{"id":637,"date":"2016-03-02T10:13:55","date_gmt":"2016-03-02T13:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.p22on.com.br\/?p=637"},"modified":"2022-02-22T12:23:49","modified_gmt":"2022-02-22T15:23:49","slug":"processos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.p22on.com.br\/2016\/03\/02\/processos\/","title":{"rendered":"Como estimular o pensamento criativo e melhorar as rela\u00e7\u00f5es sociais"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Magali Cabral<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta se\u00e7\u00e3o voc\u00ea conhecer\u00e1 com mais detalhes alguns processos, ferramentas e metodologias que podem ser usados em espa\u00e7os de aprendizagem, em empresas etc. S\u00e3o abordagens j\u00e1 consagradas e todas com pelo menos dois objetivos comuns: melhorar as rela\u00e7\u00f5es sociais e estimular o pensamento criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Design Thinking <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem<\/strong> \u2012 O Design Thinking \u00e9 oriundo do campo do Design, onde tradicionalmente atuam profissionais formados em escolas de Arquitetura e de Desenho Industrial. Dessas \u00e1reas costumam sair pessoas inovadoras, porque s\u00e3o treinadas para lidar com informa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas, para prototipar e para colocar o ser humano sempre no centro de seus projetos (um engenheiro, por exemplo, p\u00f5e no centro um objeto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o professor da FGV-Eaesp Wilson Nobre, o Design ganhou proje\u00e7\u00e3o quando as empresas perceberam que os <em>designers<\/em> conseguiam inovar de forma radical. Eles desenvolveram metodologia e modelo mental para lidar com situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o definidas, ou que n\u00e3o t\u00eam uma especifica\u00e7\u00e3o clara. Esse modo de ser e pensar dos <em>designers<\/em> foi chamado de Design Thinking. \u201cSe eu puder ensinar alunos e profissionais a pensar como um <em>designer<\/em>, as empresas onde eles estiverem se tornar\u00e3o inovadoras.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aplica\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2012 Novos modelos de neg\u00f3cio, como Uber, Waze, Easy Taxi etc., s\u00e3o frutos de estrat\u00e9gias do Design. A Apple \u00e9 uma empresa de Design, que, primeiramente, pesquisa o que as pessoas gostam, o que \u00e9 bonito e o que \u00e9 pr\u00e1tico. A esses conceitos ela, ent\u00e3o, insere no computador, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aplica\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 Trabalhar a perspectiva de fazer o <em>design<\/em> de um processo educativo (uma escola, um novo m\u00e9todo, um curso) mais inovador, interativo e l\u00fadico. Como o <em>designer<\/em> n\u00e3o necessariamente possui as compet\u00eancias das diversas disciplinas, professores est\u00e3o sendo treinados em Design Thinking para desenvolver cursos inovadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1ticas comuns ao <em>designer thinking<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocar o ser humano no centro dos projetos;<\/p>\n<figure id=\"attachment_659\" aria-describedby=\"caption-attachment-659\" style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Medialab-Prado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-659\" src=\"http:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Medialab-Prado.jpg\" alt=\"Medialab Prado\" width=\"505\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Medialab-Prado.jpg 640w, https:\/\/www.p22on.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Medialab-Prado-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 505px) 100vw, 505px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-659\" class=\"wp-caption-text\"><em>Medialab Prado<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dialogar por imagens: o visual tem uma qualidade muito maior para troca de significados do que palavras;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser colaborativo: no Design Thinking tudo \u00e9 feito em grupo. Para um projeto formam-se times ecl\u00e9ticos (com vis\u00f5es diversas sobre a mesma coisa);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser divergente\/convergente: quando recebe a encomenda de um projeto, o primeiro passo \u00e9 se afastar um pouco e tentar entender o que de fato as pessoas est\u00e3o precisando. N\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o em um primeiro momento em entregar resultado, mas em ampliar perspectivas. Isso \u00e9 feito por meio de diverg\u00eancias ao que est\u00e1 sendo proposto. Feito isso, surgem novas perspectivas e \u00e9 hora de convergir para as respostas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prototipar: todo o passo a passo de um <em>designer<\/em> \u00e9 feito a partir da prototipa\u00e7\u00e3o at\u00e9 convergir ao produto final que se tenta oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Thinking Environment<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem:<\/strong> A abordagem baseou-se inicialmente nos estudos da professora e escritora americana Nancy Kline, que trata da forma como se desenvolviam os pensamentos das pessoas durante reuni\u00f5es em grupo. Usando estudos de neuroci\u00eancia e psicologia, ela chegou \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o de que na sociedade ocidental as pessoas t\u00eam muita dificuldade em deixar que os pensamentos fluam de maneira harm\u00f4nica e proveitosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Objetivo:<\/strong> Criar ambientes prop\u00edcios para que fluam bons pensamentos que contribuam para uma conversa produtiva e dirigida ao resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aplica\u00e7\u00e3o<\/strong>: Nancy Kline desenvolveu uma ferramenta \u2013 chamada 10 Passos \u2013 para ajudar na aplica\u00e7\u00e3o do Thinking Environment. Por exemplo, um dos passos, o da <em>igualdade<\/em>, assume que as pessoas t\u00eam o mesmo direito a fazer uso da palavra, o que melhora muito a possibilidade de todos poderem contribuir na conversa. \u00c9 comum, principalmente na sociedade latina, algumas pessoas mais eloquentes monopolizarem a conversa e, com isso, subtrair do outro a possibilidade de tamb\u00e9m trazer uma contribui\u00e7\u00e3o. \u201cA pessoa que tamb\u00e9m quer falar fica esperando uma brecha e, enquanto isso, deixa de acompanhar o pensamento do outro\u201d, explica Nobre. \u201cVira uma reuni\u00e3o de v\u00e1rios mon\u00f3logos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro passo, o da <em>aprecia\u00e7\u00e3o,<\/em> ensina que, quando se consegue fazer uma aprecia\u00e7\u00e3o sincera ao outro, cria-se um forte v\u00ednculo social que derruba algumas das barreiras de medo das rela\u00e7\u00f5es sociais. A pessoa se sente mais \u00e0 vontade, perde a inibi\u00e7\u00e3o e deixa de se proteger do outro que eventualmente poderia interpret\u00e1-la de maneira inadequada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os demais passos s\u00e3o <em>perguntas instigantes <\/em>(pode fazer a diferen\u00e7a na reuni\u00e3o)<em>, aten\u00e7\u00e3o<\/em> (a qualidade da aten\u00e7\u00e3o do ouvinte e seu interesse genu\u00edno naquilo que ouve determinam a qualidade do pensamento de quem fala), <em>calma<\/em> (a calma cria; a urg\u00eancia destr\u00f3i), <em>encorajamento,<\/em> <em>sentimentos, informa\u00e7\u00e3o, diversidade e localiza\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para obter mais detalhes sobre os 10 Passos, acesse <a href=\"http:\/\/www.timetothink.com\/thinking-environment\/the-ten-components\/place\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>World Caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordagem de conversa\u00e7\u00e3o em grupo que se prop\u00f5e a estimular a criatividade das pessoas por meio da intera\u00e7\u00e3o e, com isso, trazer intelig\u00eancia coletiva \u00e0 tona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem:<\/strong> O m\u00e9todo foi criado por Juanita Brown e David Isaacs e aplicado pela primeira vez em 1995, na Calif\u00f3rnia (EUA). Isaacs \u00e9 presidente e Brown \u00e9 conselheira da Clearing Communications, uma empresa de estrat\u00e9gia organizacional e de comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o autor do livro <em>Educa\u00e7\u00e3o Fora da Caixa<\/em>, Alex Bretas, uma das premissas b\u00e1sicas do World Caf\u00e9 \u00e9 que todos trazem conhecimento para compartilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCada um traz consigo seu leque de hist\u00f3rias, perspectivas, sonhos, ideias e sabedorias. Nesse sentido, o Caf\u00e9 torna poss\u00edvel quebrar a l\u00f3gica <em>broadcasting<\/em> do \u2018um para muitos\u2019 (<em>caso das palestras e das salas de aula tradicionais<\/em>) e enfatizar a vis\u00e3o sist\u00eamica, por meio de conversas baseadas na horizontalidade e na colabora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1tica:<\/strong> As 7 principais recomenda\u00e7\u00f5es para a montagem de um World Caf\u00e9:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Definir o motivo da reuni\u00e3o e o resultado que se espera alcan\u00e7ar. Com base nisso, escolher as pessoas que devem ser parte da conversa e, s\u00f3 ent\u00e3o, o tema e as perguntas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criar um ambiente acolhedor. Os participantes precisam sentir-se confort\u00e1veis e autoconfiantes para apresentar e ouvir ideias de um modo criativo. Em geral, a disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de grupos de quatro ou cinco pessoas em mesas-redondas no estilo de um Caf\u00e9. Todos devem ser encorajados a escrever, desenhar e rabiscar as ideias em cartolinas, <em>post-its<\/em> ou nas pr\u00f3prias toalhas de mesa;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental elaborar perguntas que estimulem os participantes a se engajarem em conversas significativas. Dessas respostas \u00e9 que surge o conhecimento. Dependendo dos objetivos do encontro e do tempo dispon\u00edvel, explorar uma \u00fanica pergunta pode ser suficiente. O mais importante \u00e9 que as perguntas sejam relevantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estimular a contribui\u00e7\u00e3o de todos em rodadas de conversa de 20 a 30 minutos. Mais do que participar, \u00e9 importante acolher aqueles que querem contribuir ativamente com ideias e perspectivas. Basta ouvi-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Possibilitar a circula\u00e7\u00e3o entre as mesas para haver contato entre as pessoas. Uma das caracter\u00edsticas do World Caf\u00e9 \u00e9 a chamada \u201cpoliniza\u00e7\u00e3o cruzada\u201d, em que as pessoas trocam de mesa, fazendo uma conex\u00e3o entre as ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualidade da escuta talvez seja o fator mais importante para determinar o sucesso de um Caf\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima etapa, chamada de \u201ccolheita\u201d, o grupo re\u00fane-se em um grande c\u00edrculo para tentar tornar \u201cvis\u00edvel\u201d o todo das discuss\u00f5es. Antes, por\u00e9m, alguns minutos devem ser destinados a uma reflex\u00e3o silenciosa sobre padr\u00f5es, temas e quest\u00f5es mais profundas experimentadas nas conversas em grupo a serem compartilhadas com o grupo maior. Aos anfitri\u00f5es, recomenda-se que disponham de um m\u00e9todo de \u201ccapturar essa colheita\u201d \u2012 trabalhar com registros gr\u00e1ficos \u00e9 o mais indicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aplica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Para Alex Bretas, o potencial de engajamento de um World Caf\u00e9 \u00e9 enorme. \u201c\u00c0 medida que os participantes trocam de mesa, \u00e9 como se a dist\u00e2ncia entre eles diminu\u00edsse. Funciona como uma met\u00e1fora de nossas conversas cotidianas, que se cruzam formando redes de intera\u00e7\u00e3o em escalas cada vez maiores. N\u00e3o utilize o World Caf\u00e9 se sua inten\u00e7\u00e3o for \u2018transmitir\u2019 conhecimento ao grupo. Nesse caso, recorra a uma palestra ou a uma aula\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Open Space<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Open Space Technology, ou Tecnologia do Espa\u00e7o Aberto, \u00e9 um formato criativo de reuni\u00f5es em que qualquer coletivo pode se auto-organizar para interagir em torno de um tema \u2012 \u00e9 \u00f3timo para tratar de assuntos urgentes e complexos que despertem a diversidade de pontos de vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem:<\/strong> O consultor organizacional Harrison Owen desenvolveu essa metodologia em meados dos anos 1980 ao perceber que, nos simp\u00f3sios em formato tradicional (<em>com apresenta\u00e7\u00e3o de papers, pain\u00e9is etc.<\/em>) que costumava organizar, os momentos mais criativos aconteciam nas rodas formadas no <em>coffee break<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele refletiu: \u201cA sabedoria moderna est\u00e1 ofuscando algo que j\u00e1 sab\u00edamos e j\u00e1 experiment\u00e1vamos desde o in\u00edcio dos tempos. Uma das mais antigas pr\u00e1ticas do <em>Homo sapiens<\/em> era a roda de conversa em torno da fogueira sem nenhuma coordena\u00e7\u00e3o central\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O simp\u00f3sio seguinte j\u00e1 foi totalmente diferente. Ele aboliu as agendas, os comit\u00eas de planejamento, as comiss\u00f5es de gest\u00e3o etc. Tudo que os participantes precisavam saber era o tema, data e hor\u00e1rio do in\u00edcio e previs\u00e3o de conclus\u00e3o dos trabalhos. Owen sentou-se com os 85 participantes formando um c\u00edrculo e, para espanto de todos, 2h30 depois, a agenda \u2013 organiza\u00e7\u00e3o de uma oficina de tr\u00eas dias \u2013 estava totalmente planejada nos menores detalhes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segredo, segundo Alex Bretas, est\u00e1 na pr\u00f3pria simplicidade. \u201cAo eliminar as regras impostas e abrir espa\u00e7o para o que emerge do grupo, o m\u00e9todo ajuda a tornar vis\u00edvel a complexidade das organiza\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um Open Space sempre deve ter um tema central de interesse de todos os participantes, geralmente orientado para uma a\u00e7\u00e3o (<em>um novo projeto, por exemplo<\/em>). Depois de reunidos em c\u00edrculo \u00e9 que a pauta \u00e9 criada. Diversas conversas ocorrem simultaneamente e podem tratar de assuntos distintos, desde que mantendo uma conex\u00e3o com o tema proposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Open Space \u00e9 guiado por quatro princ\u00edpios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas que vierem s\u00e3o as pessoas certas \u2012 abra m\u00e3o da expectativa em rela\u00e7\u00e3o a quem deve vir \u00e0 reuni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hora que come\u00e7ar \u00e9 a hora certa para come\u00e7ar \u2012 abra m\u00e3o das expectativas quanto ao hor\u00e1rio de in\u00edcio das sess\u00f5es, pois as coisas acontecem quando est\u00e3o prontas para acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que acontecer \u00e9 a \u00fanica coisa que poderia ter acontecido \u2012 abra m\u00e3o da expectativa sobre como as intera\u00e7\u00f5es devem acontecer e para onde a conversa deve fluir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando acabar, acabou: abra m\u00e3o da expectativa sobre quando deve terminar uma conversa. Se terminar antes \u00e9 porque tudo j\u00e1 foi tratado; caso a intera\u00e7\u00e3o se estenda, talvez seja realmente necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lei dos 2 p\u00e9s: <\/strong>O Open Space \u00e9 regido pela chamada \u201clei dos 2 p\u00e9s\u201d, que refor\u00e7a a responsabilidade de cada um para com seu pr\u00f3prio aprendizado e abre a roda para quem quiser se movimentar. \u201cA ideia \u00e9 que as pessoas participem do que realmente t\u00eam vontade, podendo sair de uma conversa sempre que entenderem que n\u00e3o est\u00e3o fazendo a diferen\u00e7a ali\u201d, explica Bretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa movimenta\u00e7\u00e3o permite a figura das \u201cabelhas\u201d \u2012 participantes que levam informa\u00e7\u00f5es de um grupo a outro \u2012 e das \u201cborboletas\u201d, que optam por n\u00e3o participar de nenhum grupo. \u201c\u00c0s vezes, o encontro entre duas ou mais borboletas pode acabar inaugurando uma nova conversa\u201d, afirma. Um Open Space pode durar duas horas ou v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pedagogia da Coopera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a sociedade segue privilegiando uma l\u00f3gica competitiva, a Pedagogia da Coopera\u00e7\u00e3o vem propor processos de ensino orientados por culturas mais colaborativas. A abordagem facilita a solu\u00e7\u00e3o de conflitos e o alcance de objetivos de maneira sustent\u00e1vel e agrad\u00e1vel e pode ser aplicada em empresas, escolas, governos, comunidades, ONGs, fam\u00edlias etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das virtudes que permeiam a Pedagogia da Coopera\u00e7\u00e3o, a facilitadora de processos de aprendizagem e colaboradora da Escola Schumacher Brasil e do Instituto Singularidades, Denise Curi, destaca quatro: o desapego (somos todos mestres e aprendizes), a integridade, a plena aten\u00e7\u00e3o e a abertura para compartilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem:<\/strong> O m\u00e9todo come\u00e7ou a ser aplicado no Brasil na d\u00e9cada de 1990, na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Alguns educadores, entre eles F\u00e1bio Brotto, buscavam transformar a postura competitiva, geralmente associada \u00e0s pr\u00e1ticas esportivas, e promover uma nova maneira de jogar. Para eles, jogos cooperativos apresentavam uma estrutura alternativa, em que os participantes jogam com \u2013 e n\u00e3o contra \u2013 os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pilares que sustentam a Pedagogia da Coopera\u00e7\u00e3o, segundo Denise Curi, podem ser resumidos em:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>Princ\u00edpios<\/strong>: da \u201c<em>Co-Exist\u00eancia<\/em>\u201d \u2013 a compreens\u00e3o de que somos interdependentes; da \u201c<em>Com-Viv\u00eancia<\/em>\u201d \u2013 o reconhecimento do outro; da <em>Coopera\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 a confian\u00e7a e o respeito m\u00fatuo; e o da \u201c<em>Comum-Unidade<\/em>\u201d \u2013 o ambiente para cultivar o esp\u00edrito de grupo.<\/li>\n<li><strong>Procedimentos<\/strong>: indicam um jeito de fazer. Por exemplo, os encontros acontecem em c\u00edrculo (num c\u00edrculo todos se v\u00eam e somos todos iguais) e todo c\u00edrculo tem um centro (que representa o que \u00e9 essencial para o grupo e, ao mesmo tempo, nos lembra da exist\u00eancia de algo comum entre n\u00f3s); come\u00e7ar sempre do mais simples para o mais complexo; ser mestre e aprendiz; come\u00e7ar e terminar juntos; utilizar a \u201censinagem\u201d cooperativa.<\/li>\n<li><strong>Processos<\/strong>: as metodologias colaborativas empregadas, por exemplo Jogos Cooperativos; Dan\u00e7as Circulares, o Di\u00e1logo, o World Caf\u00e9, o Open Space, entre outros.<\/li>\n<li><strong>Sete Pr\u00e1ticas<\/strong>: <em>Fazer \u201cCom-Tato\u201d<\/em> \u2013 promover a integra\u00e7\u00e3o, aproxima\u00e7\u00e3o, reunir as pessoas para come\u00e7arem juntas e se reconhecerem; <em>Estabelecer \u201cCom-Trato\u201d<\/em> \u2013 estabelecer acordos de coopera\u00e7\u00e3o e de \u201cCom-Viv\u00eancia\u201d; <em>Compartilhar \u201cIn-quieta-a\u00e7\u00f5es\u201d<\/em> \u2013 compartilhar perguntas, d\u00favidas, incertezas sobre o tema; <em>Fortalecer alian\u00e7as e parcerias<\/em> \u2013 estimular as habilidades de relacionamento colaborativo, desenvolvendo a autonomia, a parceria, a confian\u00e7a, o respeito m\u00fatuo; <em>Reunir solu\u00e7\u00f5es \u201cComo-uns\u201d<\/em> \u2013 fazer a colheita de todas as ideias, sugest\u00f5es, dicas, <em>insights<\/em>, mantendo um ambiente de livre circula\u00e7\u00e3o, sem julgamentos; <em>Projetos de Coopera\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 transferir para o dia a dia a pr\u00e1tica das solu\u00e7\u00f5es encontradas; <em>Celebrar o \u201cVenSer\u201d<\/em> \u2013 reconhecer e Celebrar cada passo da caminhada, das aprendizagens individuais e em grupo que foram conseguidas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Teatro Social da Presen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Origem: <\/strong>O m\u00e9todo surgiu h\u00e1 cerca de dez anos quando Otto Scharmer, o criador da Teoria U, conheceu a educadora e bailarina com tradi\u00e7\u00e3o budista <a href=\"http:\/\/arawanahayashi.com\">Arawana Hayashi<\/a>. Scharmer sentia falta da comunica\u00e7\u00e3o por express\u00e3o corporal em sua Teoria U. Assim, Hayashi aportou todos os seus estudos sobre linguagem corporal \u00e0 pesquisa do grupo do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O curso de Teoria U traz uma s\u00e9rie de quatro pr\u00e1ticas \u2013 relacionais, mentais, individuais e sociais. Esta \u00faltima \u00e9 feita na forma de teatro e conduzida por Hayashi, que a batizou de Teatro Social da Presen\u00e7a. Conhe\u00e7a mais assistindo ao v\u00eddeo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qMPei0Drjfk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1ticas: <\/strong>Decerta forma s\u00e3o as mesmas aplicadas no teatro. Segundo ela, teatro \u00e9 \u201co local da express\u00e3o de uma hist\u00f3ria sobre um quadro social\u201d. No teatro, esse quadro social n\u00e3o precisa ser explicado. Basta enxerg\u00e1-lo. A palavra \u201cpresen\u00e7a\u201d refere-se \u00e0 necessidade de que as pessoas estejam de fato presentes na hist\u00f3ria: abrir os ouvidos, abrir a intui\u00e7\u00e3o e perceber o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aplica\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira fase \u2013 Faz-se uma esp\u00e9cie de medita\u00e7\u00e3o com o corpo; movimentos para deixar o corpo livre, para experimentar o corpo como ele \u00e9, sem nenhum julgamento. Aprende-se nesse processo a p\u00f4r toda a aten\u00e7\u00e3o no corpo a fim de entend\u00ea-lo. Aos poucos vai se vencendo o ru\u00eddo mental que bloqueia movimentos e a mente e o corpo v\u00e3o entrando em sintonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segunda fase \u2013 Expressar-se com a linguagem corporal. Alguns movimentos representam verbos (estar sentado, estar deitado, estar ajoelhado, estar em p\u00e9, estar andando e estar virando). Para cada verbo h\u00e1 um movimento e, com o tempo, \u00e9 poss\u00edvel construir uma frase inteira s\u00f3 com o uso de movimentos. Os movimentos passam a ser a linguagem e \u00e9 poss\u00edvel conversar atrav\u00e9s deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceira fase \u2013 H\u00e1 um exerc\u00edcio chamado <em>stuck<\/em> (trava) que usa a linguagem do corpo para pedir ajuda social \u00e0s outras pessoas. O grupo faz movimentos corporais de liberta\u00e7\u00e3o para ajudar a pessoa com \u201cproblema\u201d a encontrar uma sa\u00edda para si. N\u00e3o tem m\u00edmica e ningu\u00e9m emite uma palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarta fase \u2013 Aplica-se um mapa do sistema social que est\u00e1 em quest\u00e3o e atribui-se alguns pap\u00e9is (como no teatro) referentes ao problema que se quer solucionar. Por exemplo, para estudar o que se passa com o sistema educacional de uma universidade. Definem-se quem s\u00e3o os <em>stakeholders<\/em> e todos s\u00e3o convidados a formar o Teatro Social da Presen\u00e7a. Cada um assume o personagem de um <em>stakeholder<\/em> e diz qualquer frase que vier \u00e0 cabe\u00e7a relativa ao papel que vai desempenhar. Feito isso, forma-se um cen\u00e1rio: sem nenhuma palavra, as pessoas buscam um movimento de maior conforto em rela\u00e7\u00e3o ao que ela est\u00e1 representando e que, em tese, n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. Esses movimentos v\u00e3o acontecendo um em rela\u00e7\u00e3o ao outro. As posi\u00e7\u00f5es dentro da sala v\u00e3o criando um novo cen\u00e1rio, que logo traduzir\u00e1 o que est\u00e1 acontecendo com aquele sistema educacional que se est\u00e1 pesquisando. H\u00e1 um grupo de observadores. Quando os movimentos se estabilizam, as pessoas dizem uma nova frase sobre o que est\u00e1 sentindo naquele momento. Depois que os \u201catores\u201d falam, o grupo que assistiu tamb\u00e9m toma a palavra. Essas falas \u00e9 que reproduzir\u00e3o tudo o que est\u00e1 acontecendo naquele universo que se est\u00e1 pesquisando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magali Cabral Nesta se\u00e7\u00e3o voc\u00ea conhecer\u00e1 com mais detalhes alguns processos, ferramentas e metodologias que podem ser usados em espa\u00e7os de aprendizagem, em empresas etc. S\u00e3o abordagens j\u00e1 consagradas e todas com pelo menos dois objetivos comuns: melhorar as rela\u00e7\u00f5es sociais e estimular o pensamento criativo. 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