem concordar nem discordar, \u00e9 muito dif\u00edcil para todos n\u00f3s\u201d, avalia <a href=\"http:\/\/www.teoriadacomplexidade.com.br\/textos\/dialogo\/Dialogo-Metodo-de-Reflexao.pdf\">neste texto<\/a>\u00a0o pesquisador nas \u00e1reas de pensamento sist\u00eamico, complexidade e ci\u00eancia cognitiva\u00a0Humberto Mariotti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mariotti\u00a0explica que o automatismo \u201cconcordo-discordo\u201d funciona assim: quando nosso interlocutor come\u00e7a a falar, de imediato assumimos duas atitudes: a) \u201cj\u00e1 sei o que ele vai dizer e concordo; portanto, n\u00e3o vou perder tempo a ouvi-lo\u201d; b) \u201cj\u00e1 sei o que ele vai dizer e discordo; assim, n\u00e3o tenho por que ouvi-lo at\u00e9 o fim\u201d. Em ambos os casos, o resultado \u00e9 o mesmo: negamos a quem nos fala a capacidade ou a possibilidade de dizer algo novo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_650\" aria-describedby=\"caption-attachment-650\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/21420535558_d49b460d10_z.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-650\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/21420535558_d49b460d10_z.jpg\" alt=\"Hern\u00e1n Pi\u00f1era\" width=\"592\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/21420535558_d49b460d10_z.jpg 640w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/21420535558_d49b460d10_z-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-650\" class=\"wp-caption-text\"><em>Hern\u00e1n Pi\u00f1era<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fa\u00e7a voc\u00ea mesmo a prova: tente escutar at\u00e9 o fim, sem concordar nem discordar, o que o seu interlocutor diz. Procure evitar que, logo \u00e0s primeiras frases, voc\u00ea j\u00e1 esteja pensando no que vai responder. Parece f\u00e1cil, mas ver\u00e1 como \u00e9 dif\u00edcil. E constatar\u00e1 que esse automatismo \u00e9 uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais poderosas do condicionamento de nossa mente pelo modelo mental \u201cisso ou aquilo\u201d \u2013 a tal da l\u00f3gica bin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal utilidade do m\u00e9todo que favorece o di\u00e1logo e a escuta sens\u00edvel \u00e9 perceber e pensar as mesmas quest\u00f5es de modo diferente, a fim de que da\u00ed possam emergir ideias novas. \u201cO questionamento b\u00e1sico do di\u00e1logo \u00e9 simples e pode ser enunciado assim: \u2018E se suspendermos \u2013 ao menos de modo tempor\u00e1rio \u2013 as nossas certezas, e conversarmos fora de sua influ\u00eancia para ver o que acontece? Posto de outra forma: mudar o modo de olhar, modificar a perspectiva, observar a partir de outros \u00e2ngulos, pensar os mesmos problemas de modo diferente\u201d, diz Mariotti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo, portanto, aplica-se a qualquer contexto no qual seja necess\u00e1rio produzir ideias n\u00e3o rotineiras e aprender em grupo, abandonando o modo habitual de perceber o mundo. A \u00e1rea educacional e o universo das empresas s\u00e3o dois desses contextos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a escuta sens\u00edvel \u00e9 apenas um dos atributos para essa nova cultura de di\u00e1logo. Na outra ponta, existe o autoposicionamento. Trata-se de uma oportunidade de usar construtivamente os nossos sentimentos e n\u00e3o escond\u00ea-los, de revelar inten\u00e7\u00f5es e valores. Um dos obst\u00e1culos para uma boa conversa fluir \u00e9 a dist\u00e2ncia entre o que estamos realmente pensando e o que estamos realmente dizendo. Na medida em que me permito autoposicionar, permito aos outros se autoposicionarem. Dessa forma, o autoposicionamento \u00e9 uma oferta que fazemos a nossos interlocutores. A pr\u00e1tica pode clarificar e impulsionar novas ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escuta sens\u00edvel e o autoposicionamento complementam-se com a aten\u00e7\u00e3o plena (<em>mindfulness<\/em>): \u00e9 o processo de observar atentamente uma experi\u00eancia enquanto ela se desvela, tornando-nos cientes dela momento a momento. No exerc\u00edcio da aten\u00e7\u00e3o plena, deixamos de comparar o tempo todo e de buscar aquilo que ocupa nosso funcionamento mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A TEORIA U<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menos uma teoria e mais um processo, a Teoria U \u00e9 um m\u00e9todo para liderar mudan\u00e7as profundas. Por meio de linguagem pragm\u00e1tica e acess\u00edvel ao ambiente das escolas de neg\u00f3cios, a Teoria U prop\u00f5e uma \u201cjornada\u201d voltada para ampliar a qualidade de percep\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia individual, e consequentemente fazer emergir resultados mais eficazes e inovadores para situa\u00e7\u00f5es complexas. Assim, faz todo sentido que seja aplicada em processos inovadores de forma\u00e7\u00e3o e de tomada de decis\u00e3o no ambiente de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da \u00e1rea de Aprendizagem e Mudan\u00e7a Organizacional do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a Teoria U busca auxiliar indiv\u00edduos \u2013 sozinhos ou em seus grupos e organiza\u00e7\u00f5es \u2013 a atuar em n\u00edveis mais profundos de aten\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a e consci\u00eancia, de maneira que suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam mais guiadas por condicionamentos do passado, mas pelas possibilidades de um novo futuro com base na compreens\u00e3o mais profunda do sistema do qual fazem parte, criando resultados mais inovadores e eficazes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teoria U prop\u00f5e que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social \u00e9 consequ\u00eancia da qualidade de percep\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia a partir da qual operamos nesses sistemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo sugerido pela Teoria U comp\u00f5e-se de sete passos que se distribuem em tr\u00eas movimentos principais, que desenham a letra U.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A descida do U marca o movimento de observar, observar, observar, <\/strong>convidando a um mergulho que compreende: (1) suspender velhos h\u00e1bitos de julgamento e ver com novos olhos; (2) redirecionar a aten\u00e7\u00e3o \u2013 sentir o que est\u00e1 \u00e0 nossa volta; e (3) deixar ir os velhos padr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A base, ou parte mais inferior do U, marca o movimento de retirar-se e refletir<\/strong>, o que abrange a etapa de \u2018presencing\u2019 (termo em ingl\u00eas criado por Otto Scharmer para designar o estado de presen\u00e7a + sensibilidade), na qual \u00e9 poss\u00edvel silenciar, refletir sobre o que foi percebido na descida, e permitir que o saber interior venha \u00e0 tona (4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Finalmente, a subida do U marca o movimento de agir<\/strong>, explorar o futuro por meio do fazer, o que inclui: (5) cristalizar a ess\u00eancia do que est\u00e1 para emergir \u2013 uma vis\u00e3o, uma inten\u00e7\u00e3o; (6) prototipar \u2013 criar aquilo que \u00e9 poss\u00edvel no momento, algo pequeno, r\u00e1pido e espont\u00e2neo, capaz de gerar rapidamente um retorno ou <em>feedback<\/em> daquilo que precisa evoluir na ideia; e (7) realizar, atuando de um novo lugar, com maior potencial para verdadeiras mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na se\u00e7\u00e3o Drops, assista \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/pb\/2016\/02\/29\/drops22-4\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">videoaula<\/a>\u00a0em que o professor Wilson Nobre, fundador do F\u00f3rum de Inova\u00e7\u00e3o da FGV-Eaesp, conta como a Teoria U surgiu, o que prop\u00f5e, e como tem sido aplicada no Brasil e no mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Am\u00e1lia Safatle No Iluminismo, a separa\u00e7\u00e3o do saber em diversas \u00e1reas e disciplinas foi fundamental para a humanidade avan\u00e7ar e aprofundar o conhecimento. 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